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terça-feira, 15 de abril de 2014

Avança o “aparelhamento” do Sinditest pelo PSTU

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“Aparelhamento” é um termo do jargão político-sindical que designa o aproveitamento indevido de bens e recursos de uma associação ou entidade por partido político que a comande, para beneficiar os interesses do partido.

No Sinditest, em particular na atual gestão dirigida por Carla Cobalchini, militante do PSTU desde 2012 (antes foi do PSOL), esse aparelhamento vai ficando mais escancarado.

Já não basta que jornal impresso e site de internet, ainda que pagos por todos os filiados, sejam veículos exclusivos do posicionamento político da diretoria, sem direito a resposta em tais órgãos, livremente usados pelos diretores do PSTU para achincalhar seus adversários na base. Outro exemplo: a FASUBRA não está filiada a nenhuma Central Sindical e debate igualmente com CUT, CTB e Conlutas (e no site da FASUBRA há links para as três); já no site do Sinditest só há link para a Conlutas, a minoritária “central” mantida à mão de ferro sob comando do PSTU.

Apenas no mês passado se soube que o antigo Escritório Jurídico do sindicato, o Trindade & Arzeno, contratado por licitação, foi mandado embora. Em seu lugar ficou o quê? Um esquema comandado pelo advogado dirigente do PSTU-Paraná, o Avanilson. Ao se entrar na página do Jurídico do site do Sinditest não se obtem maiores esclarecimentos de quem compõe esse “esquema” além de Avanilson. A dita lisura com o uso do processo licitatório para contratar escritório jurídico parece ter ido pro espaço.


E agora, inserido no rol de atividades da greve da UFPR, aparece uma palestra de dois ativistas dos EUA, promovida pelo PSTU-Curitiba. Como se vê no cartaz acima, atividade de um partido com o apoio do Sinditest... O sindicato apoiará atividades de outros partidos? Duvidamos! Independentemente do conteúdo progressista das falas desses visitantes norte-americanos (cujos vínculos políticos e sindicais desconhecemos), trata-se claramente de mais um caso de aparelhamento de recurso da entidade sindical para beneficiar iniciativa do partido que a domina.

Greve da FASUBRA: onde está a perspectiva?

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Onde está a perspectiva de abertura de negociação da greve da FASUBRA?

Quando se vai ao garimpo de informações substantivas nos IG’s (Informativos de Greve) da FASUBRA, essencialmente o que se encontra é aquele leque de ações usual de toda greve: busca de audiências em MEC e MPOG, contatos com parlamentares federais pedindo apoio, atividades tentando fazer visível a greve para a  população...  Fora isso, nenhum dado concreto que aponte algo do tipo: dentro de uma ou duas semanas poder-se-á pelo menos sentar à mesa com um ministro.  E também nenhuma avaliação política de fundo do CNG sobre as possibilidades e perspectivas (ou então várias avaliações, uma de cada corrente interna, caso não haja consenso dentro do CNG).

Já parece bem claro que uma greve geral unificada dos SPF (Servidores Públicos Federais) está fora do horizonte imediato.  Mesmo os docentes ligados à ANDES não demonstram claramente que estariam dispostos à parada.  Logo, é a FASUBRA sozinha com ela mesma, como em geral acontece.

Também não são postos esclarecimentos nos IG’s sobre o prazo expirado decorrente da legislação eleitoral (foi em 5 de abril), a partir do qual os governos (federal e estaduais) ficariam proibidos de fazer concessões com impacto financeiro imediato (ainda para 2014) ou mediato (2015).  Certas lideranças, buscando manter a esperança acesa, afirmam que ainda seria possível inserir rubrica a favor dos TAEs na Lei Orçamentária Anual (cujo prazo de fechamento pelo governo federal é agosto), e que, portanto, o prazo da Lei Eleitoral não teria importância.  De todo modo, isso não é devidamente esclarecido à base em greve, que fica, assembleia após assembleia, na espera de algo substantivo, de algo novo, mas só ouve o mesmo rame-rame.  Isso  é desalentador.

