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terça-feira, 6 de abril de 2021

Pesquisa XP: 48% consideram desgoverno Bolsonaro ruim ou péssimo

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Pesquisa da XP/Ipespe, publicada ontem (5/4), com 1.000 entrevistados de todo o país, aponta que  48% desses consideram o desgoverno Bolsonaro como "ruim ou péssimo".  A avaliação negativa tem subido constantemente: desde outubro/2020, já cresceu em 17 pontos porcentuais.

O que se poderia esperar de um desgoverno que deixou o Brasil virar epicentro da pandemia  COVID-19, em que hoje, contam-se mais de 331 mil mortes, à taxa acima de 3 mil óbitos diários, em que a política de vacinação anda a passos de tartaruga?  Em que transcorre uma colossal recessão econômica, com 14,3 milhões de desempregados, grande aumento da miséria e da fome, sem chance de melhora à vista. Mas Bolsonaro tira 19 dias de férias em SC e nisso gasta 2,4 milhões de reais só na flauta.

A esperança está numa Frente Ampla Pela Vida, que já abarca vários setores sociais e políticos, que cobra de Bolsonaro auxílio emergencial decente de ao menos 600 reais para os mais empobrecidos, e por vacinação já.  Além de lutar pela remoção do despresidente genocida da cadeira do Planalto, do jeito que for (renúncia, interdição, impeachment).

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Por uma felicidade vadia

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Associado ao êxito individual, o ser feliz tornou-se obrigação tormentosa. Pode ser, porém, o desfrute de uma vida sem medos; os convívios que permitem encarar o incerto e a tristeza; e uma ética que, prezando o cuidado, desafia os moralismos

Por Antoni Aguiló (trad. de Simone Paz) - Site Outras Palavras

Desde 2013, a ONU reconhece o dia 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade. Hoje em dia, a felicidade parece um significante vazio, explorado em excesso, até a exaustão. Abraça tantos significados diferentes, que praticamente cabe tudo nela: desde o consumo de Viagra, até os livros de Paulo Coelho.

Apesar da banalização do termo, ao longo das últimas décadas o neoliberalismo impôs a crença de que a felicidade era fruto do esforço e do talento individual, um prêmio que ganhamos por sermos produtivos e competitivos. É o típico discurso da meritocracia liberal, onde cada um chega onde quer com base em seu próprio valor. Para isso, a meritocracia nos introduz a necessidade contínua do “sempre mais”: treinar mais, trabalhar mais, demonstrar mais, ter mais seguidores nas redes sociais etc. A felicidade torna-se prisioneira entre as frias paredes do cálculo e da eficiência.

É uma dinâmica aparentemente virtuosa, mas capaz de gerar muita frustração e angústia: do mesmo jeito que ficamos contentes com nossos sucessos, nos culpamos por nossos fracassos. A verdade é que o lembrete que o coronavírus trouxe sobre a crua imprevisibilidade da vida desmente o discurso do mérito e da recompensa, principalmente em países que acumulam desempregados — e onde os méritos que supostamente garantiam o sucesso (títulos, idiomas etc.) parecem inúteis. Mas também é desmentido pelo fato de que viver em sociedades sendo branco, homem e hétero e cissexual é um privilégio que oferece vantagens desde o início.

Além disso, a crise do coronavírus escancarou a natureza frágil e instável da felicidade humana, sujeita a três processos que já ocorriam, mas a pandemia se intensificou. O primeiro é a medicalização da felicidade. A nova normalidade trouxe consigo uma normalidade medicada, na qual 55,9% dos espanhóis, por exemplo, sentiram-se “muito tristes ou deprimidos”. Sem mencionar o aumento global do risco de suicídio durante a pandemia. Nesse contexto, logo depois da vacina, os antidepressivos despontam como o grande negócio da indústria farmacêutica no combate à chamada “fadiga pandêmica”. A assombrosa previsão de Huxley sobre a felicidade produzida quimicamente em “Admirável Mundo Novo”, tornou-se realidade.

O segundo processo é a patologização da infelicidade...

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Insegurança alimentar atinge 117 milhões; destes, 19 milhões têm fome

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Com a pandemia do novo coronavírus, aumentou o número de brasileiros que conhecem a fome. No final do ano passado, 116,8 milhões de pessoas conviviam com algum grau de insegurança alimentar. Desses, 43,4 milhões não tinham alimentos em quantidade suficiente suficiente e 19,1 milhões de pessoas conviviam com insegurança grave, ou seja, fome. O número dos que lidam com a fome tem 9 milhões a mais que em 2018, quando eram 10,3 milhões de pessoas nessa situação.

Os dados pertencem a um levantamento conduzido pelo instituto de pesquisas Vox Populi a pedido da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar, que reúne as entidades Oxfam Brasil, Action Aid, Friedrich Ebert Stiftung e Ibirapitanga. Os pesquisadores levantaram dados de 2.180 domicílios nas cinco regiões do país, entre 5 e 24 de dezembro de 2020.

Mais de meio milhão de mortos por COVID-19 até fim de junho no Brasil, projeta a Universidade de Washington

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O Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Universidade de Washington (EUA), prevê 100 mil mortes por COVID-19 no Brasil ao longo de abril.

Segundo uma pesquisa da instituição, - que considera fatores como a disseminação de variantes do vírus, uso de máscaras e respeito ao distanciamento social - o número de mortos pode saltar dos atuais 330.297 óbitos, registrados em 3/4, para 436 mil em 4 de maio.

Esse total pode cair para 429 mil mortes caso 95% da população use máscara em público.

