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domingo, 21 de junho de 2026

Impérios também assinam rendição

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Por que o cessar-fogo assinado em 17/06 põe em dúvida o poder militar dos EUA e a hegemonia do Ocidente? Como a guerra desnudou a ultradireita e seu projeto de supremacismo. O que a América Latina, agora alvo de Washington, pode aprender.

Antonio Martins - Site Outras Palavras * 18/06/2026

Em julho de 2025, o analista político chinês Victor Hao olhou para o projeto de Donald Trump e traçou um paralelo histórico que provocou surpresa. O esforço do presidente dos EUA para superar, por meio de um choque, o prolongado declínio de seu país poderia ricochetear de forma tão dramática — previu ele — como o de Mikhail Gorbachev para reformar o combalido sistema soviético. Trump seria, na profecia de Hao, o coveiro do império americano e da hegemonia do Ocidente. Onze meses depois, em 17 de junho de 2026, o presidente dos EUA assinou no Palácio de Versalhes, sob o olhar impávido de Emmanuel Macron, um acordo de cessar-fogo com o Irã. Negociações mais extensas, envolvendo as capacidades nucleares de Teerã e as indenizações a serem pagas por Washington, começarão em 19/6, na Suíça. Tudo ainda é provisório, frágil e sujeito a abalos (em especial, de sabotagens de Israel). Mas tornou-se impossível não lembrar de Hao, por três motivos complementares.

I.

No plano imediato, os compromissos assumidos por Trump em Versalhes expressam o fracasso completo da aventura lançada contra o Irã pelos EUA e Israel, em 28 de fevereiro. O Irã não concedeu nada importante. O programa de mísseis que abalou a supremacia bélica de Washington e Telaviv no Oriente Médio prosseguirá, já que sequer é mencionado no compromisso. Teerã também não precisará, por enquanto, recuar sequer um passo em seu programa atômico. O objetivo de derrubar o regime iraniano, inclusive por meio do assassinato de seu líder supremo, fracassou espetacularmente. O aiatolá Ali Khamenei foi alvejado e pereceu aos 86 anos. O sistema de poder liderado por ele sobrevive, superou uma crise de impopularidade e sai da guerra fortalecido.

O Estreito de Ormuz será reaberto — ou seja, voltará à posição de antes da guerra. Após 60 dias, o Irã poderá cobrar pela passagem de navios pelo local. Em contrapartida, os EUA encerrarão o bloqueio dos portos iranianos e — muito mais importante — o Irã poderá exportar livremente seu petróleo desde já. A crise econômica provocada pelo ataque norte-americano (e, antes dele, por anos de sanções) poderá ser vencida, com consequências políticas muito favoráveis ao regime de Teerã…

Adicionalmente, a depender das negociações, os ativos iranianos congelados no exterior poderão ser recuperados — e os EUA financiarão, com US$ 300 bilhões, um programa de reconstrução do país.



II.

Por que Washington, cuja força bélica é incomparavelmente superior à de Teerã, foi obrigada a recuar tanto? A resposta mais imediata remete à configuração militar surpreendente do conflito e a seu desdobramento econômico. Desenvolvimentos tecnológicos recentes, aponta Paul Krugman, reduziram de modo dramático a vantagem do imenso arsenal de guerra dos EUA. As consequências, potencialmente transformadoras, requerem análise mais profunda. Sabe-se que drones Shahed de 20 mil dólares, que o Irã consegue produzir em grandes quantidades, equiparam-se agora a mísseis Patriot de US$ 1 milhão.

O regime iraniano serviu-se deles para alcançar dois objetivos estratégicos, que estabeleceu com enorme sagacidade. Primeiro, anular a ideia de que as defesas de Israel e das monarquias do Golfo Pérsico aliadas a Washington eram inexpugnáveis. Segundo — e muito mais importante — fechar o Estreito de Ormuz e provocar uma crise de abastecimento de combustíveis e fertilizantes que ameaçou abalar as economias ocidentais e devastou a popularidade de Trump nos EUA.

Uma série de matérias da revista britânica The Economist mostrou, nas últimas semanas, que as reservas estratégicas de petróleo dos EUA e seus aliados estavam próximas de se esgotar. Ao falar em Versalhes, Trump reconheceu que o prolongamento da guerra — e em especial do bloqueio da passagem crucial — produziria em poucos dias uma crise de desabastecimento, que poderia contaminar mercados financeiros. É evidente que Teerã aproveitou-se disso para tensionar ao máximo as negociações e alcançar vantagens que em outros cenários seriam inconcebíveis.


III.

Mas as mutações políticas — e as lições teóricas que é possível tirar delas — são ainda mais profundas. A derrota de Trump revela os limites de uma das ideias centrais à onda de ultradireita que percorre as Américas e a Europa. Está em xeque o supremacismo, expresso na fórmula Make America Great Again (MAGA); na destruição, por Trump, da ordem internacional que os EUA ergueram após a II Guerra Mundial; na crença de que o Ocidente poderia restaurar sua supremacia trocando a construção de consensos pela aplicação da força bruta.

O impasse que resulta pode ter grande relevância política e abrir avenidas para a ação — porque o avanço da ultradireita tem causas claras. A desigualdade cresceu de forma incontrolável nas décadas do neoliberalismo e segue avançando, como mostram as fortunas agora trilionárias das big techs e seus barões. Incapazes de frear este movimento, as formas atuais de democracia passaram a ser desacreditadas pelas maiorias. Emergiu entre estas a crença no individualismo, no salve-se quem puder e nos “homens fortes”. Que possibilidades serão abertas caso ela fracasse? A esquerda saberá finalmente aproveitá-las?


IV.

