Lembram-se do personagem do Jô Soares, o Múcio, o sempre decidido, sempre com opinião bem formada sobre os mais diversos temas? Pois é... Tem aí em Brasília um certo Zé Múcio, decidindo se é da Defesa, do Meio de Campo, ou do Ataque...
terça-feira, 17 de janeiro de 2023
Autor do plano do Golpe - todos sabem quem
Há muita gente para ser responsabilizada pelos atentados do 8 de janeiro em Brasília. Mas uma atenção especial deve ser dada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Por Luis Felipe Miguel, em sua página de Facebook
Foragido para os Estados Unidos desde o penúltimo dia do ano passado, ele tem reeditado seu comportamento costumeiro, que é falar pouco e sempre de maneira ambígua.
O capitão é covarde. Não assume a responsabilidade pelas suas decisões, o que prova que não é feito da matéria dos líderes políticos.
Ontem, na Flórida, Bolsonaro tentou se distanciar do 8 de janeiro.
Disse um protocolar “lamento” e classificou como “inacreditável”. Uma frase, seguida de um “mas” que justificava os vândalos.
Na semana passada, em vídeo que postou e logo apagou, o apoio aos golpistas era explícito. Assim como no discurso de sua tropa de choque.
Está cada vez mais claro que o plano do novo golpe contra a democracia brasileira partiu de Bolsonaro e de seu círculo íntimo.
Não é só deixar seus apoiadores fanáticos tocarem o terror, literalmente, julgando que isso lhe beneficiaria politicamente.
Nem é só se negar a reconhecer a legitimidade do resultado eleitoral, falando expressamente em uma inexistente fraude, gerindo suas redes sociais como se ainda estivesse no cargo, perorando repetidas vezes sobre “não perder a esperança” para seus seguidores derrotados – um verdadeiro apito de cachorro.
Isso já seria suficiente para indiciá-lo, por ter cometido, desde o exercício da presidência, crimes contra o Estado democrático de direito.
Mas a hoje infame minuta de golpe encontrada com Anderson Torres indica que é muito mais. Não se trata apenas de estimular o caos e deixar rolar para ver o que acontece.
Eles buscaram o caminho para a manutenção do poder pela força.
Permitir que a subversão da democracia fique impune é estimular que ela se repita. É imperioso processar e punir Bolsonaro e seus próximos.
40 militares dispensados por Lula em Brasília
Segundo o DOU de hoje (17/01), 40 militares foram postos no olho da rua por Lula. Os dispensados eram da Coordenação de Administração do Palácio da Alvorada e mostraram relaxo nos cuidados. Foi Janja, esposa do presidente Lula, quem mostrou a bagunça deixada pelo golpista Bolsonaro e sua “crentíssima” Michele no Palácio que é a residência oficial do presidente em exercício.
Paulo Pimenta, ministro da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), disse já em 02/01 que o governo do ex-tenente Jair Messias entregou as residências oficiais “de qualquer jeito” para o novo governo.
Janja criticou o estado de conservação do local, com muitos itens descuidados, ou talvez deliberadamente danificados, e informou que o casal só vai morar no Alvorada após inventário completo do estrago. Entre esses problemas, constataram:
· Parte da madeira da sala de estar lascada
· Infiltrações no teto
· Piso de jacarandá com rachaduras
· Vidros rachados
· Rasgos em poltrona de couro
· Tapete esburacado
· Arte sacra do século 19 deixada no chão
· Cilindro de oxigênio ao lado da cama do quarto do presidente
· Equipamentos das ‘lives’ de Bolsonaro deixados por lá mesmo
· Roupas de Michele Bolsonaro ainda no armário (agora já tiradas)
Desvendando o primeiro revogaço de Nísia na Saúde
Aborto, câncer, atenção materna, participação social. O governo Bolsonaro trabalhou até seus últimos dias para destruir políticas públicas de proteção social. Quais foram as primeiras portarias revogadas e por que foi importante encerrá-las
Coluna Outra Saúde do Portal Outras Palavras
Começou. Foi publicada, no dia 13 de janeiro, a Portaria 13 do ministério da Saúde, que revoga algumas portarias assinadas pela administração de Jair Bolsonaro, mais especificamente dos seus ministros Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga. Foi assinada pela nova ministra, Nísia Trindade. Em linhas gerais, ela reverte políticas que, apesar de terem nomes que sugeriam alguma nobreza, serviam para esvaziar outras já existentes.
“Quando trabalhei com Marcelo Castro no ministério [no governo Dilma, entre 2015 e 2016], tivemos um projeto de consolidação de todas as portarias”, contou Lenir Santos, advogada sanitarista e doutora em saúde pública, ao Outra Saúde. “Algumas delas agora são repristinadas, isto é, voltam a valer, é uma revogação da revogação. As políticas da gestão anterior minavam ou esvaziavam outras políticas semelhantes que já estavam constituídas. Políticas muito criticadas pelos especialistas da área à época de sua publicação. Não era um governo pró-SUS”, sintetizou.
