-->

Impeachment Sem Justificativa Plausível É Golpe!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

FUNPAR do HC ameaçada e a nova reitoria

A Diretoria do Sinditest, preocupada com o futuro de seu curral eleitoral, chamou um dos candidatos a reitor na eleição direta de setembro deste ano para debater o futuro imediato da categoria em extinção. O que ele pode garantir? 

O reitor atual chorou lágrimas de crocodilo em plena assembleia da Funpar, anos atrás, defendendo o emprego dos funparianos. Hoje, o quadro nacional está péssimo para pagar terceirizados e similares.  Por falta de repasses da União, a UFPR atrasa pagamentos de fornecedores e salários de terceirizados.

Ricardo Marcelo, herdeiro dos órfãos de Mulinari (que não teve coragem de sair candidato), vai prometer e chorar o quê?  O quadro atual de golpe de Estado com o usurpador Temer, caso confirmado, projeta um inferno para os trabalhadores em geral e para os funparianos em particular, sob risco de demissão em massa, sem dó.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Dilma em Curitiba em 8 de agosto

A Frente Brasil Popular é uma das articulações nacionais formada por centenas de entidades que lutam contra o golpe do impeachment, pelo #ForaTemer.  Um  grupo derivado da FBP, o "Advogados pela Democracia", teve a iniciativa de reciclar uma boa experiência dos anos 80 e lançou o "Circo da Democracia" no último dia 11, na Faculdade de Direito da UFPR.

O circo será mesmo uma imensa lona montada na Praça Santos Andrade, defronte ao prédio histórico da UFPR. Ali se desenrolará uma ambiciosa programação com presença de figuras políticas e artísticas de âmbito nacional e local, de 5 a 15 de agosto, todos os dias.   A tenda circense abrigará eventos e debates políticos, culturais, artísticos, incluindo apresentações tipicamente circenses.

Já está praticamente confirmada a presença da presidenta Dilma Rousseff na noite de 8 de agosto no circo, como parte da programação propriamente política.  No dia seguinte, o Senado iniciará o rito da votação final do golpe do impeachment, cujo desfecho está previsto para o fim de agosto.  Assim, a presença de Dilma em Curitiba se reveste de grande importância na mobilização para barrar o golpe e remover o usurpador Temer.


As atividades do Circo da Democracia são apoiadas por todas as frentes de luta antigolpe do Paraná: Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo, Cultura Resiste e CWB Contra Temer.

Mega-racha nacional do PSTU e fragmentação de correntes no Sinditest

Era uma vez?

O período 2014-2015 da diretoria do Sinditest foi de completo domínio da linha política do PSTU, ao qual se filiavam os principais diretores, a começar da presidente Carla Cobalchini. Nessa gestão, o Sinditest virou o típico “aparelho” sindical partidarizado, filiando-se à “central” sindical do PSTU (Conlutas), ao Instituto de Estudos do PSTU (ILAESE) e tendo por advogado o presidente estadual do PSTU.  Além de favorecer somente o movimento estudantil (ANEL) e o de mulheres (MML) animados pelo PSTU.

No final de 2015, receando perder a eleição, o grupo do PSTU teve que se aliar ao PSol do antigo diretor Bernardo Pilotto e a grupos independentes outros sem coloração partidária conhecida. Venceram, com certa dificuldade, a eleição contra uma oposição que se dividira em duas chapas.

Logo nos primeiros meses de 2016, já surge uma primeira dissidência: três diretores do sindicato assumem agora pertencer ao desconhecido MAS (Movimento Ao Socialismo).

Mas é no começo de julho que estoura a maior boiada saindo do PSTU: cerca de 700 militantes, em vários estados do país, anunciam seu desligamento da sigla partidária e a formação de um certo movimento para “arrancar alegria ao futuro”.  Do Paraná, cerca de 30 ex-filiados assinaram o “Manifesto” do novo coletivo, a quem chamaremos os “neoalegres”.

Do Sinditest, subscrevem a desfiliação do PSTU os coordenadores José Carlos Assis (coord. Geral), Carla Cobalchini (coord. Imprensa), Mariane Siqueira (coord. Finanças) e a funcionária administrativa Januza.  Assim, parece ter sobrado só o diretor Márcio Palmares como filiado orgânico do partido do inflexível nefelibata Zé Maria...

A razão do mega-racha nacional do PSTU?  A mais importante e evidente é a constatação da inaplicabilidade da orientação lunática desse partido de usar a palavra-de-ordem “Fora Todos”, que imobiliza e isola os militantes que tentam defender isso.  Enquanto todas as esquerdas estão mobilizadas e unidas para derrotar o golpe sob a bandeira de “Fora Temer”, o bandinho do PSTU berra “Fora Todos” só para eles mesmos, favorecendo indiretamente a direita golpista.

Já para os que saíram, é aquela velha cantilena típica da história dos numerosos grupos trotsquistas que já se formaram, racharam e desfizeram no Brasil ao longo de décadas: "agora sim vamos criar a verdadeira organização revolucionária brasileira".  Até o próximo racha. 

Citamos esse acontecido para entendermos se, num futuro breve, assistirmos a confusões no sindicato, devido aos embates entre as várias correntes ali formadas (até agora).  Por exemplo, já parece ter surgido dissensão acerca da permanência do advogado Avanilson Araújo, que estaria com bilhete azul para dezembro deste ano. 

