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domingo, 12 de abril de 2015

Petrobras e Dnit usam UFPR para driblar licitações

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Contratada para atuar em obras e projetos, universidade terceirizou serviços para empresas privadas e profissionais externos.

Por Felippe Anibal, na Gazeta do Povo

A Petrobras e o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) vêm usando a Universidade Federal do Paraná (UFPR) para driblar licitações, a partir de um mecanismo milionário. A universidade fecha convênios de forma direta para prestar serviços e fazer análises técnicas para esses órgãos, sobretudo em obras do PAC. Enquanto um núcleo restrito de professores recebe bolsas em dinheiro, mais da metade da verba dos projetos vai para as mãos de empresas e profissionais subcontratados em um processo pouco transparente. E não é pouco: 24 acordos analisados pelaGazeta do Povo movimentaram R$ 74 milhões, em sete anos.

Os convênios com o Dnit passam dos R$ 58,8 milhões. São operacionalizados por um único núcleo: o Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura (ITTI), vinculado ao Departamento de Transportes da UFPR, e sediado em uma sala de aula do Centro Politécnico. A maioria dos serviços diz respeito a obras realizadas em estados distantes – como Mato Grosso do Sul, Bahia, Tocantins e Amazonas – onde a UFPR nem sequer tem estrutura.

Já denunciada a órgãos de fiscalização, a parceria com a Petrobras mantém pelo menos 11 acordos, que somam R$ 15 milhões. Eles estão pulverizados em diferentes departamentos. Outro convênio, com a Companhia Paranaense de Energia (Copel) – orçado em R$ 2,2 milhões –, segue os mesmos moldes. Abaixo, tabela demonstra os recebimentos por parte de professores da UFPR participantes bolsistas desses projetos e valores recebidos [clique na figura para ampliar].




Subcontratações
Os projetos são executados financeiramente por intermédio de fundações de apoio – submetidas a dispositivos legais de controle mais elásticos do que a universidade. Os acordos com a UFPR são firmados com base na Lei de Licitações (8.666/93). A legislação dispensa concorrência no caso de contratos e convênios com instituições de ensino. Um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) e a Lei 8.958/94, porém, vedam “a subcontratação das parcelas mais relevantes” do objeto.

Apesar disso, o índice de terceirizações nesses convênios tem ultrapassado os 50% do volume financeiro. É como se a UFPR tivesse atuado como uma agenciadora, repassando serviços a empresas e profissionais. Ao mesmo tempo, o grande índice de subcontratações torna difuso o benefício acadêmico na parceria.

Por exemplo, a universidade recebeu R$ 1,8 milhão do DNIT para atuar no projeto conhecido como Passo do Jacaré, em Mato Grosso do Sul. Mais de 53% deste valor (R$ 983,9 mil) foi destinado a empresas. Uma única firma recebeu cerca de R$ 306 mil, o que corresponde a 17,4% do orçamento do projeto.

Também é impactante o número de profissionais de fora da universidade contratados como pessoas físicas para trabalhar nos convênios. Em um projeto na Hidrovia do Rio Paraguai, os servidores externos e empresas abocanharam, juntos, R$ 5,1 milhões (53% do custo integral do serviço). No projeto da BR-487/PR, as terceirizações (profissionais e empresas) equivalem a 55% do valor total, passando de R$ 1,4 milhão.
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COMENTÁRIO: não se compreende porque há poucos dias a Pró-Reitora Lúcia Montanhini perdeu as estribeiras de maneira estridente, na Proplan, ao ser questionada por um servidor sobre essas transações.  Stress do trabalho ou culpa no cartório?  Parente envolvido?

Discurso de ódio constrói alguma coisa? Constrói movimento sindical?

Um comentário:
Caros(as) leitores(as) deste modesto Blog, as cenas montadas no vídeo acima foram captadas na assembleia da Não-Prestação de Contas do último dia 31 de março.  A Oposição Sindical à atual diretoria estava representada por quatro pessoas (Dodô, Paraná, Guaracira, Rita de Cássia), que lá estavam para pedir alguns esclarecimentos sobre diversos itens obscuros das planilhas de gastos divulgadas em janeiro deste ano pela Diretoria.  Estas pessoas, apenas por irem lá exercer seu direito de analisar prestação de contas, foram atacadas e vilipendiadas em sua honra.

A Oposição sequer sabia que o Conselho Fiscal (desfalcado) não seria capaz de apresentar as contas e dar um parecer; somente o soube no curso da assembleia.  Seguiu-se uma série de falas de diretores do Sinditest, duras e agressivas, como se fosse culpa da Oposição eles não serem capazes de apresentar, no prazo estatutário, os demonstrativos de receitas e despesas.

Entristecedor ver duas lideranças do Sinditest, como sua presidente e seu vice, destilarem tanta raiva em seus discursos, como se constata pelo vídeo.  Tomados por uma estranha histeria eles não são mais sequer capazes de reconhecer o que seus antecessores já fizeram desde a fundação do Sinditest em 1992, as greves que ocorreram e que trouxeram conquistas à categoria desde o começo dos anos 2000.  Resvalando para o autoritarismo, o vice-presidente Márcio chega a ameaçar que um dia pretende expulsar oposicionistas de assembleias, como se fosse o dono do pedaço (isso está no vídeo).

Para os atuais diretores, só vale o tempo em que eles estão à frente do sindicato, desde 2012. Um lamentável excesso de presunção.  Quem acompanhou a recente greve fracassada de 2014, sob comando deles, sabe do que se está falando.  Um pouco de humildade não faria mal.  E a devida transparência total nas contas.

Apoio ao Projeto da terceirização generalizada desmoralizou a direita e a falsa esquerda

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Representantes da oposição na sociedade civil ficaram doidinhos com a repercussão negativa da aprovação do Projeto de Lei 4430 na Câmara Federal.

Por Fernando Brito, no Blog Tijolaço

O PL amplia a terceirização e põe em risco o emprego, a estabilidade e a renda de milhões de trabalhadores.