No caso da reivindicação de antecipação do aumento de 5% de 2015 para ainda este ano, o Governo Federal sente-se à vontade para recusar, escudando-se no acordo de greve de 2012, que previa os prazos exatos.  Afinal, a FASUBRA topou aquele acordo em 2012, também defendido por diretores atuais do Sinditest.  Fato é que nos manietamos a um acordo trianual de percentuais fixos em cenário de inflação pouco previsível.  Agora, durma-se com isso...

Economicamente, o Governo ainda é pressionado pela grande mídia a serviço do grande capital financeiro para cortar “gastos sociais” e com folha de pagamento (a velha luta entre Estado necessário x Estado mínimo do neoliberalismo), para que, com isso, supostamente ocorra queda da inflação, em moderada alta.  

Por fim, o governo federal sabe ser odiado por cerca de metade do movimento dos TAE (a parcela dirigida por partidos da ultraesquerda que fazem oposição sistemática a Dilma), situação que não reverteria mesmo fazendo concessões razoáveis à greve, o que deixa o governo predisposto a simplesmente “dar de ombros” para o movimento.


Uma caravana a Brasília deve ocorrer nos primeiros dias de maio, para fazer barulho em nível tal que possa fazer os ministros se mexerem em suas poltronas e talvez se disporem a  alguma negociação de fato.  Fora isso, não há nenhuma luz nesse túnel.

domingo, 13 de abril de 2014

Planos de saúde privados: lei absurda pode impedir multas

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A esperteza dos políticos da direita não tem limites para beneficiar o grande capital, mesmo à custa da saúde dos brasileiros.

A última delas foi o “contrabando” introduzido na Medida Provisória 627 pelo relator, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) [foto abaixo]. Isso no momento em que a Agência Nacional de Saúde (ANS) anuncia mais uma punição aos planos de saúde e manda suspender nada menos que 111 deles, de 47 operadoras.

O “contrabando” legislativo torna irrisórias as multas cobradas contra as operadoras, consolidando a verdadeira lei da selva que reina no setor, deixando-as de mãos livre para continuar cometendo as maiores arbitrariedades contra os consumidores - pessoas que, de partida, estão em situação fragilizada ao tentar usar os maus serviços prestados por essas empresas para cuidar de sua própria saúde! É um mercado florescente formado, hoje, por 50,27 milhões de usuários de planos de saúde. E muitas vezes não encontram atendimento apesar do alto custo que pagam pelos serviços oferecidos.

O alvo explícito da MP 627, aprovada no último dia 2 de abril pela Câmara dos Deputados, é a tributação sobre as multinacionais brasileiras no exterior, assunto completamente estranho às operadoras de planos de saúde. 

Pois foi nessa MP, cujo tema é de natureza tributária, e que foi considerada complexa pelos parlamentares por incluir mais de uma centena de artigos, que o deputado espertalhão da direita tentou esconder o benefício às operadoras de planos de saúde

São benefícios milionários, que prejudicam o tesouro nacional, os consumidores e beneficiam apenas a especulação feita por aquelas empresas e seus proprietários contra a saúde de seus clientes. 

Pela regra que está em vigor as operadoras estão sujeitas a multas que variam entre 5 mil reais e 1 milhão de reais por infração que cometerem, e o valor total é multiplicado pelo número de infrações cometidas. 

Mas essa regra comezinha pode deixar de ser aplicada quando as operadoras de planos de saúde não cumprirem os contratos e prejudicarem seus clientes. Por aquela regra escandalosa, se uma delas cometer entre 2 e 50 infrações semelhantes, pagará multas referentes a apenas duas! Se cometer mais de 1.000 infrações, pagará apenas por 20 delas! Isto significa que se uma operadora não aceitar pagar por uma cirurgia, sua multa pode ser de 80 mil reais; se fizer isso 50 vezes, teria que pagar o total de 4 milhões de reais mas, com a esperteza introduzida na MP 627, pagará somente 160 mil reais

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Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética

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A pura, a santa verdade é a seguinte: qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas desinibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: temos dons em excesso.

