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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Mais nenhuma instituição protege o cidadão

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A TV Afiada "Moro e a Privataria da Educaçao - eles fazem o que querem" mereceu profético comentário do professor Wanderley Guilherme dos Santos:


"Totalmente de acordo, não existem mais canais eficazes de pressão popular.

Pior: não há mais canais legais de defesa da população.

É a tirania de quem grita primeiro.

Os outros mandões baixam a cabeça à espera de reciprocidade quando forem os primeiros a gritar. Hoje, a população sem padrinhos tem medo; eles, os mandões, precisam sentir esse gosto, bem de perto.

Mandões do executivo, legislativo, judiciário e empresariado.

Estão todos no mesmo time. não há mais divisão entre poderes nem separação entre o que é público e o que é privado."

domingo, 12 de junho de 2016

Temer completa um mês de "governo" golpista. Tudo em compasso de espera, exceto a mesquinharia

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O “choque de credibilidade” que o governo Temer traria ao país, ao que parece, era só “cosquinha”. Em um mês de usurpação, o que foi feito?

Por Fernando Brito, em seu blog Tijolaço

O “rombo” nas contas públicas, ao menos sob a ótica contábil, aumentou. Há um “exagero” quase que unanimemente reconhecido, alinhado à “máxima” de Henrique Meirelles de que deve-se prometer pouco para entregar mais.

Mas, de fato, com a onda de reajustes de diversas categorias – muitas delas as de mais elevados padrões salariais – é certo que os gastos públicos vão aumentar.

Os badalados cortes nos cargos comissionados têm efeito meramente pirotécnicos: não chegam a representar 0,1% da folha de pessoal.

Bolsa e dólar andaram “de lado” e a saída financeira de capital cresceu muito, chegando a US$ 11,43 bilhões no final do mês.

A inflação subiu e, francamente, alguém andou fumando algo estragado se enxerga alguma possibilidade de queda brusca nas suas taxas. O IGP-M, que de certa forma a antecipa por dar peso maior aos preços por atacado, teve o maior valor – 1,12% – para o mês de junho, na sua primeira prévia, da última década.

E, francamente, dizer que os números podem ficar “no azul” no último trimestre é uma mistificação, porque significa compará-los com os do desastre dos meses finais de 2015.

Também não ajudam as apreensões internacionais: queda recorde nas reservas cambiais da China, ameaça de saída do Reino Unido da Zona do Euro (o chamado Brexit) e os sinais de que, depois de meses de “ensaios”, o Federal Reserve norteamericano pode mesmo subir seus juros.

Menos ainda as críticas e o noticiário sobre golpe e corrupção no novo Governo cooperam para fechar os 70 ou 80 bilhões de dólares vindos do exterior que o Brasil precisa para fechar suas contas. O primeiro leilão de concessões, de portos, não teve interessados.

Um mês passado significa também, no mínimo, mais três ou quatro antes que se possa consumar o afastamento de Dilma, o que permitiria a adoção dos “pacotes de maldades” que ainda fazem o governo “bater cabeça” internamente. Porque é cada vez mais pressionado a fazê-lo logo, já e não é por outro motivo que os grandes jornais espalham editoriais exigindo a eliminação do “fator Cunha”.

Então além das declarações de otimismo e confiança, as medidas que este governo tomou para a “salvação nacional”, pode-se dizer, foram compostas principalmente as de cortar as viagens, a comida e agora até a hospedagem de Dilma Rousseff.

Ah, bom, agora sim a economia brasileira vai se recuperar!
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Fonte: texto e foto do blog Tijolaço

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Churchill, as bebedeiras e Gilmar Mendes

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Lembrei de uma tirada de [Winston] Churchill quando li que Gilmar teria chamado Lula de bêbado numa festa em Brasília.  

Por Paulo Nogueira, no site DCM

Uma senhora chamou Churchill exatamente de bêbado.  Churchill retrucou: "Amanhã vou estar sóbrio e a senhora vai continuar feia."

Qualquer pessoa que seja xingada por Gilmar de bêbada pode repetir a frase de Churchill.  No dia seguinte, a bebedeira terá passado e Gilmar continuará a ser o que é: um juiz que é uma vergonha para a justiça brasileira.

Chegará o dia em que o partidarismo tonitruante, despudorado, desvairado de Gilmar será lembrado como uma das páginas mais sinistras da história jurídica nacional.

Como um homem tão apaixonado politicamente como ele pode pertencer à principal corte do país?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A PF de vila, o MP da Candinha e a lei do ódio merecem indignação dos dignos

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Fazem os jornais escândalo, e muita gente dita “serena” acha exagerado o advogado Nilo Batista ter ridicularizado o “triplex de luxo” que não é do ex-presidente Lula mas, entretanto, “é do Lula”.  Não é, não.

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço

Primeiro, porque é ridículo e se não for tratado como ridículo aí sim fica sendo sério.  Aliás, pior do que ridículo, é criminoso.

Lula ou qualquer pessoa tem o direito de comprar algo dentro de suas posses, seja um apartamento ou um barco, ainda que de lata.  Ninguém tem nada a ver com isso, ainda mais quando ele não exerce cargo público de qualquer natureza.

Quando os que exercem ou exerceram, por outros partidos e com outras ideias ou práticas, possuem ou usufruem muitíssimo mais sem que haja nenhum questionamento de autoridades por o fazerem.

As instituições da República, que funcionam com pessoas muito bem pagas pelo povo brasileiro não o são para fazer perseguições ou para produzir situações que se prestem a explorações de natureza político-eleitoral, como estão fazendo.