O fracasso de Trump no Oriente Médio terá consequências especiais para a América Latina. Na nova Doutrina de Segurança Nacional dos EUA (a chamada “Doutrina Donroe”), a região é vista pela potência decadente como seu território de caça — o espaço do mundo cujas riquezas naturais e relações socioeconômicas pode rapinar à sua vontade. É provável que, humilhada, a Casa Branca volte-se com ainda mais voracidade para onde se sente segura. Seu peso não é desprezível, como mostram as vitórias eleitorais da direita e da ultradireita pró-EUA na maior parte dos países do continente.

Junto com a Europa, a América Latina é uma das partes do mundo onde o futuro parece mais sombrio. As esperanças do “desenvolvimento” foram sufocadas há 40 anos. A condição periférica é reforçada pelo surgimento e avanço de novas tecnologias, em que a região é subalterna. O horizonte político estreita-se. Boa parte dos movimentos sociais e dos ativistas parece limitar suas ambições — e seu desejo político — à torcida para que a ultradireita não seja capaz de formar maioria nas eleições seguintes.

No Irã, Trump e seu “novo” projeto de dominação eurocêntrica acabam de sofrer uma derrota histórica. Em que medida ela poderá estimular a esquerda e os movimentos da região a recompor seus projetos, suas articulações, suas lutas? A questão pede respostas.

domingo, 7 de junho de 2026

Trump vai interferir na eleição do Brasil?

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“A hegemonia americana está no fim” — e o Pix ajuda a explicar por quê. Cientista político vê sinais de declínio da influência norte-americana, e afirma que o sistema de pagamentos brasileiro desafia estruturas do poder financeiro.

Jornal GGN - 06/06/2026

As recentes tensões entre Estados Unidos e Brasil, a disputa tecnológica e financeira em escala global e o avanço de novas potências econômicas são, para o cientista político Leonardo Avritzer, sinais de uma mudança profunda na ordem internacional.

Em entrevista ao Jornal GGN, reproduzida no vídeo acima, o pesquisador afirma que o mundo vive um processo de transição no qual a hegemonia exercida pelos Estados Unidos desde o pós-guerra dá sinais claros de esgotamento.

Segundo Avritzer, as dificuldades enfrentadas por Washington para impor sua agenda em diferentes regiões do planeta, somadas ao fortalecimento econômico da China e ao surgimento de mecanismos alternativos de integração financeira, revelam um cenário cada vez mais multipolar.

Nesse contexto, o Brasil passa a ocupar uma posição estratégica, especialmente por iniciativas que ampliam sua autonomia tecnológica e financeira – e é nesse ponto que entra o Pix que, na visão do cientista político, representa mais do que uma inovação bancária bem-sucedida.

De acordo com Avritzer, o PIX simboliza a capacidade de países emergentes de desenvolverem soluções próprias, reduzindo a dependência de estruturas financeiras historicamente vinculadas aos interesses norte-americanos (como o sistema SWIFT).

“O Pix incomoda os Estados Unidos”, afirma o cientista político. Na avaliação dele, a ferramenta se insere em um movimento global de busca por alternativas aos sistemas tradicionais de pagamentos e transferências internacionais, em um momento em que diferentes países procuram ampliar sua soberania econômica.

terça-feira, 25 de junho de 2024

Julian Assange - Livre!

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Julian Assange, o jornalista australiano e fundador do WikiLeaks, foi liberado da prisão de segurança máxima em Londres nesta segunda-feira (24/6). Ele estava detido há mais de cinco anos na capital do Reino Unido. Após a liberação, ele embarcou rumo à Austrália, seu país natal.

De acordo com a agência de notícias AFP, Assange concordou em se declarar culpado em um tribunal dos Estados Unidos por revelar segredos militares. Este acordo foi feito em troca de sua liberdade, encerrando assim um longo drama legal.

A agência de notícias informa que o jornalista comparecerá a um tribunal nas Ilhas Marianas do Norte, um território dos Estados Unidos no Pacífico. Segundo o acordo, ele se declarará culpado de conspiração para obter e disseminar informações de defesa nacional.


COMUNICADO DO WIKILEAKS
"Julian Assange está livre. Ele deixou a prisão de segurança máxima de Belmarsh na manhã de 24 de junho, depois de ter passado 1.901 dias lá. Ele recebeu fiança do Supremo Tribunal de Londres e foi libertado no aeroporto de Stanstead durante a tarde, onde embarcou em um avião e partiu do Reino Unido.

Este é o resultado de uma campanha global que abrangeu organizadores de base, defensores da liberdade de imprensa, legisladores e líderes de todo o espectro político, até às Nações Unidas. Isto criou espaço para um longo período de negociações com o Departamento de Justiça dos EUA, conduzindo a um acordo que ainda não foi formalmente finalizado. Forneceremos mais informações o mais breve possível.

Depois de mais de cinco anos numa cela de 2×3 metros, isolado 23 horas por dia, ele em breve se reunirá com sua esposa Stella Assange e seus filhos, que só conheceram o pai atrás das grades.

O WikiLeaks publicou histórias inovadoras sobre corrupção governamental e violações dos direitos humanos, responsabilizando os poderosos pelas suas ações. Como editor-chefe, Julian pagou caro por esses princípios e pelo direito do povo de saber.

Ao regressar à Austrália, agradecemos a todos os que estiveram ao nosso lado, lutaram por nós e permaneceram totalmente empenhados na luta pela sua liberdade."
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Fonte: Diário  do Centro do Mundo - 24/06/2024









quinta-feira, 25 de junho de 2015

A nova roupa da direita

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Glória Alvarez em palestra no Instituto FHC, diante do próprio

Rede de conservadores dos EUA financia jovens latino-americanos para combater governos de esquerda da Venezuela ao Brasil e defender velhas bandeiras com um nova linguagem

Por Marina Amaral, do site Agência Pública

Já havíamos comentado neste Blog em abril sobre a vinda da jovem Gloria Alvarez à UFPR (ver matéria "Guatemalteca de centro-direita fará palestra na UFPR contra governos progressistas...") e denunciado as ligações da moça com entidades conservadoras dos EUA, que a financiam para tais viagens.  A palestra da jornalista de direita, no salão nobre da Faculdade de Direito, foi anunciada até na página principal da UFPR.