Por Nelson Rodrigues, na Manchete Esportiva, em 31/05/1958

Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana.  Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética.  Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: - "O Brasil não vai nem se classificar!"  E, aqui, eu pergunto:: - não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?

Eis a verdade, amigos: - desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo.  A derrota frente aos  uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro.  Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar.  Dizem que tudo passa, mas eu vos  digo: - menos a dor de cotovelo que nos ficou dos 2 x 1(*). E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo passou em vão sobre a derrota.  Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título.  Eu disse arrancou como poderia dizer: - "extraiu" de nós o título, como se fosse um dente.

E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvida: - é ainda a frustração de 50 que funciona.  Gostaríamos talvez de acreditar na seleção.  Mas o que nos trava é o seguinte: - o pânico de uma nova e irremediável desilusão.  E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança.  Só imagino uma coisa: - se o Brasil vence na Suécia, se volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a  fé que negamos, rebentaria todas as comportas, e sessenta milhões de brasileiros iam acabar no hospício.

Mas vejamos: - o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas?  Eu poderia responder, simplesmente, "não".  Mas eis a verdade: - eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: - sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo.  Tenho visto jogadores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros,  que apanharam, aqui, do aspirante enxertado do Flamengo.  Pois bem: - não vi ninguém que se comparasse aos nossos.  Fala-se num Puskas.  Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.

A pura, a santa verdade é a seguinte: - qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas desinibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção.  Em suma: - temos dons em excesso.  E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades.  Quero aludir ao que eu poderia chamar de "complexo de vira-latas".  Estou a imaginar o espanto do leitor: - "O que vem a ser isso?"  Eu explico.

Por  "complexo de vira-latas" entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo.  Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol.  Dizer que nós nos  julgamos "os maiores" é uma cínica inverdade.  Em Wembley, por que perdemos?  Porque, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade.  Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo.  Na já citada vergonha de 50, éramos superiores ao adversário.  Além disso, levávamos a vantagem do empate.  Pois bem: -  e perdemos da maneira mais abjeta.  Por um motivo muito simples: - porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fossemos.

Eu vos digo: - o problema do escrete não é de futebol, nem de técnica, nem de tática.  Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo.  O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender lá na Suécia.  Uma vez que ele se convença  disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará  de dez para segurar, como o chinês da anedota.  Insisto: - para o escrete, ser ou não ser vira-lata, eis a questão.
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(*)Final da Copa do Mundo de 1950 no Maracanã, em 16/07/1950, quando o Brasil perdeu o título para o Uruguai ao perder por 2 a 1.
Fonte: RODRIGUES, Nelson. A Pátria de chuteiras. Rio: Nova Fronteira, 2013.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

E a Rodoferroviária vai para a Suíça...

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A Estação Rodoferroviária clamava por uma reforma geral há mais de década.  Aí vem essa maldita Copa do Mundo no Brasil e obriga as autoridades municipais a entrarem muito rápido no Plano de obras infraestruturais do Governo Federal para reformar finalmente a Estação.  

Mas o pior não é essa reforma ter sido antecipada por causa da realização de jogos da Copa em Curitiba.  É que toda a Rodoferroviária - com os 34,5 milhões de reais de dinheiro público torrados nessa obra (figura abaixo; clique nela para ampliar) que de nada vai servir ao povão que usa ônibus – vai depois ser levada embora pela FIFA para sua sede na Suíça, gente! Não é mesmo um descalabro? 


Nossa “Rodozinha” sendo embarcada para a sede da FIFA na Suíça, pois, claro, como afirmam doutamente os patrióticos denunciadores antiCopa, nenhum legado da Copa ficará para os brasileiros, inclusive nós paranaenses! Até algumas vias de acesso à cidade que passam por obras de ampliação serão todas levadas embora pela FIFA!

Por isso, estão certos PSTU e PSol quando diziam antes “Não vai ter Copa” e, não sabemos bem por quê, agora mudaram para “Na Copa vai ter luta”, certíssimos, porque essa falta de legado da Copa (exceto uns trocados de turistas e investidores para alguns setores, coisa de uns poucos 300 bilhões de reais nos próximos 5 anos) não pode passar sem um repúdio total e veemente dos brasileiros, mesmo que eles não conheçam nada do Portal da Transparência do Governo.