Avanilson é presidente estadual do PSTU e em 2015 já recebia uma boa quantia por serviços de retorno questionável para a categoria.  Não sabemos sua remuneração atual porque faz tempo que a diretoria deixou de publicar com transparência os balancetes trimestrais que prometeu em campanha eleitoral.

Enfim, o “aparelho” sindical agora é cobiçado por muitos grupos (PSTU, PSol, MAS, NeoAlegres, independentes variados). Quem paga a festa são todos os filiados, sem saber bem o quê nem como. 


Vote e foda-se bem, sob os auspícios da FIEP, UFPR e Gilmar Mendes

A UFPR oficialmente associou-se a um consórcio de entidades da burguesia patronal do Paraná, tendo a golpista FIEP à frente, num chamado Movimento “Vote Bem”. Assim, o site da Universidade estampa um convite para o lançamento do dito movimento, a realizar-se numa sede da FIEP na Av. das Torres, na próxima sexta-feira.


E quem é o ilustre palestrante a vir dar “luzes” aos paranaenses sobre como “votar bem”? Nada menos que o juiz mais parcial, mais claramente tucano (PSDB-MT) e de direita, mais cafajeste e crápula do país – Gilmar Mendes, hoje lamentavelmente também presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Sim, o mesmo Gilmar que, em vez de respeitar a toga do STF e só se pronunciar nos autos dos processos, adora os holofotes da grande mídia venal burguesa (também golpista) para dar pitacos sobre quase todos os assuntos da vida brasileira. Recentemente, sem perguntar a nenhum colega seu do STF, repudiou a condenação de juízes da Turquia que apoiaram a tentativa frustrada de golpe de Estado naquele país. Gilmar teme que a coisa possa ocorrer no Brasil com os juízes que, como ele, apoiam o golpe do impeachment que tenta manter o medíocre Temer no poder?

Sim, o mesmo Gilmar Mendes que, em menos de dois dias, deu dois habeas corpus para libertar o banqueiro bandido Daniel Dantas, preso na Operação Satiagraha pelo delegado da PF Protógenes Queiroz.

Sim, a mesma vergonha do Judiciário que libertou o ginecologista tarado estuprador Abdelmassih, violentador de dezenas de mulheres, com o que o pervertido logrou fugir e se esconder no Paraguai.

E a entidade patrocinadora-mor, a Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), a mesma que usou aquele ridículo pato amarelo de borracha para fazer campanha pela derrubada de Dilma? Quando hoje sabemos que um dos mega-sonegadores do país (7 bilhões de dívida com a União) é diretor da FIESP, co-irmã paulista da FIEP, ambas disseminadoras do slogan “Nós não vamos pagar o pato”, percebemos aonde quer chegar esse conluio mafioso com seu movimento para doutrinar como “votar bem”...

“Votar bem” para manter nas Câmaras, Prefeituras, no Congresso, os representantes de uma elite burguesa atrasada, preconceituosa e gananciosa. Eis o intuito. Com a finalidade de arrasar os direitos sociais e dos trabalhadores, através de diversos projetos tenebrosos, de inspiração neoliberal, que farão o Brasil regredir décadas nas conquistas inscritas na Constituição. Ou seja, doutrinar e enganar a população a votar em candidatos que depois ferrarão bonito seus eleitores. Vote e foda-se bem depois, isto sim!

O reitor da UFPR – o reitor sem projeto de Universidade, o que quer se dar bem com todos, mesmo com os fascistas e golpistas do estado – contra-argumentará que a UFPR tem que ser plural, acolher todos os pontos de vista etc etc. Sim, a Universidade Pública deve ser plural mas não pode confundir pluralidade com neutralidade aparvalhada sem rumo, que dá margem ao aumento da predominância de quem já tem muito poder. 

Este Blog repudia o co-patrocínio da UFPR a tal movimento e a tal evento que coloca na ribalta um juiz que envergonha o poder judiciário e a entidade golpista FIEP, conclamando democratas e patriotas a escrachar essa vileza.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

O desfecho de Temer será ainda pior do que o de Cunha.

Fosse o Brasil um país com uma democracia mais sólida e instituições mais isentas, a renúncia de Eduardo Cunha à presidência da Câmara seria recebida como a desmoralização última do processo de impeachment.

Por Carlos Fernandes, no DCM

Responsável pela aceitação de uma denúncia estapafúrdia assinada por gente como Janaína Paschoal, Cunha é a tradução perfeita da ausência de moralidade e de legalidade que permeiam todo o processo que levou ao afastamento de uma presidenta legitimamente eleita.

A sua queda – ainda que com uma demora secular e sobretudo muito longe de ser a que realmente importa: a sua prisão – ratifica sobremaneira o vício e a injustiça do golpe que pretende cassar 54 milhões de votos soberanos.

O fato é que não vivemos num país justo. Aliás, quem mais deveria zelar pela justiça, o Supremo Tribunal Federal, contribuiu irreparavelmente pela desordem e pela instabilidade dos poderes.

Tivesse Eduardo Cunha sido tratado como realmente é, um criminoso internacional e sociopata perigoso, muito provavelmente não teríamos chegado a esse ponto.

A demora do STF em afastá-lo permitiu que um desequilibrado fizesse da casa mais importante da república um instrumento pessoal cuja única finalidade se resumiu a proteger e acobertar toda a sorte de crimes, chantagens e ameaças.

E ainda pior.