A matéria do site Agência Pública é algo longa, mas esclarecedora, vale a pena ler.  Desta vez, "Crazy Glorita" atacou na PUC-RS, para um auditório lotado.

Abaixo, alguns trechos iniciais da matéria.

“O corpo é a primeira propriedade privada que temos; cabe a cada um de nós decidir o que quer fazer com ele”, brada em espanhol a loirinha de voz firme, enquanto se movimenta com graça no palco do Fórum da Liberdade, ornado com os logotipos dos patrocinadores oficiais – Souza Cruz, Gerdau, Ipiranga e RBS (afiliada da Rede Globo). O auditório de 2 mil lugares da PUC-RS, em Porto Alegre, completamente lotado, explode em risos e aplausos para a guatemalteca Gloria Álvarez, 30 anos, filha de pai cubano e mãe descendente de húngaros.

Radialista há dez anos, hoje com um programa na TV, Gloria é uma show-woman cativante. Conduz com desenvoltura a plateia formada majoritariamente por estudantes da PUC gaúcha, uma das melhores e mais caras universidades do Sul do país. “Quem aqui se declara liberal ou libertarista que levante a mão?”, pede ao público, que responde com mãos erguidas. “Ah, ok”, relaxa. Sua missão é ensinar a seus pares ideológicos como “seduzir e enamorar os públicos de esquerda” e vencer “os barbudos de boina de Che”, explica a jovem líder do Movimiento Cívico Nacional (MCN), uma pequena organização que surgiu em 2009 na Guatemala na esteira dos movimentos que pediam – sem êxito – o impeachment do presidente social-democrata Álvaro Colom.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Guatemalteca de centro-direita fará palestra na UFPR contra governos progressistas da América Latina

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A convite de setores pró-(neo)liberalismo da UFPR, a jovem Gloria Álvarez, formada em Ciência Política em universidade da Guatemala, irá falar sobre “Populismo e desenvolvimento econômico na América Latina”, amanhã de manhã no salão nobre da Faculdade de Direito. 

A página da UFPR traz em destaque o evento, inclusive veiculando o vídeo de uma fala de Álvarez num evento na Espanha. Nesse vídeo, Glória ataca todos os governos progressistas da América Latina, incluindo Cuba, tachando-os de “populistas” com conotação pejorativa. Na história da América Latina, desde meados do século XX até hoje, sempre que um governante, mesmo proveniente da elite, tomou medidas que atendiam as necessidades mais sentidas de seu povo, foi classificado pelas elites burguesas capitalistas como “populista”, como se isso fosse um palavrão. O conceito de “populismo” até hoje é uma controvérsia nunca desfeita entre estudiosos de Ciências Humanas.

Assim se deu com Getúlio Vargas, no Brasil, por ter criado a legislação trabalhista, dobrado o salário mínimo nos anos 1950 e criado a Petrobras. Como “populista” tacharam João Goulart em 1964 por causa das reformas de base, motivo para os militares fascistas o derrubarem para instalar uma ditadura. Como populistas também são denominados todos os presidentes que combateram as mazelas sociais produzidas pelo neoliberalismo na América Latina desde o começo do Século XXI: Hugo Chávez, na Venezuela; Rafael Correa, no Equador; Evo Morales, na Bolívia; Lugo, no Paraguai (derrubado por golpe jurídico); José Mujica, no Uruguai; o casal Kirchner, na Argentina; Lula, no Brasil.

No mesmo vídeo reverberado na página da UFPR, a guatemalteca cita um de seus referenciais teóricos, Florentino Portero, um historiador espanhol. Portero foi membro de um grupo de consultoria (GEES) do governo de direita do ex-primeiro ministro da Espanha Jose Maria Aznar, de direita. O GEES (Grupo de Estudios Estrategicos) é um think-thank da direita espanhola, com relações com fundações neoconservadoras norte-americanas como o PNAC (Project for the New American Century) e seus membros frequentavam muito a Casa Branca no governo Bush.


Em suma, a UFPR acolherá, em uma de suas faculdades, uma apóstola de Friedrich Hayek, um dos pais-fundadores do Neoliberalismo (foto ao lado). Não sem razão, um dos grupos liberais que organiza a palestra de Álvarez é o GELD (Grupo de Estudos Liberalismo e Democracia), formado por alunos de Direito da UFPR.  

A Universidade deve ser o locus privilegiado do dissenso, da pluralidade e do debate. Assim como a jovem guatemalteca vem à UFPR defender seus obsoletos argumentos liberais com sua fala bem articulada, também nós, do lado de cá, nos reservamos o direito de alertar que a fórmula liberal não serve aos povos e aos trabalhadores, já foi desmascarada de novo na crise mundial iniciada em 2008 (ainda não superada) e só engendra misérias e tragédias sociais.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Quem é Rogério Chequer, o líder do movimento "Vem pra rua"

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Assisti à “entrevista” do “líder” do "Vem pra Rua” no Roda Viva (23/3), aliás um festival de levantadas de bola para a nova celebridade.  Para dizer, entre outras pérolas, que foi Lula quem inventou esta história de “pobres contra ricos” e “empregados contra patrões” no Brasil, o que daria para ganhar um troféu de ignorância histórica e cara de pau política. O vídeo está na internet.

Por Fernando Brito, no Blog Tijolaço

Como eu sou um cara curioso, fui descobrir coisas que seus intrépidos entrevistadores da TV Cultura e das páginas amarelas da Veja não cuidaram de saber. Aliás, como não cuidaram quando, em 2013, apresentaram um dublê da Globo como líder dos coxinhas.