Por isso, na Copa vai ter luta, companheirada, e no aniversário da pátria dos antenados protestadores em 4 de julho também vai ter luta! E no mês do cachorro louco também! E no 11 de setembro idem... E... até o Ano Novo vai ter luta, de preferência em greve, mesmo sem negociação de pauta nenhuma.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dinheiro a rodas

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Indicado por José Serra, o último reitor não era só autoritário. Ele também afundou as finanças da universidade

Por Miguel Martins e Tory Oliveira, no site CartaCapital

O baixo ritmo da economia e uma gestão leniente com as limitações orçamentárias levou a Universidade de São Paulo, a maior da América Latina, do superávit ao déficit em três anos. Financiada por uma cota fixa de pouco mais de 5% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, a instituição vivia momentos de bonança em 2011. Na esteira do crescimento econômico de 7,5% do PIB em 2010, novas obras e contratações eram viáveis para o então reitor João Grandino Rodas, na posse de recursos graúdos, 20% superiores aos do ano anterior. Segundo colocado em uma lista tríplice, formulada a partir dos votos da comunidade universitária, Rodas foi escolhido em 2009 pelo então governador José Serra, com a justificativa de que o tucano “não conhecia bem” o mais votado dos candidatos, o físico Glaucius Oliva. 

Polêmico, o ex-reitor ficou marcado pelo convênio firmado com a Polícia Militar para executar a segurança do campus, sob protestos de parte dos estudantes, e pela forma autoritária como tratava os opositores. Após o fim de sua gestão, em 2013, as consequências negativas de seu perfil centralizador, somadas a uma arrecadação mais tímida nos últimos dois anos, agora cobram a conta. Estima-se que há 1 bilhão de reais a menos nas reservas da universidade, avaliada em 3 bilhões no início de sua gestão.

Há fatores diversos para a escalada de gastos, aponta o relatório do novo reitor Marco Antonio Zago, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. A construção de prédios suntuosos, entre eles o da nova sede da reitoria e um edifício no Centro de São Paulo, contribuiu para elevar os investimentos de 3% do orçamento em 2009 para 8% em 2013. Não se trata, porém, da principal pressão sobre a receita. No primeiro ano da gestão de Rodas, a parcela destinada a cobrir as despesas com os salários, pensões e benefícios de professores e funcionários era de 83%. No ano passado, 100% dos repasses do governo estadual foram destinados a saldar as folhas de pagamento. Incluem-se nessas despesas os aumentos e as promoções concedidas aos 23 mil servidores, as bonificações (somadas custaram 40 milhões de reais à USP no ano passado), e a ampliação do auxílio-alimentação.

A estratégia de conceder aumentos e prêmios a professores e funcionários contribuiu para uma certa letargia dos sindicatos da universidade nos últimos anos. Não há greves dos servidores desde 2009. Tanto a Associação dos Docentes da USP quanto o Sindicato dos Trabalhadores concordam que a elevação dos salários médios levou a uma certa desmobilização. “Não houve arrocho salarial. Havia indignações, mas não fortes o suficiente para provocar uma greve”, afirma Francisco Miraglia, professor do Instituto de Matemática e Estatística e integrante da direção da Adusp.

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Fonte: texto e ilustração de CartaCapital

terça-feira, 8 de abril de 2014

A teologia no Sinditest, de Antonio a Márcio & Maurício

3 comentários:
Sabem o que é maniqueísmo? A luta entre o Bem e o Mal? Os bonzinhos e os malvados?  Todo aquele lero-lero que está na base das religiões em geral?

Pois bem, no Sinditest, durante largos anos esse tipo de argumentação foi usada pelo "pastor" Antonio Neris e seu grupinho para se justificar no comando da entidade. Ele era o portador da "verdade", suas sagradas "Escrituras" e tudo que saía da boca dele eram diretivas inquestionáveis.  Isso ficou muito patente por suas atitudes de 2003 em diante, quando esmagou opositores até mesmo dentro de sua própria Diretoria, e quando impôs a compra de um imóvel questionável numa assembleia antidemocrática nos primeiros anos deste novo milênio.