Sem dúvidas, a revogação da portaria 2561/2020 é a de maior repercussão. Se refere à exigência de investigação policial para a liberação de abortos em casos previstos em lei e cobertos pelo SUS, em especial estupros.
“Sempre mantivemos oposição a essas portarias que foram objeto de nossa indignação. Essa revogação era muito esperada e veio logo na primeira quinzena de governo, muito adequado diante da situação humilhante que a portaria impunha. Uma humilhação à cidadania das mulheres. Por isso, estamos felizes com a atitude da ministra”, afirmou Ana Costa, médica e pesquisadora de gênero e saúde da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva).
“Era uma excrescência, indecente. Ainda bem que foi revogada. Exigia-se que se fosse à delegacia para provar que havia estupro e se pudesse fazer aborto. Era uma portaria totalmente ilegal e foi importantíssimo ser removida”, atacou Lenir.
Como explicam ambas especialistas em saúde pública, as medidas do governo Bolsonaro tinham um inequívoco viés de desmonte, tanto da estrutura administrativa como da própria participação social prevista no SUS.
É o caso também da portaria 1079 de 2022, que “formaliza e institui programas nacionais de prevenção e detecção precoce de câncer, no âmbito da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer”. No entanto, a realidade é que a verba para este objetivo do Estado era reduzida pela metade, como revelou a mídia em diversas matérias na ocasião. Desta e outras fontes saía o dinheiro com o qual o ex-presidente financiava o orçamento secreto e o equivocadamente chamado “pacote de bondades” que tirou da cartola às vésperas das eleições, na tentativa de ganhar mais votos.
“A rede de atenção materna infantil tinha alteração em sua forma de financiamento, de forma desvantajosa. Como dito, eram políticas que minavam ou esvaziavam outras anteriormente constituídas”, acrescentou Lenir Santos.
Outra portaria revogada que chama atenção é a 4809, curiosamente instituída no penúltimo dia de mandato do presidente que embarcava para a Flórida, de onde até hoje não voltou. Visava instituir o Fórum Permanente de Articulação com a Sociedade Civil.
Segundo Lenir Santos, um golpe, feito sob medida para fortalecer o setor privado. “A portaria do Fórum Permanente da Sociedade feria toda a legislação do SUS e do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Criava-se outra instância paralela e a participação da sociedade no SUS se dá pelo Conselho. Este fórum visava minar a participação social. Apesar de seus elogios, que eram da boca pra fora, Queiroga era totalmente ligado ao setor privado, extremo defensor de planos de saúde, como exemplifica a questão da abertura de dados dos usuários do SUS para o setor privado”.
De acordo com Ana Costa, o desmonte na saúde castigava especialmente as mulheres. E não apenas por conta da legislação antiaborto que agora Nísia derruba. “Todas as portarias tinham equívocos e retrocessos muito graves à saúde da população, em particular das mulheres, que de forma geral podem celebrar, já que os retrocessos impostos no último governo visavam, todos, a restrição de nossos direitos”.
Em suma, as posições de Ana Costa e Lenir Santos dão a entender que para de fato começar um novo governo é necessário remover o entulho encontrado no prédio do ministério da Saúde. “De forma geral, a ministra marca uma posição firme e uma mudança muito positiva para os avanços necessários, que não devem ser poucos. Para além das portarias que barravam direitos, havia retrocessos na concepção de políticas, fratura de mecanismos que garantem integralidade da mulher, um flerte franco com o setor privado e desmobilização geral do ministério, fragilizado enquanto instituição coordenadora da saúde no país”, sintetizou Ana Costa.
De saída, Nísia cumpre a promessa de sua entrevista da semana anterior, quando declarou que acabaria com medidas administrativas que ferissem o respeito aos direitos humanos e a própria função social do SUS. Já no dia 26/1, a ministra tem reunião com os secretários estaduais para alinhar futuras iniciativas. Se considerarmos que o grupo de transição da saúde declarou-se estarrecido com a falta de informações básicas e dados administrativos, outros revogaços devem estar por vir.
terça-feira, 3 de janeiro de 2023
Comunidade científica celebra Luciana Santos à frente de Ciência e Tecnologia
Após anúncio do nome da nova ministra de Ciência, Tecnologia & Inovação, lideranças do meio científico e acadêmico destacaram a experiência e o papel estratégico de Luciana na reconstrução da área após desmonte de Bolsonaro
Priscila Lobregatte - Portal Vermelho
A escolha de Luciana Santos, vice-governadora de Pernambuco e presidenta nacional do PCdoB, pelo presidente eleito Lula, para comandar o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação gerou uma onda de declarações de apoio, especialmente do mundo acadêmico e científico. A indicação foi comemorada tanto pela importância da representatividade feminina, negra e nordestina no novo governo quanto pela experiência que Luciana tem na área, o que lhe garante conhecimento e interlocução com o setor.
