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domingo, 23 de agosto de 2020

Veto ao reajuste dos servidores - como votaram parlamentares do Paraná

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Na sessão da Câmara Federal de 20/08, comandados por Rodrigo Maia, 316 deputados votaram para manter o veto de Bolsonaro ao reajuste ao funcionalismo. Contrários foram 165, houve duas abstenções e 29 ausências. Para que um veto seja derrubado pelo Congresso, são necessários 41 votos no Senado e 257 votos na Câmara. Na véspera (19), o Senado derrubara o veto de Bolsonaro, tendo os senadores paranaenses Álvaro Dias (partido Podemos) e Flávio Arns (partido Rede) votado desse modo. O ricaço senador Oriovisto Guimarães (partido Podemos) ficou ao lado de Bolsonaro e do mercado financeiro, contra o funcionalismo. 

A maior parte das siglas orientou pela manutenção do veto: PSL, MDB, PSD, Republicanos, PSDB, DEM, Podemos, PSC, Cidadania, Novo, Patriota e PV. Os partidos do bloco conhecido como Centrão (PL, PP, Solidariedade, PROS, PTB e Avante), que reúne siglas ao centro e à direita, também foram a favor. Apenas siglas da oposição – PT, PSB, PDT, PSol, PCdoB e Rede – orientaram pela rejeição do veto. 

O trecho vetado pelo presidente Jair Bolsonaro impedia reajustes salariais e contagem de tempo de serviço para profissionais da saúde, da segurança pública e da educação durante a pandemia da COVID-19. 

Do Paraná, votaram contra os servidores os/as parlamentares (e respectivos partidos) a seguir listados.  Guardem bem os nominhos deles e delas para reeleger esses benfeitores do serviço público em 2022. 

Aline Sleutjes – PSL 
Aroldo Martins – Republicanos 
Christiane Yared – PSL 
Diego Garcia – Podemos 
Felipe Francischini – PSL 
Filipe Barros – PSL 
Giacobo – PL 
Hermes Parcianello – MDB 
Leandre – PV 
Luisa Canziani – PTB 
Luiz Nishimori – PL 
Luizão Goulart – PR 
Paulo Martins – PSC 
Pedro Lupion – DEM 
Ricardo Barros – PP 
Roman – Patriota 
Rubens Bueno – Cidadania 
Schiavinato – PP 
Sérgio Souza – MDB 
Toninho Wandscheer – PROS 
Vermelho – PSD 


Votaram em defesa do direito ao reajuste

Aliel Machado – PSB 
"Boca Aberta" – PROS 
Enio Verri - PT 
Gleisi Hoffmann – PT 
Gustavo Fruet – PDT 
Luciano Ducci – PSB 
Sargento Fahur - PSD 
Zeca Dirceu – PT 

O deputado Ney Leprevost (PSD) faltou à sessão. 

De candidaturas à Reitoria com língua portuguesa pouco assentada

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Há poucos dias, a chapa bolsonarista à Reitoria da UFPR (Chapa 1) endereçou à comunidade de técnicos e técnicas do Sistema de Bibliotecas (SiBi), uma "Carta" com propostas caso se elejam no processo de 1-2 de setembro [figura abaixo].  Na última proposta, os professores Horácio Tertuliano e Ana Paula grafam:

"- Propor que o SiBi tenha ACENTO nos órgãos superiores da UFPR."

Diante da inusitada e criativa oferta da lustrosa Chapa 1, pergunta-se:

Onde você, servidor(a), acha que deve recair o ACENTO do SiBi?

1- [   ]Na sílaba SI;

2- [   ]Na sílaba BI;

3- [   ]Nas duas sílabas.

Vote e ganhe de imediato uma caixa de hidroxicloroquina da Dra. Ana Paula, pós-graduada em Infectologia Econômica Aplicada pela AMAN (Academia Médica das Agruras Negacionistas).


sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Comemorem! Nós servidores salvamos o país e o (des)governo do parasita Guedes

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Depois da derrota de Paulo Guedes no Senado, Jair Bolsonaro acionou não apenas os líderes do Centrão mas também Rodrigo Maia para tentar mudar o jogo na Câmara e manter o veto do reajuste a servidores públicos. "Eu não posso governar um país se esse veto não for mantido na Câmara... É impossível governar o Brasil, impossível. É responsabilidade de todo mundo ajudar o Brasil a sair do buraco", reclamou com apoiadores.

Uma reunião com o presidente da Câmara e as lideranças do Centrão foi marcada para às 11h de ontem. Arthur Lira (líder do PP) e Elmar Nascimento (do DEM) se comprometeram a orientar suas bancadas a manter o veto. Um dos principais pontos de atrito era a "bancada da bala": deputados ligados à segurança pública tentaram costurar um acordo para adiar a votação e alterar o projeto, mas isso não aconteceu – Rodrigo Maia convergia muito claramente com o governo nessa matéria.

A equipe econômica afirmou que, derrubado o veto, 70% dos servidores de estados e municípios e 60% dos federais poderiam receber reajustes. Há certo apelo popular em congelar esses salários. A partir de dados do IBGE, a Folha de SP indica que durante a pandemia o setor público registrou aumento de 708 mil vagas, enquanto nove milhões de pessoas no setor privado perderam o emprego – fora os contratos suspensos. Além disso, o rendimento médio dos trabalhadores do setor privado caiu 0,5% e chegou a R$ 2.137, já incluído o auxílio do governo, enquanto no setor público ele subiu 1,5%, alcançando R$ 3.776. 

No Twitter, teve milhares de compartilhamentos a hashtag "#traidor", referindo-se aos senadores que apoiaram o reajuste. O governo, de sua parte, ameaçou punir os "traidores": seu vice-líder no Senado, Izalci Lucas (PSDB-DF) deve perder o cargo nos próximos dias após ter votado pela derrubada do veto. Outros podem perder cargos e a liberação de emendas parlamentares.

Além do mais, interlocutores do governo disseram que, se os reajustes fossem mantidos nos próximos 18 meses, a prorrogação do auxílio emergencial poderia ser revista. E tal desgaste poderia entrar na conta dos parlamentares. “Essa decisão é muito importante hoje porque o presidente vai eventualmente anunciar uma prorrogação do auxílio emergencial, e esse impacto pode e vai certamente mudar a possibilidade dos valores e do prazo que esse auxílio vai ser prorrogado”, disse o novo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) – que, segundo o Estadão, também trabalhou pelo veto nos bastidores, num "primeiro teste de sua atuação". 

O empenho do governo gerou resultados: por 316 votos a favor e 165 votos contra, a proibição dos reajustes foi mantida. Um êxito folgado, já que eram necessários 257 votos de deputados para derrubar o ato de Bolsonaro. "Com dezenas de telefonemas, militância virtual, reuniões e pedidos para que deputados estivessem presentes na votação, o Executivo conseguiu sua primeira vitória expressiva neste ano", resumem os repórteres Natália Portinari e Bruno Góes, no Globo. Segundo líderes ouvidos pelo jornal, o Centrão precisava retribuir as concessões feitas desde que começou seu namoro com o governo Bolsonaro.