Permitiu, com a sua inépcia, que um traidor covarde, através da chancela de corruptos de igual estirpe, ocupasse um cargo que jamais teria pela vontade irrestrita e declarada do povo.

Definitivamente, a única coisa mais afrontosa que Eduardo Cunha na presidência da Câmara é, sem dúvidas, Michel Temer na presidência da República.

Se ainda resta a Cunha o discurso de ter chegado à presidência da Câmara pela via dos votos, nem isso Temer pode alegar. A ilegalidade de sua presidência é ainda mais aviltante e se aprofunda à medida que se aprofunda a ruína de quem deu início a tudo isso.

Humilhado, Eduardo Cunha saiu da presidência que tanto sonhou através de uma carta de renúncia ridícula que nada mais fez do que retratar toda a tragédia que foi a sua gestão.

Michel Temer terá, independente do que aconteça no Senado, um desfecho ainda pior.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Debates entre reitoráveis da UFPR tem calendário oficial definido pela CPC

Reunidos ontem, os membros da Comissão Paritária de Consulta (CPC), que coordena a eleição direta à Reitoria da UFPR, aprovou um calendário para debates entre as duas chapas postulantes.  Serão sete debates, ao longo de agosto e setembro.  Veja a grade aprovada [clique nela para ampliar]:


Esse calendário permite aos candidatos desde já construírem suas agendas específicas de campanha, de modo a poderem comparecer aos debates sem prejuízo de suas visitas às unidades da UFPR da capital e interior. 

As regras dos debates ainda serão formalizadas pela CPC e apresentadas aos dois candidatos em julho.

Para além desse calendário oficial da CPC, há ainda a previsão de que a TV-UFPR organize um debate das duas chapas em estúdio (sem plateia), a ser exibido no canal de TV a cabo usado pela UFPR.  Debates chamados por outros veículos de fora da Universidade também podem acontecer.

Uma proposta apoiada por este Blog - um debate com as candidatas à vice-reitoria como protagonistas -, embora apresentada na reunião, infelizmente não chegou a ser debatida pela CPC.  No entanto, entidades ou outros segmentos da comunidade da UFPR podem propor esse formato diretamente às coordenações das duas campanhas.  Não deixaria de ser também um momento para colocar em destaque as mulheres na política universitária.

O tempo deixou clara a brutal incompetência de Janaína como jurista

Janaína Paschoal não é apenas desequilibrada e reacionária. Ela é também inepta.  A peça de acusação contra Dilma, centrada nas chamadas pedaladas, se revelou uma portentosa miséria. O PSDB poderia pedir de volta os 45 mil reais que pagou a ela.

Por Paulo Nogueira, no DCM

Sequer golpistas levam agora a sério o trabalho de Janaína. Isso ficou especialmente claro quando a senadora Rose de Freitas, líder do governo Temer no Congresso, negou as pedaladas atribuídas a Dilma.

Antes dela, o ministro Gilmar Mendes, o conhecido Toga Falante, dissera uma coisa parecida numa viagem à Suécia. Um estudo do Senado desmentiu também as pedaladas. Diante das novas circunstâncias, um juiz do TCU que falava horrores das alegadas pedaladas de Dilma voltou atrás e agora diz que elas não são importantes.

Vê-se agora que o PSDB aceitou qualquer coisa para iniciar o processo de impeachment. Não houve sequer o cuidado de preservar as aparências. A intenção de lesar a democracia era a única motivação dos golpistas.

Não fosse isso, alguém entre os tucanos teria verificado o conteúdo do projeto apresentado por Janaína e devolvido. Faça algo melhor, teriam dito a ela.

A peça de Janaína simboliza a esculhambação generalizada que é o golpe de 2016. Nem as aparências foram preservadas.

O golpe é, a esta altura, uma piada.

Até as marchas “contra a corrupção” não resistem a um olhar retrospectivo. Corruptos que participaram das manifestações acabaram presos em quantidade copiosa por roubalheiras variadas.

Políticos que apoiaram ostensivamente os protestos estão enredados até o pescoço na Lava Jato. O exemplo mais vistoso é o de Aécio Neves. Quem não se lembra dos vídeos convocatórios que ele gravou antes que viessem à luz, pelos delatores, seus esquemas?

Num caso recente, um picareta que fraudou a Lei Rouanet para lucrar com casamentos era um implacável militante anticorrupção que clamava nas redes sociais a morte de Lula, o “Nove Dedos”.

O projeto de Janaína, repito, simboliza a palhaçada. A única coisa que rivaliza com ele é a sessão da Câmara que admitiu o impeachment, sob o comando de Eduardo Cunha.

Cunha, em si, é outro elemento cômico na trama. Jamais serão esquecidas suas declarações de inocência mesmo diante de provas esmagadoras. Era como se ele estivesse gritando indignado aos brasileiros: “Vocês vão acreditar nos suíços ou em mim?”

Mas a pedra fundamental do golpe paraguaio é mesmo o parecer de Janaína. Ela pretendeu incriminar Dilma, mas acabou atirando contra si própria. Hoje, é vista como uma jurista incompetente — e careira. Dificilmente alguém lhe encomendará um novo trabalho por 45 mil reais.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Nilo Cairo proibido de ver a faixa dos reitoráveis Sunye e Andrea

Foi determinação da Pró-Reitoria de Administração, em ofício datado de hoje.  A faixa de campanha à reitoria da Chapa 1 Marcos Sunye/Andrea Caldas, colocada na entrada do prédio de Ciências Jurídicas, foi retirada pela administração central na manhã de hoje.