Passaram-se anos e o "pastor" inquestionável na sua "teologia" estritamente pessoal acabou sendo superado, com suas contradições sendo reveladas como balelas e ele mesmo apelegando-se descaradamente, assumindo cargo de confiança na gestão do atual reitor.

E o que lhe sucedeu? Uma gestão racional, democrática e pluralista? Não, o que lhe sucedeu foi outro tipo de seita, agora de ultraesquerda.  Se Néris queria se apresentar como um tipo de arauto de Deus, agora os novos teólogos do PSTU colocam Trotsky como divindade suprema divisora das águas (e como divide!). Se antes havia a questão da fé nas palavras do "pastor-líder" Antonio, agora se advoga a convicção nas palavras infalíveis da "vontade política" dos profetas Márcio Palmares e Maurício Souza, diretores do Sinditest. Um usava a Bíblia; os profetas da ultraesquerda usam o "Programa de Transição" de Leon Trotsky, pelo qual se aprende aquela tese esdrúxula infantil de que basta querer para poder, independente da realidade e da correlação de forças, tudo é uma questão de "vontade política" de revolucionar, e os que questionarem tal vontade são "traidores da causa".

Onde está a diferença entre o Antônio-pastor apoiando-se em fé e "Deus" e os profetas ultraesquerdistas apoiados na "vontade política" advogada por Trotsky?  A rigor, nenhuma.

É sob o reinado dos profetas Márcio & Maurício, das estrofes ultraesquerdistas dessa "dupla caipira", que hoje dança a categoria dos técnicos-administrativos, um bailado inconsequente em direção ao nada.

sábado, 5 de abril de 2014

Derrubando monumentos. E documentos?

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Não tenho como não saudar a iniciativa do movimento de jovens denominado "Levante Popular da Juventude" na data marcante dos 50 anos do golpe militar de 1964, em que derrubaram e arrastaram o busto do ex-reitor da UFPR Flávio Suplicy de Lacerda, figura que serviu de auxiliar à ditadura instaurada em 1964, sendo ministro da educação da direita militar e perseguindo os estudantes.

Suplicy de Lacerda, embora reacionário, deu importante contribuição à sobrevivência da Universidade do Paraná nos anos 1940, quando era reitor, lutando por sua federalização, concretizada em 1950.  Não obstante essa contribuição de garantir uma instituição pública de educação superior no Paraná, Suplicy, quando do advento da ditadura militar em 1964, tornou-se dela ministro, realizando ações de duro cerceamento da liberdade de expressão e organização do movimento estudantil, além da tentativa de implantação de um curso pago em 1968.  Nesse ano, em maio, deu-se a famosa "tomada da Reitoria", jornada guerreira heroica do movimento estudantil que barrou a tentativa de ensino pago, ocasião em que o busto do ex-reitor foi arrancado de seu pedestal e arrastado por ruas de Curitiba.

Agora, em abril de 2014, o mesmo gesto simbólico contra o reacionarismo de 1964 foi repetido, disparado contra o busto em bronze de Suplicy que "olha" para a entrada da Reitoria da UFPR, no campus central.  A juventude pichou o busto, destacou-o de seu pedestal de pedra, arrastou pela rua e até agora o retém em local não divulgado.

A Reitoria da UFPR emitiu nota protestando contra o que considera "dano ao patrimônio histórico" e reivindica a devolução da imagem esculpida.  Os jovens do "Levante" criticaram duramente a nota do reitor Zaki Akel e não desejam que a situação volte ao que era antes.  Propõem que:

"O destino do busto deverá ser definido pela Comissão da Verdade juntamente com os movimentos sociais. Uma audiência pública aberta e democrática da Comissão da Verdade será uma ótima oportunidade para demonstrar o trabalho que deve-se fazer para REESCREVER a História Brasileira, garantindo a verdade e a vontade de superar os erros do passado. O passado não pode ser mudado. O presente, todavia, está em nossas mãos."