Marcelo Tas, por exemplo, que já deu palestras para a Juventude do DEM, botou a culpa na Dilma. Foi imediatamente rechaçado por seus próprios leitores, incluindo os antipetistas. Eles tiveram que retificar o “humorista”: não, Tas, a gente não gosta do PT, mas desta vez a culpa não foi dele, foi do PSDB, que votou em peso a favor do PL.

Um leitor me manda um email aflito, dizendo que conhecidos seus, antipetistas, também estão botando a culpa, pela aprovação do PL, no PT.

Evidentemente, isso é ridículo.

A culpa pela terceirização é da direita, hoje nucleada pelo PSDB, e da esquerda traíra, ou falsa esquerda, como o PSB e o PDT, que também votaram majoritariamente em favor da precarização do mercado de trabalho.

A ironia da história é que o PL 4430 atinge em cheio a classe média e seus sonhos de seguir uma carreira profissional dentro das grandes empresas públicas e privadas.

Vai ser difícil para esses partidos explicarem, em próximos debates eleitorais, que votaram contra os trabalhadores.

Foi, portanto, uma vitória de Pirro.

E que, a depender da mobilização projetada para o dia 15 de abril, pode se reverter numa vergonhosa derrota política da oposição, porque o Senado pode rever a decisão.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O retrocesso civilizatório da terceirização: como votou ontem cada deputado

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A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira 8, por 324 votos a favor, 137 contra e duas abstenções, o texto principal do projeto de lei que trata da regulamentação do trabalho terceirizado no Brasil. Os destaques e sugestões de alterações serão discutidos na próxima semana.

Apenas três partidos – PT, PCdoB e Psol – orientaram seus parlamentares a votarem contra o projeto. O Pros e o bloco formado por PRB, PTN, PMN, PRP, PSDC, PRTB, PTC, PSL e PTdoB liberaram as bancadas.

PSDB, PSD, PR, PSB, DEM, PDT, Solidariedade, PPS, PV e o bloco composto por PMDB, PP, PTB, PSC, PHS e PEN determinaram voto a favor da terceirização.

Veja neste link como votou cada deputado por partido e descubra quem são os bandoleiros que querem extinguir a CLT na prática.
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Fonte: CartaCapital

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Terceirização geral do PL 4330: vamos voltar ao século 19?

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Na melhor das hipóteses, projeto 4330 quer reduzir trabalhador brasileiro a escravo de ganho - aquele que, antes da Abolição, vendia mercadorias na rua e voltava para casa com uns trocados no bolso

Por Paulo Moreira Leite, em seu site

Marcada para hoje, na Câmara de Deputados, a votação do projeto de lei 4330, que permite a terceirização sem limites dos contratos de trabalho, representa um encontro dos brasileiros com sua história. Ao contrário de outros momentos da evolução de um país, porém, desta vez o encontro representa uma tentativa do obrigar o Brasil e os brasileiros a andar para trás.

Na prática a eventual aprovação do 4330 é muito mais do que uma tentativa de abolir uma legislação que assegura um padrão mínimo de direitos a quem, biblicamente, paga o próprio sustento com o suor do rosto. Considerando a importância essencial do trabalho na vida das pessoas e na segurança das famílias, o projeto representa um retrocesso civilizatório

Nem a ditadura militar de 1964, articulada e promovida pelos adversários históricos da Consolidação das Leis do Trabalho, e que assegurava suas vontades com fuzis e canhões, ousou promover um ataque dessa natureza. Como novidade legal, o regime militar aboliu a estabilidade no emprego, que impedia demissões de quem completava dez anos na empresa. 

Mas a ditadura criou o FGTS, que permitiu a cada assalariado fazer suas economias e, em caso de demissão, sacar um dinheiro para enfrentar uma maré previsível de dificuldades e até pagar a casa própria. Meio século depois, até a sobrevivência do FGTS está em risco, num jogo de esconde-esconde que envolve as responsabilidades das empresas que irão responder pela contratação dos trabalhadores.

Em 1988, quando o país formulou a Constituição em vigor, o debate envolvia a ampliação de direitos. Ocorreram melhorias parciais mas o processo de criação de outras melhorias foi bloqueado por uma aliança conservadora que se impôs na ultima fase de votação. 

Agora, quer-se abolir conquistas que contribuíram, decisivamente, para que o país se tornasse uma nação de renda média, com serviços públicos que deixam muito a desejar mas apresentam vantagens reconhecidas em comparação com economias semelhantes. As leis trabalhistas brasileiras tem um elemento insuportável para uma parcela da elite brasileira porque suas leis e benefícios permitem uma espécie de distribuição de renda permanente e institucionalizada, à margem da luta selvagem dos mercados.

Como bem demonstrou o professor Wanderley Guilherme dos Santos, o combate à CLT é a única questão relevante que unificou nossa classe dominante nos últimos 70 anos.

Em 2015, não há exagero em dizer que o principal argumento a favor da terceirização retoma a retórica que permitiu aos escravocratas do século XIX fazer do Brasil o penúltimo país do continente a abolir o cativeiro. Pode ser uma tese deselegante. A lembrança de que fomos um país que por mais de três séculos sobreviveu com a exploração de negros acorrentados nunca será agradável — mas é indispensável para se entender a cultura do trabalho que permanece no país, e que estará em jogo na votação da 4330.

Dizia-se, nas vésperas d0 13 de maio de 1888, que o fim da escravidão iria gerar custos imensos e traumas de diversa natureza na economia, trazendo gastos impagáveis para quem seria obrigado a honrar essa novidade imensa e subversiva que era o salário. O máximo que se admitia, até então, eram os escravos de ganho, uma espécie de terceirizado do século XIX brasileiro. 

No contexto escravocrata, era um pequeno avanço, vamos combinar. Com cestas e sacos no ombro, eles saíam pelas ruas das cidades para vender produtos do trabalho dos escravos de casa e da fazenda. Como estímulo, tinham direito a embolsar uma pequena parcela daquilo que entregavam na Casa Grande. Numa visão miserável sobre a evolução das sociedades, não se enxergava o progresso permitido apenas a sociedades de homens livres — seja na economia, na política, na cultura.

