-->

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Metendo a mão no bolso do sindicalizado através da fraude do "Congresso"

Um comentário:
Sorriam, filiados e filiadas do Sinditest! Melhor, gargalhem. Em breve, vocês verão seu contracheque com uma agradável surpresa: sua mensalidade sindical arrebatada em dobro! Sim, um aumento de 100%. 

Não que isso em si seja um descalabro: debatido decente e democraticamente, depois de amplo conhecimento em toda a base, pode-se com tranquilidade concordar em elevar o desconto de 0,5 para 1% sobre o Vencimento Básico, numa votação realizada numa assembleia geral normal. Afinal, o assunto nem é tema do Estatuto do Sinditest.

No entanto, a Diretoria “Sindicato é pra...” (pra quê mesmo? Iludir?) vai meter a mão em seu bolso após realizar uma gigantesca fraude num processo que ela, a Diretoria, chamou de “Congresso da Reforma Estatutária”, ocorrido no final de 2014. Nessa fraude - em que muitas vezes passaram listas de abaixo-assinado para parecerem listas de presença de assembleias fictícias - a Diretoria quer dar a impressão de que teria havido um “Congresso”, cujo quórum estatutário de 20% do total de filiados (cerca de 1.200 pessoas) teria sido atingido, com isso legitimando as mudanças desejadas. Entre as mudanças, a elevação de 0,5 para 1% no desconto da mensalidade.

Na enorme fraude do “Congresso”, forjaram atas (e listas de “presença”) de assembleias que teriam sido realizadas no Centro Cirúrgico, nas UTIs, na creche e no laboratório do HC. Quem consegue imaginar uma “assembleia” em pleno Centro Cirúrgico? E com supostamente 51 servidores do HC! Ainda assim, a fraude colossal não chegava perto do quórum necessário.

Então, pasmem, leitores: há uma ata descrevendo uma “assembleia” em pleno almoço de confraternização na sede social da rua Marechal Deodoro, em 7 de novembro passado... Podem mentalizar a imagem daquele salão cheio de mesas com as pessoas brandindo seus talheres e ao mesmo tempo “em assembleia” para deliberar sobre assuntos do Estatuto? Aquilo foi o cume da fraude, porque naquele almoço explicitamente a presidente da Diretoria PSTUísta conclamou, ao microfone, para os convivas se dirigirem até determinada mesa e colocarem suas assinaturas em apoio às modificações do Estatuto. Quem na boa fé foi lá assinar nem sabia do que se tratava.

Este Blog, desde outubro, denunciou a fraude do tal “Congresso”, em postagens como “O Congreço do Sinditest. Congresso?”, “Um sindicato alienado e dois congressos”  “Fracasso anunciado”  e outras. Não adiantou. Eles prosseguiram na perpetração da fraude.

E, tendo começado mal, prosseguem mal, tentando legitimar sua fraude, tal como aparece em matéria publicada hoje (28) no site do Sinditest. Obrigam-se a mentir deslavadamente ao afirmar, nessa matéria, que “Foram realizadas ao todo 30 Assembleias na base formal (legal) de representação do sindicato... Em todas essas Assembleias, as propostas de alteração apresentadas pela Diretoria do Sinditest foram aprovadas por maioria ou por unanimidade.” Bem, caros leitores, já citamos acima a “assembleia do almoço”; se você porventura foi a esse almoço, terá sido testemunha ocular do tipo de “assembleia” ali ocorrida.

O processo todo foi feito de maneira fraudulenta, autoritária e no atropelo, sem a menor consideração com as sugestões de método que a OPOSIÇÃO havia apresentado para a Diretoria do sindicato desde julho/2014. Depois que convocaram na marra a fraude congressual, a OPOSIÇÃO avaliou que o processo estava equivocado e entregou à Diretoria um Manifesto expondo os motivos pelos quais não iria participar e validar aquilo. Esse documento, subscrito por cerca de 70 servidores, reproduzimos abaixo:


MANIFESTO 

"Curitiba, 2 de outubro de 2014 

À Diretoria do Sinditest-PR gestão 2014-2015 

Srs. Diretores, 

Vimos, por meio deste, MANIFESTAR nosso posicionamento diante da convocatória, publicada no site do sindicato, de um “II Congresso do Sinditest” indicado para o início de novembro. Após examinar o conteúdo daquela convocatória, referenciando-nos em toda a luta de anos em busca de uma profunda e democrática reforma do Estatuto desta entidade sindical, expressamo-nos nos seguintes termos: 