A universidade projeta ainda que até o final do primeiro semestre o Brasil atinja a marca de 595 mil mortes no pior cenário. No caso da adoção de máscaras em público por 95% da população, esse número pode cair para 507 mil.


TRÊS CENÁRIOS POSSÍVEIS

1- Cenário atual

#Total de mortos na pandemia até os próximos 30 dias: 434.702
#Total de mortos na pandemia até o final do 1º semestre: 561.634

Neste cenário, a universidade considera:

*Mobilidade dos não vacinados seguindo o padrão apresentado no último ano;
*25% dos vacinados voltando a se deslocar como faziam antes da pandemia;
*Variantes britânica, sul-africana e brasileira se espalhando entre regiões vizinhas no ritmo já registrado no Reino Unido;
*Casos diminuindo entre os que se vacinaram há 90 dias.

2- Pior cenário

#Total de mortos na pandemia até os próximos 30 dias: 436.151
#Total de mortos na pandemia até o final do 1º semestre: 595.521

Neste cenário, a universidade considera:

*Deslocamento de quem ainda não foi vacinado se mantendo como no último ano;
*Todos os vacinados voltando a se deslocar nos níveis pré-pandêmicos;
*Variantes brasileira e sul-africana começando a se espalhar em locais onde ainda não haviam chegado;
*Eficiência da vacinação sendo inferior diante da variante sul-africana;
*Uso de máscaras caindo entre os vacinados.

3 - Cenário com uso de máscaras em público por 95% da população

#Total de mortos na pandemia até os próximos 30 dias: 429.634
#Total de mortos na pandemia até o final do 1º semestre: 507.113

*Mobilidade dos não vacinados seguindo o padrão apresentado no último ano;
*25% dos vacinados voltando a se deslocar como faziam antes da pandemia;
*Variantes britânica, sul-africana e brasileira se espalhando entre regiões vizinhas no ritmo já registrado no Reino Unido;
*Uso correto da máscara sendo adotado por 95% da população.

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Fonte: texto com informações do Portal G1 de 29/03;
Ilustração da revista ‘Science’ (EUA)

sábado, 27 de março de 2021

Vergonhas notáveis protagonizadas por Bolsotários

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Quantos desses zumbis trouxas de fato ainda apoiam o fascista genocida que levou o Brasil a ser motivo de chacota mundial?

Desgoverno Bolsonaro está nas cordas, mas direita (ainda) não tem alternativa

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Jair Bolsonaro está no corner, encostado nas cordas e, pela primeira vez desde que tomou posse, tendo de aguentar apanhar sem devolver com mais força os golpes.

Fernando Brito - Blog Tijolaço

A questão é que quem o encurrala não é a oposição de esquerda, mas a direita não-bolsonarista e o grupo do Centrão do qual o próprio Bolsonaro achou que se adonara ao patrocinar a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado.

O primeiro quer tomar as rédeas da orientação político-econômica do governo. O segundo, quer devorar a própria máquina do governo.

Bolsonaro, ao menos temporariamente, perdeu seu pé de apoio nos militares (o grupo palaciano de generais enfraqueceu-se) e na maioria conservadora do Congresso, que não está disposta a acompanhá-lo no desastre do (não) combate à pandemia.

Mas nenhum dos dois, ao menos até agora, tem alternativa a Bolsonaro no processo eleitoral.

Sua opção mais viável, Sergio Moro, já vinha avariada há tempos e, com a declaração de suspeição, parece ter sido torpedeada abaixo da linha d’água. João Dória, mesmo com a bela atuação que teve no caso da vacina chinesa (que responde por 85% da pouca vacinação que temos) carrega a maldição do “Bolsodória” e não se viabilizou nacionalmente e nem mesmo no PSDB. Mandetta sequer regionalmente se destaca. Luciano Huck é a mais velha novidade da política e está na pista há quatro anos sem decolar. E Ciro…bem, Ciro está se “marinando” e virando apenas uma alternativa de solução partidária que Carlos Lupi, hábil como ele só na sobrevivência política, conduz com inteligência.

E, como não têm um nome alternativo, também são prisioneiros do impasse tal como Bolsonaro. Podem acertá-lo apenas com “jabs”, miná-lo, enfraquecê-lo, mas não derrubá-lo.

Ernesto Araújo, o pazuéllico chanceler, é o alvo da vez. Bolsonaro evita entregá-lo, para sustentar suas falanges, mas pode vir a fazê-lo se isso não representar dobrar o joelho. Por isso, já se especula a indicação do Almirante Flávio Rocha para o posto de chanceler. O Centrão derruba, mas a ala militar leva.

Ainda é cedo para dizer se, apesar de seu núcleo importante de apoio nas falanges idiotizadas, Jair Bolsonaro aguentará a sessão de pancadas. Diria que sim, com os elementos que se tem agora.  Mas governo, quando entre em colapso, vira caixa de surpresas.

E tomara que a genial charge acima, do admirado Aroeira, cheia de significado, não se torne realidade, nem para putsch da Cervejaria na Baviera ou, mais improvável, para a instituição do Reich.  Ali, também, a direita não tinha alternativa.
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Texto do Blog Tijolaço e charge de Aroeira
Título modificado por este Blog
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Alô, marreco! Quéén! Whooo! Bemvindo telefona ao ex-juiz parcial e suspeito

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 Humorista Benvindo Sequeira, ex-ator da Globo, telefona a sérgio moro para "prestar solidariedade" depois que o STF o declarou "suspeito" e "parcial".