NÃO TEM MAIS

Paulo Guedes disse que era "crime" dirigir aos servidores recursos que deveriam ser gastos na pandemia, mas na verdade o dinheiro já liberado para a saúde está se perdendo no caminho. O governo federal deixou de gastar, no combate à COVID-19, R$ 12,9 bilhões que haviam sido liberados por medidas provisórias, porque o prazo de 120 dias expirou sem que elas tivessem sido convertidas em lei. Esse dinheiro não pode mais ser usado. 

E o total de verbas desperdiçadas pode crescer ainda mais: outras duas MPs que vencem em setembro (a 967 e a 969) ainda têm gastos não empenhados de R$ 7,7 bilhões no total. Os dados são do boletim semanal do Conselho Nacional de Saúde. "Estamos em uma situação emergencial. Não tem explicação para a demora em gastar", diz Francisco Funcia, da comissão de orçamento e financiamento do CNS.  O boletim revela ainda que a pasta tem R$ 41,2 bilhões para gastar com a pandemia, mas 33,4% estão parados.

Nosso comentário: o presidente da Câmara de Deputados chegou a dar a absurda declaração de que os servidores públicos deveriam entender que o veto a reajuste salarial até o fim de 2021 era "para o bem dos próprios servidores".  Ah, tá.  Então, celebremos estarmos salvando a existência do país com os salários congelados, aliás, há mais de 4 anos.  

Na verdade, o desministro da economia Guedes, que chamou todos os servidores de "parasitas" e que comemorava ter deixado uma "granada" no colo dos servidores (os salários congelados) - além de querer cortar verbas da Saúde e da Educação para 2021, enquanto eleva os gastos do ministério da Defesa, está contente também porque pode tranquilamente continuar pagando as dívidas com seus amados banqueiros.
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terça-feira, 18 de agosto de 2020

Um Mani-Infesto ao gosto de Adolf e de Benito

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No último final de semana, áreas da UFPR foram alvo de uma nuvem de gafanhotos na forma de pestilenciais argumentos, calúnias, mentiras, prognósticos ameaçadores dignos de um astrólogo de quinquagésima categoria (tipo Olavo de Carvalho) – tudo junto e liquidificado numa mistureba indigesta a que se deu o nome de “Manifesto” contra um suposto autoritarismo na Universidade. 

O extenso e tedioso documento – para um Manifesto, que, usualmente, deve ser objetivo e conciso – tem sete páginas, para quem não dormir antes de chegar ao fim da coisa... Confessamos que é muito aborrecido ler até o fim, que dirá responder aos parágrafos coalhados de bobajada ideológica. 

Contudo, principiemos por um elogio à furibunda peça: ela é franca logo no cabeçalho, embora incompleta. Pois ali se lê que se trata de um manifesto de autoria de “estudantes e professores de DIREITA da UFPR. Incompleta porque deveria de fato designar como autores “estudantes e professores de DIREITA/EXTREMA-DIREITA”. 

Também usam de franqueza quando abertamente assumem seu apoio à chapa 1 dos professores Horácio Tertuliano/Ana Paula, na eleição direta para a Reitoria da UFPR, enquanto acerbamente despejam bombardeios contra a Chapa 2, dos docentes Ricardo/Graciela. 

O tom, de cabo a rabo, é exaltado e alarmista, de nítido viés bolsonarista/weintraubista. O despresidente do desgoverno e o ex-desministro do MEC, que fugiu às escondidas para os EUA de modo a não arriscar ser preso por seus impropérios assacados contra o STF e outras instâncias da República. 

Só por isso, já se resume bem o que norteia as opiniões, mentiras e calúnias contidas no infausto documento, portanto enfarante seria analisar as diversas passagens. As preocupações do “Manifesto” são duas: levar o discurso ideológico direitista anti-Universidade Pública para a “bolha” dentro da UFPR que abriga os idólatras do discurso retrógrado fascistoide, de modo a unificá-los e animá-los a votar na chapa Tertuliano/Paula em 1-2/09. 

E, segundo, denunciar e conclamar o cabeça da chapa 1 a insistir com seu nome, mesmo derrotado na eleição direta, para a composição da lista tríplice, que vai às mãos do despresidente Bolsonaro para nomeação do reitor em dezembro. Nem precisam ficar tão abespinhados com isso, vez que, nos dois debates havidos entre as duas chapas, o professor Horácio já fez largo uso de contorcionismos retóricos para escapar do compromisso de se abster de compor a lista tríplice se não for o primeiro colocado. 


Os autores do mani-infesto - tão agradável a um certo italiano chamado Benito e a um certo austro-germânico de nome Adolf dos meados do século XX (dois caras “gente boa”, tão pacíficos que eram) – falam em uma UFPR “livre”. Devem estar se referindo, mas não o dizem, a uma UFPR livre de bolsas da CAPES (muitas delas cortadas em 2019). Financeiramente asfixiada, livre do repasse, pela União, do volume necessário de verbas de custeio para uma instituição que vem se expandindo desde há muitos anos (MEC quer cortar 18% das verbas de 2021). Uma UFPR livrada de realizar novos concursos públicos para repor quadros docentes e técnicos que já morreram ou se aposentaram. 


Uma UFPR livrada de orçamento decente para assistência estudantil. Uma UFPR livrada, despojada, da indispensável autonomia universitária, e sob risco de intervenções de Brasília, como no caso das MP’s do MEC que queriam meter a colher na escolha de nossos dirigentes universitários este ano. Uma UFPR livrada, ameaçada, de perda de seu caráter público gratuito, como no caso do privatizante Projeto “Future-se”, excretado pelo fujão Weintraub. 

Há quem, talvez, mesmo não fazendo parte da comunidade fascistoide da “bolha”, se deixe enganar por essa retórica hidrofóbica. Mas a democracia universitária resistirá e vencerá.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Mais asfixia financeira bolsonarista sobre Universidades Federais

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Redução de 18,2% das despesas não obrigatórias seria necessária pelos impactos da pandemia, diz MEC.

O Ministério da Educação informou, nesta terça-feira 11, que deve reduzir cerca de 4,2 bilhões de reais do orçamento da pasta em 2021. A informação foi recebida por meio do Referencial Monetário, do Ministério da Economia, e confirmada por nota do próprio MEC.

A redução representa um corte de 18,2% das despesas não obrigatórias do Ministério frente à Lei Orçamentária Anual 2020 (LOA), que deve ser encaminhada para análise do Congresso Nacional ainda em agosto para ser votada.

A LOA dá os parâmetros de despesas que a União terá no próximo ano sem os valores das emendas constitucionais. Durante a tramitação, o texto poderá sofrer alterações dos deputados e senadores, para então ser encaminhado à sanção presidencial.

Em razão da crise econômica em consequência da pandemia do novo coronavírus, a Administração Pública terá que lidar com uma redução no orçamento para 2021, o que exigirá um esforço adicional na otimização dos recursos públicos e na priorização das despesas.”, diz o MEC em nota.
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Fonte: texto e foto de CartaCapital (de 11/08)

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Eleição à Reitoria da UFPR: como votar

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MUITO IMPORTANTE! A comunidade da UFPR apta a votar na consulta direta eletrônica para escolha da futura gestão da Reitoria, mandato 2021-2024, deve prestar muita atenção nas datas e etapas para que todas e todos se habilitem à condição de eleitores/as.