Porque não há um crime sequer no que apontam como motivo das investigações sobre Lula. Não há nada que possa indicar que ele pudesse ter desviado dinheiro público deste ou daquele lugar para comprar tal ou qual coisa.

O que há é uma Polícia Federal desvirtuada, dedicada a persegui-lo.

O que há é integrantes do Ministério Público que não respeitam suas próprias funções e a instituição a que pertencem para avançar sobre qualquer assunto que possa atingir, em tese, a respeitabilidade do ex-presidente, sem que o Judiciário ou a sua própria corporação lhe ponham cobro.

Não praticam a fiscalização da lei, se ela não é violada, mas ao sugerir que tenha sido, entregam-se à maledicência.

Tem razão Nilo ao descrever os sentimentos de Lula como os de quem “se dá conta de que é uma luta antes de mais nada política e sente ser injustiçado e achincalhado sem ter feito nada”.

E um homem que se sente assim tem dois caminhos: encolhe-se ou reage.

Lula, como homem público – e isso não é ter cargo público, difere – deve dar e deu todas as explicações, inclusive abrindo mão de parte de seu direito à privacidade.

Mas isso não quer dizer que, dadas as explicações ao público, não deva indignar-se.  É, aliás, o que precisa fazer, para que a população se esclareça.

Não será miando que sairá das cordas em que o colocaram os que se reuniram para cometer crimes contra a sua honra.

E quem completou essa associação e deu-lhe efetividade foi a mídia, que passou, além de ser o partido de oposição que sempre foi, a praticar a mesma irresponsável “lei do ódio” que estimulou e desenvolveu em seus leitores.

O Brasil é um país quase que totalmente constituído de pessoas honradas. O que a mídia faz é, porém, tirar-lhes a lucidez e fazê-las supor que todos são ladrões, porque seria esta a natureza dos homens públicos.  Não é.

Mas para não ser, o homem público tem que ser digno e é condição de homens dignos, como o nome indica, a de indignar-se diante disso.

Só os canalhas são mudos, cínicos e combatem apenas com manobras jurídicas.

As pessoas de bem não têm o direito de dar um “passa-fora” nas molecagens com a sua honra.  Têm o dever de fazê-lo.

Para os que esqueceram disso, posto a cena em que Leonel Brizola calou um deles, no programa Roda Viva:.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Por que a Lava Jato é um fracasso

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PF: atuação contra um lado só.

A Lava Jato fracassou. Ponto. Exclamação.

Por Paulo Nogueira, no site DCM

Para que isso não ocorresse, ela teria que ser percebida, consensualmente, como uma operação apartidária, isenta politicamente e, numa palavra, justa.

Não é o que aconteceu.

A atuação da Lava Jato fez, não por acaso, o juiz Sérgio Moro se tornar ídolo de radicais que vão às ruas pedir o impeachment ou mesmo a intervenção militar.

É comum ver faixas pró-Moro nos protestos.

Também não por acaso, Moro ganhou instantaneamente o apoio empolgado da mídia. A direita protege os seus. Podemos dizer assim: Moro é tão isento e apartidário quanto à imprensa.

No campo oposto, os progressistas detestam Moro. Mais uma vez, como sempre, não por acaso – mas pelo conjunto de atitudes.

Num país dramaticamente polarizado, Moro é mais um fator de divisão e discórdia.

Entre os progressistas não estão apenas os petistas, é importante dizer. Boa parte dos advogados que nesta semana deram marretadas na Lava Jato – “neoinquisição” foi apenas uma delas – não tem vínculo com o PT.

Muitas coisas contribuíram para que Moro fosse visto como um juiz com lado. Jamais se soube de um só ato seu para investigar e punir vazamentos sempre enviesados, alguns dos quais simplesmente criminosos.

O pior vazamento veio na véspera das eleições, e contribuiu fortemente para a causa de Aécio. Segundo o vazamento, desmentido mais tarde pela realidade crua dos fatos, um delator disse que Lula e Dilma sabiam de tudo do Petrolão.

Isso foi para a capa da Veja, e serviu em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, como peça de propaganda para Aécio e, mais ainda, como um instrumento para tirar votos de Dilma.

O depoimento de Youssef, quando conhecido, mostrou que ele jamais dissera aquilo. Mas a eleição já passara, e esse crime, no qual se associaram vazadores da Lava Jato e a Veja, ficou impune.

Com o correr dos dias, Moro deixou de guardar até as aparências. Aceitou o inaceitável: um prêmio da mídia, especificamente da Globo.

Justiça e imprensa devem manter rigorosa distância para se autofiscalizar, mas Moro simplesmente ignorou isso.

Mais recentemente, aceitou outro convite inaceitável, este da Abril, para ser a estrela de um encontro das editoras de revistas.

Deu um passo além: compareceu a um evento organizado por João Dória, um dos líderes do PSDB em São Paulo. Posou sorridente, sem cerimônia, ao lado de Dória.

Do ponto de vista da simbologia, tudo isso não poderia ser pior. Moro se caracterizou como um soldado não apenas do PSDB mas, mais que isso, da plutocracia.

Em nenhuma sociedade avançada você vê cenas como estas, em que um juiz com tamanho poder confraterniza com a mídia e com um partido em situação tão dramática.

Moro, e com ele a Lava Jato, deixou também a sensação de que fala alto com aqueles que a mídia quer ver triturados e baixo com quem tem poder.