Defender a Educação Pública! Plenária nacional em 31 de março

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Um criminoso Orçamento para 2021 foi aprovado há poucos dias no Congresso Nacional, com nova rodada de brutais cortes nas áreas de Saúde (em plena pandemia de COVID-19) e da Educação.  Universidades Federais, UT's e Institutos Federais vão continuar padecendo, ainda mais, com reduções importantes no orçamento de custeio e capital. Além das ameaças que vem com a proposta de Contra-Reforma Administrativa, como congelar salários do funcionalismo por 15 anos direto. É preciso resistir e protestar muito mais contra a política de desmonte de serviços públicos desse desgoverno genocida de Bolsonaro e Paulo Parasita Guedes!

Nesse sentido, realiza-se uma Plenária Nacional Unificada em Defesa da Educação Pública, na próxima quarta-feira (31/3), às 14h, em plataforma virtual. A plenária será transmitida pelas redes sociais das entidades e terá seis blocos. A FASUBRA é uma ativa participante da Plenária, e ela poderá ser acompanhada pelo Facebook da Federação.


A Plenária encerra as atividades do “Março de Luta” em defesa da educação pública, gratuita, laica, de qualidade, socialmente referenciada e contra os ataques do governo. Participam 24 entidades da Educação Pública, Centrais Sindicais, frentes e fóruns, movimentos sociais e organizações internacionais. A FASUBRA participará do Bloco 1, conforme o cronograma da plenária:

Bloco 1: Entidades Nacionais da Educação
FASUBRA Sindical, Andes-SN, Anpae, Anped, CNTE, Confetam, Contag, Contee, Sinasefe, Fenet, Proifes, Ubes e UNE.

Bloco 2: Entidades Internacionais da Educação
CEA, OCLAE e outras.

Bloco 3: Centrais Sindicais, Frentes e Fóruns Nacionais
CSP-Conlutas, CTB, CUT, Fórum Pelos Direitos & Liberdades Democráticas, Intersindical.

Bloco 4: Entidades de base
Fóruns regionais e indicações das entidades nacionais.

Bloco 5: Inscrições dos participantes
Serão abertas inscrições para os participantes do plenário virtual.

Bloco 6: Carta dos Lutadores da Educação ao Brasil
==>Leitura do documento pelas 24 entidades da Educação Pública organizadoras da Plenária.

A Federação orienta as entidades de base e servidores/as das bases a participarem da plenária!

#ForaBolsonaroeMourão
#VacinaparatodosetodasJá
#NaoàReformaAdministrativa
#EmDefesadaEducação

De uma estrela a outra

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Eram quatro amigos na escola média de Paranaguá. Completamente galvanizados em sua incandescência hormonal adolescente pela fascinação irradiada pela colega Lívia. A casa dela fazia fundos com a casa de um dos quatro amigos, e todos ansiavam que ela trocasse de roupa, no fim da tarde, com a janela aberta. Ela trocava...

Então, no fundo do quintal, diante da casa de Lívia (a mais de 60 metros), ali se postaram os quatro amigos como soldados à espera de abertura do flanco do inimigo, com sua poderosa luneta, na vigia pelo grande momento em que Lívia se despiria. Ela o fez, na verdade sem maiores exposições corporais, mas bastava para o quarteto de admiradores juvenis.

Passada a sessão voyeurista sobre mulheres, um deles pediu emprestada a luneta. Dispensou os colegas, e, depois da meia-noite, subiu ao telhado de sua casa, sob revoada de morcegos vindos do frondoso pé de cajá. Ali posicionado, esticou a luneta para contemplar as estrelas, de onde talvez uma delas descesse para iluminar sua baça existência. Viu alguns meteoros cadentes, metaforicamente atravessando-lhe  o peito ansioso.  Dispensou as lentes, aguçou os olhos do coração e ficou ainda mais apaixonado por sua Maria do Rocio.

Relatos de vida

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“Relatos do Mundo” (“News of the world”)

Drama/Ação – 1h59m – EUA/2020
Direção: Paul Greengrass
Elenco: Tom Hanks, Helena Zengel, Elizabeth Marvel
Disponível na plataforma de streaming NetFlix desde Fev/2021

Já se disse sobre a História que, quando se a escreve, não se faz por mero divertimento ou prazer diletante de conhecer coisas interessantes sobre nosso passado, ou o de outrem ou o de outros povos, desaparecidos ou não na voragem do tempo. Escreve-se História buscando-se no passado, em vestígios ancestrais mais ou menos esfarelados, talvez-explicações (‘perhapsplications’, neologizaria Leminski) para o presente que lhe deem sentido, bem como um sentido geral para a vida e quiçá prognósticos de futuros possíveis.

O veterano de guerra Jeffrey Kyle Kidd (Tom Hanks), ex-capitão do exército confederado sulista na Guerra Civil dos EUA de meados do século 19, terminada em 1865, está no Texas de 1870, vagando de cidadezinha em cidadezinha desse estado do sul, onde promove sessões de leitura de notícias de jornais. Sua audiência é composta das pessoas simples da cidade, a maioria provavelmente analfabeta, mas que o capitão Kidd cortesmente diz que ali estão para ouvi-lo porque, submetidas às pressões cotidianas do trabalho, não tem tempo para ler jornais.

Kidd deixou a esposa em San Antonio (também no Texas) para servir na Guerra de Secessão mas depois lá não voltou, embrenhando-se nessa peregrinação de leitura das principais notícias para atentas e participantes plateias, de onde tira seu sustento. Em sua cavalgada rumo a mais uma cidade, a meio de caminho se depara com uma abandonada, assustada e arredia menina branca e loira (Helena Zengel), cerca de 10 anos de idade, que fala um dialeto indígena.