Primeira mulher a ocupar o cargo, Luciana foi secretária estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco e, como deputada federal, integrou a Comissão de Ciência & Tecnologia. É engenheira eletricista, formada pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), tendo numerosas experiências no Executivo e no Legislativo.
“É uma política habilidosa, trabalhadora, tem experiência em gestão, é respeitada e interage bem com a comunidade. E tem clareza sobre a importância estratégica de CT&I para o desenvolvimento econômico e social do Brasil”, disse Sérgio Rezende, ex-ministro da pasta entre 2005 e 2010, durante o governo Lula.
Celso Pansera, também ex-ministro de CTI e atual presidente do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM), enfatizou: “Pela primeira vez, o Brasil tem uma mulher comandando o MCTI, minha querida amiga Luciana Santos”. Ele completou dizendo que Luciana “será uma ministra à altura da Ciência brasileira”.
Fernando Jucá, secretário de CTI de Pernambuco, destacou que Luciana “tem um diferencial, que a coloca em destaque: a sensibilidade no reconhecimento das pessoas, no reconhecimento de que a gente tem que reduzir as desigualdades sociais”. Além disso, ele salientou a preocupação de Luciana com “todo o aparato de infraestrutura para ciência, tecnologia e inovação, preocupa-se, portanto, com a melhoria da qualidade de vida da população”.
Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Renato Janine Ribeiro declarou ao jornal Folha de S.Paulo: “É uma pessoa empenhada nesse assunto, uma pessoa que conhece e tem interesse”. “Espero que seja uma boa indicação e faça uma boa gestão”, completou.
Debaixo do tapete do Jair
O que há oculto sob o tapete podre do covarde fujão? Por que esconder do conhecimento público por até 100 anos informações sobre uma série de assuntos que tem a ver com o tempo em que o neofascista esteve desmandando no governo da República?
Um dos primeiros atos assinados por Lula após tomar posse na tarde de 1. de janeiro deste ano foi o que permite levantar o sigilo de 100 anos imposto por Bolsonaro sobre numerosas questões.
Por exemplo, qual a razão de esconder do povo os elementos do processo disciplinar militar sobre o incompetentíssimo general Pazuello, ex-ministro burro e preguiçoso da Saúde? E a agenda de visitas ao Palácio do Planalto dos dois pastores propineiros ligados à gestão do também corrupto ex-ministro do MEC Milton Ribeiro?
O despresidente fujão, ao saber da instrução dada por Lula à CGU para cuidar do assunto (separar o sigilo que seria sobre algo estritamente pessoal do que é de interesse público), desesperou-se. Diz que vai processar Lula e recorrer ao STF. Porém, curiosamente, o tema que ele pega, sob sigilo, é sobre sua caderneta pessoal de vacinação para COVID-19.
Ora, bolas, tanto medo de que fique revelado que ele, de fato, vacinou-se contra a COVID-19 enquanto fazia propaganda aberta contra a vacina para a população! Isso é de menos. É desmoralizante, mas seria coisa de foro íntimo. “Ninguém sabe, acho que nem os filhos dele, mas em Brasília os comentários é que ele tomou [a vacina]”, diz um senador do PL, partido de Bolsonaro.
Interessa, bem mais que isso, saber os dados reais sobre coisas cabeludas e praticadas no âmbito do exercício do cargo de presidente, isto sim.
Apenas no final de janeiro será apresentado um relatório sobre quais temas foram colocados sigilos de forma irregular, uma vez que o decreto de Lula prevê que haverá uma avaliação de 30 dias pelos órgãos responsáveis.
O covarde
É claro que os incendiários e depredadores que estão sendo presos – e custou… – devem responder por seus atos, porque a lei é para todos (e parece que, hoje, a direita “esqueceu” da frase que endeusava nos tempos da Lava Jato).
Fernando Brito - Blog Tijolaço
Mas é impossível deixar de pensar que umas porções de idiotas fanatizados estejam começando a pagar pelos seus crimes e o chefe, o inspirador e o propagandista do golpismo tenha viajado, à custa do dinheiro público - que falta para os serviços mais básicos à população -, para um alegre período de férias nos Estados Unidos, no qual certamente vai recolher recursos da direita internacional para financiar a reorganização do mesmo tipo de ataque à democracia que, a duras penas, está sendo desbaratado aqui.