O que se diz, agora, é que os custos do emprego formal se tornaram incompatíveis com os investimentos e o crescimento. Sem muitos retoques, o que se quer é o retorno do escravo de ganho. Vamos receber por cocada vendida, por roupa costurada?

Na década de 1990, quando a elite brasileira importou as propostas da contra-revolução conservadora de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, os célebres analistas de recursos humanos diziam que o trabalho de vendedor ambulante, desses que vende guarda-chuva numa barraquinha, podia ser mais conveniente e promissor do que de um operário registrado na industria de automóveis, com férias e décimo-terceiro. Isso era dito em palestras, reproduzido em jornais e revistas. Era uma forma de sustentar a tese que empregos ruins, mal remunerados, podiam beneficiar um número maior de pessoas, enquanto empregos bons, com benefícios pouco mais do que elementares, estimulavam a preguiça e o comodismo.

A dificuldade, nessa teoria, é que ela é desmentida em todos seus aspectos por fatos ao alcance de todos. Fica difícil sustentar que as leis trabalhistas prejudicam a maioria dos brasileiros quando se verifica que, entre 2003 e 2014, o número de empregos formais passou de 29,5 milhões para 47,5 milhões, conforme dados da RAIS. No mesmo período o desemprego caiu de 12,3% para 5,3% em 2013, o patamar mais baixo já registrado, diz o IBGE.

O aspecto escandaloso do 4330 encontra-se aí. O país sabe, por experiência própria, que não representa nenhum benefício real para a maioria dos brasileiros. A década de 1990, das privatizações e da desregulamentação, também foi o apogeu dessa forma selvagem de terceirização que é a informalidade. A taxa de desemprego aberto saltou de 8,4% em 1995, primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso, para mais de 12%, um crescimento superior 50%. Embora tenha anunciado o fim da Era Vargas no discurso de posse, FHC enfrentou uma resistência que não permitiu um ataque frontal a CLT, obrigando a um ataque pelas bordas. A economia transformou-se numa máquina de destruição de empregos formais: foram menos 129.339 em 1995, menos 582.000 em 1998, menos 98.000 em 1999, informa o Caged. A participação dos salários no PIB caiu três pontos do PIB.

O projeto 4330 não será debatido e quem sabe aprovado por nenhuma causa nobre, nenhuma razão benéfica. Não passa de uma utopia negativa e retardatária, que tem sido criticada e abandonada, sistematicamente, pelos países onde a informalidade se tornou a regra. Na conjuntura brasileira, é acima de tudo uma oportunidade econômica, um negócio de ocasião.

Depois de arrematar, na campanha de 2014, a formação do mais conservador Congresso desde a democratização do país, patrocinando candidaturas de acordo com seu feitio e interesse, as grandes empresas instaladas no país estão cobrando a conta. Este ambiente de liquidação explica o esforço para colocar em votação uma proposta vergonhosa.

Do ponto de vista político, nada tão atual para demonstrar a urgência de uma reforma política. Do ponto de vista social, poucas vezes os interesses de pobres e ricos, de trabalhadores e empresários, ficaram tão evidentes. Sem o imenso caixa financeiro do setor privado, autorizado a alugar a democracia a seu prazer e gosto — e corromper sempre que possível — o PL 4330 nunca teria sido mais do que um dos muitos projetos folclóricos que circulam pelo Congresso e ninguém tem coragem de colocar em votação pela certeza do ridículo.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Guatemalteca de centro-direita fará palestra na UFPR contra governos progressistas da América Latina

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A convite de setores pró-(neo)liberalismo da UFPR, a jovem Gloria Álvarez, formada em Ciência Política em universidade da Guatemala, irá falar sobre “Populismo e desenvolvimento econômico na América Latina”, amanhã de manhã no salão nobre da Faculdade de Direito. 

A página da UFPR traz em destaque o evento, inclusive veiculando o vídeo de uma fala de Álvarez num evento na Espanha. Nesse vídeo, Glória ataca todos os governos progressistas da América Latina, incluindo Cuba, tachando-os de “populistas” com conotação pejorativa. Na história da América Latina, desde meados do século XX até hoje, sempre que um governante, mesmo proveniente da elite, tomou medidas que atendiam as necessidades mais sentidas de seu povo, foi classificado pelas elites burguesas capitalistas como “populista”, como se isso fosse um palavrão. O conceito de “populismo” até hoje é uma controvérsia nunca desfeita entre estudiosos de Ciências Humanas.

Assim se deu com Getúlio Vargas, no Brasil, por ter criado a legislação trabalhista, dobrado o salário mínimo nos anos 1950 e criado a Petrobras. Como “populista” tacharam João Goulart em 1964 por causa das reformas de base, motivo para os militares fascistas o derrubarem para instalar uma ditadura. Como populistas também são denominados todos os presidentes que combateram as mazelas sociais produzidas pelo neoliberalismo na América Latina desde o começo do Século XXI: Hugo Chávez, na Venezuela; Rafael Correa, no Equador; Evo Morales, na Bolívia; Lugo, no Paraguai (derrubado por golpe jurídico); José Mujica, no Uruguai; o casal Kirchner, na Argentina; Lula, no Brasil.

No mesmo vídeo reverberado na página da UFPR, a guatemalteca cita um de seus referenciais teóricos, Florentino Portero, um historiador espanhol. Portero foi membro de um grupo de consultoria (GEES) do governo de direita do ex-primeiro ministro da Espanha Jose Maria Aznar, de direita. O GEES (Grupo de Estudios Estrategicos) é um think-thank da direita espanhola, com relações com fundações neoconservadoras norte-americanas como o PNAC (Project for the New American Century) e seus membros frequentavam muito a Casa Branca no governo Bush.


Em suma, a UFPR acolherá, em uma de suas faculdades, uma apóstola de Friedrich Hayek, um dos pais-fundadores do Neoliberalismo (foto ao lado). Não sem razão, um dos grupos liberais que organiza a palestra de Álvarez é o GELD (Grupo de Estudos Liberalismo e Democracia), formado por alunos de Direito da UFPR.  