Eduardo Cunha é um caso. Nada aconteceu com ele e a mulher depois que a Suíça forneceu, já há meses, provas espetaculares contra o casal. (Cunha tem privilégios legais indecentes por ser deputado, mas ela não.)

A Lava Jato acabou se caracterizando não como uma operação universalmente contra a corrupção. Mas como uma ação específica contra determinado grupo.

Por isso fracassou. Agisse de forma imparcial, poderia ser respeitada e até admirada.

Mas não foi isso que aconteceu.

Derrotados, golpistas mostram desespero

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Duas notícias deste final de semana ilustram bem o desespero que está tomando conta dos golpistas, ao constatarem que, depois de tanto jogo sujo de sua parte, serão novamente derrotados.  E derrotados duplamente: além de derrotados, ainda ficarão com a pecha de inimigos do voto, das liberdades individuais e do estado democrático de direito.

Por Miguel do Rosário, n'O Cafezinho

1) Um delegado da PF chantageia explicitamente um cidadão, ameaçando com a prisão de sua esposa, em troca de delação contra Lula. Isso aconteceu na Zelotes 2.

A Zelotes 1, é bom lembrar, era uma investigação contra a sonegação bilionária de grandes bancos e grupos de mídia; em sua etapa 2, a PF esqueceu tudo que investiu na etapa 1 e passou a focar no filho de Lula...

Tudo com a chancela da mídia, que tentava abafar a operação na Zelotes 1 e que passou a dar enorme destaque à operação em sua segunda fase.

Sabe-se que a Lava Jato usa e abusa das mesmas práticas. Fizeram isso com praticamente todos os delatores. Se não delatar, prisão eterna, mesmo sem condenação, mesmo sem provas, e ameaças a toda a família. Os réus são investigados depois de serem presos. Primeiro são presos, numa operação que visa sobretudo ao espetáculo. A própria prisão se torna instrumento de culpabilização do réu. Em seguida, começam os vazamentos, com objetivo de justificar a prorrogação das prisões, por tempo indeterminado.

2) Revista Época, desesperada com seu absoluto fracasso de vendas, e com a derrota cada vez mais iminente do golpismo (que ela defende), ataca o... ex-marido de Dilma, um homem simples e pacato que vive em Porto Alegre, que nunca se envolveu em nenhuma negociata. A história é um insulto à inteligência de qualquer um. Tudo que se quer é produzir capas, que ficam expostas nas bancas como cartazes eleitorais fora de época (sem trocadilho).

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Como Aécio implodiu o PSDB

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Nos próximos dias é possível que José Serra se mude com armas e bagagens para o PMDB. Há rumores consistentes de que o governador paulista Geraldo Alckmin vá para o PSB. Antes mesmo de entrar Serra já prestou um grande favor ao partido: foi ele quem costurou a ida de Marta Suplicy para o PMDB.  Tudo isso devido ao fator Aécio Neves.

Por Luís Nassif, em seu site

Desde a morte de Mário Covas e Sérgio Motta, o PSDB foi perdendo substância. Transformado em referencial único do partido, Fernando Henrique Cardoso jamais logrou conferir-lhe profundidade programática. Vazio, acomodado, superficial, FHC contentava-se com boutades para uma mídia extraordinariamente indulgente e em sua revanche permanente com Lula.

O partido acomodou-se com a aliança com a mídia. Tendo à sua disposição a maior máquina de construção e destruição de ideias, não soube alimentá-la de conceitos legitimadores.

Sem ideias, sem programas, a mídia quedou-se ante um anti-estatismo primário, em posturas anti-políticas sociais e em discursos anti-corrupção. Só anti. Não conseguiu sequer elaborar os bons conceitos liberais.

Grupos de mídia falam para o fígado e os intestinos, não para o cérebro. E o PSDB foi atrás. Passou a ter o rosto irado de Aloysio Nunes, o histrionismo de Aécio, o primarismo de Carlos Sampaio.

Um a um os intelectuais que ajudaram a fazer o partido foram recolhendo armas. Os economistas formuladores se recolheram às suas instituições, como Luiz Carlos Bresser-Pereira e Yoshiaki Nakano. Os financistas, como Luiz Carlos Mendonça de Barros e Pérsio Airda, contentaram-se em continuar ganhando dinheiro, mas abrindo mão de militância partidária. Os cientistas sociais mais ligados a FHC, como Boris Fausto e Arthur Gianotti, recolheram armas, provavelmente envergonhados com a virulência desqualificada dos intelectuais neo-tucanos.

Gradativamente, o PSDB foi se tornando a cara de Aécio Neves e dos Rebeldes Online, em mais um caso em que o baixo clero se apropria de uma instituição pública.

A implosão do PSDB só é surpresa para os desavisados. Há muito tempo era nítido que jogar todas as energias para destruir o adversário os deixaria na situação do abraço de afogado.

Agora, o partido que, junto com o PT, dominou a cena política brasileira nas últimas décadas, foi entregue ao mais despreparado de seus caciques.

O esfacelamento de ambos os partidos torna as eleições de 2018 uma verdadeira roleta russa.
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Fonte: Jornal GGN de 5/11/2015.

domingo, 4 de outubro de 2015

A morte das revistas semanais brasileiras

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É a morte do jornalismo semanal. E uma morte infame, desonrosa, suja.  Tantas revelações em torno de Eduardo Cunha com suas contas na Suíça, e nenhuma revista semanal o deu na capa.
Por Paulo Nogueira, no site DCM

Que ele precisaria fazer para ir para a capa da Veja, da Época e da IstoÉ?