Por diversas vezes, no blog, alertei para o que se desenhava com esses fanáticos dos acampamentos diante de quarteis, um movimento do tipo Jim Jones, o fanático que levou ao suicídio coletivo de mas de 900 fanáticos no final dos anos 70.
Errei.
Jones morreu junto a seus fanáticos, não se sabe se assassinado ou por suicídio. Já Bolsonaro assiste de longe à desgraça de seus seguidores, que conduziu de uma vida apenas medíocre e estúpida para uma desgraça que arruinará a eles e às suas famílias.
Não se pode ser leniente com eles, porque a selvageria a que desceram não é tolerável na democracia, porque a democracia implica aceitar o que as urnas disseram.
Muito menos, porém, se pode ser tolerante com os que construíram o despenhadeiro em que se jogaram, seja pelo poder, seja pelas vantagens que os levaram a permitir e estimular o precipício do qual se julgam no direito de escapar.
A começar pelo covarde que agora, em meio ao uivos de suas hordas em desmanche, desfruta de tranquila temporada na Flórida.
Lula retorna à Presidência com recorde de atos contra ações de Bolsonaro
Com o “revogaço”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se tornou o chefe do Executivo que mais editou atos nas primeiras 48 horas no cargo. Ao todo, o petista assinou 52 decretos e quatro medidas provisórias. As publicações foram divulgadas no Diário Oficial da União na segunda-feira (2/1).
Entre os decretos assinados, somou-se a enorme leva de exonerações da administração federal de aliados de Jair Bolsonaro (PL) alocados em cargos comissionados. Na lista de dispensa estão nomes como Filipe Martins, que ocupava o cargo de assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência.
O presidente também assinou um despacho que determina a ministros de seu governo a retirada da Petrobras do processo de desestatização iniciado pelo ex-presidente. A determinação também prevê barrar a privatização de outras empresas públicas, como a ECT.
Lula ainda assinou um despacho determinando que a Controladoria-Geral da União reavalie, no prazo de 30 dias, medidas editadas por Bolsonaro, entre elas, as decisões que impuseram sigilo de 100 anos sobre informações e documentos da administração pública.
Entre os decretos que o petista assinou estão também o restabelecimento daquele que combate o desmatamento; a revogação do decreto que permitia garimpo em áreas indígenas e de proteção ambiental; o decreto que muda a política de controle de armas e outro que altera as regras para a apuração e punição de infrações relacionadas ao meio ambiente.
Notícias de Ciência que conformaram 2022
Quinteto de Stephans, um grupo de cinco galáxias, em fotografia tirada
pelo telescópio espacial James Webb, da NASA. Créditos: NASA, ESA, CSA.
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia ao transplante de órgãos de porco para humanos, estes são momentos definidores na ciência em 2022, conforme a seleção da revista “Nature”. As escolhas incluem o trabalho que emprega a rede de Inteligência Artificial AlphaFold, cujos pesquisadores previram as estruturas de mais de 200 milhões de proteínas de perto de um milhão de espécies. A AlphaFold também levou seus criadores ao DeepMind de Londres a ganharem um dos prêmios de Inovação de US$ 3 milhões neste ano.
Outra rede – EMSFold, desenvolvida pela Meta (antes Facebook) – predisse as conformações de cerca de 600 milhões de possíveis proteínas em vírus, bactérias e outros microorganismos isolados ou provenientes de culturas. Os pesquisadores estão usando estas ferramentas para formar a base de novas drogas e vacinas.
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Fonte: Nature Briefing - 29/12/2022
quarta-feira, 5 de outubro de 2022
Bolsonaro, a Maçonaria e o próprio veneno
Nada mais definidor – e assustador – do processo que está usando a fé religiosa como plataforma eleitoral do que a atitude do bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus.
Por Fernando Brito, no Blog Tijolaço
Ontem, ao preparar-se para receber Jair Bolsonaro, o bispo Samuel ameaçou a imprensa caso registrasse o encontro:
“Receberemos aqui algumas autoridades que foram convidadas por nós. Somente esses e membros da igreja podem permanecer aqui. Se algum órgão de imprensa não autorizado estiver presente saiba que está atrapalhando o bom andamento desta assembleia e saiba que pode ser processado por atrapalhar o culto em local que é guardado pela Constituição. […] Esse é um assunto de família”.
Não foi só. Os repórteres Mariana Zylberkan, Carlos Petrocilo e Renan Marra, da Folha, registram que “no momento em que Bolsonaro subiu ao púlpito, seguranças da igreja pediram aos fiéis que desligassem os celulares”.
As igrejas evangélicas, assim, viraram palcos de comícios. E o debate sobre o país – em lugar de ser sobre crise, fome, pobreza – vira maçonaria, satanismo, banho de pipoca e congêneres.