A Universidade deve ser o locus privilegiado do dissenso, da pluralidade e do debate. Assim como a jovem guatemalteca vem à UFPR defender seus obsoletos argumentos liberais com sua fala bem articulada, também nós, do lado de cá, nos reservamos o direito de alertar que a fórmula liberal não serve aos povos e aos trabalhadores, já foi desmascarada de novo na crise mundial iniciada em 2008 (ainda não superada) e só engendra misérias e tragédias sociais.

Hoje é dia de luta para derrubar o Projeto de Lei 4330 da terceirização generalizada

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Para o relator do PL 4330 da terceirização, Arthur Maia, deputado federal pela Bahia, e para Paulinho da Força, deputado federal por São Paulo (ambos do partido Solidariedade), que defendem a aprovação do projeto, é preciso acabar com as distinções entre atividade-meio e atividade-fim nas contratações de empresas terceirizadas. Na prática, isso significa a generalização da terceirização de forma irrefreável atingindo todas as áreas indistintamente.

A sua aprovação constitui um atentado aos direitos laborais. Se prevalecer o entendimento do relator, corre-se o sério risco de uma derrota na Câmara dos Deputados, diante da sua composição conservadora e de sua agenda extremamente restritiva. No entendimento da CTB e de outras centrais sindicais, o PL 4330 pressupõe o fim do direito constitucional do trabalho, a extinção da CLT e a desregulamentação por inteiro dos direitos sociais e trabalhistas.

Sem contar que se terá, com o fim da categoria profissional, uma nova categoria de trabalhadores: "os prestadores de serviços". Estes, desprovidos de direitos, terão remuneração em média 40% menor e serão as maiores vítimas da elevada incidência de doenças ocupacionais e de óbitos, como já se constata na atividade terceirizada.

Para Adilson Araújo (foto ao lado), presidente nacional da CTB, "é lamentável que deputados e algumas centrais sindicais apoiem um projeto tão nocivo às relações do trabalho, sobretudo pelo que implica o projeto, que nada mais é do que o atestado da precarização e flexibilização dos direitos trabalhistas”. Araújo afirma: “O apoio ao PL significa um ato de traição à classe trabalhadora. Vamos denunciar junto às bases uma lista de todos aqueles que votarem e apoiarem o nefasto projeto”.

Por isto, todos os sindicatos de base do país foram conclamados a uma caravana massiva a Brasília no dia de hoje (7), para pressionar os parlamentares no Congresso Nacional a rejeitar o PL 4330, eliminando mais essa ameaça sobre os direitos da classe trabalhadora.  Neste momento, há milhares de ativistas sindicais no eixo monumental da capital federal, prontos para manifestar em alto e bom som que não pode ser admitido nenhum retrocesso nas leis trabalhistas.



ATUALIZAÇÃO às 17h30: Houve confronto entre manifestantes de CUT, CTB, MST e UNE com a PM de Brasília, que usou bombas e spray de pimenta, ferindo vários manifestantes, inclusive o deputado Vicentinho (PT-SP). Estaria havendo uma negociação sobre o teor do PL 4330 no sentido de preservar encargos trabalhistas, mas sem mexer no fulcro do projeto: estender a terceirização para qualquer tipo de atividade, o que, no caso do serviço público, significa abrir portas para perda do caráter público de muitos serviços. A bancada empresarial no atual Congresso aumentou em relação à legislatura anterior, enquanto a dos sindicalistas diminuiu, razão pela qual é o alto o risco de esse lesivo projeto ser aprovado.
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Fotos: UOL e Portal CTB

segunda-feira, 6 de abril de 2015

7 a 9 de abril: dias de manifestação do funcionalismo público federal

Um comentário:
Cumprindo o calendário de lutas aprovado na ultima plenária nacional da FASUBRA, todos os sindicatos filiados à Federação dos servidores técnico-administrativos foram orientados a organizar, nos dias 07,08 e 09 de abril, manifestações nas IFES (com paralisações onde for possível) somando-se a manifestações que vão ocorrer tanto em Brasilia como pelo país por parte da maioria das entidades do funcionalismo publico federal.

O objetivo dessas manifestações é chamar a atenção do governo federal para que as negociações com os trabalhadores comecem imediatamente, bem como pressionar o Congresso Nacional para arquivar todos os projetos que atacam direitos trabalhistas, com destaque para o insidioso PL 4330 (que generaliza as terceirizações, inclusive em atividades-fim).

De Curitiba, assim como dos diversos Estados, já partiram vários ônibus das centrais CUT e CTB até Brasília, para engrossar a pressão sobre o Congresso Nacional visando a protestar contra MPs e projetos de lei antitrabalhador, assim como contra o ajuste fiscal liberal intentado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy para supostamente enfrentar a crise econômica que colocou o país em estagnação.  As Centrais Sindicais exigem que seja posto em pauta o projeto que taxa grandes fortunas e heranças, pois os mais ricos é que tem que arcar com os maiores custos da crise.

Na UFPR, a programação pretendida pela Diretoria do Sinditest é a seguinte:

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Fonte: com informações de FASUBRA e Sinditest

Sinditest: Diretoria do PSTU mente sem pudor!

Um comentário:
Todos sabem o quanto a Rede Globo - cria da falecida ditadura militar de 64 - distorce a informação, manipula e mente sem hesitação.  Triste é ver que a Diretoria do Sinditest parece estar com inveja desse método global e também se preste por vezes a manipular palavras para fugir de explicações de seus erros e insuficiências. 

Foi o caso dessa Assembleia da Não-Prestação de Contas em 31 de março último.  Primeiro vejam este recorte [clique na figura se for preciso ampliar] do Edital oficial de convocação de assembleia assinado pela presidente do Sinditest em 25 de março:


Agora comparem com este trecho da página 12 da mais recente edição (abril/2015) do "Jornal [da Diretoria] do Sinditest", que está circulando pelas bases:


É ou não é evidência da manipulação de palavras?  Isto parece uma filigrana, mas não é. O vídeo mais abaixo explicita o porquê.  No começo da assembleia da Não-Prestação de Contas, em 31/03, a OPOSIÇÃO SINDICAL pediu esclarecimentos sobre o caráter da assembleia por causa dos termos imprecisos do Edital.  O advogado do Sinditest, Dr. Avanilson, solicitado a esclarecer, não o fez e a própria Mesa acabou reconhecendo ter havido erros na convocação.  Porque "assembleia do Conselho Fiscal" (figura jurídica inexistente no Estatuto do Sinditest) é bem diferente de "Assembleia Geral ordinária do Sinditest" (exigida pelo Estatuto).