Agosto é o mês para que tudo se apronte, de modo a acontecer, com sucesso, a votação em 1 e 2 de setembro. No começo da noite de 02/09 já se fará a apuração dos votos eletrônicos, lembrando sempre que a eleição é paritária (pesos iguais para alunos, técnicos e docentes).  

Proclamada a Chapa mais votada (dentre as duas que concorrem), ela será em seguida submetida à sessão do Colégio Eleitoral (junção dos membros do Conselho Universitário com os do Conselho de Curadores), de modo a ser elaborada a lista tríplice para envio ao MEC para nomeação do novo reitor, como ocorre desde 1985.

Assista ao curto tutorial no vídeo de Youtube abaixo e em seguida realize os procedimentos para se inscrever como eleitor/a.  Se ainda restar dúvida, consulte o site da Comissão Paritária de Consulta (CPC), ou mesmo as direções da APUFPR, SINDITEST-PR e DCE-UFPR.

POR FIM, anote em sua agenda: o segundo debate entre as Chapas 1 e 2 será realizado amanhã, 3a.-feira, 11/08, a partir das 16h30, nas plataformas de Facebook e de Youtube da CPC.

Catarinense em regime de ozonioterapia para COVID-19

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Então, naquele hospital de Itajaí, sob a orientação do quase-Prêmio Nobel de Medicina Dr. prefeito, depois de múltiplas aplicações de gás ozônio por via retal... 
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Fonte: charge do Dill, via BandNews FM

O silêncio dos vivos

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No sábado, chegamos às cem mil mortes e três milhões de infecções pelo novo coronavírus conhecidas no Brasil. A tragédia sem dimensões na história do país não mereceu panelaços. A imprensa tem se esforçado para dimensionar seu significado em significado em histórias, comparações, simulações e gráficos diversos. 

Da Seção Outra Saúde do site Outras Palavras

Mas alguma coisa parece ter estancado a indignação que era demonstrada numa base diária meses atrás. Concordamos com o advogado Thiago Amparo quando ele diagnostica que o luto coletivo existe, só que estava sendo esmagado pela necropol[ítica. “Bolsonaro está vencendo pelo cansaço”, constata, por sua vez, o jornalista Bernardo Mello Franco. 

No dia do fatídico marco, só atingido até agora pelos Estados Unidos, Jair Bolsonaro celebrou a vitória do Palmeiras [campeão paulista] e replicou a propaganda da sua Secretaria de Comunicação que distorce informações para comemorar números catastróficos. Como os milhões de “recuperados” – conceito extremamente duvidoso em se tratando de uma síndrome que tem mostrado poder para desabilitar permanentemente suas vítimas, com pulmões lesionados, rins danificados. Ou o número de mortes por milhão de habitantes, métrica que não serve. “Se cai um avião com 210 pessoas ninguém diz que foi uma morte por milhão de habitantes”, explica Ricardo Parolin, em entrevista ao UOL. “Com cerca de 3% da população mundial, concentramos 14% dos óbitos registrados por COVID-19", situam as pesquisadoras Jurema Werneck, Gulnar Azevedo e Zeliete Zambon. 


Hoje, a quantidade de vidas perdidas já aumentou mais um ‘muito’: mil cadáveres se acumularam de lá para cá. “E seguimos contando os corpos que não podemos velar”, escreve Antonio Prata, resgatando a conclusão do atual presidente sobre a ditadura – ‘o erro foi ter torturado e não matado’, disse Bolsonaro no rádio em 2016 – para inferir: “Era óbvio, mas segue sendo surpreendente que um presidente eleito hasteando a bandeira da morte nos entregue, vejam só, a morte.”

Diante dos cem mil mortes, Supremo e Congresso decretaram luto oficial. Não há punição à vista para quem optou pelo “caminho da insensatez”. “A responsabilização por esta tragédia humana não pode deixar de ser feita", defendem as entidades da ciência, da advocacia, da imprensa, etc. O difícil é achar quem tenha poder para tal e esteja disposto a assumir a tarefa. Aparentemente, estão todos ‘tocando a vida’.
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Fontes: texto do site Outras Palavras. Vídeo da dep. Jandira Feghali.

domingo, 9 de agosto de 2020

Na UFPR, o melhor candidato a Chefe !

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Na última 3a.feira, 4/8, deu-se um encontro virtual do candidato a reitor da Chapa 1, Horácio Tertuliano, com as/os bibliotecárias/os do Sistema de Bibliotecas. Encontro restrito a esses profissionais, não aberto aos demais servidores técnicos, pela plataforma Teams.

Segundo relato de fonte confiável, participante desse evento, a ocasião foi bastante esclarecedora para muitos e muitas ali formularem sua opção eleitoral para a consulta virtual de 1-2 de setembro. Porque o candidato HT, possível e equivocadamente sentindo-se à vontade no ambiente com tal público, fez algumas declarações bastante explicitadoras de sua real posição política. 

O candidato HT repete que não é de oposição à atual gestão do reitor Ricardo Marcelo, candidato à reeleição pela Chapa 2. Mas por seus atos e falas, ele está 180 graus em oposição ao candidato RM. Votou em Bolsonaro em 2018, diz-se não bolsonarista, mas muito do que pensa está em plena afinidade com opiniões do “capitão”(*) que, no passado, quis explodir um quartel e uma adutora de água no Rio de Janeiro. 

Na reunião online de 4/8, após ser estimulado pela narrativa de uma ex-diretora do SiBi, declarou que fará guerra incessante contra usuários de drogas, membros do segmento LGBT e pessoas que são do ou apoiam o MST (Movimento de Trabalhadores Sem Terra) na UFPR. 

No caso de pessoas drogaditas, que existem em todos os setores da sociedade (até em igrejas), ele adere às declarações do fugitivo ex-ministro Weintraub de que em laboratórios da UFPR se produziriam às escondidas drogas alucinógenas sintéticas. E promete patrulhamento. 

Para os membros da comunidade da UFPR que assumem orientação sexual LGBT, também sinaliza com uma patrulha interna para policiar e perseguir, chegando ao ponto de dizer que não gostaria de que um filho seu frequentasse uma Universidade onde pululassem, em quantidade, gays e lésbicas. O mesmo valendo para a presença do MST na UFPR. 

Com tais declarações, entre outras, HT demonstrou suas lacunas de conhecimento real sobre a própria Universidade onde leciona Engenharia. Não entende, pelo visto, por exemplo, nada de economia nacional, embarcando na opinião direitista que demoniza e criminaliza o MST, sem saber que este movimento organiza os trabalhadores assentados para tocarem agricultura familiar e cooperativas, de onde sai a grande maioria dos alimentos que nutrem o povo brasileiro. 

Pois o gigante agronegócio - “Agro é Pop, Agro é Tudo”, como martela a insistente propaganda na mídia - atua para exportar (sem pagar, aliás, NENHUM imposto) e não para por comida na mesa dos brasileiros. Nem sabe que a UFPR ajuda nesses processos da agricultura familiar, na formação acadêmica de filhos de pequenos agricultores (PRONERA), que fortalece esse importante setor econômico doméstico. 