Segundo escreve o comentarista Otávio Guedes, da Globonews, o termo “maçonaria” ficou durante oito horas no ranking dos 10 assuntos mais comentados no Twitter mundial. Sim, mundial. “Bolsonaro satanista” também ficou quatro horas como o assunto mais comentado no mundo todo. Segundo levantamento do analista de dados de redes sociais Pedro Barciela, as palavras “maçonaria” e “Bolsonaro” foram as mais buscadas ontem no Google, no Brasil.
Sim, Bolsonaro até provou um pouco do seu próprio veneno, com esta história aloprada da maçonaria. Sentiu o golpe, é verdade, mas não será aí que vai colher a derrota.
Por mais que haja quem vote abduzido pelas maluquices que eles espalham – terra plana, vacina-jacaré, kit-gay, fechar igrejas etc – Lula ficou a meros 1,6% da vitória porque, apesar das mentiras, existe a vida real: a das dificuldades de morar, de comer, de vestir, de ter saúde, de que seus filhos tenham futuro.
A mentira, com suas pernas curtas, vai ficar para trás e a realidade vai se impor, se não nos deixarmos levar por esta transformação da política em uma espécie de seita.
Foco na vida real é o que importa.
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Charge: Nando
O que poderia estimular uma onda de inverno de COVID-19
Partículas de coronavírus (verde) invadindo células humanas
Crescem evidências de que no hemisfério norte está em curso um surto de novos casos de COVID-19 no outono e inverno, nessa região do planeta. Novas cepas não vulneráveis imunologicamente da variante Omicron da SARS-CoV-2, mudanças comportamentais e imunidade desvanecente significam que muitos países poderiam em breve se defrontar com um grande número de infecções de COVId-19 - e potencialmente novas hospitalizações - dizem os cientistas.
A revista Nature explora os fatores que podem conduzir a uma nova onda de COVID-19 - e o que se pode fazer para conter seus efeitos com uma nova geração de vacinas contra a variante Omicron.
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Comentário: se essa nova onda de COVID-19 despontar no hemisfério onde estão América do Norte, Europa, Rússia, não é implausível que isso também chegue na América do Sul, no Brasil. E poderá ser necessário retomar as medidas de precaução do tempo da pandemia aberta.
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Fonte: Nature Briefing - 04/10/2022
terça-feira, 27 de setembro de 2022
Prevendo derrota de Bolsonaro, ministros mandam recados a Lula
Diante do desempenho de Jair Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto e prevendo sua derrota, ministros do chefe do Executivo já mandam recados a Lula.
Por Caique Lima, no DCM
Membros do governo, além de ex-aliados e políticos que apoiaram o presidente até agora já disseram a interlocutores do petista que nada têm contra ele. A informação é da coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.
Os autores dos recados são principalmente os políticos que têm base eleitoral no Nordeste do país, região em que Lula tem 62% da preferência do eleitorado e Bolsonaro tem 23%.
Apesar de publicamente estarem ao lado do mandatário, eles têm enviado sinais ao petista de que não farão oposição acirrada caso seja eleito em outubro. Alguns deles usam empresários que tem interlocução com o PT como mensageiros.
Pesquisa Ipec divulgada nesta segunda (26) mostra Lula com 52% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro tem 34%. Se o primeiro turno da eleição ocorresse hoje, o petista venceria no primeiro turno.
segunda-feira, 26 de setembro de 2022
Ao cadáver ambulante JMB, nenhuma sobrevida
"No lives to the walking dead" bem poderia ser o nome do capítulo de hoje, 24/09, da saga de Jair Bolsonaro, com a proibição de fazer suas lives diretamente dos palácios da Alvorada e do Planalto, determinada pelo TSE. Como disse em postagem anterior, nada dará certo para o ex-capitão.
Por Fernando Brito, em seu Blog Tijolaço
Ele pode contar com a adesão fanática de um pequeno grupo, mas seu poder de mando como chefe de Estado dilui-se a olhos vistos. Não administra nem a distribuição de verbas públicas, afora o “pacote de bondades” que não produziu quase nada dos efeitos esperados; toda a capacidade de distribuir verbas foi terceirizada ao Centrão.
Resume-se a motociatas e cultos eleitoreiros, com bravatas dizendo que vencerá no primeiro turno e defendendo o impopular “povo armado jamais será escravizado”, que só a seus fiéis impressiona.
A campanha de Lula, antes esquálida nas ruas, parece ter tomado impulso no final. É o sopro da vitória atraindo os candidatos a “pegarem onda” na escolha presidencial, o inverso do que acontece com Bolsonaro.
A ausência de Lula ao debate no SBT, ao que penso, não lhe terá causado grandes prejuízos, seja porque foi ao primeiro, seja porque irá ao da Globo (na 5a.feira, 29/09).