Outra interrogação que paira no ar é: se o contador Ewerton Teixeira supostamente "desapareceu há cerca de dois meses" (como diz o Jornal acima), como é que a Diretoria tinha dados para publicar, em janeiro/2015, tabelas da contabilidade de Janeiro/2014 a Nov/2014?  Esquisito.

O vídeo abaixo mostra o momento em que o editor deste Blog solicita esclarecimentos (a partir de 3min15s) ao advogado do Sinditest, sem obter resposta.


Além dos fiascos políticos, da farsa do suposto "Congresso" de novembro/2014, a gestão 2014-2015 traz também a marca da falsidade em suas promessas e compromissos.  Que f...!  Para coroar a pantomima, inventam teorias conspiratórias hilárias e ainda as publicam em seu jornal impresso.  Haja metoclopramida.

Transtorno, mas que transtorno!

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Por vezes, pessoas com quem convivemos manifestam certos sinais e sintomas, certas síndromes, e a gente nem se dá conta, não é mesmo?  Por exemplo, certas pessoas de certa direção de um certo sindicato da UFPR nos dão o que pensar devido à maneira como agem na política...

No Transtorno da Personalidade Paranoide constata-se um padrão invasivo de desconfiança e suspeita quanto aos outros, de modo que seus motivos são interpretados como malévolos. Para diagnosticar o transtorno, é preciso preencher ao menos quatro dos seguintes critérios:

Os indivíduos com o transtorno supõem que as outras pessoas os exploram, prejudicam ou enganam, ainda que não exista qualquer evidência apoiando esta idéia (Critério A1). Eles suspeitam, com base em poucas ou nenhuma evidência, que os outros estão conspirando contra eles e que poderão atacá-los subitamente, a qualquer momento e sem qualquer razão.

Estes indivíduos costumam acreditar que foram profunda e irreversivelmente prejudicados por outra(s) pessoa(s), mesmo que para tal não existam evidências objetivas. Eles preocupam-se com dúvidas infundadas quanto à lealdade e confiabilidade de seus amigos ou colegas, cujas ações são minuciosamente examinadas em busca de evidências de intenções hostis (Critério A2).

Os indivíduos com este transtorno relutam em ter confiança ou intimidade com outras pessoas, pelo medo de que as informações que compartilham sejam usadas contra eles (Critério A3). Eles podem recusar-se a responder a perguntas pessoais, afirmando que as informações "não são da conta de ninguém".

Eles lêem significados ocultos, humilhantes e ameaçadores em comentários ou observações benignas (Critério A4). Por exemplo, um indivíduo com este transtorno pode interpretar um engano genuíno cometido por um balconista como uma tentativa deliberada de enganá-lo no troco, ou pode interpretar uma observação bem-humorada e casual feita por um colega de trabalho como um sério ataque a seu caráter.

Os indivíduos com este transtorno guardam rancores persistentes e relutam em perdoar os insultos, ofensas ou deslizes dos quais pensam ter sido vítimas (Critério A5).  Pequenos deslizes causam grande hostilidade, e os sentimentos hostis persistem por muito tempo. 

Seu contra-ataque é rápido e reagem com raiva aos insultos percebidos (Critério A6). Os indivíduos com este transtorno podem ser patologicamente ciumentos, frequentemente suspeitando da fidelidade de seu cônjuge ou parceiro sexual, sem qualquer justificativa adequada (Critério A7).
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Fonte: com informações da UFRGS/Psicopatologia

A arte de escrever para idiotas

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Em nossa cultura intelectual e jornalística surge uma nova forma retórica. Trata-se da arte de escrever para idiotas que, entre nós, tem feito muito sucesso. Pensávamos ter atingido o fundo do poço em termos de produção de idiotices para idiotas, mas proliferam subformas, subgêneros e subautores que sugerem a criação de um nova ciência.

Por Marcia Tiburi e Rubens Casara, na Revista Cult, via Jornal GGN


Para aqueles que não lerão este artigo

Estamos fazendo piada, mas quando se trata de pensar na forma assumida atualmente pela “voz da razão” temos que parar de rir e começar a pensar.

Artigos ruins e reacionários fazem parte de jornais e revistas desde sempre, mas a arte de escrever para idiotas vem se especializando ao longo do tempo e seus artistas passam da posição de retóricos de baixa categoria para príncipes dos meios de comunicação de massa. Atualmente, idiotas de direita tem mais espaço do que idiotas de esquerda na grande mídia. Mas isso não afeta em nada a forma com que se pode escrever para idiotas.

Diga-se, antes de mais nada, que o termo idiota aqui empregado guarda algo de seu velho uso psiquiátrico. Etimologicamente, “idiota” tem relação com aquele que vive fechado em si mesmo. Na psiquiatria, a idiotia era uma patologia gravíssima e que, em termos sociais, podemos dizer que continua sendo.

Uma tipologia psicossocial entra em jogo na história, baseada em dois tipos ideais de idiotas: o idiota de raiz, dentre os quais se destaca a subcategoria do idiota representante do conhecimento paranoico, e o neo-idiota, com destaque para o “idiota” mercenário que lucra com a arte de escrever para idiotas.

Vejamos quem são:

1- O Idiota de raiz é fruto de um determinismo: ele não pode deixar de ser idiota. Seja em razão da tradição em que está inserido ou de um déficit cognitivo, trata-se de um idiota autêntico.