Por exemplo, que Chequer vivia, até poucos anos atrás, nos Estados Unidos. E desde 2004, pelo menos, porque é o endereço de 101 Summer Street, Stamford, Connecticut que dá à Junta Comercial de São Paulo na abertura da empresa Frida Participações, em 2004.

E que lá era sócio de uma empresa chamada “Atlas Capital Manegement“, até 2011, junto com David Chon e Harry Kretsky, que geria fundos de investimento. Um deles, o Discover Atlas Fund com US$ 115 milhões em ativos, segundo o site Institutional Investitor.

Não se sabe por que cargas d’água Rogério deixou o empreendimento, mas há um processo aberto contra ele e os sócios pelo fundo de hedge Discovery Capital Management na Corte Distrital do estado americano de Connecticut, de 2012. Kretsky e Chequer, segundo a reportagem do Investitor trabalharam lá e é bem coincidente o nome do principal fundo que geriam (Discover x Discovery).

O mesmo ano em que foi admitido na empresa por onde hoje se apresenta, a Soap Comunicações, especializada em apresentações de negócios.

De qualquer forma, seja por ter tido problemas nos negócios financeiros nos EUA, seja por ter sido acometido por uma terrível saudade do Brasil (não é?), Chequer voltou não faz muito tempo para cá e já lhe dão a janelinha.

Ele, como qualquer pessoa, tem o direito de se manifestar. Mas quando o tornam uma figura pública, uma “referência nacional”, o que ele faz, fez e qual é a sua trajetória passa a interessar e é dever dos jornalistas informar, salvo se não tiverem interesse em saber de onde vem o personagem que promovem nacionalmente.

Como é direito da gente perguntar: será o "Vem para a Rua" traduzível como Go to Street?

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

EUA votam na ONU contra o “combate à glorificação do nazismo”

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Enquanto se multiplicam os protestos nos Estados Unidos contra a decisão do júri que livrou de julgamento o policial que matou o jovem negro Michael Brown, que já levou mais de 400 pessoas à cadeia na cidade de Ferguson, no estado sulista do Missouri, e em outras regiões dos Estados Unidos por protestar, a diplomacia acaba de marcar um “golaço” na luta contra o racismo.

Por Fernando Brito, no Blog Tijolaço

Gol contra, fique claro.

É que na sexta-feira a Assembléia Geral da ONU votou uma declaração “contrária à glorificação do nazismo e outras práticas que contribuem para alimentar formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância”.

O resultado, claro, foi de aprovação esmagadora: 126 votos a favor e três contrários, com 50 abstenções.

Os três votos contrários?

Estados Unidos, Canadá (que sempre o acompanha) e o pequeno arquipélago de Palau, na Oceania, que se declarou “estado associado” aos EUA, embora 99% dos americanos nem saibam da existência daquelas ilhotas paradisíacas, que só viraram notícia por causa de um relatório que a apontou como maior consumidora de maconha per capita do mundo.

Para quem duvidar, está aqui a folha de votação, no site das Nações Unidas.

É bom saber, para quem duvidou da matéria da BBC, de que por lá se pagam pensões a acusados de crimes de guerra na Alemanha.

É impressionante como o isolacionismo diplomático dos Estados Unidos só é comparável ao seu intervencionismo bélico.

Um país que deu milhares de vidas ao enfrentar a Alemanha nazista, que é presidido por um negro, que se constituiu com imigrantes do mundo inteiro e que tem décadas de avanço em reconhecimento dos direitos de orientação sexual, votar contra uma resolução destas?

É, nada para desagradar a cada vez mais forte direita interna e que atrapalhe o flerte com os movimentos neonazistas no Leste Europeu (Albânia, Bósnia, Bulgária, Ucrânia, República Checa, Eslovênia e Hungria, entre outros, se abstiveram).

Parece o PSDB com os “pró-ditadura” da [Avenida] Paulista.
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Fonte: Texto e ilustração do Tijolaço, em 27/11/2014

domingo, 27 de abril de 2014

O cerco

Um comentário:
Replicados com disciplinado zelo pela emissão conservadora, disparos regulares da mídia internacional defendem a rendição inapelável do Brasil aos ditames da restauração neoliberal.  O tom é de ‘basta!’. ‘Intervencionismo, ineficiência e corrupção’ formam o tripé de um mantra repetido à exaustão pelo dispositivo midiático para qualquer tema ou circunstância.

Por Saul Leblon, no site Carta Maior

Explica-se: a dissidência brasileira na crise afrontou com sucesso o sopro de morte da austeridade optando por políticas contracílicas baseadas em crédito estatal, investimentos públicos (PAC 2), fomento à habitação, valorização do poder de compra do salário mínimo e geração de empregos.

O saldo gerou uma inércia de demanda e geração de empregos que resiste até hoje como uma gigantesca costela de pirarucu entalada na garganta dos mercados.  Se isso funciona, como é que fica a restauração neoliberal aqui e na América Latina?

É preciso desqualificar um passado que pode ser usado para credenciar novas heterodoxias no futuro e, sobretudo, nas urnas.

Chegou a hora de colocar as cordas, os pescoços e as agendas nos devidos lugares, diz o jogral que nunca desafina.

Ponto número um: o Brasil é um grandioso caso de desastre intervencionista.

Ou não é isso o que reafirma o caso da refinaria de Pasadena, agora brindado com a obsequiosa decisão da juíza Rosa Weber de criação de um palanque nacional para a mídia e seus candidatos execrarem a Petrobras em plena campanha sucessória?

Ponto número dois: o país deve aceitar os termos da rendição incondicional que a emissão conservadora local e forânea advoga diuturnamente.

