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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Militância e apoiadores de Lula agigantam campanha nas redes e ruas

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Juventude promove, com adesão do povo, “uma enchente amazônica” nas avenidas; milhões engajam-se nas redes, cresce a pressão pelo fim da escala 6×1, e a campanha entra na etapa decisiva.

As grandes mobilizações da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (11/10) atestam o espírito de luta que tomou conta da militância e de parcelas significativas do povo, com a juventude estudantil na linha de frente, para virar o jogo e derrotar a extrema direita e seu candidato, Flávio Bolsonaro. Na principal delas, a Avenida Paulista ficou totalmente lotada, numa mobilização extraordinária, num ato chamado de Marcha pela Democracia.

Essa mobilização de robusto impacto político-eleitoral demonstra a importância da militância e dos apoiadores de Lula nas redes sociais, capazes de ampliar o alcance do debate político, multiplicar a circulação de informações e responder à atuação da extrema direita e de seus robôs. A mobilização surpreendeu pela dimensão e eficácia, dando sentido concreto à ideia de articulação entre redes e ruas.

Lula convocou a militância e seus apoiadores a procurar os eleitores que não compareceram ao primeiro turno e a ampliar o diálogo para a votação de 25 de outubro. Ao abordar a abstenção, que atingiu aproximadamente 33,4 milhões de eleitores, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dirigiu um apelo especial às pessoas com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo. “Se a pessoa não quer votar por ela, tem que ir pelo filho, neto, bisneto e pela pátria”, afirmou. O presidente também convocou os jovens a assumir responsabilidades na vida pública. “Ou vocês participam da vida política ou ela não tem conserto”, enfatizou.

De acordo com a presidente em exercício do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Nádia Campeão, a primeira semana do segundo turno mostrou a força das mobilizações de rua, puxadas principalmente pela juventude, com adesão de outros segmentos sociais. Segundo ela, a campanha também ganhou intensidade nas redes sociais, envolvendo milhões de pessoas, enquanto a tentativa de retirar do ar o canal Exército do Lula foi derrotada. Nádia convocou a militância para se empenhar na mobilização digital e no trabalho de convencimento dos eleitores ainda indecisos. “Com garra e combatividade é possível reeleger o presidente Lula”, afirmou.

É nesse contexto que ganha relevo o papel organizador e de liderança da União Nacional dos Estudantes (UNE). Reunida no dia 6 de outubro, sua diretoria decidiu lançar a campanha Estudantes com Lula, com um calendário nacional de assembleias, plenárias, panfletagens e manifestações até a véspera do segundo turno, definindo tarefas concretas de mobilização, conectando o movimento estudantil à campanha eleitoral e ao debate sobre o futuro da educação pública, da ciência e dos direitos sociais. A presidente da UNE, Bianca Borges, sintetizou o sentido dessa convocação: “A partir de agora é estado permanente de mobilização. Os estudantes serão decisivos para reeleger Lula. Não sairemos das ruas!”

A União da Juventude Socialista (UJS) e a Juventude Pátria Livre (JPL), forças destacadas dos estudantes, cumprem papel decisivo nesta jornada vitoriosa da UNE.

A dimensão das manifestações foi omitida pela mídia hegemônica, com a evidente intenção de reduzir o seu papel no clima de virada que toma conta do país. Com isso, ela assume uma linha pró-Flávio Bolsonaro e, como fez no primeiro turno, procura interditar o debate programático, uma tentativa de bloquear o acesso do eleitorado aos temas que são decisivos para a sua tomada de decisão na hora do voto. A legislação eleitoral proíbe o favorecimento indevido de candidaturas e estabelece regras para impedir o uso dos meios de comunicação como instrumento de desequilíbrio.

A campanha de Lula levou à Justiça Eleitoral uma denúncia contra a Meta – controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp –, denunciando a empresa de restringir seletivamente o alcance de publicações favoráveis ao presidente. O caso ganhou dimensão judicial quando foi determinada a prestação de esclarecimentos sobre possíveis reduções de alcance, limitações nas recomendações de conteúdo, queda nas visualizações e desativação da conta de anúncios da campanha.

A denúncia revela o papel das plataformas digitais no cerceamento de informações sobre a campanha e mostra a interferência das big techs no processo eleitoral. Vem à tona a ingerência dos Estados Unidos para favorecer Flávio Bolsonaro, diante do total alinhamento desses monopólios com o governo Trump.

A campanha entra na segunda semana com a exigência de intensificação das mobilizações, sobretudo porque está pautada pelo Senado a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 para quarta-feira (14/10). Para a campanha de Lula, essa PEC tem grande importância porque ela é um dos principais demarcadores dos campos que estão na disputa pela sucessão presidencial.

O candidato da extrema direita classificou a proposta como oportunista e apresentou uma alternativa formulada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN): contratação por hora e negociação entre patrões e trabalhadores, em vez de uma redução geral da carga horária, com salários e benefícios proporcionais às horas trabalhadas, sem garantia universal de dois dias de descanso remunerado.

Lula chamou a ideia de “acordo leonino”, no qual o trabalhador não dispõe de força suficiente para defender seus interesses. “Nada de aceitar barganha. É reduzir a jornada de trabalho para cinco dias de trabalho e dois de descanso”, declarou. A campanha do presidente associou a manutenção da escala aos prejuízos para a convivência familiar, especialmente para mães que têm pouco tempo para acompanhar os filhos.

A semana começa com esse grande desafio: aumentar a pressão sobre Senado Federal pelo fim da escala 6×1. Desmascarar Flávio Bolsonaro que move céus e terra para que tenha continuidade a jornada escravizante.