"Sugerimos deixar a base do Busto com sua placa no local, mas somente se lá for adicionada outra placa explicando o porquê de o busto ter sido derrubado, tanto em 1968 quanto em 2014. Ou mesmo substituir o busto deste agente da ditadura por um representante da comunidade acadêmica do período ditatorial que lutou pela democracia e pela liberdade, como Vieira Neto."

É apropriado que o busto seja deixado aos cuidados da Comissão da Verdade, a qual tem uma representação de nível estadual e também uma própria da UFPR, e essas Comissões debaterão democraticamente o que fazer.  A ideia do "Levante" de acrescentar uma nova placa ao pedestal do busto de Suplicy de Lacerda, onde conste também um resumo de seus serviços a um governo fascista, torturador e assassino, junto com a placa laudatória, é um serviço à preservação da História.

Por fim, anote-se aqui que qualquer monumento, como o busto de Suplicy, goste-se ou não dele, é uma documentação de um período da história brasileira, como o são tantos outros monumentos/documentos país afora e pelo mundo.  Não se pode acabar com essas fontes de memória e história sob o pretexto de razões políticas por mais cabíveis e progressistas que sejam, pois com isso privamos historiadores e gerações atuais e futuras do acesso a tais fontes de memória.  E, a cada tempo, e sempre que se reescreve a História, acrescem-se novos dados e interpretações a fatos, períodos, personalidades.  Por que não podemos gravar as novas interpretações históricas, em bronze se preciso, nos documentos/monumentos que criticamos sem ser preciso os exterminarmos?

Então está tudo bem no país do "estupra mas não mata" ?

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O IPEA errou, mas quem comemora o erro está redondamente enganado. Se está tudo bem, por que será que o número de estupros no país está crescendo?

Por Antonio Lassance(*), no site Carta Maior

O IPEA errou. Errou, assumiu o erro e pediu desculpas, esclarecendo:

“Vimos a público pedir desculpas e corrigir dois erros nos resultados de nossa pesquisa‘Tolerância social à violência contra as mulheres’, divulgada em 27/03/2014. O erro relevante foi causado pela troca dos gráficos relativos aos percentuais das respostas às frases ‘Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar’ e ‘Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas’”.

Resumindo, os dados de uma pergunta eram, na verdade, referentes a uma outra questão.

O Instituto comete erros. Não é o único. O IBGE, o Banco Central, o INEP e todos os outros órgãos responsáveis por divulgar dados, todos, sem exceção, vez por outra são obrigados a publicar erratas em suas publicações, retificando ou o número em si, ou títulos de tabelas, ou outros tipos de informação.

Embora o erro faça parte do trabalho de qualquer pesquisador, e rotinas de validação existam para diminuir sua ocorrência, o fato é que a cobrança da sociedade sobre um erro é bem vinda e deve ser enfrentada com humildade.

Para começar, é preciso reconhecer que o erro do IPEA foi maior por conta da repercussão nacional e até internacional que o dado incorreto alcançou.

Isso caiu como uma bomba sobre a cabeça dos jovens pesquisadores responsáveis pelo estudo, que são pessoas sérias. Sempre mereceram e vão continuar merecendo o respeito pelo trabalho que realizam há muitos anos na instituição.

O erro do IPEA está corrigido. Mas e o erro de quem, desavisadamente, acha que, desfeita a troca dos números, agora está tudo bem? Não, senhoras e senhores, não está tudo bem.

Se está tudo bem, por que será que o número de estupros no país está crescendo e já superou o de assassinatos, conforme informação do mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública?

Está tudo bem, então, no país do “estupra, mas não mata”? Será? Mesmo com mais de 50 mil mulheres estupradas em 2012, número mais de 18% superior ao de número 2011, agora podemos ficar tranquilos?

Detalhe: o número absurdo de estupros não considera os casos em que as vítimas deixam de relatar o ocorrido - por vergonha, por medo da reação da família, por receio de que alguém ache que elas não souberam “se comportar”.

