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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Aula de rua

Uma praça no centro de São Paulo reuniu neste sábado (11) alguns elementos daquilo que talvez seja preciso buscar para devolver sentido à participação política, não só neste final de campanha, mas também depois dela – seja qual for o resultado da urna.

Por Saul Leblon, no site Carta Maior * 13/10/2014

Algumas centenas de pessoas, representantes do PT e do PSol, lideranças dos movimentos LGBT, cantores de rock e funkeiros da periferia, quilombolas, coletivos de jovens, lideranças estudantis, lideranças trabalhadoras e de organizações de bairros e uma filósofa.

Tão ecumênico quanto o formato, o repertório de difícil enquadramento em categorias convencionais teve momentos de comício, show, conversa, festa e aula.

Um pouco de cada coisa.

E tudo harmonizado pela dimensão humana resultante da dissolução formal entre palco e plateia.

Pense na subversão representada pelo renascimento dos blocos de bairro, à margem dos desfiles de carnaval capturados pelas redes de televisão e apartados da rua por grades & grana.

Foi um pouco essa ruptura que aflorou no encontro realizado no Largo do Arouche, no centro de São Paulo.

Nem tudo são flores.

A tarde de sol contrastava com as sombrias notícias emitidas pela “onda” que desde 5 de outubro vaticina a vitória incontornável do conservadorismo nas eleições presidenciais do próximo dia 26.

Longe da prostração que abate espíritos isolados, pautados pela emissão conservadora, o clima ali era de um renascimento na esperança de que algo pode ser feito, deve ser feito e será feito. E que o horizonte dessa resposta depende de decisões que compete às forças progressistas tomar.

A presença solidária e assertiva de lideranças do PSol, que vieram manifestar o apoio a Dilma no segundo turno, sugeria exatamente o oposto do funeral sorvido com precoce gula pelas elites endinheiradas e seu dispositivo midiático.

Coube ao deputado federal reeleito Jean Wyllys, do PSol, tornar claro o sentido de resistência que possa aglutinar o campo progressista de agora em diante – seja qual for o desfecho de outubro.

“Não vou negar o óbvio”, começou dizendo quase como se conversasse numa roda de amigos. “A vida dos brasileiros melhorou nos últimos anos. Digo por experiência familiar própria da minha gente pobre, em Alagoinha, no interior da Bahia. Mas também pelo que vi em debate recente na Universidade Federal da Bahia, onde estudei. O que antes era uma escola da elite branca, hoje é uma instituição com marcante presença negra e de jovens oriundos do povo”, testemunhou em intervenção coloquial, mas carregada de prontidão e urgência militante, que convergiu para um chamamento: “Nós sabemos o perigo que significaria um alinhamento conservador entre um Executivo dominado pelo PSDB e um Congresso de maciça presença de forças regressivas, como esse que foi eleito em 2014. Por isso, não poderia lavar as minhas mãos como Pilatos. Meu voto é Dilma, 13”.

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Fonte: Carta Maior. Figura obtida do Facebook de Jean Wyllys.

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