É uma pena que o vídeo gravado dessa reunião do dia 4 tenha sido subtraído do conhecimento de toda a comunidade universitária, tendo sido disponibilizado apenas um link para o trecho curto inicial, de 20 minutos, em que ocorre a apresentação dos candidatos Horácio e Ana Paula. A alegação é de que, na integralidade da reunião, houve falhas de gravação e a qualidade do vídeo deixaria a desejar. Sei… 

Essa retirada do vídeo - é permitido supor - pode ter sido decidida pelo comando de campanha da Chapa 1, ao verificarem o rol de barbaridades ditas – e algumas respostas firmes de pessoas do SiBi a elas – e o desastre geral que aquilo foi. 

Conforme alguns comentaram durante e depois desse encontro virtual, a decisão sobre em quem votar ficou mais fácil. O nome da Chapa 1 é o melhor candidato a chefe. A chefe de milícia de viés Weintraubiano, bolsonarista, homofóbico, anti-assistência estudantil, antitrabalhadores. 

Em tempo: as candidaturas da Chapa 2 “UFPR de Todos Nós”, Ricardo Marcelo e Graciela Bolzón, reúnem-se com a comunidade do SiBi nesta segunda-feira, 10/08, a partir das 15 horas, pela plataforma Google-Meet. Acompanhem todos/as e registrem os contrastes de ideias e propostas com as da Chapa amiga da turma da “arminha”. 
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(*)O Messias (!) Bolsonaro era tenente, mas, para poder logo desinfetar e cair fora do Exército, deram-lhe a patente de capitão, ainda que sem merecimento.
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Figuras: foto do prof. Horácio emprestada do Instagram do DCE-UFPR e banner (com inserção de legenda feita pelo Blog) copiado da página de Facebook de campanha da Chapa 1.

Parabéns, "papai" Bolsonaro. Você conseguiu! Mortos cem mil

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Hoje é Dia dos Pais.  O pai com grandes motivos para comemorar, assim como seu clã de filhos inteligentíssimos e cordialíssimos, é o despresidente Jair Messias (!) Bolsonaro.  Em entrevista de alguns anos atrás, ele afirmou com aquele brilho mortífero no olhar, que achava que a ditadura militar tinha matado "pouco", que os milicos do golpe de 1964 deveriam ter matado uns 30 mil.

De 2019 para cá, com uma política econômica criminosa, destruidora de empregos e removedora de direitos trabalhistas, e especialmente neste ano, Bolsonaro e seu matador cúmplice Paulo Guedes, favoreceram condições em todo o Brasil para que mais de cem mil vidas de brasileiros virassem pó em função da pandemia COVID-19.  Deve o vendedor da enganadora cloroquina intimamente se regozijar por ter mais que triplicado aquela velha meta dos 30 mil mortos opositores da tortura e do arbítrio.

Comenta  Fernando Brito, do Blog Tijolaço:

"Na média atual [de óbitos], no dia 11 de novembro, daqui a 96 dias, já não serão 100 mil, mas 200 mil vidas perdidas. Um em cada mil brasileiros.  Os infectados, em lugar de beirarem os 3 milhões, serão sete milhões. 30 em cada mil brasileiros.

A pior tragédia da história brasileira não provoca mais que um 'e daí?' do presidente da República.  E, inacreditavelmente, [supostamente] 30% dos brasileiros, doentes de ódio, o apoiam."

Continua, assim, como  nunca, na ordem do dia, a construção de uma Frente Ampla antifascista, pela democracia e pela vida.  Quem não compreender isso e se ativer a diferenças secundárias e/ou eleitorais, objetivamente poderá estar contribuindo para a continuidade do pesadelo do fascismo bolsonarista.

Os dois combates de Flávio Dino

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Num país em que a esquerda abandonou o debate de projetos, para se enredar nas tramas do eleitoralismo, quem ousa outro caminho corre o risco de ser mal interpretado. Há duas semanas, o governador do Maranhão, Flávio Dino, propôs uma frente democrática, para enfrentar o autoritarismo e os retrocessos e reabrir espaço para a crítica e a transformação social. 

Antonio Martins - Site Outras Palavras

O que teria em mente? – perguntou-se. Uma candidatura em aliança com a direita “civilizada”, que combate Bolsonaro mas ajuda a impor o neoliberalismo? Oferecer-se ao PT como plano B, diante do possível impedimento de Lula?

Ao entrevistar Flávio Dino, em 31 de julho, fiz-lhe, em tom maroto, esta provocação. Respondeu-a com tranquilidade. Não procurou afastar a eventual postulação. Mas sustentou que seu objetivo é reacender o debate político esmaecido – porém indispensável – sobre como resgatar a sociedade brasileira do caminho infeliz por que enveredou.

Flávio Dino tem duas opiniões centrais, neste debate. Ele propõe – e o faz de forma clara – reunir todas as forças necessárias para enfrentar a ameaça de fascismo. Cabem neste desenho os esforços do ministro Alexandre de Moraes para desbaratar as milícias, digitais ou armadas. As seguidas ações da OAB (que, em 2016, apoiou o impeachment de Dilma) contra os ataque de Bolsonaro à democracia. Ou mesmo os gestos pontuais de resistência ensaiados por governadores que nada têm de esquerda.

Não significa acreditar – frisa Dino, com uma metáfora que lembra a dos “companheiros de viagem” – que as diferenças de projetos acabaram; que estes aliados, indispensáveis para preservar as liberdades, possam somar forças também na busca de novos rumos para o país. Isso cabe a outros atores. Mas quais?

CONTINUE LENDO... -->  (ou assista à entrevista completa no vídeo acima)

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Ricardo x Horácio: debate inicial sobre a Reitoria da UFPR hoje 16h30

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Hoje, 6a.feira, 31/07, a partir das 16h30, pelas plataformas virtuais da Comissão Paritária de Consulta (CPC) da UFPR, ocorrerá o primeiro debate virtual entre as duas chapas concorrentes à Reitoria, gestão 2021-2024. De um lado, a chapa Ricardo Marcelo/Graciela Bolzón, de outro, Horácio Tertuliano/Ana Paula Cherobim. 

O processo de consulta direta virtual para toda a comunidade universitária está marcado para os dias 1 e 2 de setembro.


Para acessar o debate, deve-se tentar algum dos seguintes endereços da internet: 



Será possível acompanhar as opiniões e propostas à UFPR vindas de visões muito diferentes sobre o cenário educacional universitário e a própria conjuntura nacional. 

Há o reitor atual, professor Ricardo, que, desde 2019, estimulou e participou de várias manifestações protestando contra a asfixia financeira das Universidades Federais (os injustificáveis cortes de verbas e de bolsas de pesquisa em 2019-2020), bem como organizou o debate público sobre o privatizante projeto “Future-se” despejado pelo fujão ex-ministro Weintraub. Projeto que foi amplamente desmascarado e repelido pela comunidade universitária, demonstrando que o MEC bolsonarista não apenas nada faz pela Educação Pública, como ainda tenta desmantelá-la e entregá-la à cobiça de setores privados. 

À direita da chapa Ricardo/Graciela coloca-se o engenheiro elétrico professor Horácio Tertuliano Filho, que, em entrevista ao jornal Plural, acusou a UFPR de ser “assistencialista e doutrinadora”, que admitiu que votou no despresidente chefe de milícias em 2018, mas que, depois de tantas barbaridades perpetradas por Bolsonaro contra a Universidade e o Brasil, tenta se descolar do rótulo de “bolsonarista”. Porém, muitas de suas declarações e posicionamentos são objetivamente iguais às do fascista que empesta o Palácio do Planalto. 