Para Bolsonaro, embora sugira uma chance de ganhar espaço, é um perigo imenso, porque os outros candidatos, embora possam “fazer farofa” com a falta de Lula, é de Bolsonaro que aspiram tomar votos.
Bolsonaro vai caminhando para um final de campanha zumbi como na conhecida série de horror ("The walking dead"). Disforme, agressivo, seguido por muitos outros mas, inevitavelmente destinado a se desfazer.
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Charge: Aroeira
Charge: Aroeira
Milhões de crianças perderam pais para a COVID-19
Cerca de 10 milhões e 500 mil crianças, em todo o mundo, perderam um pai, mãe ou responsável, que morreram de COVID-19, segundo informa um estudo epidemiológico. O dado representa um dramático aumento em relação às estimativas iniciais.
A epidemiologista e co-autora do trabalho Susan Hillis conta que décadas de pesquisas feitas com crianças órfãs cujos pais morreram de AIDS revelaram três "aceleradores", que fundamentam a ajuda a essas crianças para se recuperarem: apoio educacional, assistência econômica e auxílio para o pai/mãe ou responsável que sobreviveu àquela doença.
Identificar as crianças que necessitam de ajuda, e fornecê-la rapidamente, é elemento-chave, diz Susan.
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Fonte: JAMA Pediatrics
domingo, 11 de setembro de 2022
Um impulso genético para os cérebros humanos contemporâneos
Pesquisadores apontaram uma fatídica mutação genética que pode ter contribuído para uma vantagem cognitiva para os seres humanos modernos sobre os Neandertais. Testes de laboratório sugerem que uma simples mudança no gene TKTL1 em última instância leva o cérebro a desenvolver mais neurônios.
A versão Neandertal do TKTL1 ainda existe em homens da atualidade, embora muito rara e ainda não se sabe se isso causa alguma doença ou diferenças cognitivas.
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Comentário: olhem só. Pode ser que os bolsonaristas, além do próprio “mito” que quer a todo custo se reeleger, sejam portadores da versão não atualizada do gene TKTL1 do homem primitivo. E por isso são os zumbis fanáticos ignorantes que se vê fazendo barbaridades por aí. Pouco neurônio…
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Fonte: Nature News – 08/09/2022
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
O curioso buraco em minha cabeça
Nascida sem meu lobo temporal esquerdo, uma região cerebral considerada crítica para a linguagem, tenho sido objeto de pesquisa por boa parte de minha vida
Por Helen Santoro(*) - 04/09/2022
Eu fui jogada ao mundo – um nascimento prematuro, disseram os médicos – em um hospital de New York, na calada da noite.
Em minhas primeiras horas de vida, após seis ocasiões de parada de respiração, os médicos me levaram às pressas para a UTI neonatal. Um residente colocou seu dedo mindinho em minha boca para testar o reflexo de sucção do recém-nato. Não suguei com a força esperada. Então colocaram meu corpinho rosado de 3,5 kg no escaneamento cerebral.
Havia um grande buraco do lado esquerdo, logo acima de minha orelha. Faltava-me o lobo cerebral temporal esquerdo, região envolvida com ampla variedade de comportamentos, da memória ao reconhecimento de emoções, e sendo considerado crucial para a linguagem.
Minha mãe, exaurida pelo trabalho de parto, lembrando-se de que ao alvorecer tinha consigo um neurologista, um pediatra e parteira de pé ao lado do leito. Explicaram que meu cérebro havia sangrado dentro do útero dela, uma situação chamada ‘derrame’ perinatal.
Disseram a ela que eu jamais falaria e precisaria ficar internada. O neurologista levou os braços dela ao peito, contorceu os pulsos para ilustrar a incapacidade física que eu provavelmente desenvolveria.
Naqueles primeiros dias de vida, meus pais torceram as mãos se perguntando o que minha vida, e a deles, poderia ser. Ansiosos por respostas, alistaram-me em um projeto de pesquisa da Universidade de New York avaliando os efeitos sobre o desenvolvimento devido a derrames perinatais.
No entanto, mês após mês, surpreendi os especialistas, atingindo todos os marcos típicos de crianças da minha idade. Fui matriculado em escolas normais, e fui muito bem nos esportes e na academia. As habilidades de linguagem com que mais tinham se preocupado os médicos quando do meu nascimento – falar, ler, escrever – tornaram-se minhas paixões profissionais.
Meu caso é altamente fora do usual, mas não é único. Os cientistas estimam que milhares de pessoas estão, como eu, tendo vidas normais a despeito de lhes faltar grandes porções do cérebro. Nossas miríades de redes neuronais arranjaram para reconectarem-se ao longo do tempo. Mas, como?