CONSIDERANDO que a atualização do defasado Estatuto do Sinditest é imperiosa no sentido da democratização maior de nosso movimento sindical, 

CONSIDERANDO a insegurança jurídica causada pela instabilidade do registro do sindicato junto ao MTE, corroborada pela utilização de um CNPJ provisório, 

CONSIDERANDO que tal reforma de estatuto consta como promessa de campanha da atual gestão “Sindicato é pra lutar”, 

CONSIDERANDO que uma reforma do estatuto, para ter legitimidade e aceitação, precisa dar-se num processo unitário, nitidamente democrático, de debate aprofundado e sem atropelos, 

CONSIDERANDO que a convocatória emitida na matéria no site do Sinditest em 22/09/2014 (“Edital no. 1”) não configura um verdadeiro Edital de Convocação de Congresso por carecer de alguns elementos imprescindíveis, em especial as regras do processo congressual e apenas exibir datas e uma proposta de pauta, 

CONSIDERANDO que o item fundamental “Reforma do Estatuto” está diluído em meio a outros itens nessa mesma pauta do “Edital no. 1”, 

ENTENDEMOS que a proposição de tal Congresso, nesses termos, é equivocada, feita de afogadilho para atender interesses obscuros, não propiciará um debate paciente e aprofundado do Estatuto para bem reformá-lo (objetivo central) e, portanto, não merece ser considerada como instância legitima dos TAEs representados pelo Sinditest. Assim sendo, nós nos recusamos a convalidar uma iniciativa que partiu de modo estritamente unilateral da Diretoria atual do Sinditest, apesar da boa disposição de diversos membros da base de contribuir para a construção de um processo unitário, e alertamos a categoria acerca da impropriedade desse evento na forma como está apresentado, sem prejuízo de outras iniciativas que resguardem aspectos legais sobre a reforma estatutária capitulados no estatuto vigente. Pugnamos, não obstante, com a esperança de que um processo reformador do Estatuto ainda possa se dar, desde que com lisura, transparência, espírito unitário e efetiva democracia sindical. Colocamo-nos à disposição para construir tal processo. 

Sendo o que tínhamos a expressar, subscrevemo-nos, como filiados da base do Sinditest-PR, no verso deste documento."

Riso feliz da hiena que não tosse

Nenhum comentário:
Começou mal o segundo mandato da presidenta Dilma. As medidas que ela recentemente endossou na área econômica e duas Medidas Provisórias (MPs 664 e 665*) irritaram profundamente os trabalhadores.  Por isso as Centrais Sindicais CTB, CUT, Força Sindical, UGT, CSB e UGT realizaram hoje (28) um primeiro "Dia Nacional de Lutas" em defesa dos direitos da classe trabalhadora.  Em Curitiba, o ato de protesto ocorreu na Praça Santos Andrade, das 10 às 12 horas, reunindo cerca de 300 manifestantes.  Os discursos foram duros contra a presidenta.

Foi muito divulgada entre os trabalhadores, na campanha presidencial de 2014, uma afirmação de Dilma, de que não se mexeria em direitos dos trabalhadores "nem que a vaca tussa".  Tossindo ou não tossindo, medidas que alteram os modos de acesso a alguns direitos trabalhistas foram tomadas no fim do ano.  Não por causa de bovinos, mas por causa da Hiena que se chama mercado capitalista, onde prevalece a vontade do grande capital financeiro.


Essa hiena maldita, ao longo dos mandatos Lula e Dilma, esteve ululando para garantir seus privilégios de classe dominante e abastada. Através do seu principal braço político - a mídia hegemônica - não passa um dia sem exigir que se mude a rota do país e se penalize os trabalhadores para enfrentar a dita "crise" econômica.  Pois a hiena capitalista, neste momento, demonstra ter dobrado em parte a presidenta Dilma, inclusive impondo um soldado das hostes financeiras: o novo ministro da Fazenda Joaquim Levy.

Grande burguesia financeira, cheia de privilégios, mama nas tetas da vaca Brasil

O ato das Centrais de hoje foi um primeiro alerta à presidenta e um primeiro ensaio, para esquentar os motores, para novas mobilizações.  A próxima manifestação será uma Marcha programada para 26 de fevereiro.  Essas demonstrações de combate da classe trabalhadora se propõem a constituir forte resistência para impedir que o ministro Levy imponha uma agenda de austeridade e arrocho no país, que só trará recessão e reverterá avanços obtidos até aqui no campo dos salários e do emprego.  Porque a luta é para que os ricos deixem de ser poupados pelos governos e passem a contribuir com parte de suas imensas fortunas para o esforço de superar as dificuldades econômicas atuais. 
-------------
(*)As MPs 664 e 665 alteram (dificultando acesso) as formas de conceder alguns benefícios trabalhistas, como o seguro-desemprego, o abono salarial, o auxílio-doença e a pensão por morte.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Cartazes de verão

Nenhum comentário:
[clique na tirinha para aumentar]

Eles dizem que lutam, logo, não precisam prestar contas à base...