Logo adiante, o capitão Kidd descobre que a garota, depois de mais um dos sangrentos embates entre colonos e indígenas, restou levada por estes últimos e com eles criada como uma menina Kiowa, mas cujo nome original de batismo é Johanna. Sua família de colonos ainda tinha tios numa localidade distante do próprio Texas. Como nenhuma autoridade do novo governo pós-Guerra se dispõe a encarregar-se da menina extraviada, o próprio Kidd toma a si a tarefa de levá-la à casa dos tios, numa longa jornada a bordo de uma carroça mambembe.

Assim transcorre o filme, e acompanha-se a dupla defrontando diferentes tipos da escória humana (que também, diga-se, participou da edificação da nação norte-americana ao longo dos séculos), como bandidos traficantes de pessoas escravizadas e uma espécie de vila onde um aparente latifundiário de maus bofes explora brutalmente grande número de miseráveis. Nesta última passagem, o capitão, lendo para toda a plateia de trabalhadores, especialmente escolhe uma notícia sobre mineiros da Pensilvânia como meio de incitar aqueles desgraçados dali a se rebelarem contra o patrão cruel – um laivo no passado de futuros discursos socialistas que só apareceriam organizadamente nos EUA no começo do século 20?

Na acidentada trajetória de “pai” e “filha adotiva”, que envolve paulatinamente o espectador, é-se levado a perguntar: quem é o condutor e quem é o conduzido? O personagem de Hanks conduz Johanna? Johanna é quem conduz os caminhos do capitão Kidd? Ou, terceira opção, o crescente afeto entre os dois é que conduz ambos e quem assiste ao filme…

As notícias do mundo, aludidas pelo título do filme, nos EUA de meados do século 19, em geral não eram boas. Como no mundo e no Brasil metafascista de 2021. No entanto, passada aquela cruenta guerra civil americana do século 19, o que se descortinava então para os EUA era uma caminhada cada vez mais ascendente para se tornar a grande potência no século 20, embora hoje gravemente abatida (e provavelmente de modo inexorável rumo à decadência) por crises econômicas crônicas típicas do capitalismo megafinanceirizado e pelos devastadores efeitos da pandemia COVID-19. No Brasil também, o país experimentou essas fases de crescentes esperanças e otimismo, como depois da revolução de 30 (até o começo do Estado Novo), no segundo mandato de Vargas, nos mandatos de Lula e Dilma… até tornar a cair no sombrio e desesperador estado atual sob o tacão do governo militarizado genocida de Bolsonaro.

Arnold Toynbee, historiador inglês, costumava falar dos desafios e das respostas das várias tribos, nações e grupos sociais através da História. Os que não respondem, não aceitam o desafio, podem se tornar os detritos da História, dizia ele.

Desafio e resposta. Resposta e novos desafios. Desafios e novas respostas.

Em nosso tempo de traços cada vez mais assustadoramente parecendo-se apocalípticos, estamos chamados a enfrentar tais desafios. Então...

Sim. Sim à vida. Sim a cada coisa que ajude a salvar a Humanidade de se destruir. Sim e sim, quando tudo mais estiver dizendo não. Sim.

O capitão Kidd e Johanna Kiowa Kidd escolheram dizer sim, e voltaram a brilhar nos palcos de leitura de jornais, como pequenos pontinhos de iluminação para seu povo, no empoeirado terreno do Texas.

Nesse “western iluminista”, como interessantemente o qualificou o crítico José Geraldo Couto, busque-se também por aí inspiração e energia para vencer a estrada pedregosa de 2021 assombrada por bandoleiros e milícias neofascistas.

terça-feira, 16 de março de 2021

Sinais de civilização

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Há muitos anos atrás, um estudante perguntou à antropóloga Margaret Mead sobre o que ela considerava ser o primeiro sinal de civilização numa cultura. Ele esperava que Mead falasse sobre anzois, vasos de barro ou pedras de moagem.

Não. Não era isso.  Margaret disse que o primeiro sinal de civilização numa cultura antiga era um fêmur, que sofrera fratura mas se havia curado. Mead explicou que, no reino animal, se um membro é quebrado, ele está fadado a morrer, cedo ou tarde. Ele não mais pode fugir do perigo, chegar ao rio para beber ou buscar comida. Você é potencial carne para os predadores. Nenhum animal sobrevive a uma pata quebrada tempo suficiente para que o osso cicatrize e ele recupere alguma capacidade para se virar.

Um fêmur quebrado que se curou é a evidência de que alguém tomou um tempo para ficar com aquele que caiu, amarrou a ferida, levou seu semelhante para ambiente seguro e atendeu ao menos até a recuperação. Ajudar outra pessoa a passar pela dificuldade é onde a civilização começa, assinalou Mead.

Estamos em nosso melhor quando ajudamos os outros. Sejamos civilizados.

[por Ira Byock]

Ministro papa-defuntos no Quartel da Saúde

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Queiroga, novo ministro: rindo agora, em breve engolindo gordos batráquios

Marcelo Queiroga assume o Ministério da Saúde para ser o papa-defuntos de Jair Bolsonaro.

Por Fernando Brito - Blog Tijolaço

Sua missão será a de melhorar, rapidamente, a estrutura de leitos de UTI, que deverão ser muito mais para abrigar os doentes que, em profusão, não cessarão de brotar do antro de contaminação que se tornou o Brasil destes dias.