Em patética tentativa de fugir de dar opinião sobre o despresidente, Tertuliano disse ao Plural: “Não posso me posicionar contra quem paga meu salário”. Alguém esqueceu de informar ao candidato Horácio que não é Bolsonaro quem lhe paga os vencimentos, mas sim o Estado, a União, via impostos pagos por todos nós contribuintes. E reitor sem posicionamento sobre um governante que convive tranquilamente com mais de 2,5 milhões de casos de COVID-19 e já quase 100 mil mortes pela pandemia serve para o quê mesmo?

Claramente, esta disputa na UFPR se dá entre a manutenção e fortalecimento da resistência ao autoritarismo fascista geral, em defesa da UFPR Pública Gratuita, versus os riscos de retrocessos democráticos e acadêmicos.

Três emas - da série "Fábulas Fabulíricas" (peça em um ato)

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ERA UMA VEZ, NUM REINO DISTANTE, muito distante, um lindo palácio cravejado de diamantes de 17-quilates em suas paredes, onde morava um rei infeliz, com sua rainha nem tão infeliz. O rei Rhiaj Miziah tinha tudo o que sempre quis na vida, seus filhos o cobriam de carinhos e R-tuitadas (Real-rede social) de apoio, seu povo ia em lufadas todas as manhãs para ruminar e mugir sentidamente o quanto adoravam seu soberano. 

Mas ele estava infeliz, sentia-lhe fugir entre as garras, digo, dedos, o amor de sua esposa Emmishel. E também uma angústia incrustada no peito, que se espalhava até a velha cicatriz no flanco direito, produzida pela adaga de um ogro hidrófobo dois anos antes. Nessa angústia, ele recordava com melancolia os tempos de infância, quando todos os meninos dele troçavam, dele faziam gato e sapato, às vezes gata e sapata… Para se vingar, descontava nos faisões e pavões do criadouro real do quintal palaciano. 

Sentia-se preso dentro de um grande armário à Luiz XVI (ou a la Marie Antoinette), e essa prisão parecia ser o planeta inteiro. Adulto, e coroado, precisava conter os ímpetos diários de finalmente abrir as portas desse armário, de par em par, libertar-se afinal e dar, dar os primeiros passos em direção à felicidade. Depois lembrava-se de que a Terra é plana, poderia estar muito perto da beira e, nesses primeiros passos, acabar mergulhando no abismo do cosmos, num voo sem volta. 

Certa noite de inverno, rolando insone de um lado para o outro no sofá dos aposentos reais (pois Emmishel delicadamente o expulsara da cama, alegando receio de contágio por Crownmeba hystolytica, a peste então disseminada no reino), o rei Rhiaj saiu para o jardim do palácio, macambúzio, à luz de uma romântica e enorme lua. Viu ao longe vultos estranhos se mexendo, um farfalhar de asas, grugulejos. Decidiu se aproximar dos vultos, não sem antes engolir dois comprimidos de ChoroA-Sina, seu remédio para reduzir ansiedade e dar coragem (e lucros para alguns amigos manufatureiros da milagrosa droga, da corte). 

Chegou-se a um dos seres misteriosos e logo se deixou cativar. Lindos cílios ornamentando grandes olhos negros, plumas olorosas, elegante caminhar e um grugulejo que Rhiaj interpretou como um convite amistoso: era uma jovem ema do jardim. Sua pressão subiu, seu sangue ferveu, velhas glândulas semiparalisadas engataram uma terceira e despejaram litros de testosterona na corrente sanguínea, e ele não hesitou. Inspirado por velhas lembranças lúbricas da juventude com os faisões reais, encostou rispidamente a ave na parede do palácio antes que ela pudesse grasnar qualquer ‘nãão!’, baixou o pijama e… Os grugulejos da assustada ema, ele os interpretava como gemidos de prazer, enquanto despejava-lhe no ouvido palavrões de macho aprendidos nos tempos do serviço militar real. Ao fim, quedou-se extenuado e dormiu ali mesmo no gramado, onde, manhãzinha cedo, foi encontrado seminu pela guarda tresoitiana do reino. 

Os dias fluíram. O rei Rhiaj sentia-se “na força do homem” de novo. Só um pouco triste com nostalgia da beldade emálica tão carinhosa e cedente daquela noite de luar. Nem se incomodava mais com a indiferença da rainha. Resolveu voltar aos jardins quando seus atentos ouvidos de ex-militar com histórico de atleta foram atingidos de novo por grugulejos. Contudo, eram sons de timbres um pouco diferentes dos daquela preciosa ave noturna. 

Muniu-se como sempre de seu infalível estoque de ChoroA-Sina, apressou o passo e se extasiou diante do cardume (era o coletivo preferido do rei) de multicoloridamente emplumadas aves flanando sobre o gramado. Andou por entre elas, em aflita busca por sua penosa paixão, quando uma das emas rapidamente se dirige a ele e o bica com força na mão. 

- Aiiii, que é isso?!?!? Por que me bicaste, súdita empenachada? 

- Seu desgraçado! (Sim, naquele distante, muito distante reino aconteciam muitas coisas estranhas e exóticas, incluindo marrecos que já haviam sido juízes e ministros, como também emas que falam.) Seu maldito, essa bicada é pela ruindade que fez a minha pobre e jovem irmã-emazinha virgem!! 

Depois de descontar sua raiva sobre o rei, rapidamente a ema fugiu para longe. 

Desnorteado, o rei voltou cabisbaixo para o palácio, com a mão esguichando um pouco de sangue verde (sim, porque naquele distante, muito distante reino, a hemoglobina do sangue real era tão nobre, tão nobre, que não continha ferro, mas sim cobre, que lhe conferia a cor verde). 

Outros arrastados dias se passaram, e a insônia do rei no sofá voltou. Emmishel andava irritável porque não recebia mais mimos regulares de seu cândido velho amigo Fabritius Rocky Eirosz. 

Em uma modorrenta tarde de sábado, nada que prestasse para ver na TV 17, o rei Rhiaj tornou ao ensolarado jardim, desta vez levando bananas na algibeira. E a onipresente panaceia farmacológica da ChoroA-Sina, para qualquer emergência respiratória. Reencontrou o bando de gazelas emais, ou emas gazelares – porque, na mente sempre doce e poética do rei, o caminhar daquelas aves era tão sestroso que pareciam gazelas despreocupadas galopando na savana. Ia distribuindo aquele símbolo fálico em corpo de fruta, para celebrar e reafirmar sua virilidade real, para as emas que chegavam perto, mas cautelosamente, pois sua mão ainda estava enfaixada desde a última bicada. 

Súbito, uma ema chega por trás do rei, ele se volta estendendo a p…, digo, a banana e – zás – velozmente ela lhe aplica outra bicada, ainda mais forte e dolorosa, na outra mão, cuja artéria radial fendida joga sangue verde para o alto, como um repuxo de jardim. 

- Aiiiiiiiii, muxoxa o rei. Por que mais isto, ó, ema jardinal? 