O Idiota de raiz divide-se em três subtipos:

1. 1 – Ignorante orgulhoso: não se abre à experiência do conhecimento. Repete clichês introduzidos no cotidiano pelos meios de informação que ele conhece, a televisão e os jornais de grande circulação, em que a informação é controlada. Sua formação é “midiatizada”, mas ele não sabe disso e se orgulha do que lhe permitem conhecer. No limite, o ignorante orgulhoso diz “sou fascista”, sem conhecer a experiência do fascismo clássico da década de 30 e o significado atual da palavra, assim como é capaz de defender sem razoabilidade alguma ideias sobre as quais ele nada sabe. Um exemplo muito atual: apesar da violência não ter diminuído nos países que reduziram a maioridade penal, a ignorância da qual se orgulha o idiota, o faz defender essa medida como solução para os mais variados problemas sociais. Ele se aproxima do “burro mesmo” enquanto imita o representante do conhecimento paranoico, apresentados a seguir.

1.2 – “Burro mesmo”: não há muito o que dizer. Mesmo com informação por todos os lados, ele não consegue juntar os pontinhos. Por exemplo: o “burro mesmo” faz uma manifestação “democrática” para defender a volta da ditadura. Para bom entendedor, meia palavra…

1.3 – Representante do conhecimento paranoico: tendo estudado ou sendo autodidata, o representante do conhecimento paranoico pode ser, sob certo aspecto, genial. Freud comparava, em sua forma, a paranoia a uma espécie de sistema filosófico. O paranoico tem certezas, a falta de dúvida é o que o torna idiota. Se duvidasse, ele poderia ser um filósofo. O conhecimento paranoico cria monstros que ele mesmo acredita combater a partir de suas certezas. O comunismo, o feminismo, a política de cotas ou qualquer política que possa produzir um deslocamento de sentido e colocar em dúvida suas certezas, ocupa o lugar de monstro para alguns paranoicos midiaticamente importantes.

Curioso é que o representante do conhecimento paranoico pode parecer alguém inteligente, mas seu afeto paranoico o impede de experimentar outras formas de ver o mundo, abortando a potência de inteligência, que nele é, a todo momento, mortificada. Isso o aproxima do “ignorante orgulhoso” e do “burro mesmo”.

Em termos vulgares e compreensíveis por todos: ele é a brochada da inteligência.

Procuradores na capa da Folha de São Paulo violam código de ética do MP

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O que existe de mais nojento, egoísta, cafajeste, no pensamento da nossa elite, está expresso na verdadeira campanha política e midiática que os procuradores da Lava Jato estão fazendo para que os executivos das empreiteiras não tenham seus direitos de defesa assegurados, e para que o governo não celebre acordos de leniência com vistas a preservar empregos e tecnologia acumulada.

Por Fernando Brito, no Blog Tijolaço

Além disso, os procuradores violam diversas leis e códigos de ética ao posarem desta maneira para a capa de um jornal.

Para início de conversa, violam o Código de Ética do Ministério Público, que exige zelar pela impessoalidade na relação com a imprensa.

Esse código, como toda a lei, obedece a um espírito de justiça e a um princípio democrático.

O procurador representa o lado da acusação. É o Estado acusador. Para haver equilíbrio, dever-se-ia mostrar também o lado da defesa.

Um dos procuradores sintetiza, maravilhosamente, o egoísmo psicótico que parece ter dominado setores do Ministério Público:

A CGU foi feita para controlar corrupção de funcionários públicos, não para ser a salvadora do emprego”, afirmou Carlos Fernando Lima, em entrevista à Folha.

Ora, a preocupação com o emprego de quase meio milhão de trabalhadores é mais que um dever do servidor público; é uma obrigação moral.

O senso ético não se revela apenas combatendo a corrupção; ele é antes de tudo um sentimento de humanismo em relação a outros seres humanos; no caso, em relação a meio milhão de trabalhadores que não podem pagar com sua vida para que uma dúzia de procuradores tenham seu ego satisfeito.

Se o Brasil conseguir sobreviver a esse odioso golpe, em que a necessária luta pela corrupção se transforma em arma política para provocar uma profunda crise econômica e social, com vistas puramente a desgastar o governo, teremos dado um grande passo em direção a nosso futuro.

A comparação com “Os Intocáveis”, além do mais, não poderia ser mais ridícula e equivocada. Eliot Ness combatia Al Capone, que vivia sobretudo da venda ilegal de bebidas.

As empreiteiras e empresas agregadas, alvo da sanha destruidora desses procuradores, são responsáveis pela construção de todas nossas hidrelétricas, estradas, pontes, aeroportos, portos, ferrovias, estações elétricas, plataformas de petróleo, etc.

Sem contar que a comparação esquece o ponto principal.

Al Capone foi preso por sonegação de impostos…

Quem deveria aparecer na capa do jornal, portanto, como herois, são os procuradores da Operação Zelotes, que investiga um esquema de evasão fiscal que pode ter desviado quase R$ 20 bilhões dos cofres públicos.

A Operação Zelotes lida com valores muito maiores do que a Lava Jato, e não está promovendo nenhum desemprego em massa no país.

domingo, 5 de abril de 2015

Stedile pisa no acelerador e conclama lutas sociais para cobrar o governo e encarar a direita

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Dirigentes de sindicatos, movimentos populares e organizações de juventude se reuniram em Belo Horizonte, na quarta-feira (1/4), na seção mineira da Plenária dos Movimentos Sociais, sob o impacto do discurso do ex-presidente Lula, em São Paulo.

Por Carlos Bandeira, no site da Revista Forum

A estrela da plenária foi o líder do MST, João Pedro Stedile, que empolgou a militância ao conclamar a continuidade das lutas das forças progressistas em defesa da democracia, de acordo com relatos dos participantes, a partir de uma plataforma que congrega cobranças ao governo Dilma e o enfrentamento à ofensiva dos setores conservadores.

Assim, ele demarcou com a linha de Lula, que colocou a centralidade na defesa intransigente do governo Dilma, frustrando a militância. Stedile disse em alto e bom som: “Não podemos ficar ao lado do ajuste fiscal. Nosso compromisso é com o povo, contra o Joaquim Levy [ministro da Fazenda]”.

A plataforma para as lutas sociais apresentada pelo dirigente do MST tem a defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores, contra as medidas provisórias com cortes de direitos do governo e o projeto da terceirização em discussão no Congresso; a defesa da Petrobrás como guardiã do petróleo e motor para o desenvolvimento com soberania nacional; a reforma tributária com taxação de grandes fortunas e a democratização dos meios de comunicação e da política, que aponte para a convocação de uma Constituinte.