A mídia fala tanto em corrupção, e, quando aparece um caso espetacular destes, finge que não viu.

É uma amostra do que a imprensa sempre faz quando se trata de político amigo: joga a corrupção para baixo no tapete.

Isto se chama manipulação.

O brasileiro ingênuo é, simplesmente, ludibriado. Depois, corre para as redes sociais para vomitar as besteiras que leu na imprensa.

Durante a semana a mesma coisa ocorrera com os jornais. Eles esconderam o caso Cunha.

Fernando Morais comentou as capas logo na manhã de sábado. Notou, com razão, que parte disso é culpa do próprio PT por ter enchido de dinheiro público empresas de mídia que desinformam e não hesitam em sabotar a democracia quando sentem que seus inumeráveis privilégios correm risco.

As capas das revistas semanais e as primeiras páginas dos jornais nestes dias demonstram que, na prática, existe um monopólio na mídia brasileira.

São quatro ou cinco famílias, e na verdade uma só voz.

Não fosse a mão invisível do mercado, para usar a grande expressão de Adam Smith, e o poder das grandes corporações jornalísticas seria um obstáculo formidável ao avanço social brasileiro.

Mas a mão invisível trouxe a internet, e com ela um jornalismo que se contrapõe ao gangsterismo editorial das grandes corporações.

Fazer jornais e revistas de papel é coisa para grandes empresas, pelo tamanho dos investimentos necessários.

Mas montar um site é barato. Você não tem que imprimir sua publicação em gráficas, pagar uma distribuidora, comprar papel em fábricas finlandesas e coisas do gênero.

Seu custo é infinitamente mais baixo.

Paralelamente, a voz única das grandes corporações abre um espaço enorme para visões de mundo diferentes.

Foi assim que surgiu e floresceu, na internet, um jornalismo dissidente vital para a democracia nacional.

Considere: sob Getúlio e Jango, vítimas da imprensa, não houve contraponto à narrativa golpista da imprensa.

(Getúlio, um homem de visão, tentou resistir aos barões da imprensa com a criação de um jornal, a "Última Hora", mas era quase nada diante da avalanche dos grandes jornais.)

Avalie como seriam as coisas sem o contraponto dos sites independentes.

O caso Eduardo Cunha mostra muitas coisas, e não apenas sobre a mídia. Estampa a parcialidade da Justiça e da Polícia Federal, também.

Cunha tinha que estar dedicando todo o seu tempo a se defender das acusações terríveis que pairam sobre ele.

Em vez disso, trama a derrubada de Dilma como se não tivesse nada além do impeachment em sua agenda.

Ele só faz isso porque sabe que goza de ampla proteção.

Essa proteção ficou grotescamente evidente neste final de semana, nas bancas brasileiras, com as capas das revistas semanais.

domingo, 27 de setembro de 2015

Pessoas felizes, quem são e como pensam

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O professor de História da Unicamp, Leandro Karnal, fez em abril deste ano uma palestra no programa "Café Filosófico", da TV Cultura, versando sobre William Shakespeare e sua famosa peça "Hamlet".  

Trazendo interpretações literárias, filosóficas, existencialistas, sobre a importante obra do dramaturgo inglês, o professor também fez interessantes implicações de temas da peça com a realidade brasileira.  Acima está um curto trecho tirado da palestra, cujo vídeo integral (de 1 hora de duração) está neste endereço no Youtube

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O dia seguinte ao impeachment

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Montando os Atos Institucionais e a lista de cassações, Costa e Silva chamou o Ministro da Fazenda Delfim Netto e indagou o que ocorreria se incluísse na lista o banqueiro Walter Moreira Salles.

Delfim disse que nada demais. Haveria problemas com os bancos nova-iorquinos e europeus, sem dúvida. Também com a mídia norte-americana, já que Moreira Salles era amigo pessoal dos donos da CBS, do New York Times e do Washington Post. Fora isso, nada demais.

Por Luís Nassif, no Jornal GGN

A mesma coisa se sair o impeachment de Dilma. Pouca coisa mudará, com exceção das seguintes:

* Do lado esquerdo, movimentos sociais, sindicatos e estudantes sairão às ruas protestando. Do lado direito, sairão os grupos vociferantes que dominaram as ruas nas últimas manifestações. Entre ambos, os inevitáveis black blocs e baderneiros em geral.

* Para manter a ordem, governos estaduais darão um liberou geral para suas Polícias Militares. Dado o grau de exacerbação produzido pelo impeachment, as pancadarias de Curitiba parecerão bailes de debutantes perto do novo quadro.

* A bandeira da anticorrupção será levantada em todos os rincões do país e se transformará em palavra-de-ordem. De nada adiantará Aécio Neves prometer blindagem para os políticos peemedebistas citados na Lava Jato. Depois que Sérgio Moro provou o poder de um juiz de Primeira Instância – prendendo sem motivo aparente o presidente do maior grupo nacional – o exemplo se espalhará pelo país. Bastará o casamento de um juiz de primeira instância justiceiro com um procurador vingador para os mais poderosos se abalarem e os menos poderosos serem varridos do mapa.

* Haverá uma caça às bruxas na qual grupos de extrema direita, a exemplo do antigo CCC (Comando de Caça aos Comunistas), sairão a campo para denunciar, prender e agredir os recalcitrantes. A enxurrada levará não apenas militantes petistas, mas quem ousar investir contra a onda.

* Do outro lado, o sentimento de indignação e impotência poderá levar a atitudes radicais, como as que produziram o AI-5.