- Seu canalha, seu sacripanta, seu abusador de menores, seu zoófilo sem escrúpulos, seu filho-de-rapariga! Não sabe por que levou mais essa, paspalho pretensioso e imbecil? 

- Aiiiii!!! (tentando segurar o sangramento a custo e se tingindo de verde). Náááuum! Por que me bicas se até quis bondosamente alimentar você com minha banana??

- Enfie essa banana no seu posterior, belzebu psicopata do palácio! Então não te lembras mais do que fez a minha pobre filha ema virgem naquela nefasta noite? Você a engravidou, falastrão! E a largou por aqui, ao léu. Desse infausto (sim, naquele reino até as emas usavam certos adjetivos), desse infausto momento, gerou-se um ovo, que continha uma mistura de DNA de ema com DNA do monstro que você é! Esse quimérico ovo ficou tão grande, tão grande dentro de minha malsinada filha que, na hora de aquela monstruosidade sair, ela morreu sob terríveis dores e hemorragias no parto pela cloaca!!! Morreu, entendeu? Assassino! Você me paga, seu coisa-ruim!! 

A velha ema mãe investiu de novo contra o acovardado rei, que muito correu e conseguiu se esconder nos estábulos reais, debaixo de seu negro cavalo Relius Grand Noir. Ofegante, mas a salvo, meditou consigo, tentando se consolar e justificar: 

- E daí? Todo mundo um dia tem que morrer… 

[Pano rápido]

quarta-feira, 29 de julho de 2020

A bolha metafísica offline

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Em 23/07 deste ano, o diretor do setor de Ciências Exatas da UFPR, professor Marcos Sunye, concedeu entrevista ao jornalista Rogério Galindo, do jornal online Plural. A matéria publicada mostra com nitidez, infelizmente, traços de ressentimento em Sunye, ecos do resultado da eleição direta para a Reitoria em 2016, que deu vitória ao atual reitor Ricardo Marcelo. O que talvez explique sua análise incompleta e algo distorcida do quadro atual da disputa pela Reitoria. 

O velho professor alemão Georg Hegel (1770-1831), em suas lições, desenvolvendo a antiga dialética de alguns gregos clássicos, discorria sobre a misteriosa interconexão geral de fenômenos e objetos da realidade. Este elemento de sua Lógica, e alguns outros, compunham um conjunto que Engels chamava de “leis” da teoria do conhecimento e do movimento, inspirando ele próprio e um colega jornalista crítico da crítica crítica a embasar na dialética hegeliana, devidamente depurada do idealismo, aquilo que depois se chamou marxismo. 

Na entrevista dada ao Plural, o professor Sunye sustenta sua tese de que seria possível aguardar o fim da pandemia da COVID-19 (cuja data é incerta mesmo para os melhores epidemiologistas do mundo), para, depois disso, realizar a consulta direta para a Reitoria de forma presencial, em oposição ao método virtual aprovado pelo Conselho Universitário em junho. 

Até o arrefecimento da pandemia (de data incerta, reiteramos), o mandato do atual reitor Ricardo Marcelo expiraria em 18/12/2020 e sua vice, Graciela Bolzon, assumiria a condução da UFPR até a hora de fazer a consulta presencial (antes de março, quando acaba também o mandato da vice), a única forma efetivamente virtuosa e democrática a garantir plena participação dos membros da comunidade universitária. 

E não haveria qualquer risco político ou administrativo de o fascista desgoverno Bolsonaro nomear um interventor pro-tempore. Para isso, apoia-se em alguns dispositivos legais em defesa de seu argumento para não se fazer a consulta direta virtual. 

É pelo menos curioso ouvir de um dos expoentes da área da Informática da UFPR a maniqueísta contraposição de que o recurso às tecnologias propiciadas pela internet é impróprio, antidemocrático e inviabiliza o “amplo” debate no seio da comunidade apta a votar, enquanto que o tradicional método presencial seria pleno de virtudes e o único capaz de assegurar democracia interna e legitimidade à chapa eleita. Hoje, aliás, por causa da pandemia, os principais poderes da República (Congresso, STF, STJ) fazem suas sessões virtuais e – oh, sacrilège! - nelas deliberam rumos para o país! 

Isso, no entanto, é de menos quando se constata, vindo do grupo liderado por Sunye, a subestimação flagrante dos riscos reais de intervenção federal na UFPR, se não cumpridos certos prazos legais para a sucessão na Reitoria. 

Não terão ainda, para o grupo desistente do processo, sido suficientemente educativos politicamente os 19 meses do desgoverno Bolsonaro, pleno de arbitrariedades e descumprimento de dispositivos legais? Ou, mais especificamente, os meses de estupidez, desfaçatez, inépcia e deboche do pior ministro da Educação das últimas décadas, o fugitivo Abraham Weintraub? Desministro metido a engraçadinho do Twitter que cortou fundo verbas e bolsas de pesquisa das Universidades Federais e tentou emplacar o privatizante projeto “Future-se”? Seria preciso ainda mais disso para que os subestimadores do autoritarismo bolsonarista entendam que de modo algum vivemos tempos de normalidade democrática? 

Sob o desgoverno Bolsonaro, muita coisa de anormal já ocorreu, ao arrepio das leis e do chamado republicanismo, até usar e abusar do entulho da Lei de Segurança Nacional (vinda da ditadura) contra seus opositores. Logo, não se pode dar “chance pro azar” neste processo sucessório da UFPR, ele tem que ser realizado dentro de prazos legais, para não abrir flancos jurídicos, e, neste momento de incertezas sanitárias, terá de ocorrer pelo método eletrônico virtual (possivelmente trazendo maior quorum de presença de eleitores do que o presencial). 

Mais: o candidato de oposição nesta consulta direta marcada para setembro é um bolsonarista, mesmo que diga que não é. Vem à mente aquele dito: tem cabeça de porco, rabo de porco, patas de porco, mas não é porco… Não se pode formar opinião acerca de uma pessoa por aquilo que ela diz de si mesma, mas sim pelo que faz concretamente. Recomendamos aos leitores a leitura da entrevista  intitulada "Candidato a reitor diz que UFPR é doutrinadora e assistencialista", no mesmo jornal Plural em 20/07, dada pelo candidato da direita, Horácio Tertuliano. Nessa matéria se vê como o professor Horácio manifesta diversos pontos de vista em evidente afinidade com aqueles que Bolsonaro vive tagarelando. Ele sonha entrar na lista tríplice que irá para o MEC, mesmo que seja mal votado na consulta direta, e aí contar com a caneta Bic amiga do seu Jair.

Assim, o caro e bem-intencionado professor Sunye, com seu grupo de apoio, parecem fechar-se em uma bolha metafísica, compartimento estanque que analisa a UFPR isoladamente do cenário nacional repleto de instabilidade. E uma bolha offline, desconectada da multiplicidade de fenômenos do Brasil e do mundo em que está inserida a UFPR. Ainda há tempo de mudar. 

terça-feira, 28 de julho de 2020

Bolsonaro e a cloroquina; os Simpsons e a pedra anti-tigre

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A rádio BandNews FM tem um programa matinal de debate político apresentado pelas jornalistas Sheila Magalhães e Carla Bigatto, e o jornalista Luiz Megale. Hoje, criticando as reiteradas apologias de Bolsonaro à inócua cloroquina e que a dita droga teria estimulado sua cura da COVID-19, Megale oportunamente aludiu a uma historinha do desenho “Os Simpsons”. Historinha sobre falácia filosófica. 