[...]
Um hemisfério crítico
Por mais de um século, o hemisfério esquerdo do cérebro foi considerado o centro da produção e compreensão da linguagem
Esta ideia foi primeiramente proposta em 1836 pelo Dr. Marc Dax, um médico que observou que pacientes com lesões do lado esquerdo do cérebro não mais poderiam falar apropriadamente. Vinte anos mais tarde, o Dr. Pierre Paul Broca observou um jovem que tinha perdido a capacidade de falar e só conseguia pronunciar apenas uma sílaba: “Tan”. Uma biópsia cerebral após a morte dessa pessoa revelou uma grande lesão na parte frontal do hemisfério esquerdo, hoje conhecida como área de Broca.
No começo da década de 1870, o Dr. Carl Wernicke, neurologista, observou diversos pacientes que podiam falar fluentemente, mas suas declarações faziam pouco sentido. Um destes pacientes teve um derrame na parte posterior do lobo temporal esquerdo dela, e o Dr. Wernicke concluiu que esta seção do cérebro – hoje chamada área de Wernicke – deveria servir como um segundo centro da linguagem, junto com a área de Broca.
Modernos estudos de imagem do cérebro posteriormente expandiram nossa compreensão da linguagem. Muitos desses trabalhos mostraram que duas regiões cerebrais – os lados esquerdos dos lobos temporais e frontais – ativam-se quando uma pessoa está lendo ou ouvindo palavras. Alguns pesquisadores tem chamado isto de “rede de linguagem”.
Mas outros neurocientistas tem argumentado que o processamento da linguagem é ainda mais amplo e não confinado a regiões específicas do cérebro.
“Acredito que a linguagem no cérebro está distribuída através dele todo”, diz Jeremy Skipper, chefe do Laboratório de Linguagem, Ação e Cérebro da Universidade de Londres.
Estudos demonstraram que as palavras escritas podem ativar a parte do cérebro associada com o significado da palavra. Por exemplo, a palavra “telefone” ativa uma área relacionada com a audição. “Chute” dispara uma região ligada com movimentos das pernas e “alho” ativa uma parte que processa os cheiros.
As áreas cerebrais tradicionalmente atribuídas à linguagem tem muitas outras funções, diz Dr. Skipper. “Depende de com quais outras seções do cérebro se está dialogando, e a que tempo e em qual contexto.”
[Artigo completo - em inglês - aqui]
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Fonte: New York Times, via Science/Nature
Imbroxável no orçamento secreto, diz Lira sobre Bolsonaro
PRINCESINHA DO MAR – “É verdade, absolutamente imbroxável”, disse o presidente da Câmara, Arthur Lira, a respeito das canetadas autorizando o orçamento secreto assinadas pelo presidente da república, Jair Bolsonaro. “Às vezes a gente dá dez emendas seguidas sem tirar. E tudo no sigilo. Imbroxável.”
A declaração de Lira foi corroborada por grandes nomes da libido orçamentária, como o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto. Em paralelo, as Forças Armadas anunciaram uma renovação total no estoque de Viagra.
Após a fala do presidente, a ex-ministra Damares Alves passou a ser a favor da educação sexual nas escolas: “Desde que sejam aulas sobre a vida íntima do presidente e da família dele somente!”
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Fonte: Revista Piauí/Herald - 08/09/2022
terça-feira, 6 de setembro de 2022
Bolsonaro é o sapo na panela
Saiu o Ipec, ex-Ibope, agora há pouco no Jornal Nacional. Lula tem 44% (tinha os mesmos 44% na pesquisa anterior), Bolsonaro caiu para 31% (na anterior, tinha 32%).
Por Moisés Mendes, em seu Blog, via DCM - 06/09/2022
No segundo turno, fica melhor para Lula, que sobe de 50% para 52%. O bobão do centrão tinha 37% e caiu para 36%.
O resumo é este: Bolsonaro está sendo cozinhado em fogo brando, como o sapo na panela.
Ciro, com 8%, e Simone Tebet, com 4%, também quase não se mexeram. Cada um subiu um ponto.
Os dois foram enganados pelo último Datafolha, mas parece que não têm condições de chegar a dois dígitos.
Houve quem acreditasse que, depois do debate na Bandeirantes, a terceira via seria ressuscitada. Era alarme falso. A pesquisa é devastadora para Bolsonaro, Ciro e Simone.
O clima em Brasília deve ser de desalento e até de desespero, às vésperas do 7 de Setembro. Furaram as ‘previsões’ de jornalistas da grande imprensa, que vinham publicando recados da extrema direita.
Esses analistas diziam que em agosto o genocida encostaria em Lula. Lauro Jardim, do Globo, é o chefe fracassado desses videntes.