A saber: fim da intervenção estatal na agenda do desenvolvimento; choque de juros ‘para trazer a inflação à meta’ - conduzido por um BC ‘independente’ (das urnas); esvaziamento do BNDES, privatização do pré-sal (tese que ganha agora uma corneta de difusão eleitoral, graças à CPI); cambio livre, arrocho na ‘gastança social’ etc.

O tom imperativo da ofensiva estrangeira remete ao jornalismo da ‘guerra fria’ contra governos não alinhados, nos anos 50/60.

Três exemplos dos últimos quinze dias:

Financial Times: Nova matriz econômica do Brasil ouve anúncio de morte (07/04/2014).

The Economist: Trabalhador do Brasil é gloriosamente improdutivo (17/04/2014).

New York Times: Brasil grandioso se desfaz (21/04/2014).

O denominador comum é a incompatibilidade entre ‘dirigismo’ estatal e ‘gastança fiscal’(assim, vinculados, como xipófagos), e redução do juro para a retomada do investimento.

Como na ‘guerra fria’, o silogismo é ilustrado não raro com exemplos grotescos.  Filas no recente Festival de Música Lollapalooza, em São Paulo, abrem a ‘reportagem’ da Economist, por exemplo, para ilustrar a evidência da improdutividade do trabalhador brasileiro.


terça-feira, 1 de abril de 2014

1964 foi golpe dos EUA e da mídia contra o Brasil

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Quando comecei a frequentar assembleias estudantis, ali pelos anos 80, ainda era comum escutar que havia policiais infiltrados anotando tudo, fazendo a “ficha” de quem se manifestava. A turma mais “pós-moderna” achava que era tudo “paranoia”. Do mesmo jeito, muita gente dizia que atribuir aos EUA participação decisiva no golpe de 64 era pura “invenção”, ou “paranoia” esquerdista. E não era. Nunca foi…

Por Rodrigo Vianna, no Blog Escrevinhador

Já se sabe, há alguns anos, que os Estados Unidos - com John Kennedy e depois Lyndon Johnson – conspiraram contra o Brasil em 1964. A Operação “Brother Sam” garantia o envio de aviões, de navios de guerra e até a entrada de tropas dos Estados Unidos para dar apoio aos golpistas - se assim fosse necessário.

Reportagem de Luiz Carlos Azenha, no Jornal da Record, trouxe mais detalhes sobre o apoio dos Estados Unidos ao golpe (clique aqui para ver). Assim como apresentou novas evidências de que o comandante do II Exército (São Paulo), Amaury Kruel, recebeu malas de dólares para trair Jango e aderir ao golpe.

O que isso tudo tem a ver com a foto do presidente deposto João Goulart, que permanecerá na capa deste blog durante todo o dia de hoje? Ora, Jango durante muito tempo foi criticado pela esquerda e a direita. Os conservadores diziam que ele era um “comunista” propenso a transformar o Brasil “numa nova Cuba”. Besteira grossa, sem fundamento. Jango era um líder trabalhista, queria reformas – mas dentro da ordem democrática.

Já a esquerda acusava Jango de fraqueza, por não ter resistido ao golpe. Hoje se sabe que ele tinha conhecimento das movimentações das tropas dos EUA. Jango temia que, se resistisse de armas na mão, daria aos gringos a desculpa para entrarem no Brasil – dividindo nosso território. Aliás, preocupação semelhante à de Getúlio Vargas – que em 1954 também chegou a falar que temia ver o Brasil dividido (como acontecera com a Coréia).

Para os Estados Unidos, seria ótimo dividir o Brasil – literalmente. Apesar de todos nossos problemas, somos um incomodo – um país grande, bem relacionado com nossos vizinhos, pronto a desafiar (ainda que de forma discreta e pontual) o domínio dos EUA na América do Sul.

A queda de Jango foi (também) um capítulo dessa disputa, dessa longa batalha da América Latina por independência e autonomia.

De forma brilhante, o professor Moniz Bandeira mostra como se deu esse longo embate: os detalhes estão em seu “De Marti a Fidel” – livro sobre a Revolução Cubana. Vargas cercado pela direita (e levado ao suicídio) em 1954, Arbenz derrubado na Guatemala no mesmo ano, tentativa norte-americana de invadir Cuba (Baía dos Porcos) e derrubar Fidel. São todos capítulos da mesma guerra. Em 1964, Jango e a Democracia brasileira foram golpeados em meio a essa conjuntura. Que depois vitimaria Argentina, Uruguai e o Chile de Allende.

Estampar a foto de Jango, no dia em que o golpe nefasto completa 50 anos, é um gesto não só de defesa da Democracia, mas de defesa da independência e da soberania nacional.

Jango – assim como Vargas dos anos 50 – simboliza a defesa do interesse nacional. Estou entre aqueles que não aceitam o termo “populismo” como forma de definir a linha política que unia Vargas-Jango-Brizola, e que de alguma forma chegou até Lula-Dilma. Não. Nada de “populismo”. Trata-se do trabalhismo brasileiro. Com seus defeitos e imperfeições.

Não aceito também a tese do “colapso do populismo” – expressão utilizada em certos circuitos universitários paulistas, para definir o que houve em 1964. Prédios entram em colapso. Falar em “colapso do populismo” é desconhecer (ou minimizar) o golpismo que uniu conservadores brasileiros a interesses dos Estados Unidos, em meio à Guerra Fria.

Jango foi derrubado. O golpismo derrubou um governo legítimo e popular. Foi necessário um golpe para derrubar um presidente que – se pudesse ser candidato em 1965 – seria reeleito (como indicavam pesquisas do IBOPE feitas na época, e só agora divulgadas).