Por uma razão muito simples: não poderá tomar nenhuma medida que bloqueie o contágio e a proliferação de casos, mas apenas cuidar para que não faltem leitos onde morram os pacientes – e a mortalidade nas UTIs anda acima de 60%.

Este foi o jogo que o Dr. Marcelo Queiroga topou: o mesmo que foi rejeitado pela Dra. Ludhmilla Hajjar: “Se você fizer lockdown no Nordeste vai me foder e perco a eleição", disse Bolsonaro à médica que recusou o cargo, como noticia o Yahoo.

Nele, colocará um personagem indicado pelo filho Flávio, diz o Estadão. No colo de quem, a partir de amanhã, cairão 2.200 ou 2.300 mortos diários.

O Dr. Queiroga não vai ser ministro da Saúde, o que exigiria posicionar-se sobre isolamento social, medidas restritivas, lockdowns.  Ele vai liberar verbas para leitos de UTI, com fartura, para domar a rebelião dos governadores e secretários de saúde.  As taxas de ocupação das UTIs, com seu número turbinado, cairão, embora o número de infelizes ali internados seja igual ou ainda maior.

É onde pode mexer o Dr. Queiroga, porque está interditado a ele interferir na dinâmica de propagação da doença e lhe será impossível alterar o cronograma falso e mentiroso de vacinação deixado por Eduardo Pazuello em sua deprimente despedida de general massacrado que posa de invicto, antes da fuga.

O Dr Queiroga, por isso, está destinado a um cargo em que será tão efêmero quanto Nelson Teich.  Desabará sob uma pilha de mortos.
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Título desta postagem dado por este Blog.
Foto: arquivo de Internet
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Colapso do sistema funerário, contaminação de lençóis freáticos e de alimentos - o alerta de Miguel Nicolelis

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O médico e neurocientista respeitado mundialmente Miguel Nicolelis lança mais um alerta grave.  O aumento brutal de mortes pela COVID-19 (pelo menos triplicou o número de enterros comparativamente a tempos 'normais') e os sepultamentos de cadáveres repletos ainda de coronavírus e também de bactérias, sem maior controle ou regramento, poderá levar à contaminação de lençóis freáticos e, por extensão, de alimentos.

Lençol freático (lençol de água) é um reservatório de água presente nas partes subterrâneas da Terra, entre cerca de 500 a 1000 metros de profundidade. Assim, uma parte da água da chuva escoa pela superfície mas outra parte se infiltra nos solos formando, assim, os lençóis freáticos.

Nicolelis, palmeirense roxo, adverte com a mesma ênfase com a qual torce para seu time do coração: "Quando você tem um colapso desse nível não tem volta (...) Perdas econômicas pela falta do controle da pandemia vão ser muito maiores do que qualquer perda que o lockdown poderia criar".  Veja abaixo em vídeo o aviso do médico.

Aí se tem, portanto, mais uma faceta do quadro de caos e genocídio induzidos pelo desgoverno Bolsonaro.  É preciso o quanto antes, dar um basta na necropolítica do fascista do Planalto!



COVID-19 de longa duração em jovem que teve doença leve

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Shannon é uma jovem enfermeira que trabalha num movimentado hospital de Dublin, na Irlanda, um país que, desde março de 2020, implantou um lockdown relativamente precoce. A ala onde Shannon atendia foi convertida em unidade de COVID-19, o que causou medo nela, além da questão de mudanças de protocolos e uso de outro tipo de EPI.

Mas, em abril, a enfermaria virou uma espécie de zona de guerra. Médicos e enfermagem assustados, sem saber direito com o que lidavam, nem mesmo ainda a melhor maneira de tratar os doentes, com frequentes remoções de pacientes para a UTI, a lida com o estresse e o luto das famílias.

No final daquele mês, Shannon, fazendo às vezes dois longos turnos consecutivos na enfermaria, começou a passar mal, com dores nas pernas, cefaleia (seria pelo uso prolongado do EPI?), e pouco depois surgiram dificuldades respiratórias, fadiga, tosse seca, perda de olfato e de paladar.

Sem surpresas, o teste para coronavírus deu positivo. E estava havendo surto de COVID-19 entre seus colegas.  Não de se admirar, pois no hospital todos trabalhavam muito juntos, compartilhando das mesmas salas de repouso e tendo que tirar o EPI para se alimentar, além de ventilação inadequada. A enfermagem sempre tinha contato mais próximo com os pacientes.

Desde o exame positivado, a enfermeira se isolou por três semanas, mas os sintomas não arrefeciam, ela ainda era contagiante.  "Fiz o que pude - repousei, tomei vitaminas, fiz curtos passeios no meu quintal, fiquei na posição de pronação (de barriga para baixo)", diz Shannon. Mas a fadiga continuou, sobreveio um aperto no peito, frequentes dores musculares, muita taquicardia e palpitações, suores noturnos, perda de peso, além de maior vulnerabilidade a outras infecções - ela teve febres, duas infecções urinárias e três de pele.  Algo bem difícil de a psique de alguém suportar.

Até então, e era ainda começo da pandemia, Shannon não tinha ouvido falar da chamada "COVID longa" ou estendida, que descreve as pessoas com sintomatologia de longa duração da virose.  Ela pensava que estava enlouquecendo, ou algo ainda pior vindo. Ela sabia de muitos colegas que haviam contraído COVID, mas se recuperaram bem e até voltaram ao trabalho.  "Além dos sintomas físicos, também sentia uma obnubilação cerebral, dificuldade de concentração, às vezes não conseguia falar direito as palavras.  Não só preocupada com minha própria saúde e energia realmente limitada, mas, mais ainda se, voltando ao trabalho, cometesse algum erro ao lidar com pacientes, por não mais poder confiar em mim, em minha habilidades", lamenta-se.