Na mundialmente famosa animação, surge um urso na cidade de Springfield, assustando a população mas, ele próprio, urso, está ainda mais assustado. E trata de fugir do lugar. Mas, aí, a cidade já tivera a iniciativa de criar uma “patrulha anti-urso”, até uniformizada, comandada pelo idiota Homer, que varre a cidade em busca do bicho. Não encontra o urso, que já fugira faz tempo, e Homer sai comemorando o que acha ser o sucesso da “patrulha”. 

Crítica e racional, a filha de Homer, Lisa, discorda da visão de que o sumiço do urso deveu-se às ações da “patrulha”, e mantém o seguinte diálogo (posto aqui de memória) com o pai Homer: 

Homer (exultante): “Viu só, Lisa, o sucesso da nossa patrulha?. Não há mais ursos em Springfield!” 

Lisa (cética): “Pai, tem certeza de que foi a sua patrulha que espantou o urso?” 

Homer: “Mas, claro! Ursos aqui não tem vez com nossa patrulha!! O que é essa pedra em sua mão?” 

Lisa: “Ah, é uma pedra ‘anti-tigres’. Ela espanta os tigres. Você já viu algum tigre nesta cidade?” 

Homer (surpreso mas crédulo): “Humm, é mesmo… Me vende a sua pedra?” 

Sensacional essa comparação do jornalista da BandNews entre a cloroquina “milagrosa” do Jair Messias com a pedra de Lisa Simpson. Pensem nisso. Duvidem das declarações peremptórias de um falastrão como Bolsonaro e notem sua alta capacidade de fingir. Dois fatos que ocorrem ao mesmo tempo nem sempre tem nexo de causa e efeito, mas fake news estão aí para enganar otários. 

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Militares já temem fracasso total na Saúde

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Depois de desmontar ministério, general Pazuello quer sair “de fininho”. Mas não comemore: Bolsonaro trama entrega da pasta ao Centrão. E mais: é genocídio, sim! Mortalidade de indígenas por COVID-19 é até cinco vezes maior que a média.

Por Maíra Mathias e Raquel Torres, na seção Outra Saúde do site Outras Palavras

Pelo visto, a crítica de Gilmar Mendes à presença de militares no Ministério da Saúde em plena pandemia terá o condão de forçar aquilo que entidades e especialistas não conseguiram: a saída do general. Segundo a Folha, Eduardo Pazuello teria apontado ao Planalto dois momentos ideais para a passagem do bastão a um ministro titular. Isso poderia acontecer já no final do mês, quando a pasta prevê que os casos de COVID-19 na porção que vai do centro ao norte do país comecem a declinar. Depois, haveria outra janela entre agosto e setembro, período em que se espera que os números melhorem na porção centro-sul.

As datas se casam com a apuração de O Globo, que revela que o prazo dado pela ala militar para a permanência de Pazuello como ministro interino é agosto. Se quiser continuar depois disso, ele teria de ir para a reserva – o que não faria por ainda ser general três estrelas. Pazuello também parece inclinado a refutar o arranjo no qual voltaria a ocupar o segundo posto mais importante no Ministério, a Secretaria Executiva. Quem defende essa opção calcula que ele poderia ficar afastado do Exército dois anos e, ainda sim, voltar para a ativa e se aposentar como general quatro estrelas. “Ele tem dito a interlocutores, porém, que essa opção não está na mesa, já que a ‘missão’ que lhe foi dada era temporária”, relata a repórter Natália Portinari.

Segundo ela, o Centrão engrossou o cordão dos insatisfeitos com Pazuello. Lembremos que o bloco de partidos de aluguel defendeu ativamente a permanência do general em um "mandato-tampão" – e quem serviu de porta-voz dessa posição não foi qualquer um, mas o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), ex-ministro da Saúde. A mudança pode indicar uma nova investida do Centrão sobre o Ministério. Os líderes partidários estariam usando como justificativa para pressionar pela saída a ‘falta de experiência’ do general ‘em lidar com políticos’ – coisa que os quadros do Centrão têm de sobra.

Saindo da Esplanada e indo para a Praça dos Três Poderes, o embate entre os militares e o ministro do Supremo continua. Ontem logo de manhã, Gilmar Mendes divulgou uma nota em que manteve sua crítica de que o Exército se associa a um genocídio, mas evitou a palavra. No texto, afirma que não atingiu a honra das Forças Armadas. “Apenas refutei e novamente refuto a decisão de se recrutarem militares para a formulação e execução de uma política de saúde que não tem se mostrado eficaz para evitar a morte de milhares de brasileiros”, escreveu. Ainda de acordo com ele, ‘nenhum analista atento da situação atual do Brasil teria como deixar de se preocupar com o rumo das políticas públicas de saúde’ do país. “Em um contexto como esse, a substituição de técnicos por militares nos postos-chave do Ministério da Saúde deixa de ser um apelo à excepcionalidade extrapola a missão institucional das Forças Armadas", afirmou. 

Já de tarde, o ministro do STF voltou a comentar o caso, dando mais ênfase à estratégia do presidente Jair Bolsonaro de se descolar da pandemia. “O Supremo na verdade não disse que os estados são responsáveis pela Saúde. O Supremo disse apenas que isso era uma competência compartilhada, como está no texto constitucional.  Mas o presidente esquece esta parte e diz sempre que a responsabilidade seria do Supremo e a responsabilidade seria dos estados. Então eu disse: se de fato se quer mostrar isso do ponto de vista político, isso é um problema e isso acaba sendo um ônus para as Forças Armadas, para o Exército, porque eles estão lá inclusive na condição de oficiais da ativa”, observou, arrematando: “Na verdade, o meu discurso é de defesa da institucionalidade das Forças Armadas, do seu papel, que eles acabem não se envolvendo. Que eles não se deixem usar nesse contexto.”

Cumprindo o anunciado, o Ministério da Defesa protocolou a representação contra Mendes na Procuradoria-Geral da República (PGR) ontem de tarde. E a Lei de Segurança Nacional, sancionada durante a ditadura e que lista crimes que afetam ‘a ordem política e social’, voltou a aparecer. Segundo o Estadão, a pasta sustenta que o ministro do Supremo pode ser enquadrado no artigo 23, que prevê como crime a prática de incitar ‘à animosidade entre as Forças Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as instituições civis’. A pena é de um a quatro anos de prisão. Cabe à PGR seguir com o caso ou arquivá-lo.

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Charge: Jornal de Brasília

Nem conformismo nem deserção: pela democracia feita pela própria comunidade da UFPR

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Datado de 13 de julho, o coletivo chamado “Rede UFPR” - politicamente ligado ao ex-candidato a reitor de 2016 Marcos Sunye, atual diretor do Setor de Ciências Exatas -, publicou um Manifesto, intitulado “Tradição democrática e princípios: porque não participaremos da eleição para reitoria da UFPR”, que explicita razões pelas quais ausenta-se do processo sucessório da Reitoria marcado para setembro. 