Nesse primeiro de abril de 2014, não aceitemos a mentira dos revisionistas, nem o cinismo de editoriais/artigos da imprensa velhaca, que falam do golpe como algo “inevitável”ou como uma “porrada necessária” (na expressão infeliz de um ex-cineasta que aderiu ao revisionismo da Globo). Não!

Precisamos esculhambar revisionistas e escrachar torturadores – como a rapaziada fez com Brilhante Ustra em Brasília. Precisamos, sim, homenagear os mortos na luta contra a ditadura (muitos deles, sob tortura) e cobrar informações sobre os desaparecidos!

Mas devemos lembrar também o que veio antes, lembrar o ato fundador da barbárie: em primeiro de abril de 1964, Jango foi derrubado pela direita lacerdista, com apoio de amplos setores da Igreja Católica e da mídia velhaca (Marinhos, Mesquitas, Frias, entre outros), e sob ameaça concreta de invasão de nosso território pelas tropas dos Estados Unidos.

1964 foi (também) um golpe dos Estados Unidos contra o Brasil. Lembrar Jango é dizer não à ditadura, não à intervenção estrangeira. Sim à Democracia, sim à luta pela independência nacional.

Viva Jango, nosso presidente!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Acerto Reitoria-Santander mixou. Mesmo?

4 comentários:
O Blog NaLuta foi o primeiro a denunciar um semidesconhecido acerto entre o banco privado espanhol Santander e a Reitoria da UFPR para fazer novos crachás de alunos e servidores.  As críticas apareceram nas postagens do Blog NaLuta  "UFPR promove banco estrangeiro" de 10/01/2012 e "Misterioso Banco Santander..." , de 16/01.

Depois disso, muito mais membros da comunidade universitária da UFPR passaram a debater o tema.  O blog MobilizaUFPR, editado pelo servidor Fernando Oliveira, agarrou essa bandeira e buscou investigar mais os documentos do tal acerto entre o reitor Akel e os espanhóis.  Levado à assembleia de fnal de janeiro do Sinditest, o acerto foi objeto de unânime moção de repúdio dos servidores presentes no Anf. 100. O DCE teve posições contraditórias e a APUFPR só se manifestou há poucos dias, condenando a intenção de entregar ao superbanco europeu o acesso à potencial clientela da UFPR.

A Assessoria de Comunicação Social da UFPR, em matéria de 05/01, havia anunciado para março próximo a troca dos crachás de identificação dos servidores e estudantes.  Passado um mês e meio, vem a mesma ACS, em nota de 17/02, anunciar que a "UFPR revoga chamada pública", em que se informa que:

"O reitor da Universidade Federal do Paraná, Zaki Akel Sobrinho, revogou no dia 13 de fevereiro o Edital de Chamamento Público no qual o Banco Santander passaria a fornecer os crachás de identificação dos servidores e dos alunos."

com a justificativa de que

"...a legislação não permite que as instituições públicas tenham conta em instituições bancárias privadas, mesmo que seja uma conta de transferência de dados."

Contraditoriamente, no parágrafo a seguir, a nota da ACS "esclarece" que:

"Apesar de cancelado, o procedimento seguiu todas as normas da Lei 8.666, a chamada Lei Geral das Licitações, e foi considerado dentro da legalidade e transparente."

Dá para entender isso?  A Reitoria num parágrafo diz que o acerto com o Santander foi cancelado "porque a legislação não permite" e, no parágrafo seguinte, informa que o procedimento "foi considerado dentro da legalidade". Um surto de esquizofrenia parece estar acometendo a administração superior... ou é receio mesmo de posteriores consequências do barulho que a comunidade (principalmente técnicos) conseguiu fazer neste esvaziado período de férias. 

Contudo, dessa esquizofrênica nota da ACS-Reitoria, ainda se extrai mais alguma coisa.  Ela ainda lamenta no final:

"A implantação do cartão permitiria a economia de recurso financeiro da universidade empregado com as carteiras de estudante e com as identidades funcionais."

Quer dizer que, depois da montoeira de recursos da União recebidos através do Programa REUNI (de 4 anos para cá), esta superhiperultra-bem-administrada Universidade não planejou alocar uma partezinha, uma só, para algo tão básico como identidades funcionais e estudantis em período de expansão?  Quer fazer economia, tercerizando, privatizando, promovendo parcerias nada transparentes da instituição pública com um dos vilões da crise econômica mundial como esse megabanco europeu??  

Assim, reiteramos as perguntas que já apontamos na primeira postagem em janeiro denunciando o acertinho Gestão Akel/Santander:

- não tem a UFPR recurso e tecnologia próprios para fazer seus próprios crachás?
- se fosse o caso de fazer parceria com instituição bancária, não poderia ser com um banco público, como CEF ou BB?

Em que pese a nota da ACS de 17/02, segundo a qual "mixou o lance" entre esses banqueiros bonzinhos e o melhor administrador da UFPR, reservamo-nos o direito de esperar mais um pouco para saber se mixou mesmo, e se mixou tudo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Misterioso Banco Santander, futuro senhor dos crachás funcionais da UFPR

9 comentários:
Quantos terão visto ontem à noite reportagem do programa "Domingo Espetacular", da TV Record, sobre o banco espanhol Santander?  Sim, o mesmo banco privado estrangeiro a quem a Reitoria quer entregar a confecção de novos crachás funcionais dos alunos e técnicos da UFPR, dotados de chip e capazes de servir também como cartão de débito bancário.

A reportagem da TV Record apresenta dados preocupantes sobre o banco e a sinistra figura de seu presidente Emílio Botín.  Clique aqui para ver o vídeo completo da matéria de TV.  