O ofício do pró-reitor em exercício estabeleceu que nenhuma das duas chapas concorrentes pode afixar propaganda na fachada do prédio histórico da UFPR.  OK, mas a faixa em questão nem estava à frente das colunas, e sim internamente, sobre a porta de entrada.  Curioso é que a pró-reitoria de Zaki Akel endereçou o ofício para a Comissão Eleitoral do CoUn, e não para a Comissão Paritária de Consulta (CPC).

A CPC, em suas normas eleitorais, inseriu alguns limites à propaganda, porém faixas e banners são plenamente permitidos, desde que, obviamente, não atrapalhem danosamente a visibilidade dentro do campus, o que não é o caso aqui.  Parece mais um certo excesso de zelo.  Ou a gestão Akel, como se comenta nos corredores, protege a chapa Ricardo/Graciela?

Foi instituída na semana passada uma comissão auxiliar, no âmbito da própria CPC, para analisar aspectos éticos no decorrer da campanha eleitoral à reitoria.  A Comissão de Ética da CPC conta com a servidora Patrícia Pott e o professor Afonso Murata.  Qualquer membro da comunidade universitária que testemunhe algo que considere irregular na campanha pode enviar comunicado à Comissão de Ética, preferencialmente acompanhado por evidências da suposta irregularidade.  A secretaria da APUFPR, onde fica sediada a CPC, receberá as queixas ou denúncias. A Comissão de Ética e a CPC analisarão os casos.

O medo do Estadão: a disputa pela história e pela memória em mais um golpe contra a democracia

É papel de todas as historiadoras e historiadores se posicionar diante dos acontecimentos recentes, pois são herança de um período macabro de nosso país.

Do site da FMG, em 24/06/2016

Nós, historiadoras e historiadores matriculados no Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), manifestamos nosso repúdio e, por meio deste, respondemos ao editorial do jornal O Estado de S. Paulo, publicado no dia 14 de junho de 2016 e intitulado "O lugar de Dilma na história". Este periódico sentiu-se na necessidade de comentar um manifesto divulgado pelo movimento "Historiadores pela Democracia", que havia se reunido com a presidenta legitimamente eleita, Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada, para repudiar o golpe em curso no país e defender a democracia.

O referido editorial ataca profissionais da História e a própria História com inverdades. Fazendo uso do recurso retórico da crítica aos autores do argumento, não de seu conteúdo, tentam, de maneira vil, manipular ideias descontextualizadas para atribuir à nossa categoria profissional as motivações das quais se serve para produzir sua versão dos fatos: a ignorância e a mentira. Alegam que os "Historiadores pela Democracia" estariam “com pressa de antecipar a história que será escrita no futuro”. O periódico é taxativo: critica severamente a postura de profissionais de História em defesa da presidenta Dilma e da democracia que o jornal historicamente ataca, pois essa posição “não é história, é má-fé”. Segundo o Estadão, “Não haveria nenhum problema se os defensores dessa interpretação dos fatos fossem cidadãos sem qualquer responsabilidade sobre o que se ensina em sala de aula. No entanto, o que se tem hoje no Brasil é a formulação de uma espécie de pensamento único nas escolas e universidades”.

Se estivesse realmente preocupado com o combate ao pensamento único, este órgão da imprensa criticaria a proposta de uma “escola sem partido”, que limita o conhecimento ao inibir a pluralidade, o pensamento crítico e o debate. O jornal acusa historiadoras e historiadores de má-fé por apresentarem sua interpretação dos acontecimentos atuais, mas esquece que ele mesmo se posiciona na disputa política e ideológica: para o Estadão, só é história aquela que coincide com a sua interpretação. Assim, minando a liberdade intelectual e o direito das professoras e professores exercerem livremente seu ofício, o que está em jogo com esse tipo de discurso é a democracia e a cidadania nos espaços escolares.

Com este editorial, fica evidente que o próprio Estadão luta desesperadamente pela sua narrativa da história, pois é cada vez mais nítido que o afastamento de Dilma é um golpe contra a democracia e os direitos. Profissionais do jornalismo e da história tem grande responsabilidade sobre a narrativa dos acontecimentos, mas o oligopólio da mídia só se importa com um suposto ensino “ideológico” quando a ideologia não é a que defende; só se importa com a corrupção quando é praticada por seus inimigos; só se importa com a democracia quando ela garante direitos e ameaça privilégios.

Fora Temer nesta 3a.feira é na Avenida Paraná, 870, 8 da manhã!

Parece que o 'presidente' ilegítimo vai fugir de Curitiba, se esconderá no interior do estado, longe do povo.  Mas seus ministros golpistas virão.  Preparemos um bom escracho.  No número 870 da Avenida Paraná, via do expresso, logo depois do Terminal Cabral, a partir de 8 da manhã desta 3a. feira, 28/06.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Representante do capital define ordem de candidatos a reitor na cédula

No caso, uma representação do capital dinheiro: uma moeda de 1 real lançada ao ar durante a reunião da Comissão Paritária de Consulta (CPC).

A CPC reuniu-se pela 11a. vez na tarde de hoje, 22, tendo entre os itens de pauta o sorteio da ordem dos nomes dos candidatos na cédula da eleição direta do reitor da UFPR, marcada para 27 e 28 de setembro.