Começa errando na datação do processo democrático que os movimentos da comunidade universitária instauraram na UFPR. Não foi em 1986 que começou a luta pela democracia dentro da UFPR, mas desde antes de 1981, ainda em tempos de ditadura militar. Em 1981, APUFPR à frente (o DCE estava sendo reconstruído e o SINDITEST não existia), mas com largo apoio de servidores técnicos e de estudantes, foi realizada a primeira eleição direta para a Reitoria, ainda que revestida de caráter simbólico, na qual o primeiro colocado foi o professor Lamartine, do curso de Direito. Alguns meses depois, a ditadura nomeou seu último reitor “biônico”, o professor Alcy Ramalho, das Engenharias, que assumiu em abril de 1982. 

A luta por democracia na UFPR se elevou de patamar, paralelamente com a pugna pelo fim da ditadura militar, que tomava todo o Brasil, primeiro pela Campanha das “Diretas-Já”, depois no apoio à eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral da própria ditadura, derrotando Maluf, o civil amigo da milicada. Em janeiro de 1984, durante o trote da calourada, uma imensa faixa do DCE estendida no prédio da Reitoria da UFPR clamava: “Queremos eleger o presidente/E o reitor daqui pra frente!”. 


Isto se concretizou, para valer, no segundo semestre de 1985, com a ditadura já fora de cena, quando a eleição direta paritária deu a vitória ao professor Riad Salamuni, da Geologia, confirmado reitor pelo então presidente José Sarney. No ano seguinte, seria eleito, também diretamente, como seu vice o professor da Medicina Dante Romanó Jr., outro expoente das batalhas democráticas da UFPR, em meio ao ninho de reacionarismo que era o HC. 

Quando o Manifesto dos desertores da democracia arrola três parâmetros do processo direto na escolha da nova Reitoria, esquece um: o estímulo ao aberto e disseminado debate de propostas de gestão entre as candidaturas postas. O processo de 2016 foi pleno desses debates, tanto nos campi da capital como nos do interior. No processo deste ano, obrigado a se dar de forma virtual, pela internet, não deve ser diferente, pois as duas candidaturas inscritas no CoUn deverão discutir entre si, frente a frente, nas telas de computadores e celulares, onde quer que estejam os/as eleitores/as. E, claro, desde que as duas chapas se disponham ao confronto de ideias, pois, dentre as que se inscreveram – Ricardo Marcelo/Graciela e Horácio/Ana Paula – pode sempre acontecer de esta última, de corte direitista, se esquivar do debate, a exemplo de certo candidato a presidente de 2018. 

O Manifesto dos desercionistas da “Rede UFPR” acusa como inválido para a democracia universitária o método virtual da consulta direta à comunidade. No processo usual presencial, que vem desde 1985, sempre haverá considerável parcela da comunidade eleitora altamente engajada nas disputas das chapas e nos debates, ao lado de uma porção, não insignificante, de pessoas simplesmente “desligadas” e que só vão saber que há uma eleição em curso quando são abordadas por cabos eleitorais das candidaturas na entrada do campus. Com isto se quer dizer que o processo presencial de uma eleição, per se, não é garantia sólida alguma de “mais” democracia, ou de efetiva democracia. 

Além disso, cabe registrar que, mesmo nas eleições presenciais do passado, envolvendo milhares de corações e mentes dedicadas ao apoiamento a suas candidaturas, jamais o quórum de participação da comunidade atingiu sequer a metade dos aptos a votar, o que quer dizer que, infelizmente, nem todos estão efetivamente voltados a se preocupar com os rumos da instituição a serem dados por dirigentes eleitos. 


Existe mesmo a possibilidade de que, neste ano, a captura da opinião pela internet até eleve o quórum de presença de votantes, inclusive por facilitar a expressão do voto, que dispensa a presença física do eleitor nas dependências da UFPR e, pior, numa eventual fila para votar. Só a título de registro, nos EUA existe a opção de voto a presidente da república pelo correio, terror de reacionários como Donald Trump. E, para os importantes e indispensáveis debates, há rádio, TV e internet. 

Desde que a pandemia do SARS-CoV-2 irrompeu assustadoramente no Brasil, os poderes da República não mais debatem e deliberam presencialmente: Congresso e STF fazem sessões virtuais e nelas tomam decisões, atestando que o método é válido como instrumento para o exercício democrático. Por isso soa tão forçada a repulsa ao emprego da internet para a escolha direta da nova Reitoria da UFPR. O ex-candidato a reitor de 2016 Marcos Sunye, expert na área de informática, sabe perfeitamente de vicissitudes mas principalmente das qualidades das ferramentas de sua própria área de conhecimento e trabalho como auxiliares na vida das pessoas e governos. 

Lamentável constatar como é minimizado o risco de um desgoverno inepto e autoritário, que tem na cabeça um fascista genocida, tentar qualquer brecha dentro da UFPR para introduzir um interventor nomeado em Brasília. Depois das ameaças das MP’s 914/2019 e 979/2020, baixadas pelo ensandecido ex-”ministro” Weintraub, versando sobre o processo de escolha de reitores das Universidades Federais (e felizmente extintas), não nos entra na cabeça que lideranças responsáveis da “Rede UFPR”, autora do Manifesto, possam achar que a eventual intercorrência de uma interventoria na UFPR seja algo de menor importância. Fosse uma nota redigida por estudantes que entraram há poucos anos na Universidade, e jamais viveram sob o tacão de dirigentes universitários nomeados exclusivamente por ditadores de Brasília, seria compreensível. Mas, não, trata-se de professores e servidores que labutam há muitos anos dentro da UFPR, e que, supõe-se, já pelo menos leram livros de História. Cabe, portanto, gritar em alto e bom som que a UFPR é autônoma para escolher quem a dirige, e presta contas à comunidade toda do país e do estado que a sustenta. 

Nesse Manifesto da “Rede” há várias passagens dignas até de riso, tamanhas as hipérboles discursivas a que se entrega. Não obstante, chama a atenção o seguinte trecho: “O rompimento das tradições democráticas (...) preocupa porque abre caminho para que outros candidatos (...) desconsiderem a nossa tradição e exijam que seus nomes componham a lista tríplice.” 

Ora, à exceção de uma única vez, no fim dos anos 1990, todos os candidatos que não alcançaram o primeiro lugar na votação direta da comunidade retiraram seus nomes da composição da lista tríplice exigida pela lei, dando lugar a outros dois apenas para constar (e com a condição de recusar a nomeação caso ocorresse). Por que então o Manifesto da “Rede” fala agora em candidato que exigiria que, mesmo derrotado no pleito direto, seu nome componha a lista? Por sua trajetória política e acadêmica, pode-se afirmar com certeza que o professor Ricardo não faria tal exigência descabida e antidemocrática. Está a “Rede” então a falar do candidato Horácio? Apreciaremos saber a resposta da “Rede” a essa frase de seu Manifesto. 

Encerramos afirmando confiança no processo novo, excepcional dentro de uma situação de enorme exceção provocada pela pandemia COVID-19, que deverá permitir o livre exercício do voto democrático de todos os membros da comunidade UFPR. Processo que, levado a bom termo, poderá também vir a ser empregado para futuras consultas à comunidade sobre temas polêmicos envolvendo o destino da instituição.