Botín e sua família estão envolvidos no escândalo das "cuentas opacas", acusados de desviar altas somas para depósitos secretos na Suíça.  Continuam sob investigação do Tribunal de Contas da Espanha, inclusive porque o banco é curiosamente um oásis de prosperidade financeira no meio de uma Espanha devastada pela crise da moeda europeia.  Sabidamente, o banco Santander tem ligações com a ultra-reacionária organização católica Opus Dei, a qual sempre busca recrutar novos seguidores nos meios universitários (e para isso o Santander possui uma ramificação dedicada só ao ensino superior).

No Brasil, o Santander é um dos bancos com mais reclamações junto ao Banco Central, principalmente porque faz débitos não-autorizados nas contas dos correntistas.  E ainda, segundo o PROCON, um dos que pior responde e resolve essas reclamações.

É com essa instituição financeira esquisita que a Reitoria da UFPR quer fazer parceria para dar acesso aos dados de identificação de grande parte da comunidade universitária (professores estão fora). Você confia?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

EUA: urinando sobre nossas cabeças

Um comentário:


No vídeo acima, divulgado mundialmente, soldados dos EUA urinam sobre os cadáveres de afegães, enquanto fazem piada.

A sensibilidade contemporânea foi em grande parte anestesiada pela naturalização midiática da violência social e política. Imagens e relatos burocratizados descarnam corpos e estatísticas de sua história e humanidade. Intencional ou não, o mecanismo dissolve a fronteira que separa a vítima do algoz. Mesmo o sangue, assim derramado, não deixa espaço para suas causas seminais. Às vezes um ruído cênico sacode a monotonia. 

Risos sobre cadáveres, por exemplo. Soldados urinando sobre corpos sem vida. Vozes celebrando a 'chuva dourada' em corpos cinzas. Foi o que fez um vídeo postado no YouTube, nesta 4ª feira, em que mariners brancos, jovens, alegres aliviam suas bexigas e a humanidade que lhes resta sobre talibãs mortos a seus pés (http://www.liveleak.com). Um carrinho de pedreiro ao lado dos corpos, despejados com alguma simetria, e a sincronia real ou simulada das bexigas, sugere que a exibição teve o dedo de um cenógrafo cuidadoso. 

O virtuosismo amador ganhará seu minuto de glória para sucumbir em seguida no fluxo que já tragou outras cenas de horror. As fotografia vazadas de Abu Ghraib em 2004 e 2006, por exemplo; as fotos reveladas pela Der Spiegel, em março de 2011, em que soldados igualmente jovens, posam sorridentes segurando cabeças de afegães abatidos como se fossem troféus de caça; ou ainda a esquecida humilhação de prisioneiros em uniforme cenoura, encapuzadas e enjaulados de joelhos na base militar dos EUA, em Guantánamo, sem direito a julgamento, sem comprovação de crime, sem prazo para sair do limbo jurídico. 

O buraco negro da monotonia ensandecida poderia ser sacudido se o conformismo midiático desse à perversão a sua contrapartida racional. Humanos são feitos de razão e circunstâncias. As circunstâncias desse desfrute de impunidade tem sua origem institucional no arbítrio de um poder que reafirma sistematicamente seu direito imperial de decretar o estado de exceção a um planeta reduzido à condição de fronteira estendida de seus interesses. Foi o que reiterou o simpático Barack Obama na nebulosa dispersão do último dia de 2011. 

Horas antes de embarcar de férias ao seu Havaí natal, o democrata eleito com a promessa de fechar Guantánamo, revalidou o Ato de Autorização de Defesa Nacional. Na essência, o mesmo sancionado por Bush, há dez anos, que 'legaliza' a existência do campo de concentração e proíbe o ingresso de seus prisioneiros ao território americano, impedindo-os de desfrutar do direito a habeas corpus, do veto a prisão sem evidencia formal de crime e outros marcos de legalidade que distinguem uma democracia de um estado de exceção. 

Dias depois, em cinco de janeiro, o mesmo Obama anunciaria cortes no orçamento da defesa compensados, como advertiu, pela ênfase em operações secretas. Leia-se: atos de sabotagem, guerra cibernética e ataques fulminantes a alvos específicos. A julgar pelos assassinatos em série que já mataram quatro cientistas ligados ao programa nuclear iraniano, vetado pelo Império, a nova doutrina tem eficácia comprovada. 

O alívio aterrador de bexigas militares sobre cadáveres talibãs ampara-se em precedente institucional à altura: o jorro contínuo de cinismo institucional despejado pela grande bexiga do norte nas nossas cabeças.
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David Harvey explica a crise capitalista

3 comentários:


David Harvey, nascido na Inglaterra em 1935, é um geógrafo marxista formado em Cambridge e professor na City University of New York.  O vídeo é em ritmo rápido mas muito interessante, e está legendado. 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Mais exemplos de injustiça? O caso Assange e a infinita hipocrisia do imperialismo dos EUA

2 comentários:
Julian Assange, fundador do WikiLeaks, site que expôs as vísceras imundas da diplomacia estadunidense, corre o risco de ser extraditado pela Justiça britânica para a Suécia. Dali, ele pode ser enviado aos Estados Unidos, cujo governo supostamente democrático liderado por Barack Obama tem a intenção de condená-lo por espionagem, o que pode resultar até em pena de morte.

A acusação que pesa sobre Assange não pode ser considerada séria. O homem é suspeito de manter relações sexuais sem usar camisinha, o que é considerado crime na Suécia, país hoje governado por uma coligação de direita, fiel aliada do império.


Pretexto  O fundador do WikiLeaks, perseguido como um grande meliante internacional (colocaram até a Interpol no seu encalço), sustenta que é inocente e classifica as acusações de mero pretexto para atingir o polêmico site que criou.

O processo “é uma injustiça”, conforme Assange. “Nunca pude apresentar a minha versão da história", disse em entrevista coletiva. Seu assessor jurídico, o professor da Universidade de Harvard Alan Dershowitz, denunciou a hipocrisia daqueles que, neste momento, exigem liberdade de imprensa “em países como o Egito e Irã. Portanto, teremos de deixar claro que não podem medir com dois pesos e duas medidas e limitar o uso dos novos meios quando afetam aos interesses dos EUA”.