Esta também foi a primeira reunião com a presença dos representantes das duas chapas concorrentes: os professores Paulo, do Direito, pela chapa Ricardo/Graciela, e Marco Randi, da Biologia, pela chapa Sunye/Andrea.  Aceito por todos o método da moeda, partiu do professor Paulo a definição de "cara" para Sunye e de "coroa" para Ricardo.

O membro da CPC professor Afonso fez a moeda demonstrar o funcionamento da lei da gravidade, que caiu com o lado "cara" para cima, indicando que, na cédula, o candidato Sunye virá em primeiro e o candidato Ricardo em segundo.

O que não quer dizer nada. Foi apenas parte do procedimento previsto nas normais eleitorais. O que valerá mesmo é o diagnóstico dos problemas da UFPR e as propostas de cada candidatura a serem debatidos nos próximos meses, até o final de setembro.  E que a comunidade universitária acompanhe atentamente essa discussão sem se deixar levar pelo marquetismo eleitoral.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Temer golpista em Curitiba! Que seja "bem recebido"...

O usurpador da presidência da República, conspirador golpista Michel Temer (PMDB-SP) virá mesmo testar sua popularidade em Curitiba?  Soube-se que o usurpador estará na capital paranaense na próxima 3a.-feira, 28/06, para uma atividade na recém-inaugurada Casa da Mulher Brasileira.

A Casa da Mulher é uma estrutura que integra num mesmo espaço "serviços especializados para os mais diversos tipos de violência contra as mulheres: acolhimento e triagem; apoio psicossocial; delegacia; Juizado; Ministério Público, Defensoria Pública; promoção de autonomia econômica; cuidado das crianças – brinquedoteca; alojamento de passagem e central de transportes" - segundo a definição da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), que o golpista Temer extinguiu ao assumir em maio.  Logo, é uma estrutura pensada no governo Dilma e executada com verbas federais.


A SPM foi desmanchada por Temer e, no lugar, seu sinistro da justiça, um skinhead que já foi advogado do PCC, ajambrou uma estrutura faz-de-conta, dando o comando a uma ex-deputada acusada de corrupção no Amapá, Fátima Pelaes, conservadora e de posições contrárias às bandeiras de luta dos movimentos de mulheres.  Essa figura deve estar junto com Temer na atividade na Casa da Mulher Brasileira.

Das frentes de luta da resistência democrática contra o golpe do impeachment, o movimento "CWB Contra Temer" desde ontem está chamando um evento via Facebook para fazer uma "calorosa" recepção aos golpistas Temer e Fátima.  O ato provavelmente será na frente da Casa da Mulher, situada na av. Paraná, 870, perto do Terminal do Cabral, como se vê no mapa abaixo.  Ainda não se sabe o horário exato.


Convidamos todos e todas a fortalecer esse protesto contra alguém que não apenas não tem legitimidade para presidir o Brasil como também está usando o cargo para implementar retrocessos nos direitos sociais e dos trabalhadores.  Todos lá dia 28!

segunda-feira, 20 de junho de 2016

HC deve receber os merecidos recursos da União enquanto reitor emplaca ministro golpista

Na semana passada, o reitor da UFPR esteve em Brasília pedindo recursos para amenizar a crise do HC.  Sua assessoria informa ter-se conseguido dos ministros golpistas de Temer um montante da ordem de 11,5 milhões de reais para empregar em investimentos e custeio do hospital, para período de um ano.  

O HC tem um rombo mensal de uns 2 milhões; essa verba adicional poderá trazer um alívio.  A rigor, trata-se de dinheiro que já estava previamente destinado pela União, mas estava contingenciado (retido) por força do malfadado ajuste fiscal.

Zaki Akel foi à capital federal acompanhado do governador massacrador de docentes do Paraná e dos puxa-sacos golpistas deputados Abelardo Lupion (DEM), Osmar Serraglio (PMDB), Alex Canziani (PTB) e Sérgio de Souza (PMDB).  Todos trocaram abraços e risadas com os ministros ilegítimos da saúde e da educação, Ricardo Barros (e lamas) e Mendoncinha Filho, o da propina de 100 mil.

O encontro foi reportado pela ACS da reitoria, que veiculou a foto acima, em que o reitor entrega uma placa comemorativa ao sinistro Mendoncinha Filho, mas o texto não explica a que se refere a placa nem por que o ministro golpista de Temer a recebe.



O fascismo voltou às ruas, como tropa de choque da direita

Fernando Brito repercute em seu blog Tijolaço artigo de Mauro Santayanna sobre o filme "Ele está de volta".  Santayana viu o "filme" original e alerta aqueles que não percebem a ação dos arautos da ordem sobre os direitos, da economia sobre o ser humano, de "liberdade” como forma de opressão social:

Ele está de volta

Mauro Santayna

O lançamento, na Europa, do filme “Ele está de volta”, uma 'comédia leve' sobre o que aconteceria se Adolf Hitler voltasse à Alemanha de nossos dias, com cenas de pessoas parando, na rua, para tirar selfies com o maior assassino da História; e o relançamento de sua obra-síntese, o “Mein Kampf” – “Minha Luta”, em vários países – uma edição portuguesa esgotou-se em poucas horas, esta semana, na Feira do Livro de Lisboa – mostram que, mais do que perder o medo de Hitler, o mundo está, para com ele, cada vez mais simpático, no rastro da entrega – quase sem concorrência – dos grandes meios de comunicação globais a meia dúzia de famílias e de milionários conservadores que, se não simpatizam abertamente com o nazismo, com ele comungam de um profundo, hipócrita, e tosco anticomunismo, fantasma a que sempre recorrem quando seus interesses estão em jogo, ou se sentem de alguma forma ameaçados.


