Depois disso, muito mais membros da comunidade universitária da UFPR passaram a debater o tema. O blog
MobilizaUFPR, editado pelo servidor Fernando Oliveira, agarrou essa bandeira e buscou investigar mais os documentos do tal acerto entre o reitor Akel e os espanhóis. Levado à assembleia de fnal de janeiro do Sinditest, o acerto foi objeto de
unânime moção de repúdio dos servidores presentes no Anf. 100. O DCE teve posições contraditórias e a APUFPR só se manifestou há poucos dias, condenando a intenção de entregar ao superbanco europeu o acesso à potencial clientela da UFPR.
A Assessoria de Comunicação Social da UFPR, em matéria de
05/01, havia anunciado para
março próximo a troca dos crachás de identificação dos servidores e estudantes. Passado um mês e meio, vem a mesma ACS, em
nota de 17/02, anunciar que a "
UFPR revoga chamada pública", em que se informa que:
"O reitor da Universidade Federal do Paraná, Zaki Akel Sobrinho, revogou no dia 13 de fevereiro o Edital de Chamamento Público no qual o Banco Santander passaria a fornecer os crachás de identificação dos servidores e dos alunos."
com a justificativa de que
"...a legislação não permite que as instituições públicas tenham conta em instituições bancárias privadas, mesmo que seja uma conta de transferência de dados."
Contraditoriamente, no parágrafo a seguir, a nota da ACS "esclarece" que:
"Apesar de cancelado, o procedimento seguiu todas as normas da Lei 8.666, a chamada Lei Geral das Licitações, e foi considerado dentro da legalidade e transparente."
Dá para entender isso? A Reitoria num parágrafo diz que o acerto com o Santander foi cancelado "porque a legislação não permite" e, no parágrafo seguinte, informa que o procedimento "foi considerado dentro da legalidade". Um surto de esquizofrenia parece estar acometendo a administração superior... ou é receio mesmo de posteriores consequências do barulho que a comunidade (principalmente técnicos) conseguiu fazer neste esvaziado período de férias.
Contudo, dessa esquizofrênica nota da ACS-Reitoria, ainda se extrai mais alguma coisa. Ela ainda lamenta no final:
"A implantação do cartão permitiria a economia de recurso financeiro da universidade empregado com as carteiras de estudante e com as identidades funcionais."
Quer dizer que, depois da montoeira de recursos da União recebidos através do Programa REUNI (de 4 anos para cá), esta superhiperultra-bem-administrada Universidade não planejou alocar uma partezinha, uma só, para algo tão básico como identidades funcionais e estudantis em período de expansão? Quer fazer economia, tercerizando, privatizando, promovendo parcerias nada transparentes da instituição pública com um dos vilões da crise econômica mundial como esse megabanco europeu??
Assim, reiteramos as perguntas que já apontamos na primeira postagem em janeiro denunciando o acertinho Gestão Akel/Santander:
- não tem a UFPR recurso e tecnologia próprios para fazer seus próprios crachás?
- se fosse o caso de fazer parceria com instituição bancária, não poderia ser com um banco público, como CEF ou BB?
Em que pese a nota da ACS de 17/02, segundo a qual "mixou o lance" entre esses banqueiros bonzinhos e o melhor administrador da UFPR, reservamo-nos o direito de esperar mais um pouco para saber se mixou mesmo, e se mixou tudo.