* Lula não poderá sair sem escolta nas ruas. Mas Fernando Henrique Cardoso também não. O sentimento de ódio prevalecerá em todas as instâncias.


Em pouco tempo, os novos vitoriosos estarão se digladiando pelo botim. Eduardo Cunha e Renan Calheiros brandirão o tacape do controle das bancadas. E os jornais junto com o PSDB tentarão carrear a vaga do denuncismo para o lado deles.

* Pouco importa se a guerra quebrar grandes grupos, produzir estragos nos pequenos e médios, ampliar o desemprego e o descontrole. O que importa é o poder.

* Quando o grau de fervura estiver insuportável, serão convocadas as Forças Armadas, para colocar um mínimo de ordem no caos produzido pela elite política. Dependendo do grau de conflitos, há a possibilidade de se invocar a Lei de Segurança Nacional, com desdobramentos sobre a mídia e sobre as redes sociais. E, se a bandeira anticorrupção estiver a pleno vapor ainda, não faltarão motivos para estender a longa mão de Moro sobre outros presidenciáveis e outros partidos.

Fora isso, nada demais ocorreria em caso de impeachment.

Daí porque o maior risco não é a possibilidade de um impeachment. Mas de Dilma jogar a toalha.
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segunda-feira, 6 de abril de 2015

7 a 9 de abril: dias de manifestação do funcionalismo público federal

Um comentário:
Cumprindo o calendário de lutas aprovado na ultima plenária nacional da FASUBRA, todos os sindicatos filiados à Federação dos servidores técnico-administrativos foram orientados a organizar, nos dias 07,08 e 09 de abril, manifestações nas IFES (com paralisações onde for possível) somando-se a manifestações que vão ocorrer tanto em Brasilia como pelo país por parte da maioria das entidades do funcionalismo publico federal.

O objetivo dessas manifestações é chamar a atenção do governo federal para que as negociações com os trabalhadores comecem imediatamente, bem como pressionar o Congresso Nacional para arquivar todos os projetos que atacam direitos trabalhistas, com destaque para o insidioso PL 4330 (que generaliza as terceirizações, inclusive em atividades-fim).

De Curitiba, assim como dos diversos Estados, já partiram vários ônibus das centrais CUT e CTB até Brasília, para engrossar a pressão sobre o Congresso Nacional visando a protestar contra MPs e projetos de lei antitrabalhador, assim como contra o ajuste fiscal liberal intentado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy para supostamente enfrentar a crise econômica que colocou o país em estagnação.  As Centrais Sindicais exigem que seja posto em pauta o projeto que taxa grandes fortunas e heranças, pois os mais ricos é que tem que arcar com os maiores custos da crise.

Na UFPR, a programação pretendida pela Diretoria do Sinditest é a seguinte:

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Fonte: com informações de FASUBRA e Sinditest

Procuradores na capa da Folha de São Paulo violam código de ética do MP

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O que existe de mais nojento, egoísta, cafajeste, no pensamento da nossa elite, está expresso na verdadeira campanha política e midiática que os procuradores da Lava Jato estão fazendo para que os executivos das empreiteiras não tenham seus direitos de defesa assegurados, e para que o governo não celebre acordos de leniência com vistas a preservar empregos e tecnologia acumulada.

Por Fernando Brito, no Blog Tijolaço

Além disso, os procuradores violam diversas leis e códigos de ética ao posarem desta maneira para a capa de um jornal.

Para início de conversa, violam o Código de Ética do Ministério Público, que exige zelar pela impessoalidade na relação com a imprensa.

Esse código, como toda a lei, obedece a um espírito de justiça e a um princípio democrático.

O procurador representa o lado da acusação. É o Estado acusador. Para haver equilíbrio, dever-se-ia mostrar também o lado da defesa.

Um dos procuradores sintetiza, maravilhosamente, o egoísmo psicótico que parece ter dominado setores do Ministério Público:

A CGU foi feita para controlar corrupção de funcionários públicos, não para ser a salvadora do emprego”, afirmou Carlos Fernando Lima, em entrevista à Folha.

Ora, a preocupação com o emprego de quase meio milhão de trabalhadores é mais que um dever do servidor público; é uma obrigação moral.

O senso ético não se revela apenas combatendo a corrupção; ele é antes de tudo um sentimento de humanismo em relação a outros seres humanos; no caso, em relação a meio milhão de trabalhadores que não podem pagar com sua vida para que uma dúzia de procuradores tenham seu ego satisfeito.

Se o Brasil conseguir sobreviver a esse odioso golpe, em que a necessária luta pela corrupção se transforma em arma política para provocar uma profunda crise econômica e social, com vistas puramente a desgastar o governo, teremos dado um grande passo em direção a nosso futuro.

A comparação com “Os Intocáveis”, além do mais, não poderia ser mais ridícula e equivocada. Eliot Ness combatia Al Capone, que vivia sobretudo da venda ilegal de bebidas.

As empreiteiras e empresas agregadas, alvo da sanha destruidora desses procuradores, são responsáveis pela construção de todas nossas hidrelétricas, estradas, pontes, aeroportos, portos, ferrovias, estações elétricas, plataformas de petróleo, etc.

Sem contar que a comparação esquece o ponto principal.

Al Capone foi preso por sonegação de impostos…

Quem deveria aparecer na capa do jornal, portanto, como herois, são os procuradores da Operação Zelotes, que investiga um esquema de evasão fiscal que pode ter desviado quase R$ 20 bilhões dos cofres públicos.