Como também mostram o filme e o livro, e manifestações em vários lugares do planeta, defendendo a tortura, a ditadura, o racismo, o sexismo, a homofobia, o criacionismo, o fundamentalismo religioso, não é Hitler que está de volta.

É o Fascismo.

Um perigo sempre iminente, permanente, persistente, sagaz, que se esconde no esgoto da História, pronto a emergir, como a peste, com sua pregação e suas agressões contra os direitos individuais, a Liberdade e a Democracia, regime que não apenas odeia, como despreza, como um arranjo de fracos e de tolos, desprovidos de mão forte na defesa dos seus interesses.

Os interesses de uma elite “meritocrática” e egoísta, ou da elite sagrada, ungida por direito de sangue e de berço, na hora do nascimento.

*****************
Agrego um comentário, a propósito deste alerta de Santayana e Brito.  Veja no vídeo abaixo. Na 6a.feira (17), assistiu-se com surpresa à invasão de uma área de convivência na Universidade de Brasília por uma horda de extrema-direita, portando bombas e armas de choque, e proferindo ameaças e xingamentos contra as pessoas no campus.  O linguajar do bando extremista de direita, onde se destacava uma certa Kelly Bolsonaro, atacava a comunidade LGBT, negros e os que lutam contra o golpe em curso.  Saíram de lá depois da baderna, sem serem contra-atacados, mas foram filmados e a UnB prometeu investigar o episódio.


Nada impede conjecturar que um "mini-pogrom" reacionário como esse possa ocorrer em outras Universidades Públicas, que os direitistas consideram "redutos" tomados pela esquerda e pelos movimentos antigolpe.  Portanto, não custa nada ficar alerta também na UFPR, pois em Curitiba é bem conhecida a existência de grupos neonazistas.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

GEAP ameaçado pelo golpista Temer

Em 10/06, o governo usurpador Temer ingressou com ação ordinária para anular mudanças recentes no Estatuto da Geap, que democratizaram a gestão administrativa da operadora.  Sua intenção é assumir o comando da Geap Autogestão em Saúde, empresa privada que gerencia o principal plano de saúde dos servidores federais, com uma receita anual em torno de R$ 4 bilhões.

No Conselho de Administração da Geap (Conad) foi aprovada a permissão para que, por exemplo, um representante dos beneficiários possa ser presidente do colegiado, que é formado por seis representantes (três eleitos pelos beneficiários e três representantes dos órgãos governamentais).

A atualização do Estatuto era clamor antigo dos servidores públicos, que financiam mais de 70% do plano (o restante é a contrapartida da União relativa ao auxílio saúde a que os servidores têm direito). Com isso, os assistidos passaram a ter o voto de Minerva sobre as decisões do colegiado que valida, fiscaliza e monitora, em última instância, a carteira Geap.

A juíza federal Katia Ferreira, dra do DF, deferiu em 15/06 uma liminar favorável à ação do governo golpista. A magistrada destituiu o atual presidente do Conad/Geap, Irineu Messias de Araújo, representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Seguridade Social (CNTSS), e nomeou em seu lugar Laércio Roberto Lemos de Souza, funcionário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A liminar revogou ainda resoluções aprovadas pelo Conad nos últimos meses e que representaram importantes conquistas para os beneficiários, entre elas a Resolução nº 129/2016, que deu início à revisão do reajuste dos planos da Geap.

Neste primeiro momento, mais de 100 mil pessoas foram contempladas com a redução do percentual de reajuste para 20%. Muitas delas estavam prestes a abrir mão do plano por não ter condições de arcar com o aumento de 37,55%.

O novo presidente do Conselho de Administração da Geap demitiu toda a diretoria executiva e assessores da empresa.

As entidades sindicais que representam os servidores públicos federais já começaram a se manifestar publicamente repudiando a situação, considerada autoritária.
--------------
Com informações e foto do site Brasil 247

Candidatos a reitor da UFPR se inscrevem e inauguram campanhas

Marcos Sunye e Andrea se inscrevem junto à CPC, na  sede da APUFPR

As candidaturas à reitoria da UFPR de Ricardo Marcelo e de Marcos Sunye inscreveram-se no mesmo dia junto à Comissão Paritária de Consulta (CPC), sediada na APUFPR. Ontem as chapas Ricardo/Graciela e Marcos/Andrea, acompanhados das respectivas comitivas, confirmaram sua participação na consulta direta marcada para o próximo semestre.

Ricardo Marcelo e Graciela finalizam inscrição na CPC, na APUFPR

Marcos Sunye, diretor do Setor de Ciências Exatas, e sua candidata a vice-reitora, Andrea Caldas, diretora do Setor de Educação, inauguraram ontem seu Comitê de Campanha na rua Prefeito Ângelo Lopes, 1050, Alto da XV, com muita música e grande comparecimento de membros da comunidade universitária.  Ainda não sabemos o endereço onde a campanha do professor Ricardo está sediada, mas sua campanha foi lançada em evento na Asufepar no último dia 9.

