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terça-feira, 21 de julho de 2026

Biotecnologia: o risco de uma nova eugenia

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Convergência entre biotecnologia, nanotecnologia e ciências cognitivas impulsiona perigosa corrida tecnológica. Edição genética ultrapassa laboratórios de saúde e entra na mira das potências globais: será esta técnica utilizada para aumentar o abismo social?

Reinaldo Guimarães - Outras Palavras * 21/07/2026

Nos tempos atuais, visões de futuro são escravas de grande indeterminação e, por vezes, há tentativas de olhar o que poderá vir a ser a partir do resgate de conceitos e práticas que se pensava já estarem superadas, se não extintas. Este texto pretende explorar um terreno onde essa assertiva tem lugar. As práticas eugênicas completamente ultrapassadas, muitas vezes sancionadas por políticas nacionais, voltam à cena. O desenvolvimento da biotecnologia, em particular as tecnologias de edição genética mediante ferramentas cada vez mais precisas, oferece as possibilidades técnicas para a criação, em laboratório, de “humanos melhores”. Como veremos adiante, esse resgate vem embalado como uma “neoeugenia”.

A biotecnologia é um vasto campo de saberes e práticas com grande transversalidade. Seus braços vão desde a saúde humana até o clima, a agricultura, o meio ambiente, a indústria e a defesa, entre outros. No terreno da saúde humana, as contribuições biotecnológicas, como a edição genética já mencionada, destinam-se a prolongar e salvar vidas. Entretanto, e essa é também uma marca dos tempos correntes, esse campo está imerso em uma dimensão muito presente nas tecnociências, que é o das tecnologias duais.

A face mais conhecida das tecnologias duais no campo biotecnológico diz respeito à guerra microbiológica e ao bioterrorismo, capazes de criar microrganismos patogênicos, aumentar sua virulência, fazer com que se tornem mais resistentes a medicamentos e vacinas, aumentar sua transmissibilidade etc. Mas há outra vertente dessa dualidade, mais atual e ainda muito aberta a desenvolvimentos, que diz respeito à edição genômica em humanos, que busca aumentar suas capacidades físicas e mentais, sua resistência a traumas psíquicos ou torná-los mais inteligentes.

Essa vertente, que tem como objetivo um denominado “aprimoramento humano”, está na raiz da neoeugenia e engendra consequências muito afastadas dos laboratórios de pesquisa biotecnológica. Por exemplo, de ordem bioética: qual a sua moralidade – haverá distinções sociais e econômicas entre os “aprimorados” e os “não-aprimorados”? Há também debates político-ideológicos – uma eugenia regulada pelo Estado ou pelas famílias – uma eugenia liberal?

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domingo, 12 de julho de 2026

Término unificado da Greve Nacional da FASUBRA indicado para a próxima semana

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Reunião do Comando Nacional de Greve da FASUBRA

O Comando Nacional de Greve da FASUBRA (CNG), composto por representantes de todos os sindicatos de base em greve, reuniu-se nesta sexta-feira (10/07), em Brasília. Nessa ocasião, foi dado a conhecer o quadro de respostas das assembleias desses sindicatos para a consulta chamada pelo CNG acerca de uma validação da Ata da reunião entre o MEC e a Direção Nacional da FASUBRA. Nessa ata, Governo Federal solicita o final da greve unificadamente até 13/07 (2a.feira).

O quadro da consulta assinala 24 entidades de base aprovando o final da greve e outras 13 optando por sua continuidade. Com isto, a FASUBRA oficiará ao MEC a solicitação de que a assinatura do Termo de Acordo, baseado na citada Ata, seja no dia 15/07. Assim, a Direção Nacional da Federação orienta que a categoria dos TAE retorne ao trabalho até 15/07 (4a.feira).

O CNG ainda informa que, conforme previsto no Termo de Acordo de 2024, "a compensação do trabalho em decorrência da participação no movimento grevista observará aspectos qualitativos, com a reposição das atividades represadas, conforme plano de trabalho a ser pactuado entre as entidades de base e as reitorias."
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Com informações e foto da FASUBRA.

sábado, 11 de julho de 2026

Ultraesquerdismo, idealismo filosófico e metafísico às mancheias

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Ontem, pela manhã, o Sinditest realizou, no pátio da Reitoria da UFPR e também online, mais uma assembleia geral híbrida, de uma longa série da greve nacional da FASUBRA, que já se estende por mais de 120 dias. Na pauta constavam os itens de debate sobre uma Ata de reunião entre Governo Federal e Comando Nacional de Greve (CNG) e de deliberação sobre a saída unificada da greve, indicada para o meio da semana que vem.