A Operação Zelotes lida com valores muito maiores do que a Lava Jato, e não está promovendo nenhum desemprego em massa no país.

domingo, 5 de abril de 2015

Stedile pisa no acelerador e conclama lutas sociais para cobrar o governo e encarar a direita

Um comentário:
Dirigentes de sindicatos, movimentos populares e organizações de juventude se reuniram em Belo Horizonte, na quarta-feira (1/4), na seção mineira da Plenária dos Movimentos Sociais, sob o impacto do discurso do ex-presidente Lula, em São Paulo.

Por Carlos Bandeira, no site da Revista Forum

A estrela da plenária foi o líder do MST, João Pedro Stedile, que empolgou a militância ao conclamar a continuidade das lutas das forças progressistas em defesa da democracia, de acordo com relatos dos participantes, a partir de uma plataforma que congrega cobranças ao governo Dilma e o enfrentamento à ofensiva dos setores conservadores.

Assim, ele demarcou com a linha de Lula, que colocou a centralidade na defesa intransigente do governo Dilma, frustrando a militância. Stedile disse em alto e bom som: “Não podemos ficar ao lado do ajuste fiscal. Nosso compromisso é com o povo, contra o Joaquim Levy [ministro da Fazenda]”.

A plataforma para as lutas sociais apresentada pelo dirigente do MST tem a defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores, contra as medidas provisórias com cortes de direitos do governo e o projeto da terceirização em discussão no Congresso; a defesa da Petrobrás como guardiã do petróleo e motor para o desenvolvimento com soberania nacional; a reforma tributária com taxação de grandes fortunas e a democratização dos meios de comunicação e da política, que aponte para a convocação de uma Constituinte.

Essa linha conjuga a pressão sobre o governo ao enfrentamento aos inimigos das mudanças sociais, como os agentes neoliberais que conspiram para diminuir o papel do Estado na economia, o sistema político que quer mutilar o governo, os empresários que atuam para flexibilizar a legislação trabalhista, as petroleiras estrangeiras com interesse em explorar o pré-sal, os milionários que não querem pagar impostos e a oligarquia que controla o Congresso Nacional e as redes de TV/rádio.

O contraste dos discursos de Lula e Stedile expressa diferentes perspectivas para encarar a ofensiva da direita. Lula parte da leitura de que o governo e apenas o governo, com sua estrutura, instrumentos, ritmo e limites, pode garantir a continuidade do projeto que começou em 2003.

Assim, o ex-presidente coloca a centralidade na institucionalidade, para fazer o governo funcionar, reorganizar a base parlamentar, tendo como sustentação as organizações fiéis ao PT e os segmentos desorganizados.

Para Stedile, esse projeto já bateu no teto com a crise econômica e as contradições do sistema político e, apenas com a mobilização dos setores progressistas e medidas concretas do governo, será possível impedir um retrocesso.

Por isso, ele propõe tirar o centro de gravidade do enfrentamento da institucionalidade, com uma pauta mais avançada de reformas estruturais, para congregar os setores críticos que se uniram no 2º turno da eleição presidencial e catalisar a crescente insatisfação na sociedade, ampliando a capacidade de luta por medidas do governo que alterem a correlação de forças.

No discurso em Minas, Stedile disse que entende que Lula tem dificuldades para expressar qualquer contrariedade às políticas do governo, para não enfraquecer a presidente Dilma em um momento complexo. No entanto, pontuou que os sindicatos, movimentos e entidades de juventude não podem se orientar exclusivamente pela dinâmica da institucionalidade.

O dirigente do MST afirmou que os forças progressistas perderão de W.O. se não fizeram os enfrentamentos políticos e ideológicos na sociedade, com mobilizações de massa. Nesse sentido, defende que é hora da esquerda pisar no acelerador, massificar as manifestações agendadas para o dia 7 de abril, cobrando mudanças na política econômica do governo, com a revogação das MPs, e enfrentando a ofensiva da direita em todos os campos.

Dentro do arco de forças sociais que construiu a jornada do dia 13 de março, há compreensões distintas da forma de atuar diante de um governo que adota políticas neoliberais, em um quadro de ofensiva dos setores conservadores no Congresso, no Poder Judiciário, nos meios de comunicação e nas ruas.

Os discursos de Stedile, em Minas, e do presidente da CUT, Vagner Freitas, em São Paulo, demonstraram a disposição de ir para a ofensiva, sem admitir a perda de direitos nem o golpismo dos setores conservadores. Caberá aos dirigentes das forças populares em todo o país definir a estratégia.

No entanto, a decepção com as medidas do governo e a frustração com o discurso de Lula apontam que, depois de 12 anos, a militância das organizações de esquerda quer ser protagonista na disputa política no país.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Algumas do Primeiro de Abril

2 comentários:
"Seremos completamente transparentes nas contas de nossa gestão no Sinditest.”  [Márcio Palmares, vice-presidente do Sinditest]

“Não mexeremos em direitos dos trabalhadores nem que a vaca tussa.”  [Presidenta Dilma, em campanha em 2014]

“O melhor está por vir em 2015.”  [Beto Richa, candidato à reeleição em 2014, antes de anunciar brutais elevações em impostos do estado]

“A volta da Laryssa à PROGEPE não significa uma volta ao passado.”  [Vice-reitor Mulinari, na re-posse da pró-reitora em março/2015]


“Teremos conquistas de verdade nesta greve!”  [Carla Cobalchini, na greve de 2014, recusando a contraproposta do governo]


“Eu não sou como o Frank Underwood da série ‘House of Cards’. Não sou homicida, nem homossexual, nem corrupto.”  [Deputado do PMDB Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara Federal]