Evento de inauguração da campanha Ricardo/Graciela, em 09/06, na Asufepar

Hoje, 17, encerra-se o período de inscrição de chapas à eleição direta para a reitoria, na sede da APUFPR, no Jardim das Américas, até 18 horas.  Pode haver a surpresa da inscrição de uma terceira chapa, talvez uma encabeçada pelo diretor do Setor de Ciências Tecnológicas, professor Horácio.  A CPC reune-se após as 18 horas de hoje, analisando os pedidos de inscrição, e fica no aguardo de eventuais pedidos de impugnação de chapas. Após isso, ocorre a homologação dos concorrentes e, formalmente, fica liberado o início da campanha eleitoral, nos termos do Regimento publicado no site da CPC.

Festa de inauguração do Comitê Marcos/Andrea, em 16/06, no Alto da XV

Caso haja apenas duas chapas, a consulta direta será no final de setembro. Em caso de três ou mais chapas, haverá um 1. turno eleitoral mais cedo, no final de agosto, para permitir um 2. turno, no fim de setembro.  Depois disso, o Colégio Eleitoral (CoUn somado ao Conselho de Curadores) se reunirá em 6 de outubro para elaborar a lista tríplice a ser enviada ao MEC para nomeação.

Enquanto a corrupção assombra Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment

O impeachment da presidente do Brasil democraticamente eleita, Dilma Rousseff, foi inicialmente conduzido por grandes protestos de cidadãos que demandavam seu afastamento. Embora a mídia dominante do país glorificasse incessantemente (e incitasse) estes protestos de figurino verde-e-amarelo como um movimento orgânico de cidadania, surgiram, recentemente, evidências de que os líderes dos protestos foram secretamente pagos e financiados por partidos da oposição. 

Por Glenn Greenwald, no site Intercept

Ainda assim, não há dúvidas de que milhões de brasileiros participaram nas marchas que reivindicavam a saída de Dilma, afirmando que eram motivados pela indignação com a presidente e com a corrupção de seu partido.

Mas desde o início, havia inúmeras razões para duvidar desta história e perceber que estes manifestantes, na verdade, não eram (em sua maioria) opositores da corrupção, mas simplesmente dedicados a retirar do poder o partido de centro-esquerda que ganhou quatro eleições consecutivas. Como reportado pelos meios de mídia internacionais, pesquisas mostraram que os manifestantes não eram representativos da sociedade brasileira mas, ao invés disso, eram desproporcionalmente brancos e ricos: em outras palavras, as mesmas pessoas que sempre odiaram e votaram contra o PT. Como dito pelo The Guardian, sobre o maior protesto no Rio: “a multidão era predominantemente branca, de classe média e predisposta a apoiar a oposição”. Certamente, muitos dos antigos apoiadores do PT se viraram contra Dilma – com boas razões – e o próprio PT tem estado, de fato, cheio de corrupção. Mas os protestos eram majoritariamente compostos pelos mesmos grupos que sempre se opuseram ao PT.

É esse o motivo pelo qual uma foto – de uma família rica e branca num protesto anti-Dilma seguida por sua babá de fim de semana negra, vestida com o uniforme branco que muitos ricos no Brasil fazem seus empregados usarem – se tornou viral: porque ela captura o que foram estes protestos. E enquanto esses manifestantes corretamente denunciavam os escândalos de corrupção no interior do PT – e há muitos deles – ignoravam amplamente os políticos de direita que se afogavam em escândalos muitos piores que as acusações contra Dilma.

Claramente, essas marchas não eram contra a corrupção, mas contra a democracia: conduzidas por pessoas cujas visões políticas são minoritárias e cujos políticos preferidos perdem quando as eleições determinam quem comanda o Brasil. E, como pretendido, o novo governo tenta agora impor uma agenda de austeridade e privatização que jamais seria ratificado se a população tivesse sua voz ouvida (a própria Dilma impôs medidas de austeridade depois de sua reeleição em 2014, após ter concorrido contra eles).

Depois das enormes notícias de ontem sobre o Brasil, as evidências de que estes protestos foram uma farsa são agora irrefutáveis. Um executivo do petróleo e ex-senador do partido conservador de oposição, o PSDB, Sérgio Machado, declarou em seu acordo de delação premiada que Michel Temer – presidente interino do Brasil que conspirou para remover Dilma – exigiu R$1,5 milhões em propinas para a campanha do candidato de seu partido à prefeitura de São Paulo (Temer nega a informação). Isso vem se somar a vários outros escândalos de corrupção nos quais Temer está envolvido, bem como sua inelegibilidade se candidatar a qualquer cargo (incluindo o que por ora ocupa) por 8 anos, imposta pelo TRE por conta de violações da lei sobre os gastos de campanha.

E tudo isso independentemente de como dois dos novos ministros de Temer foram forçados a renunciar depois que gravações revelaram que eles estavam conspirando para barrar a investigação na qual eram alvos, incluindo o que era seu ministro anticorrupção e outro – Romero Jucá, um de seus aliados mais próximos em Brasília – que agora foi acusado por Machado de receber milhões em subornos. Em suma, a pessoa cujas elites brasileiras – em nome da “anticorrupção” – instalaram para substituir a presidente democraticamente eleita está sufocando entre diversos e esmagadores escândalos de corrupção.