Essa linha conjuga a pressão sobre o governo ao enfrentamento aos inimigos das mudanças sociais, como os agentes neoliberais que conspiram para diminuir o papel do Estado na economia, o sistema político que quer mutilar o governo, os empresários que atuam para flexibilizar a legislação trabalhista, as petroleiras estrangeiras com interesse em explorar o pré-sal, os milionários que não querem pagar impostos e a oligarquia que controla o Congresso Nacional e as redes de TV/rádio.

O contraste dos discursos de Lula e Stedile expressa diferentes perspectivas para encarar a ofensiva da direita. Lula parte da leitura de que o governo e apenas o governo, com sua estrutura, instrumentos, ritmo e limites, pode garantir a continuidade do projeto que começou em 2003.

Assim, o ex-presidente coloca a centralidade na institucionalidade, para fazer o governo funcionar, reorganizar a base parlamentar, tendo como sustentação as organizações fiéis ao PT e os segmentos desorganizados.

Para Stedile, esse projeto já bateu no teto com a crise econômica e as contradições do sistema político e, apenas com a mobilização dos setores progressistas e medidas concretas do governo, será possível impedir um retrocesso.

Por isso, ele propõe tirar o centro de gravidade do enfrentamento da institucionalidade, com uma pauta mais avançada de reformas estruturais, para congregar os setores críticos que se uniram no 2º turno da eleição presidencial e catalisar a crescente insatisfação na sociedade, ampliando a capacidade de luta por medidas do governo que alterem a correlação de forças.

No discurso em Minas, Stedile disse que entende que Lula tem dificuldades para expressar qualquer contrariedade às políticas do governo, para não enfraquecer a presidente Dilma em um momento complexo. No entanto, pontuou que os sindicatos, movimentos e entidades de juventude não podem se orientar exclusivamente pela dinâmica da institucionalidade.

O dirigente do MST afirmou que os forças progressistas perderão de W.O. se não fizeram os enfrentamentos políticos e ideológicos na sociedade, com mobilizações de massa. Nesse sentido, defende que é hora da esquerda pisar no acelerador, massificar as manifestações agendadas para o dia 7 de abril, cobrando mudanças na política econômica do governo, com a revogação das MPs, e enfrentando a ofensiva da direita em todos os campos.

Dentro do arco de forças sociais que construiu a jornada do dia 13 de março, há compreensões distintas da forma de atuar diante de um governo que adota políticas neoliberais, em um quadro de ofensiva dos setores conservadores no Congresso, no Poder Judiciário, nos meios de comunicação e nas ruas.

Os discursos de Stedile, em Minas, e do presidente da CUT, Vagner Freitas, em São Paulo, demonstraram a disposição de ir para a ofensiva, sem admitir a perda de direitos nem o golpismo dos setores conservadores. Caberá aos dirigentes das forças populares em todo o país definir a estratégia.

No entanto, a decepção com as medidas do governo e a frustração com o discurso de Lula apontam que, depois de 12 anos, a militância das organizações de esquerda quer ser protagonista na disputa política no país.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Algumas do Primeiro de Abril

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"Seremos completamente transparentes nas contas de nossa gestão no Sinditest.”  [Márcio Palmares, vice-presidente do Sinditest]

“Não mexeremos em direitos dos trabalhadores nem que a vaca tussa.”  [Presidenta Dilma, em campanha em 2014]

“O melhor está por vir em 2015.”  [Beto Richa, candidato à reeleição em 2014, antes de anunciar brutais elevações em impostos do estado]

“A volta da Laryssa à PROGEPE não significa uma volta ao passado.”  [Vice-reitor Mulinari, na re-posse da pró-reitora em março/2015]


“Teremos conquistas de verdade nesta greve!”  [Carla Cobalchini, na greve de 2014, recusando a contraproposta do governo]


“Eu não sou como o Frank Underwood da série ‘House of Cards’. Não sou homicida, nem homossexual, nem corrupto.”  [Deputado do PMDB Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara Federal]

Tucano Richa bota mais taxa e eleva preço do prato de comida dos trabalhadores

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A partir de hoje, 1º de abril, por determinação do governador Beto Richa (PSDB), caiu a isenção de ICMS para 95 mil produtos – dentre os quais, gás de cozinha, arroz e feijão – que resultarão no aumento do preço do prato de comida para o trabalhador paranaense.

Por Esmael Morais, em seu Blog

O reajuste no ICMS será de 25%, pois gêneros alimentícios, bebidas, materiais escolares, medicamentos, aparelhos eletrônicos, produtos de higiene e limpeza terão a alíquota aumentada de 12% para 18%.

Em 2008, o então governador de Roberto Requião (PMDB) reduziu os impostos e tributos desses 95 mil produtos. A ideia – que funcionou – seria arrecadar mais estimulando o consumo.

Richa percorre o caminho inverso: aumentou os impostos que restringirão o consumo, arrecada mais em um primeiro momento, mas depois provocará quebra de empresas e desemprego em massa.

Vai aumentar o almoço do trabalhador. Infelizmente, nós teremos que reajustar os preços por causa do ICMS do gás de cozinha. As donas de casa também sofrerão o impacto”, lamentou, ao Blog do Esmael, Fábio Aguayo, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRABAR).

Aguayo adiantou que os empresários do ramo de restaurantes vão fazer um apelo ao governador para que baixe o ICMS do gás. “É preciso vontade política e sensibilidade do Beto”.

O aumento no IPVA foi ainda maior, 40%, e a questão foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF). PT e PCdoB ingressaram com uma Adin pedindo a suspensão dos novos valores do imposto.

Esses tarifaços foram aprovados em dezembro de 2014 em sessão-tratoraço da Assembleia Legislativa; portanto, os paranaenses têm muito que “agradecer” aos deputados – alguns da “Bancada do Camburão”, aquela que ficou famosa na recente greve dos professores.