Operação Zelotes pega esquemas dos bancos Bradesco e Santander, além de afiliada da Rede Globo

Um comentário:
A operação realizada na quinta-feira (26/3) por diversos órgãos federais contra um esquema que causava o sumiço de débitos tributários, uma forma de desfalcar os cofres públicos, identificou várias grandes empresas e bancos entre os suspeitos de pagar propina para se livrarem de dívidas. Entre estas empresas está a RBS, maior afiliada da Rede Globo

Os investigadores, segundo o jornal o Estado de S. Paulo, desconfiam que a RBS pagou 15 milhões de reais para que desaparecesse um débito de 150 milhões de reais. Estariam envolvidas também Ford, Mitsubishi, BR Foods, Camargo Corrêa, Light, Petrobras e os bancos Bradesco, Santander, Safra, BankBoston e Pactual.

O esquema desbaratado pela Operação Zelotes subtraiu do Erário pelos menos 5,7 bilhões de reais, de acordo com as investigações de uma força-tarefa formada por Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal e a Corregedoria do Ministério da Fazenda.

O esquema atuava no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão da Fazenda onde contribuintes podem contestar administrativamente – ou seja, sem passar pela Justiça – certas tributações aplicadas pela Receita.

A força-tarefa descobriu a existência de empresas de consultoria a vender serviços de redução ou desaparecimento de débitos fiscais no Carf. Tais consultorias tinham como sócios conselheiros ou ex-conselheiros do Carf. Elas conseguiam controlar o resultado dos julgamentos via pagamento de propinas. Entre seus clientes, estão as grandes empresas citadas pelo Estadão.

O Ministério da Fazenda informou que já abriu processos administrativos contras as empresas envolvidas, tendo como base a Lei Anticorrupção, a mesma que dá suporte a processos da Controladoria Geral da União contra empreiteiras metidas na Lava Jato.

Abaixo, a lista de alguns débitos investigados de algumas das empresas, segundo o Estadão:

* Banco Santander – R$ 3,3 bilhões
* Banco Bradesco – R$ 2,7 bilhões
* Grupo Gerdau – R$ 1,2 bilhão
* Banco Safra – R$ 767 milhões
* Grupo RBS/Globo – R$ 672 milhões

COMENTÁRIO: depois dessa, reitor Akel, tem ainda alguém na administração superior da UFPR querendo fazer negócio com o banco Santander, como no começo de 2012?
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Já era mesmo tempo de acabar a aliança PT-PMDB

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Durou o que tinha que durar a melancólica aliança entre PT e PMDB na Câmara dos Deputados.  Ela começou a ruir quando Dilma se incomodou com o monumental preço a pagar por ela: não mexer no âmbito da Câmara em nada que ameaçasse velhos e irremovíveis privilégios.

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo em 02/02/2015

E, por extensão, praticar o que existe de mais arcaico e deletério na política: o clientelismo que é a alma, o corpo, o tudo e o nada do PMDB.

Foi uma parceria que não elevou o PMDB e rebaixou o PT.

Cansada do custo de ter o PMDB ao lado, Dilma agiu a partir de determinado momento como alguém que não suporta mais um casamento mas não sabe exatamente como rompê-lo. Foi deixando claro o enfado, o desprezo pelo laço que a prendia — e ao país — a tanto atraso.

Eduardo Cunha aglutinou então, no PMDB, o batalhão dos descontentes e desprezados. O desfecho se deu ontem (01/02).

Não estava escrito, mas desde o princípio estava entendido que o apoio do PMDB a Dilma não seria mantido caso a pauta do governo abrangesse itens essenciais à sobrevida dos peemedebistas, como o financiamento privado das campanhas e a regulação da mídia.

O PMDB não sobrevive sem os milhões de reais que vão dar nele para defender uma agenda conservadora. E a regulação acabaria com o coronelismo eletrônico da elite do partido.

A situação, agora, é curiosa.

As Jornadas de Junho de 2013 mostraram que o país já não suporta o tipo de política representado pelo PMDB.

E a eleição de Eduardo Cunha é a negação do desejo de renovação demonstrado nas manifestações.

Isso leva a uma conclusão: o futuro da agenda política nacional vai ser decidido nas ruas.

Para que o conservadorismo do PMDB não faça o relógio andar para trás, os movimentos sociais vão ter que se mexer.

A militância petista, nestes anos todos de Lula e Dilma, ficou em casa, temerosa de atrapalhá-los.

Agora, os militantes vão ter que tirar o traseiro do sofá – e não apenas para defender causas progressistas.

Trata-se, também, de proteger a democracia e impedir que prosperem ambições golpistas expressas numa palavra sinistra: impeachment.

Foi fácil derrubar Collor porque ele não tinha sustentação nenhuma nem nos partidos e nem na sociedade.

Seria muito mais complicado tentar o mesmo com Dilma – mas isso tem que ficar evidente para quem porventura pretenda enterrar 54 milhões de votos.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Diferenças entre militontos e militantes pró-Dilma

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O militonto recebe as decisões da presidente da República e não admite qualquer crítica. Quem ousar fazê-lo, é aliado objetivo da direita.  O militante não vacila em apoiar o governo e defender a presidente, especialmente diante da escalada reacionária. Mas não abdica do direito e do dever de pensar com a própria cabeça, criticando o que lhe parece errado na estratégia adotada e concebendo essa atitude como indispensável na ação política.

