Os cientistas ainda não têm certeza sobre o que nos faz sentir tão mal depois de beber — mas isso não impediu as empresas de divulgar novos remédios supostamente científicos.
Shayla Love — The New Yorker * 26/08/2026
Há alguns meses, enquanto assistia a stories no Instagram, deparei-me com um anúncio provocador. Um homem de cabelos castanhos desgrenhados dizia: “E se eu lhe dissesse que o álcool, na verdade, não faz mal para você?”. Ele explicou que nosso fígado converte o álcool em acetaldeído, uma molécula tóxica que, segundo ele, seria uma das principais causas da ressaca. Sua breve aula de química, que usava copos de Becquer de vidro cheios de líquidos coloridos como adereços, vinha acompanhada de um link para um produto: um suplemento que prometia neutralizar o acetaldeído mais rapidamente do que meu corpo conseguiria fazer sozinho. Eliminar o acetaldeído, afirmava o anúncio, ajudaria a acabar com a ressaca. Uma pessoa que avaliou o suplemento disse que havia bebido mais de cinco taças de vinho e se sentira bem no dia seguinte.
Normalmente, tenho uma forte aversão à aparência “científica” do marketing de suplementos, mas continuei assistindo ao anúncio até o fim. Gosto de beber; aprendi sobre vinhos finos enquanto trabalhava em restaurantes e ainda gosto de combinar uma garrafa cuidadosamente escolhida com o jantar. Meu coquetel favorito, o Perfect Manhattan, é basicamente só álcool: uísque de centeio, vermute doce e vermute seco, além de bitter e uma cereja em conserva no conhaque. Mas, quando entrei na casa dos trinta, as ressacas ficaram mais ameaçadoras — comecei a limitar meus drinques e a beber água em momentos estratégicos — e passei a me preocupar com os efeitos do álcool sobre a saúde. De alguma forma, eu nunca tinha ouvido falar em acetaldeído.
Depois que assisti ao anúncio, mais supostos remédios para ressaca começaram a inundar meu feed do Instagram. Eu os percorria com curiosidade distante, ocasionalmente clicando em algum link, e isso, é claro, fazia aparecer ainda mais anúncios. Havia muitos produtos diferentes, com ingredientes variados, mas todos pareciam contar a mesma história: poderiam acabar com a ressaca neutralizando o acetaldeído. Alguns, com nomes animados como Cheers, Drinking Buddies e No Days Wasted, destacavam a di-hidromiricetina, mais conhecida como DHM, um flavonoide derivado de plantas do Leste Asiático que havia sido testado em camundongos. Uma empresa, a ZBiotics, promove uma bactéria geneticamente modificada para produzir uma enzima que degrada o acetaldeído. Outra comercializava um aminoácido que também supostamente processaria o acetaldeído. Os anúncios faziam parecer que acabara de ser descoberta uma espécie de pílula do dia seguinte para quem bebe. Será que poderia ser realmente tão simples? [Continua...]
Artigo completo aqui (em inglês).
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