Pelas imagens, pode-se notar que a reunião da categoria TAE estava relativamente esvaziada, mesmo que contando com assembleias concomitantes em alguns campi do interior, que recebiam via online a transmissão do encontro na Reitoria.

Uma vez mais, o que se viu foi uma refrega entre Diretoria do sindicato (por extensão, Chapa 1 da recente eleição) e setores da oposição sindical (por extensão, várias pessoas da Chapa 3 derrotada nessa eleição), esta nitidamente em maioria na plenária e com oradores primando por discursos marcadamente ultraesquerdistas e antigoverno Lula.

A dita Ata foi lida pela Mesa e, aberto o debate, foi alvo de saraivada de críticas e rejeições, particularmente por esse documento, ainda que aprovado pelo CNG-FASUBRA, não ter a configuração de um autêntico Termo de Acordo de final de Greve. Mas não só. Diversas falas, na prática, acabaram jogando água no moinho da extrema-direita que disputa, ainda que em pré-campanha, a Presidência da República nas eleições gerais de outubro através do traidor da pátria senador Flávio Rachadinha Bolsonaro.



Apenas um orador fez fala assinalando a brutal diferença entre o que é o Governo Lula – que promoveu diversos avanços em políticas públicas, defendeu a democracia contra golpistas e concedeu reposições salariais parciais ao longo de 3 anos ao serviço público (cujos salários estiveram congelados por 6 anos sob os mandatos de Temer e Bolsonaro), além de abrir espaço ao diálogo com os movimentos sociais – e o que foi a antidemocrática e corrupta gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022), totalmente fechada ao diálogo com os trabalhadores. Mas esse militante da base TAE foi essencialmente ignorado.

Na assembleia de ontem, a política do fígado esquerdista prevaleceu e o que interessava era desprezar por completo quaisquer avanços nas negociações de greve e no alcance de um Decreto regulamentando o RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências). O governo Lula foi tachado de autoritário, enrolador e neoliberal, em algumas falas isso dito em altos raivosos brados. Entre muitos ali presentes, parece que se perdeu a memória das imensas dificuldades do movimento sindical sob gestões presidenciais como as de Collor, FHC, Temer e Bolsonaro, sem falar dos tempos ainda da ditadura militar.

Um diretor do Sinditest procurou chamar a atenção de todos para um elemento de análise indispensável sempre que ocorrem entrechoques entre classes sociais, e entre patrão e trabalhador: a maldita correlação de forças entre cada lado, conforme cada época e cada contexto. Aliás, elemento fundamental a levar em conta para se escolher a melhor tática de enfrentamento, como já ensinava o velho revolucionário Vladimir Lenin, na busca sempre de conquistas parciais ou maiores para o movimento.

No sentido oposto a esse apelo ao bom senso político, um dos oradores, histérico, resolveu acariciar os tímpanos dos presentes e, em altos berros, proferiu seus impropérios contra o governo federal e a diretoria sindical, tendo ainda produzido a seguinte pérola, inspirada no mais puro idealismo filosófico metafísico: “A correlação de forças somos NÓS, trabalhadores, que fazemos!!” OK, se tudo depende unicamente da vontade de nós, trabalhadores, façamos já tudo que resolve os problemas criados pelo capitalismo, façamos já a Revolução Socialista! Em uma passagem do clássico filme italiano sobre movimento operário ("A classe operária vai ao paraíso"), um militante trotsquista explica sua singela tática/estratégia de luta: “Queremos tudo, e queremos já!”.

Entretanto, ao comentar isso, não queremos de modo algum dizer que os trabalhadores devem se conformar a alguma espécie de “ditadura da correlação de forças”. Não, é claro que não, caso contrário ficaríamos parados, inertes, esperando que a Divina Providência faça cair dos céus uma melhor correlação de forças sem ir à luta, aos movimentos, às greves e às insurreições. Pois é no terreno da luta de classes, da oposição de dois polos em contenda, dialeticamente, que se criam novas correlações entre as forças políticas e sociais.

Como era de se esperar, o encerramento unificado da greve nacional, proposto pelo CNG para ser em 15/07, próxima quarta-feira, foi rejeitado pela maioria da assembleia de ontem. Essa mesma maioria propõe ao CNG-FASUBRA que se obtenha do Governo Federal um “Termo de Acordo de Greve” para a semana que vem, e, só a partir do teor dele, a categoria dos TAE da base do Sinditest voltará a se reunir em assembleia para debate-lo e também a eventual saída da greve. Resta ver como ficam as bases do sindicato do Paraná diante de uma saída em massa das demais IFES do resto do país.