Jardim publicou há alguns dias que a nova previsão da turma do bobão é que Bolsonaro vai reagir na segunda quinzena de setembro. É de fazer cigana sentir vergonha.
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Fonte da ilustração: Duna Press
segunda-feira, 5 de setembro de 2022
Barroso, a saúde privada e a maldade contra a Enfermagem
O Ministro Barroso, do STF, atende organizações da saúde-mercadoria. Decisão desrespeita categoria que se mostrou ainda mais essencial na pandemia e desconsidera existência de fontes de recursos para garantir pagamento.
Coluna Outra Saúde, do site Outras Palavras - 05/09/2022
Exatamente um mês após sua sanção, a lei que estabeleceu o piso salarial da Enfermagem foi suspensa pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). No domingo (4/8), o ministro atendeu pedido da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), que atende aos interesses da saúde privada, e determinou que é preciso que sejam enviadas informações do impacto financeiro e os riscos de demissões diante da implementação da lei em até 60 dias. Nos próximos dias, os demais ministros do STF avaliarão a decisão em plenário virtual.
Hoje, 5/9, seria o dia em que o novo salário começaria a ser pago à categoria. Enfermeiros receberiam o piso de R$ 4.750; técnicos, R$ 3.325; auxiliares e parteiras, R$ 2.375. Esses trabalhadores foram os mais sobrecarregados durante a pandemia, e sua valorização é vista também como reconhecimento pelo esforço e salvamento de vidas. O tema tem sido pauta frequente no Outra Saúde. “Tudo faremos para que o piso seja efetivado o mais rapidamente possível, porque isso é justiça para os trabalhadores e trabalhadoras dessa categoria”, afirmou Fernando Pigatto, presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS).
Decisão contenta partidários da saúde-mercadoria
Os hospitais privados queixavam-se do piso da enfermagem, ameaçavam demissões em massa, diminuição de leitos e até aumento nos planos de saúde. Moveram, por meio da CNSaúde, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade. Ela foi apoiada, como não poderia deixar de ser, pelo ministro da Economia Paulo Guedes. Os hospitais filantrópicos, que já andam mal das pernas, deram apoio à derrubada da lei por não terem como financiar o aumento de salários.
“Ocorre que todos os estudos de impactos orçamentários foram devidamente apresentados e debatidos com todos os entes da União, Estados e Municípios, de maneira plural e transparente junto ao Congresso Nacional”, escreveu o Conselho Federal de Enfermagem em nota oficial, “com análise técnica do Sistema Cofen/Conselhos Regionais, sendo considerado viável a aprovação do Piso Salarial e sua implementação no sistema de saúde público e privado, obtendo assim a sanção presidencial para seu pleno vigor.”
Não falta dinheiro
Na semana passada, Outra Saúde conversou com o ex-ministro e deputado federal Alexandre Padilha. “Provamos que o impacto econômico não ultrapassa 3% do que é investido no sistema público de saúde e não vai além de 2,5% do faturado pelos planos de saúde. O piso precisa abrir a discussão sobre a ampliação do financiamento do SUS e a redução da carga tributária de atividades que geram emprego, como a saúde”. Solange Caetano, do Fórum Nacional da Enfermagem, complementou: “Temos casos de enfermeiros concursados em diversas partes do país que recebem R$ 1.500. O sistema de saúde tem nos profissionais de enfermagem sua base de sustentação. São a única categoria que de fato fica 24 horas por dia a cuidar das pessoas”.
O Fórum da Enfermagem destaca que estão na mesa diversas alternativas para o custeio do piso, assim como do próprio aumento do financiamento da saúde. Ela cita o PL 442/91, que regulamenta jogos de azar no Brasil; o PLP 205/21, sobre a desoneração de folha de pagamento de empresas do setor de saúde; o PL 840/22, que versa sobre aumento dos royalties da mineração; o PL 2337/21, que tributa lucros e dividendos e faz parte do debate sobre a reforma do Imposto de Renda; o PL 1241/2022, que prevê utilização de royalties do petróleo. Por fim, o uso de fundos da União previstos no orçamento de 2022. Padilha, por sua vez, revisita velhos embates políticos e de classe ao dizer que “o Brasil precisa de uma reforma tributária justa que reduza impostos aos mais pobres e incentive quem gera emprego ou queira investir em setores que geram emprego”.
O Fórum Nacional da Enfermagem reafirmou o compromisso com a luta. “Nós somos mais de 2 milhões de trabalhadores que são o alicerce da saúde pública e privada do Brasil”, afirmou representante do movimento. “Mais de 30 anos de luta, a gente conseguiu uma lei, e o STF, a pedido da rede privada, suspende seus efeitos. É desesperador”, complementou, “se for necessária paralisação e greve, assim será”.
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