Mas os efeitos da notícia bombástica de ontem foram muito além de Temer, envolvendo inúmeros outros políticos que estiveram liderando a luta pelo impeachment contra Dilma. Talvez o mais significante seja Aécio Neves, o candidato de centro-direita do PSDB derrotado por Dilma em 2014 e quem, como senador, é um dos líderes entre os defensores do impeachment. Machado alegou que Aécio – que também já havia estado envolvido em escândalos de corrupçãorecebeu e controlou R$ 1 milhão em doações ilegais de campanha. Descrever Aécio como figura central para a visão política dos manifestantes é subestimar sua importância. Por cerca de um ano, eles popularizaram a frase “Não é minha culpa: eu votei no Aécio”; chegaram a fazer camisetas e adesivos que orgulhosamente proclamavam isso.

Evidências de corrupção generalizada entre a classe política brasileira – não só no PT mas muito além dele – continuam a surgir, agora envolvendo aqueles que antidemocraticamente tomaram o poder em nome do combate a ela. Mas desde o impeachment de Dilma, o movimento de protestos desapareceu. Por alguma razão, o pessoal do “Vem Pra Rua” não está mais nas ruas exigindo o impeachment de Temer, ou a remoção de Aécio, ou a prisão de Jucá. Porque será? Para onde eles foram?

Podemos procurar, em vão, em seu website e sua página no Facebook por qualquer denúncia, ou ainda organização de protestos, voltados para a profunda e generalizada corrupção do governo “interino” ou qualquer dos inúmeros políticos que não sejam da esquerda. Eles ainda estão promovendo o que esperam que seja uma marcha massiva no dia 31 de julho, mas que é focada no impeachment de Dilma, e não no de Temer ou de qualquer líder da oposição cuja profunda corrupção já tenha sido provada. Sua suposta indignação com a corrupção parece começar – e terminar – com a Dilma e o PT.

Neste sentido, esse movimento é de fato representativo do próprio impeachment: usou a corrupção como pretexto para os fins antidemocráticos que logrou atingir. Para além de outras questões, qualquer processo que resulte no empoderamento de alguém como Michel Temer, Romero Jucá e Aécio Neves tem muitos objetivos: a luta contra a corrupção nunca foi um deles.

* * * * *

No mês passado, o primeiro brasileiro ganhador do Prêmio Pulitzer, o fotojornalista Mauricio Lima, denunciou o impeachment como um “golpe” com a TV Globo em seu centro. Ontem à noite, como convidado no show de Chelsea Handler no Netflix, o ator popular Wagner Moura denunciou isso em termos similares, dizendo que a cobertura da mídia nacional foi “extremamente limitada” porque “pertence a cinco famílias”.

Atualização: Logo depois da publicação deste artigo, foi anunciado que o presidente interino Temer acaba de perder seu terceiro ministro para a corrupção menos de dois meses depois da tomada do poder: dessa vez, seu ministro do turismo Henrique Eduardo Alves, acusado na delação premiada de Machado de receber R$ 1,5 milhão em propinas de 2008 a 2014. Quando se toma o poder antidemocraticamente usando a “corrupção” como pretexto, em geral é uma má ideia encher sua equipe de criminosos (e ter o próprio novo presidente envolvido em múltiplos escândalos de corrupção).

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Temer e a planilha com sua propina

Rubens Valente, autor do referencial livro "Operação Banqueiro", expõe em seu Twitter que a planilha do delator Sérgio Machado aponta pagamento de "vantagens ilícitas em doações oficiais" para Michel Temer/Chalita.

A respeito, comenta Paulo Henrique Amorim em seu site: "O mesmo processo político que vai 'pendurar no poste' Temer abreviará a carreira também sinistra do Gilmar Mendes."
-------------
Figura: captura de tela do site Conversa Afiada

Dinossaurinho irritado no Jardim das Américas


Um golpe contra a Ciência nacional

A extinção do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) não foi o maior dos golpes desfechados pelo governo Temer contra o desenvolvimento nacional. Mas é muito provável que seja o mais simbólico.

Por Luciano Rezende, no site FMG

Simboliza bem a política subalterna recém retomada, que reforça a idéia de um mundo dividido em aqueles países capazes de produzir ciência de ponta, situada na fronteira do conhecimento, e aqueles outros que no máximo conseguem copiar alguma coisa. E para os golpistas o nosso lugar é eternamente nesta segunda categoria.

Aliás, é esse o complexo de vira-latas predominante no tal “Ponte para o Futuro”. O pensamento expresso em tal documento faz os golpistas se perguntarem: para que investir na chamada ciência nacional se podemos comprar tecnologias prontas e acabadas dos países desenvolvidos?

A questão central, portanto, não se resume à discussão oca se um Estado é mais ou menos eficiente com 40, 30 ou 20 ministérios. Tampouco a diminuição da intervenção do Estado está condicionada à redução do número de ministérios. É perfeitamente possível ter um Estado forte com poucos ministérios, bem como um Estado mínimo com muitos.

O centro do debate é se a ciência nacional está presente em um dos eixos centrais do organograma institucional de um país. Independente se é uma secretaria, um departamento ou um ministério, o fundamental é saber qual a prioridade dada a essa pasta.

É a ciência nacional o motor do desenvolvimento de um país como bem lembra a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em nota de repúdio à extinção do MCTI. Subjugando o desenvolvimento científico autóctone, ficamos caudatários da ciência produzida no exterior.