O que pode advir da "COVID longa", como sequela, às vezes para toda a vida, é a Síndrome da Fadiga Crônica (SFC), muito limitante da atividade laboral. Dia após dia, a rotina de Shannon pode ser bem solitária.  Tenta se exercitar todos os dias, mas o máximo que consegue é uma caminhada de 30 minutos a passo lento.  Ainda espera voltar ao trabalho, mas sabe que isso terá que se dar por etapas.  Para lidar com as batalhas psicológicas, faz várias sessões de aconselhamento e também meditação.

Relatamos aqui, e resumidamente (há mais problemas com nossa enfermeira irlandesa) um caso de COVID de longa duração para mostrar como é variado o espectro de apresentação clínica dessa patologia, que pode afetar muitos órgãos e sistemas, por vezes prejudicando todo o restante tempo de vida do paciente e inviabilizando volta ao trabalho.  E para que, uma vez mais, não pululem por aí negacionistas da Ciência que ainda acham, junto com o presidente genocida, que COVID-19 é uma "little flu", uma "gripezinha".
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Fonte: The Lancet - Respiratory Medicine, 3 de março de 2021.
DOI : 
 https://doi.org/10.1016/S2213-2600(21)00123-5
Figura de The Lancet
Resenha com tradução livre do inglês do autor da postagem

Bolsonaro deve perder a próxima eleição

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O capitão pensa como se fosse um candidato a deputado de militares reacionários e policiais truculentos

Por Marcos Coimbra(*) - CartaCapital * 15/03/2021

Daqui a um ano, em março de 2022, estaremos a seis meses da eleição presidencial. De lá em diante, só haverá uma pergunta na pauta: quem será o próximo presidente?  Por enquanto, ainda há outros assuntos. As mudanças na liderança do Congresso, as contradições no STF, o ridículo governo de Jair Bolsonaro e sua penca de milicos.  Quem, há alguns anos, imaginaria que assim estaríamos às vésperas da eleição? 

Tudo que ele faz atualmente sugere que Bolsonaro entregou os pontos. É até possível que, lá em 2019, ainda acreditasse em si mesmo, que conseguiria fazer um governo decente, pois lhe haviam dito que seria fácil. Não era e foi incapaz de se reinventar. 

Teve, por exemplo, de abandonar a pretensão de liderar um plano nacional-desenvolvimentista e só lhe restou continuar amarrado ao seu ministro da Economia, antediluviano e cascateiro. Da turma de ideólogos de araque que recrutou para o Ministério não veio nada. De onde se esperava que nada viria, como de sérgio moro, não veio nada mesmo.

Uma eleição majoritária é bem diferente da proporcional, em que a satisfação ideológica pode ser suficiente para definir o voto. Mas o capitão continua pensando, para 2022, como se fosse um candidato a deputado de militares reacionários e policiais truculentos, que é o que sabe ser. Acredita que coice ganha eleição.

Ao contrário do que pensam alguns, Bolsonaro deve perder a próxima eleição. Seria muito melhor para o Brasil que saísse logo e não tivéssemos de aguardar até janeiro de 2023 para nos livrarmos dele. Muita gente deixaria de morrer estupidamente.

LEIA ESTA MATÉRIA COMPLETA DE CARTACAPITAL em https://www.cartacapital.com.br/opiniao/bolsonaro-deve-perder-a-proxima-eleicao/?utm_campaign=novo_layout_newsletter_-_15032021&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

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(*)Sociólogo, presidente do Instituto Vox Populi e colunista do Correio Braziliense.
Foto de arquivo de internet

segunda-feira, 15 de março de 2021

Cloroquina e ivermectina: fantasia ou realidade?

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Evento promovido pela Agenda Escola da UFPR debate as duas drogas alardeadas pelo governo Bolsonaro como parte de um suposto "tratamento precoce" da COVID-19.  Será amanhã, 16/03 (3a.feira) a partir das 10 da manhã, sendo transmitido pelo canal do YouTube da #AgenciaEscolaUFPR


Participam como convidados:

* Profª. Drª. Andréa Emilia Marques Stinghen, farmacêutica-bioquímica, professora dos cursos de Farmácia e Biomedicina (Departamento de Patologia Básica).

* Profº. Dr. Marcelo Beltrão Molento, médico veterinário, professor do curso de Medicina Veterinária da UFPR.  Consultor da ONU e da OMS para doenças zoonóticas. 

* Profº. Fellype de Carvalho Barreto, médico nefrologista, professor do curso de Medicina da UFPR e médico do CHC.

* Mediação: Profª. Drª Edneia Cavalieri, vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia da UFPR.

Não dê ouvidos a fake news ou a informações emitidas por quem não tem real conhecimento científico sobre temas tão sensíveis, como a defesa da vida humana diante da terrível COVID-19.  Acompanhe o evento!

Malucos bolsonaristas se aglomeram para intercambiar coronavírus e pregar golpe militar

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Para os discípulos da necropolítica do despresidente Bolsonaro, tanto faz se autoridades em Curitiba decretaram bandeira vermelha (alto risco de contágio) e lockdown contra a COVID-19.  O bando de zumbis desafiou e juntou-se ontem, 14/03, sem máscaras, para um troca-troca de seus próprios vírus no Centro Cívico.

