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sábado, 11 de julho de 2026

Ultraesquerdismo, idealismo filosófico e metafísico às mancheias


Ontem, pela manhã, o Sinditest realizou, no pátio da Reitoria da UFPR e também online, mais uma assembleia geral híbrida, de uma longa série da greve nacional da FASUBRA, que já se estende por mais de 120 dias. Na pauta constavam os itens de debate sobre uma Ata de reunião entre Governo Federal e Comando Nacional de Greve (CNG) e de deliberação sobre a saída unificada da greve, indicada para o meio da semana que vem.

Pelas imagens, pode-se notar que a reunião da categoria TAE estava relativamente esvaziada, mesmo que contando com assembleias concomitantes em alguns campi do interior, que recebiam via online a transmissão do encontro na Reitoria.

Uma vez mais, o que se viu foi uma refrega entre Diretoria do sindicato (por extensão, Chapa 1 da recente eleição) e setores da oposição sindical (por extensão, várias pessoas da Chapa 3 derrotada nessa eleição), esta nitidamente em maioria na plenária e com oradores primando por discursos marcadamente ultraesquerdistas e antigoverno Lula.

A dita Ata foi lida pela Mesa e, aberto o debate, foi alvo de saraivada de críticas e rejeições, particularmente por esse documento, ainda que aprovado pelo CNG-FASUBRA, não ter a configuração de um autêntico Termo de Acordo de final de Greve. Mas não só. Diversas falas, na prática, acabaram jogando água no moinho da extrema-direita que disputa, ainda que em pré-campanha, a Presidência da República nas eleições gerais de outubro através do traidor da pátria senador Flávio Rachadinha Bolsonaro.



Apenas um orador fez fala assinalando a brutal diferença entre o que é o Governo Lula – que promoveu diversos avanços em políticas públicas, defendeu a democracia contra golpistas e concedeu reposições salariais parciais ao longo de 3 anos ao serviço público (cujos salários estiveram congelados por 6 anos sob os mandatos de Temer e Bolsonaro), além de abrir espaço ao diálogo com os movimentos sociais – e o que foi a antidemocrática e corrupta gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022), totalmente fechada ao diálogo com os trabalhadores. Mas esse militante da base TAE foi essencialmente ignorado.

Na assembleia de ontem, a política do fígado esquerdista prevaleceu e o que interessava era desprezar por completo quaisquer avanços nas negociações de greve e no alcance de um Decreto regulamentando o RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências). O governo Lula foi tachado de autoritário, enrolador e neoliberal, em algumas falas isso dito em altos raivosos brados. Entre muitos ali presentes, parece que se perdeu a memória das imensas dificuldades do movimento sindical sob gestões presidenciais como as de Collor, FHC, Temer e Bolsonaro, sem falar dos tempos ainda da ditadura militar.

Um diretor do Sinditest procurou chamar a atenção de todos para um elemento de análise indispensável sempre que ocorrem entrechoques entre classes sociais, e entre patrão e trabalhador: a maldita correlação de forças entre cada lado, conforme cada época e cada contexto. Aliás, elemento fundamental a levar em conta para se escolher a melhor tática de enfrentamento, como já ensinava o velho revolucionário Vladimir Lenin, na busca sempre de conquistas parciais ou maiores para o movimento.

No sentido oposto a esse apelo ao bom senso político, um dos oradores, histérico, resolveu acariciar os tímpanos dos presentes e, em altos berros, proferiu seus impropérios contra o governo federal e a diretoria sindical, tendo ainda produzido a seguinte pérola, inspirada no mais puro idealismo filosófico metafísico: “A correlação de forças somos NÓS, trabalhadores, que fazemos!!” OK, se tudo depende unicamente da vontade de nós, trabalhadores, façamos já tudo que resolve os problemas criados pelo capitalismo, façamos já a Revolução Socialista! Em uma passagem do clássico filme italiano sobre movimento operário ("A classe operária vai ao paraíso"), um militante trotsquista explica sua singela tática/estratégia de luta: “Queremos tudo, e queremos já!”.

Entretanto, ao comentar isso, não queremos de modo algum dizer que os trabalhadores devem se conformar a alguma espécie de “ditadura da correlação de forças”. Não, é claro que não, caso contrário ficaríamos parados, inertes, esperando que a Divina Providência faça cair dos céus uma melhor correlação de forças sem ir à luta, aos movimentos, às greves e às insurreições. Pois é no terreno da luta de classes, da oposição de dois polos em contenda, dialeticamente, que se criam novas correlações entre as forças políticas e sociais.