Plenárias de Movimentos Sociais reafirmam defesa da legalidade democrática e luta pelos direitos dos trabalhadores

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Uma grande festa de bandeiras vermelhas tomou conta da capital paulista nesta terça-feira (31) durante uma plenária dos movimentos sociais, com presença do ex-presidente Lula. O dirigente dos trabalhadores afirmou repetidas vezes que defender a legalidade do mandato da presidenta Dilma Rousseff significa defender a soberania da escolha do povo brasileiro celebrada nas urnas durante as eleições presidenciais em outubro passado. 

O ex-presidente Lula, que chegou ao evento acompanhado dos dirigentes sindicais Adilson Araújo da CTB e Wagner Freitas da CUT, aproveitou a oportunidade para enviar uma mensagem a Dilma: “Quem está aqui [na plenária dos movimentos sociais] é seu parceiro nos bons e nos maus momentos, não queremos ser convidados só para a festa”, afirmou. E neste sentido deixou claro que o povo brasileiro não vai aceitar ter suas conquistas garantidas com lutas históricas prejudicadas em função dos interesses das elites. 

A palavra de ordem é defender a legalidade do governo Dilma e lutar para aprofundar mudanças e conquistar mais direitos. “Quando eles [a oposição e a elite] atacam a Dilma, estão atacando toda a classe trabalhadora, todas as nossas conquistas, tudo que foi feito até agora, e isso nós não vamos permitir”, disse Lula.

A orientação de Lula é que os movimentos sociais ocupem as ruas cada vez com mais força e determinação para defender, além da legalidade do mandato de Dilma, as conquistas já obtidas, a Petrobras, a indústria e o desenvolvimento nacional, ao mesmo tempo que devem rechaçar as investidas de golpe e os ataques infundados que alegam corrupção. 

Ninguém até hoje teve a coragem e a ousadia de investigar os crimes de corrupção deste país que a Dilma tem agora, não podemos baixar a cabeça e deixar que qualquer corrupto aí na esquina nos xingue por usarmos camisa vermelha”, afirmou Lula. 

O evento contou com a participação de todas entidades e movimentos sociais que assinaram o manifesto em defesa da democracia, de mais direitos e pelo combate à corrupção, entre eles a CTB, UNE, MST, CUT, UBM, UJS, coletivo Fora do Eixo, ANPG, Centro Barão de Itararé e outros. Milhares de trabalhadores e estudantes participaram do ato. Contou também com a participação dos presidentes Renato Rabelo, do PCdoB,e Rui Falcão, do PT.

A mobilização aconteceu em todo o país, em outras capitais foram realizadas atividades cujo objetivo é fortalecer o debate com a militância e a mobilização. Em Curitiba, a plenária ocorreu ontem à tarde na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, debatendo a preparação de atos no dia 7 de abril em defesa da legalidade e da Constituição Federal.
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Com informações do Portal Vermelho

HC da UFPR: Ebserh abre concurso público para preencher 1775 vagas

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O Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba fará concurso público para preencher 1.775 vagas. O edital da seleção foi publicado no site do Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação (IBFC), que irá realizar a prova . Esse será o primeiro concurso da instituição desde que o hospital aderiu à gestão compartilhada com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), em outubro de 2014. 

O contrato com a Ebserh prevê a implantação de um plano de reestruturação da unidade hospitalar, com a recomposição do quadro de pessoal, por meio de concurso público, como a principal medida. O último concurso realizado pelo HC foi em 2003.

As 1.775 vagas que serão abertas neste ano serão distribuídas entre a área médica (543), assistencial (1.005) e administrativa (227). Além do HC, a seleção também servirá para a contratação de profissionais para a Maternidade Victor Ferreira do Amaral.

Com os novos funcionários, a previsão é de que sejam ampliados alguns serviços de saúde e reativados leitos que foram fechados devido à falta de pessoal. Segundo informações da assessoria do HC, atualmente o hospital conta com um quadro de 2.805 funcionários, 629 a menos que em 2004.
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Operação Zelotes pega esquemas dos bancos Bradesco e Santander, além de afiliada da Rede Globo

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A operação realizada na quinta-feira (26/3) por diversos órgãos federais contra um esquema que causava o sumiço de débitos tributários, uma forma de desfalcar os cofres públicos, identificou várias grandes empresas e bancos entre os suspeitos de pagar propina para se livrarem de dívidas. Entre estas empresas está a RBS, maior afiliada da Rede Globo

Os investigadores, segundo o jornal o Estado de S. Paulo, desconfiam que a RBS pagou 15 milhões de reais para que desaparecesse um débito de 150 milhões de reais. Estariam envolvidas também Ford, Mitsubishi, BR Foods, Camargo Corrêa, Light, Petrobras e os bancos Bradesco, Santander, Safra, BankBoston e Pactual.

O esquema desbaratado pela Operação Zelotes subtraiu do Erário pelos menos 5,7 bilhões de reais, de acordo com as investigações de uma força-tarefa formada por Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal e a Corregedoria do Ministério da Fazenda.

O esquema atuava no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão da Fazenda onde contribuintes podem contestar administrativamente – ou seja, sem passar pela Justiça – certas tributações aplicadas pela Receita.

A força-tarefa descobriu a existência de empresas de consultoria a vender serviços de redução ou desaparecimento de débitos fiscais no Carf. Tais consultorias tinham como sócios conselheiros ou ex-conselheiros do Carf. Elas conseguiam controlar o resultado dos julgamentos via pagamento de propinas. Entre seus clientes, estão as grandes empresas citadas pelo Estadão.

O Ministério da Fazenda informou que já abriu processos administrativos contras as empresas envolvidas, tendo como base a Lei Anticorrupção, a mesma que dá suporte a processos da Controladoria Geral da União contra empreiteiras metidas na Lava Jato.

Abaixo, a lista de alguns débitos investigados de algumas das empresas, segundo o Estadão:

* Banco Santander – R$ 3,3 bilhões
* Banco Bradesco – R$ 2,7 bilhões
* Grupo Gerdau – R$ 1,2 bilhão
* Banco Safra – R$ 767 milhões
* Grupo RBS/Globo – R$ 672 milhões

COMENTÁRIO: depois dessa, reitor Akel, tem ainda alguém na administração superior da UFPR querendo fazer negócio com o banco Santander, como no começo de 2012?
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