A partir dali, como a gasolina da Era Bolsonárica está muito barata, realizaram uma carreata contra a anulação das condenações de Lula, contra o lockdown e em apoio ao despresidente miliciano genocida.

No meio da turba cega, a  polícia, muito tolerantemente, pedia que as pessoas não saíssem dos carros, mas foi solenemente ignorada.  Havendo naquele tóxico meio tanto defensores de intervencionismo militar, mantendo Bolsonaro no Planalto como ditador, como os que não apoiam essa intervenção, correu muito bate-boca e brigas entre os próprios apóstolos da necropolítica.

O Tribunal de Justiça do PR proibiu realizar protestos diante de prédios públicos (em virtude do lockdown), sob pena de detenções e multas coletivas e individuais.  Mas a polícia não agiu em nada nesse sentido.

Outro ato da zumbizada de extrema-direita ocorreu diante do 2o. Batalhão de Infantaria Blindado, mais explicitamente apoiando o golpe militar no Brasil, ao ponto de arremedar pelo nome a infausta "Marcha da Família com Deus", que deu o sinal para o golpe que instituiu a ditadura em março de 1964.

Tais barbaridades transcorrem num momento em que o Brasil virou epicentro da pandemia, com cifras altíssimas de casos e de mortes pela COVID-19, ao lado do assustador colapso do sistema de hospitalar, cujos leitos de enfermaria e de UTI estão todos tomados, havendo no Paraná fila de espera de mais de 1.200 pessoas em busca de internamento. E colapso também ameaçando o próprio sistema funerário, que não está dando conta, tantos são os mortos da pandemia.

Autoridades internacionais, como as da ONU e OMS, e governantes de outros países, buscam intervir de algum modo para forçar o desgoverno de Bolsonaro a mudar de rumos no enfrentamento da COVID-19, pois para o Brasil se voltam todos os olhos do resto da planeta. Não há, entretanto, perspectiva palpável de que o despresidente sociopata genocida possa atender a tais apelos.  
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Foto: Portal Bem Paraná

sábado, 14 de novembro de 2020

Não ao voto para inimigos dos servidores!

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Neste domingo, 15/11, fazemos um apelo: NÃO VOTE em inimigos dos servidores públicos! Quem são? Não enumeramos seus nomes podres, mas trata-se da quase totalidade dos vereadores homens e, infelizmente, de algumas vereadoras.  Não vote para reeleger essas porcarias inúteis, capachas que são dos desígnios do balear prefeito.  Vote pra renovar, e de preferência nas mulheres candidatas.

Este Blog já deixou sua preferência explícita pela candidata do PCdoB Elza Campos, de número 65.180. Prosseguimos pedindo voto nela.


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O incrível exército de Jair Bolsonaro

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Embora não mereçam, por sua omissão, chega a dar pena dos oficiais-generais das Forças Armadas brasileiras.

Por Fernando Brito, no Blog Tijolaço

Qualquer deles que, num momento de lucidez, diga que os Estados Unidos, maior força militar do mundo, não vão ter medo do “cheiro de pólvora” do Exército Brasileiro vai, agora, na versão dos apoiadores do presidente da República, ser um covarde.

Porque o “mito”, claro, é valente e faz bravatas.  E deixa às pessoas com um mínimo de razão, com seu delírio bélico, o papel de serem um “país de maricas”.

Mas os generais brasileiros não merecem piedade, ao menos não enquanto não tomam a atitude de descolar as Forças Armadas da simbiose que passaram a viver com o bolsonarismo.  Se é que ainda têm comando para pressionar os generais de pijama que se tornaram síndicos militares do governo.

Ou melhor, rufiões das Forças Armadas, que as exploram em seu próprio benefício.

E que as jogaram no descrédito público e institucional.

Quando este pesadelo acabar, os militares brasileiro serão vistos muito, muito pior do que antes de terem aderido a uma aventura golpista e, a seguir, a um projeto insano de poder no que supunham ser cavalgar um tolo mas que se tornou serem cavalgados por um asno.

A infelicitante disputa judicial quanto ao comando do Sinditest-PR

Um comentário:

Primeiro semestre de 2015. Reúne-se na sede social do Sinditest um Congresso de delegados eleitos em assembleias de base na UFPR (incluindo pessoal RJU e Funpar do HC), UTFPR e UNILA. A pauta principal é a modificação do estatuto do sindicato, em parte para atender a necessidades jurídicas. O churrascão que era preparado na cozinha ao fundo do salão da sede invade as narinas de todos, enquanto rolam os debates. 

Pouco tempo antes, uma decisão da Justiça do Trabalho determina que o pessoal da Funpar deve ser representado pelo sindicato chamado SENALBA. Isto porque, intempestiva e imprevidentemente, a diretoria do Sinditest, então comandada por Carla Cobalchini, tentou trazer o pessoal da Funpar da Maternidade Victor do Amaral para ficar sob as asas do Sinditest. O juiz entende de modo diverso e amplia a decisão: não apenas funparianos da Maternidad, mas também os funparianos ligados ao HC da UFPR. 

Por isto, e por outras filigranas jurídicas expostas pelo advogado do Sinditest, no Artigo 1 do novo estatuto os trabalhadores da Funpar deveriam ser excluídos da base formal de representação do Sinditest. Isso foi aprovado por ampla maioria, inclusive pelos delegados da Funpar ali presentes, mas com vários posicionamentos contrários à exclusão da Funpar do estatuto novo, incluindo a editoria deste Blog. 