O setor jurídico da campanha do presidente Lula, juristas e advogados progressistas, o campo democrático como um todo, aumentam a vigilância e a pressão sobre decisões do TSE, notadamente do presidente da corte, Kassio Nunes Marques, e do vice, André Mendonça, nitidamente para favorecer a candidatura da extrema direita. Tal como está patente no episódio de tentar censurar o canal “Exército do Lula”, batalha ainda pendente de veredicto definitivo.

Nesta etapa decisiva, é preciso conversar, persuadir os/as eleitores/as. Cuidar, também, de outras frentes de trabalho, a exemplo da ampliação dos apoios, dar concretude a movimentos de frente ampla, nacionalmente e nos estados, no sentido de atrair eleitores/as que relutam em votar no presidente, mas que precisam ser persuadidos/as de que o país não pode retroagir ao passado de destruição do bolsonarismo.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

UJS reune 3 mil militantes de todo o Brasil em Congresso no DF

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O 17o. Congresso da União da Juventude Socialista (UJS), com o tema “Amar e mudar as coisas”, começou nesta quinta-feira (22), em Brasília. A entidade espera receber mais de 3 mil jovens de todos os estados brasileiros, cumprindo variada programação. Já no ato político de abertura os militantes mostraram a que vieram, homenagearam os revolucionários da Guerrilha do Araguaia e exigiram a revisão da Lei da Anistia, com a identificação e punição dos torturadores da ditadura militar. As atividades seguem até domingo (25).

“Hoje, nós da União da Juventude Socialista estamos reunidos na cidade de Brasília para fertilizar mais uma vez o solo brasileiro com os nossos sonhos. Há 30 anos estamos caminhando e plantando neste país as sementes de uma sociedade mais justa, igualitária, desenvolvida e livre. Uma sociedade com a cara da sua juventude, com vontade de transformação, uma sociedade que quer ir mais longe. Estamos aqui hoje representando cada um dos 27 estados para fazer história mais uma vez. O socialismo tarda, mas a nossa luta não falha. Que comece agora o 17º Congresso da UJS”, afirmou o presidente da entidade, André Tokarski, no ato de abertura.

O ato aconteceu na tenda “Osvaldão”, em homenagem ao herói negro da Guerrilha do Araguaia. Todas as tendas do congresso este ano levam o nome de um revolucionário. Há também os espaços Anita Garibaldi, Dina, Che Guevara, João Amazonas, Loreta Valadares e Luís Carlos Prestes.

A homenagem aos guerrilheiros do Araguaia também foi feita com músicas, o cantor e compositor Itamar Correa apresentou a canção “Xambioá”, e emocionou os jovens socialistas. Outro ponto que chamou a atenção foi a “Terrinha do Araguaia”, os participantes foram presenteados com um pequeno frasco cujo conteúdo é a terra da região do Araguaia, trazida diretamente de Xambioá.

“Essa é a terra pura do Araguaia, que nós deixamos como lembrança do nosso passado e inspiração para o futuro. Foi nesse chão, no interior selvagem do Brasil, que aconteceu um dos maiores episódios de resistência popular da história brasileira”, explicou André.

Para celebrar a abertura oficial do Congresso, foram convidados para participar da mesa “Tarda mas não falha: em defesa da Justiça, memória e Verdade” um dos oito sobreviventes da Guerrilha do Araguaia, Zezinho do Araguaia; o cineasta comunista Vandré Fernandes; a pós-doutoranda da UFPI, Deusa de Sousa; a ex-dirigente da UJS e neta de Luis Carlos Prestes, Ana Maria Prestes; e a ex-mulher do comandante, Maria Prestes.

“Quem não conhece a história do Brasil, deve se aprofundar nas lutas políticas que aqui foram travadas. É preciso ler, é preciso entender as raízes de todas as nossas desigualdades. Não tenham vergonha de discutir a realidade. Esse Congresso é uma das portas para alcançar esse tipo de conhecimento”, afirmou Maria Prestes.


Zezinho do Araguaia, um sobrevivente
Sorriso fácil, fala mansa e semblante sereno, embora sejam visíveis as marcas dos 76 anos de idade, grande parte deles vividos na clandestinidade. Este é Micheias Gomes de Almeida, também chamado de Zezinho do Araguaia, um dos mais de 80 codinomes usados por ele para fugir da repressão, mas que também o tornou conhecido e até hoje visto como um herói no norte de Tocantins.

Zezinho (foto ao lado) é um dos oito sobreviventes da Guerrilha do Araguaia, movimento político armado que tentou derrubar a ditadura militar nos anos 1970. Ele participou de vários combates em três anos de militância armada. Só em 1997 pode usar seu verdadeiro nome. Antes, por questões de sobrevivência, usava nomes e documentos falsos. Mas não se arrepende. “Minha vida toda defendi a liberdade do meu país. Eu vivo com isto e a Guerrilha do Araguaia foi um movimento de amor pela liberdade. Minha vida é pautada nessa luta”, disse o guerrilheiro.

Zezinho foi um dos precursores da Guerrilha do Araguaia, onde chegou em 1971 para participar da preparação militar dos guerrilheiros e só saiu depois das últimas batalhas no Pará, Goiás e no Maranhão. Antes de se despedir do 17º Congresso da UJS, Zezinho fez um pedido aos jovens socialistas: “Vocês são os operários da ciência e do desenvolvimento. Depois desse encontro, peço que continuem a luta das mulheres guerrilheiras que queriam que os estudantes fossem reconhecidos como trabalhadores da ciência. Essas mulheres tombaram em busca desse ideal. Eu não posso fazer muito, mas estou com vocês nessa batalha”.
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