Por Breno Altman, no site Opera Mundi

O militonto tudo explica e justifica através de um pacote fechado e imutável: a correlação de forças no parlamento. Serve como uma espécie de álibi para defender o governo de qualquer crítica por adotar políticas conciliatórias, mesmo as que podem ser um tiro no pé.

O militante encara com seriedade a tal correlação de forças, mas com o objetivo de alterá-la a favor da esquerda. Sabe que negociações e composições são inevitáveis, necessárias, mas deseja forçá-las ao limite.

O militonto ficou acostumado a pensar correlação de forças apenas ou principalmente como uma questão institucional, parlamentar. A mobilização social e a luta de massas não entram de verdade em seu cálculos como hipótese para pressionar as instituições desde seu exterior.

O militante não descuida da governabilidade institucional. Mas aprendeu, nesses doze anos e várias crises, que também é imprescindível a construção de governabilidade social. Sabe, a propósito, que as maiorias parlamentares de orientação progressista somente foram formadas, na história do Brasil, quando o povo organizado e mobilizado obrigou o Parlamento a dançar sua música.

O militonto costuma achar que divide a esquerda quem entra em desacordo com ações do governo. Não admite que, às vezes, pode ser o governo quem divida a esquerda com suas ações.

O militante quer a unidade da esquerda e das forças progressistas. Mas acha que a pedra angular desse processo vai além de apoiar ou não o governo: depende de um programa unificador e de uma estratégia de coalizão do campo popular.

O militonto acha que o passado fornece crédito infinito, no presente e no futuro. Por tudo o que foi feito, e definitivamente não é pouco, o governo deveria ser defendido incondicionalmente e qualquer crítica seria descabida por princípio.

O militante reivindica os enormes avanços promovidos pelo governo e se mobiliza para defendê-los, mas não acha que o passado basta para garantir o presente e o futuro, que devem ser discutidos sempre com espírito crítico e aberto.

O militonto é superlativo e hiperbólico em relação aos líderes do governo e do partido. Sua frase estruturante: “eles sabem o que fazem…”

O militante respeita e admira os chefes históricos da esquerda, mas a vida já ensinou que também são passíveis de erros e confusões. Considera, portanto, que os instrumentos coletivos são mais qualificados que as clarividências individuais e esses só podem ser construídos pelo debate franco e desabrido de todos os temas.

O militonto é governista e acha que isso basta para resolver todos os problemas.

O militante defende o governo contra a direita, mas busca ser um revolucionário, um lutador social, para quem governar é apenas parte, ainda que imprescindível, de um processo estratégico mais amplo, o da transformação do país.
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Fonte: texto e foto de Breno Altman, em 24/11/2014

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Pondé, o “filósofo-pegador”, prega a “secessão política cotidiana”. Heil!

Um comentário:
A ideia de democracia acaba de ser reinventada na Folha,  pelo filósofo Luiz Felipe Pondé, que costuma gastar papel com “dicas” para jovens liberais “pegarem mulher” nas universidades. O grande pensador agora lança a tese da “secessão política”, não entre São Paulo e o Nordeste (será mesmo?) mas entre os que votaram em Dilma Rousseff e os que não votaram.

Por Fernando Brito, no Blog Tijolaço

Precisamos de uma militância de secessão: que os bolivarianos (sic) durmam inseguros com o dia seguinte, porque metade do país já sabe que eles não são de confiança”.

Sensacional, isso deveria ser objeto de análise nas universidades. Neste conceito, metade dos norteamericanos sabem que Barack Obama “não é de confiança”, metade dos franceses, dos italianos, dos portugueses, dos alemães…

A ideia de Pondé é a de que o governo eleito pela maioria é apenas o governo desta parte, enquanto a outra o “suporta”.  Suporta, em termos.

Como devem agir os jovens liberais naqueles momentos em que não estiverem ocupados seguindo os conselhos do Professor Pondé tentando “pegar mulher” em desvantagem com os charmosos esquerdistas, que as assediam, segundo ele, com “um pouco de vinho barato, quem sabe, um baseado? Um som legal, uma foto grande do Che (aquele assassino chique) na parede”?

Devem praticar a “secessão política cotidiana em todo lugar onde algum bolivariano quiser acuar quem recusar a cartilha totalitária petista”.

Segundo Pondé, esta cartilha petista está levando  a “perseguições escondidas a profissionais de diversas áreas (…) fazendo com que eles percam o emprego ou fiquem alijados de concursos e editais”. “Alijados de concursos e editais”?

Não posso crer que alguém tenha posto algo no cachimbo do professor para fazer uma afirmação destas.

Mas acho que ele deveria pegar – desculpe a palavra, professor – para assistir ao velho filme de Stanley Kubrick e ver como está ficando parecido com o “Dr. Fantástico”, impagável personagem de Peter Sellers.

À parte o delírio macartista de Pondé, que em tese é problema exclusivamente seu, dá para perceber o ódio e a intolerância que esta sub-intelectualidade está incutindo nas pessoas?

Ou imaginar o açulamento que produzem sobre uma juventude que deveria, ao contrário, ser estimulada ao debate racional e não à “secessão política cotidiana” seja lá ao que for: esquerda, direita, negros, brancos, héteros, paulistas, nordestinos, gays, cristãos, judeus, seja lá qual for o rótulo com que se queira reduzir a complexidade humana?


Não, o professor Pondé não reinventou a ideia de democracia. Ao contrário, recorreu a uma ideia bem antiga, que andou em voga nos anos 30 e 40 do século passado, onde se praticava a “secessão política cotidiana”  marcando gente com a estrela de David.