Fazemos esta recuperação histórica para entender a confusão judicial que envolveu a eleição da Diretoria do Sinditest de outubro de 2018. Neste pleito, três chapas disputaram: Chapa 1, capitaneada por Antonio Néris e seu grupo; Chapa 2, de situação, do grupo que se perpetuava há 11 anos no comando da entidade; e Chapa 3, de oposição, uma aliança entre as correntes CSD/CUT, UNIR, CTB e muitos independentes. Apurada a eleição, na qual o pessoal Funpar-HC votou, em disputa apertada, a Chapa 2 obteve maioria de votos. 

Pule-se para o começo de 2019. Um servidor de base da UTFPR-Toledo arregimenta um advogado, que entra com ação na Justiça do Trabalho, pela qual contesta o resultado eleitoral do final de 2018. Seu argumento: se o pessoal da Funpar não constava mais formalmente do Art. 1 do estatuto novo como base do Sinditest (e sim do SENALBA), não poderia ter votado e, assim, esses votos deveriam ser desconsiderados. O juiz do Trabalho, de 1a. Instância, reconheceu razoabilidade nessa argumentação, decidindo que, reconsiderados os números dos votos, a Chapa 2 não era mais a vitoriosa, mas sim a Chapa 3. O juiz autorizou a Chapa 3 a assumir a Diretoria do Sinditest, o que – depois de entreveros – ocorreu em abril de 2019. 

A ex-Chapa 2, largamente acusando de “golpistas” e com outras expressões rasteiras os membros empossados na Diretoria, impetrou recurso na Justiça do Trabalho. Uma juíza de 2a. Instância da JT acolheu o recurso no primeiro semestre de 2020 e os integrantes da ex-Chapa 2 empossaram-se como diretoria em junho de 2020, retirando-se os antigos membros. Uma infeliz decisão dessa Diretoria-Chapa 2, aliás, foi por no olho da rua oito funcionários (alguns antigos), e isso em plena pandemia. 

Nova reviravolta judicial, no mesmo nível de 2a. Instância da Justiça Trabalhista: outra turma de juízes cassa as decisões da turma que autorizou a posse da ex-Chapa 2. Ora, com isto, o grupo de Mariane Siqueira teria que novamente retirar-se da sede sindical e passar tudo para a diretoria anterior (ex-Chapa 3). Quando membros da ex-chapa 3 chegaram com tranqquilidade à sede, houve confusão, a PM foi chamada pela ex-Chapa 2, houve lavratura de Boletim de Ocorrência no distrito policial (em conjunto, pelos dois grupos) e demais “barracos”. A ex-Chapa 2, agora sem direito ao comando da Diretoria pela mais recente decisão judicial, recusa-se a deixar a sede administrativa e passa a emitir “Notas” nas redes apechando os membros da anterior diretoria de “invasores” e “arrombadores”. A temperatura subiu. 

Enquanto um grupo ligado à Central das Trabalhadoras e Trabalhadores do Brasil (CTB), que integrou a oposição da ex-Chapa 3 na eleição de 2018, caracterizamos toda essa situação como muito lastimável. Um quadro infelicitador de divisão do movimento. E isso em nada contribui para que o movimento de trabalhadores se aglutine e luta contra o verdadeiro inimigo, que é o governo de Bolsonaro. O desgoverno federal, que só faz atacar os trabalhadores e as Universidades Públicas, quer fazer uma reforma administrativa, que pode desconjuntar todo o serviço público e até mesmo relativizar ou extinguir a estabilidade no emprego. Não nos deteremos aqui sobre as ameaças, trevosas nuvens de tempestade que se ajuntam para despejar raios e trovões sobre o funcionalismo. 

Muitas vezes a lei não é de entendimento e aplicação claros e cristalinos. Neste caso que expusemos, que fratura o Sinditest, interpretações distintas e opostas, podem ser ambas racionais e dar ganho de causa a um lado ou a outro. 

Dizemos isto porque, de um lado, a ex-Chapa 2 argumenta que os funparianos do HC tinham direito ao voto porque eram filiados; aliás, numa visada ampla deste ponto de vista, se professores da UFPR, se trabalhadores dos Correios etc. fossem filiados ao Sinditest, também poderiam votar para a Diretoria do Sinditest, certo? Este assunto já foi objeto de muita polêmica em plenárias de FASUBRA de anos passados. 

De outro lado, e também com argumento racional, coloca-se que o estatuto é a “Carta Magna” (em analogia com a Constituição Federal) de um sindicato, ele é quem dita as normas e regras, inclusive as de uma eleição de diretoria, logo, seus termos tem que ser acatados. E o Artigo 1 do estatuto excluiu a Funpar-HC como base jurídica formal do Sinditest, razão pela qual os funparianos não teriam direito a voto, nesse caso concreto. 


Nós, como grupo ligado à CTB, que também fala por este Blog NaLuta (desde 2008), compreendemos que, sem diálogo e entendimento para busca de unidade ampla, o futuro do Sinditest poderá ser sombrio, rumo à paulatina fraturação de sua base, desanimada por tantas querelas, induz desfiliações, leva ao desinteresse geral em participar de assembleias e das lutas. Numa palavra: o colapso do sindicato como entidade grande e massiva. 

Não queremos isso e, assim como fez a corrente “Unir” da FASUBRA em recente Nota pública, lançamos apelo ao desarmamento de espíritos e para que se tente construir um espaço de debate franco e sem pressupostos para a unidade, englobando os grupos das três chapas que disputaram o pleito de 2018. Sim, é difícil. Mas, fica lançado o desafio, pelo bem maior do Sinditest e de suas imprescindíveis lutas nesta tenebrosa quadra política da História brasileira.