O dado de estupros em 2013 vem aí. Quem fará a piada? Quem vai curtir com isso?

Desde que a Lei Maria da Penha entrou em vigor, em 2006, o número de agressões contra mulheres, relatadas ao serviço “Ligue 180”, cresceu 600%.

A cada hora, duas mulheres, vítimas de abuso, dão entrada em unidades do Sistema Único de Saúde. Alguém ainda acha pouco?

Está tudo bem no país que concorda que, “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”? Há quem diga: "Ora, bolas! Isso é só um dito popular, como outro qualquer". Sim, um dito popular como “serviço de branco”. Só um dito popular?

Está tudo bem no país que acha que a mulher que é agredida e continua com o parceiro é porque gosta de apanhar?

O IPEA errou, mas quem comemora o erro está redondamente enganado.
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(*) Antonio Lassance é cientista político e pesquisador do IPEA.

Analfabeta! Podre! Sem-vergonha! Canalha!

7 comentários:
Cara leitora, como se sentiria você se, sendo militante de base na greve nacional da FASUBRA, fosse xingada de “sem-vergonha” e “canalha”? E sabendo que o autor das ofensas morais fosse um diretor (homem) do Sinditest, que teria por obrigação manter a calma nas polêmicas normais de uma greve e dar exemplo de serenidade? Afinal, o movimento grevista é contra o patrão governo federal, não contra colegas da própria base.

Há na rede social Facebook um grupo de discussão de técnicos denominado “Assédio Moral na Universidade” (supõe-se que todos ali sejam contra a praga do assédio moral). Nesse espaço virtual da internet deu-se o triste episódio do xingamento. Isso numa entidade sindical que apregoa todo o respeito às mulheres, e que tem uma mulher por presidente, cujo QG de greve (RU da UFPR) está repleto de cartazes em defesa das mulheres.

Na semana que passou, no dito grupo de discussão, surgiu uma polêmica normal por causa da concessão de um inusitado “auxílio-creche” a um diretor do Sinditest que quis muito ser delegado ao Comando Nacional de Greve da FASUBRA (CNG). Acabou sendo eleito na assembleia do dia 1. de abril (!...) para isso, mas na dependência da concessão, via Fundo de Greve do sindicato, de uma quantia diária de 70 reais para uma babá particular cuidar de seus filhos em Matinhos, enquanto estiver no CNG em Brasília.

Não se entra aqui na polêmica sobre o tal “vale-creche”; há argumentos razoáveis de quem é a favor e de quem é contra conceder. O problema é que o diretor do Sinditest foi questionado por uma servidora, nesse grupo de internet, e qual foi sua reação? Ficar apenas na justificativa social do auxílio-creche a mais (ele também já recebe o auxílio da UFPR) e levar na diplomacia as críticas? Não, ele partiu pra porrada em cima da servidora de base, como se vê na transcrição de algumas postagens do Facebook (clique na figura se precisar ampliar):



Pelo dicionário Aurélio, “canalha” significa: “vil, infame, reles, velhaco, abjeto”. Destas rasteiras ofensas morais o diretor do Sinditest chamou sua colega de trabalho da UFPR, por causa de um mero questionamento sobre a validade do auxílio-creche suplementar. Tudo em nome de seu ego de macho.

Então, essa é a prática de respeito às mulheres no Sinditest? Alegam uma coisa quando fazem seminários sobre os direitos das mulheres mas seus diretores machões baixam o porrete nas outras mulheres que deles divergem no terreno do debate político?

Pra piorar a situação do “macho” do Sinditest, soubemos há pouco que ele apagou as postagens ofensivas que fez contra a servidora... só não contava que outras pessoas copiariam antes disso, documentando seu destempero machista, como se vê pelas figuras acima.

Então, presidente Carla - de quem temos discordado politicamente mas a quem respeitamos como mulher de luta -, parece que está na hora de repor alguma ordem nessa diretoria e de dizer pros machões de Facebook pra ficarem mais calminhos. E pedirem desculpas também, que não tira pedaço de ninguém e faz bem à unidade do movimento.