As correspondências reveladas pelo site criaram grandes constrangimentos para os EUA, pois mostram que a diplomacia imperial não tem nada a ver com a retórica da Casa Branca em defesa da “democracia” e dos “direitos humanos”.

Assange e o WikiLeaks prestam um grande serviço à democracia e aos povos na medida em que contribuem para escancarar as verdadeiras razões que orientam a política imperialista. Os fatos revelados têm mais força que os argumentos dos críticos para desmascarar o império. Daí o ódio da Casa Branca.


Espionagem ou jornalismo?  Aquilo que o WikiLeaks faz não tem nada a ver com espionagem. É só bom jornalismo. Os segredos revelados não ameaçam a integridade física de ninguém, mas têm a virtude de expor a infinita hipocrisia dos chefões do imperialismo e seus lacaios pelo mundo, que infelizmente não são poucos.

O que se nota, por parte do governo sueco e dos EUA, é um atentado à liberdade de imprensa e ao jornalismo que merece ser considerado sério ou ético. O silêncio cúmplice da mídia capitalista e das entidades patronais (como a Sociedade Interamericana de Imprensa – SIP) diante desta ofensiva antidemocrática é emblemático.


Conspiração do silêncio  Os fatos desta novela reacionária são noticiados secamente por esta mídia, que se julga a referência do bom jornalismo. Evitam-se maiores comentários. O tema não frequenta os editoriais, embora seja possível fisgar argumentos a favor das justificativas esgrimidas por Washington, sugerindo que a opinião pública não tem o direito de ser informada sobre o verdadeiro caráter da diplomacia imperialista e deve confiar cegamente na retórica enganadora da Casa Branca, que simula a defesa dos direitos humanos, da democracia e da liberdade de imprensa.

O ex-presidente Lula criticou com razão a conduta desses meios de comunicação, que no Brasil constituem monopólio de quatro ou cinco famílias capitalistas (Marinho, Frias, Civita e Mesquita). “Não vi um ato em defesa do fundador do WikiLeaks”, disse, enquanto ainda estava à frente Presidência da República, numa referência irônica à mídia hegemônica. Pois é. Imaginem se o sueco fosse caçado não pela CIA, Interpol ou Barack Obama, mas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A conversa seria outra.
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Fonte: Portal Vermelho

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

"Estão bombardeando 1,5 milhão de pessoas enjauladas"

Um comentário:
A frase acima é de um dos relatos publicados em um blog que ainda consegue funcionar dentro de Gaza, no próprio teatro da matança, enquanto seu autor não for também "apagado" pelo Exército "em-legítima-defesa" nazisraelense. Reproduzimos o trecho da postagem:

"Bombardearam o mercado central de frutas de Gaza... ao mesmo tempo, bombardearam um prédio de apartamentos... é tipo o inferno aqui agora... já são mais de 500 mortos e 2500 feridos, dos quais 50% são crianças... há feridas que você não gostaria de ver... crianças chegando com o abdome aberto...

Entre as centenas que vimos entrando no hospital, um era militar do Hamas... qualquer um que queira apresentar isso como uma guerra contra outro exército está mentindo... é uma guerra total contra a população civil ... eles estão bombardeando 1 milhão e meio de pessoas que estão enjauladas."

Quem fala é Mads Gilbert, médico noruguês que está no meio do inferno em Gaza, dando notícias reais, ao invés de repetir os boletins de imprensa do exército de Israel que vemos na grande mídia.

Porque o grupo político-sindical que assina este blog tem entre seus princípios a luta contra a opressão dos povos, contra a agressividade imperialista, nós de Avançar na Luta CHAMAMOS a categoria dos técnico-administrativos a demonstrar sua sensibilidade com o sofrimento do povo palestino, sua solidariedade, participando amanhã da seguinte atividade conjunta com outras entidades:

PASSEATA CONTRA O MASSACRE EM GAZA, DE SOLIDARIEDADE AOS PALESTINOS

9 DE JANEIRO - SEXTA-FEIRA - 11 HORAS

PRAÇA SANTOS ANDRADE, ESCADARIAS DA UFPR

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Fonte: com informações do Blog Idelber Avelar



segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Gaza: a mega-Auschwitz(*) sob comando do fascismo do governo de Israel

Um comentário:

A charge sem palavras, emprestada do blog do chargista brasileiro Latuff, já diz muita coisa. Triste terminar um ano e começar outro tomando conhecimento desse genocídio dentro do autêntico "favelão" sitiado que é a faixa de Gaza, uma autêntica prisão a céu aberto no Oriente Médio. E mais triste perceber a indiferença quase total da ONU e dos países desenvolvidos para impedir essa situação de David contra Golias, em que Golias sempre leva a melhor, por contar com a retaguarda do imperialismo estadunidense.
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Histórica sapatada no estúpido chefe do imperialismo norte-americano

3 comentários:

"É o beijo de despedida, seu cachorro!", bradou o jornalista iraquiano ao atirar seus sapatos contra o presidente George W. Bush Jr., que visitou de surpresa ontem o Iraque semidestruído pelo Exército dos EUA. [Clique aqui para ver no Youtube um dos vídeos das sapatadas.]


O árabe errou o alvo de seu "míssil" sapateiro, mas os mísseis de verdade do imperialismo norte-americano, desde 2005, devastaram o Iraque e ceifaram centenas de milhares de vidas de iraquianos civis. Fica aqui nossa solidariedade à luta do povo árabe contra quem lhes quer tomar à força as riquezas, a dignidade e a vida.
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Crédito da Foto: Folha de S. Paulo - 15/12/2008