Como era de se esperar, o encerramento unificado da greve nacional, proposto pelo CNG para ser em 15/07, próxima quarta-feira, foi rejeitado pela maioria da assembleia de ontem. Essa mesma maioria propõe ao CNG-FASUBRA que se obtenha do Governo Federal um “Termo de Acordo de Greve” para a semana que vem, e, só a partir do teor dele, a categoria dos TAE da base do Sinditest voltará a se reunir em assembleia para debate-lo e também a eventual saída da greve. Resta ver como ficam as bases do sindicato do Paraná diante de uma saída em massa das demais IFES do resto do país.

5 comentários:

Anônimo disse...

É óbvio que no começo a assembleia estava esvaziada, mas durante e ao final é possível ver que havia muitos trabalhadores. Inclusive pela contagem de votos. Tentar induzir a categoria ao erro através de meias verdades é a tática da extrema-direita.

Anônimo disse...

O trecho que diz que "diversas falas acabaram jogando água no moinho da extrema-direita" foi o suficiente para o texto perder completamente a minha atenção. Esse velho recurso de tratar qualquer crítica ao governo Lula como combustível para Bolsonaro evita enfrentar o conteúdo das críticas feitas na assembleia. É a velha história do bicho-papão, que parte da esquerda insiste em repetir e que precisa ser abandonada se quiser ampliar a quantidade e a qualidade de lideranças em seu próprio campo político. Lula se tornou uma referência histórica importante para a esquerda brasileira, mas isso não deveria impedir uma avaliação crítica de seu governo, especialmente quando adota políticas econômicas, como o Arcabouço Fiscal, que são alvo de críticas de diversos setores da própria esquerda por priorizarem o equilíbrio fiscal e a previsibilidade para o mercado financeiro em detrimento de uma maior capacidade de investimento público.

O texto também afirma que a ata foi aprovada pelo CNG, mas omite um dado importante: essa aprovação ocorreu por uma margem de apenas 4 votos, o equivalente a 5,56% dos votos válidos (38 a 34). Isso mostra que a própria representação nacional estava profundamente dividida sobre o documento.

Além disso, não menciona que a ata foi redigida unilateralmente pelo MEC, sem assinatura das partes, deixando de incorporar pontos relevantes debatidos pela categoria. Tampouco informa que havia uma condicionante com prazo para contemplação que sequer foi apresentada durante a reunião de negociação, fato que pesou na avaliação de muitas bases.

Em vez de discutir esses elementos concretos, o texto prefere reduzir quem discordou a "ultraesquerdistas", "histéricos" ou pessoas movidas pelo "fígado". Essa caricatura pode servir para reforçar uma narrativa política, mas pouco contribui para compreender por que tantas bases receberam a ata com desconfiança.

Curiosamente, o próprio texto ignora um ponto levantado por outro comentário aqui: a assembleia começou esvaziada, mas terminou com ampla participação, algo comprovado pela própria contagem de votos. Da mesma forma, omite que, na reunião ampliada do Paraná, a posição encaminhada pela base paranaense foi aprovada por 67 votos contra 24, ou seja, 73,6% a 26,4%. Se a votação apertadíssima do CNG merece ser lembrada para legitimar a ata, uma deliberação aprovada por quase três quartos dos votos da base paranaense também deveria fazer parte da análise.

No fim, o artigo acaba funcionando mais como uma defesa da condução do governo e da direção sindical do que como um relato equilibrado do que efetivamente ocorreu na assembleia, selecionando fatos que reforçam sua narrativa e deixando de lado elementos importantes para compreender por que tantas bases rejeitaram a ata.

Anônimo disse...

A parte mais engraçada é a confiança de quem escreve como se todo mundo que esteve na assembleia tivesse vivido um evento completamente diferente.

A ata nasce unilateralmente no MEC, sem assinatura, deixando de fora pontos importantes da negociação... mas o problema, aparentemente, é o trabalhador que ousou reclamar dela. A solução encontrada é simples: chama quem discorda de "ultraesquerdista" e segue o baile.

E a seleção de fatos é de uma criatividade impressionante. O que ajuda a narrativa entra. O que atrapalha, desaparece. A votação apertadíssima no Comando Nacional de Greve ganha destaque. A posição amplamente aprovada pela base do Paraná? Nem uma linha. A assembleia termina cheia? Melhor deixar o leitor com a imagem do começo.

E, claro, não podia faltar o argumento de que criticar o governo é fazer o jogo da extrema-direita. É um atalho retórico que evita enfrentar as críticas e acaba funcionando muito mais como uma tentativa de blindar o governo do que de discutir o mérito do que foi apresentado pela categoria.

Anônimo disse...

Texto parece aqueles escritos pela VEJA. "Assembleia esvaziada" (pois no momento que eu passei lá estava assim)... Vai caçar cargo Dodô e parar de se fingir de sindicalista.

Anônimo disse...

Que legal, que legal, greve até o natal! Uhuuu...