Nenhum comentário:
A chapa que hoje comanda o Sinditest prometeu publicar balancetes trimestrais das contas da entidade. Não cumpriu. Muitos meses depois do início desse descumprimento, agora em meados de janeiro/2015, a chapa “Sindicato é pra lutar” emite em seu site uma matéria com planilhas das contas de 2014. Ainda assim, faltando os meses de maio e dezembro.

No texto dessa matéria, a Diretoria PSTUísta até admite esse descumprimento como falha grave. Mas para aí. Logo arranjam a desculpa: eles “lutaram demais” em 2014 e não deu tempo para cuidar das tarefas administrativo-financeiras da maneira prometida em campanha. Ah, como eles lutaram (só eles), coitadinhos, e com isso descuidaram da prestação de contas. 

Pois era para fazer prestação das contas de 2013 até março de 2014 em assembleia geral comandada pelo Conselho Fiscal, mas nada! E isto é determinação estatutária... Penalização por isto? Nenhuma. 

Pois era para fazer prestação de contas do Fundo de Greve (3 meses de desconto em dobro da mensalidade sindical) logo depois de finda a greve nacional em junho/2014, mas nada! Prometem mostrar na internet as planilhas dos gastos da greve ainda em janeiro, tardiamente. Vamos conferir.

A assembleia de março de 2014 no HC, que fez uma apresentação sumária dos resultados da Auditoria Interna, definiu que o contador Ewerton deveria ser demitido o quanto antes. Pois ele só largou a contabilidade do sindicato no final de 2014, ou seja, 9 meses depois da decisão.

Estamos, por ora, na boa fé, contando que se trate apenas de incompetência administrativa, e não haja elementos escusos motivando tanto atraso.

A Oposição sindical à Situação PSTUcana na Diretoria tem o papel de fiscalizar e cobrar. Ou não seria oposição. No entanto, na esfarrapada desculpa pela falha com as contas, até para Oposição sobra culpa da incúria deles, quando dizem que a Oposição “conseguiu lançar campanhas difamatórias contra nós e esvaziar algumas assembleias, espalhando dúvidas na base devido à ausência da prestação de contas.” Ora, diacho! A Situação PSTUcana não presta contas nos prazos devidos e a Oposição não tem o direito de ter dúvidas... Qualquer filiado da base teria direito a dúvidas! Palhaçada!

Para arrematar a incompletude dessa “prestação” de satisfações, a matéria publicada pela Diretoria PSTUcana adverte que as planilhas publicadas são “apenas uma prévia, pois é preciso fazer alguns ajustes e não conseguimos ainda concluir o balancete dos meses de novembro e dezembro.” Não só isso, também está faltando a planilha de maio, perceberam?

Temos certeza de que, nas planilhas publicadas até agora, existem vários elementos merecedores de uma análise minuciosa. Mas isso é assunto para futuras postagens.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A família enojada do ladrão enojado

Um comentário:
Há menos de dois meses, o senhor ladrão Paulo Roberto Costa que, junto ao condenado doleiro Alberto Youssef, ostenta o papel de oráculo da verdade em nossa imprensa, disse, ao vivo e a cores, pela TV Senado, que estava “enojado”, já em 2009, da roubalheira que ele próprio praticava.

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço

E que resolveu fazer a delação premiada motivado pela família, também enojada com tudo aquilo:

- Quem me colocou com clareza para eu fazer a delação foi minha esposa, minha filha, meus genros e meus netos. Falaram pra mim: ‘Paulo, por que só você? E os outros? Cadê os outros? Você vai pagar sozinho?’. Fiz a delação para dar um sossego a minha alma e por respeito e amor à minha família.

Hoje (25), o repórter Aguirre Talento, na Folha, mostra o que rendeu o “nojo” da família Costa: as filhas de Costa, Ariana Azevedo Costa Bachmann e Shanni Azevedo Costa Bachmann, e seus genros, Marcio Lewkowicz e Humberto Sampaio de Mesquita.

Todo mundo leva “livre, leve e solto”, mesmo tendo conscientemente participado de todo o esquema.

Eram eles que abriam e operavam as contas no exterior por onde passava a nojenta bufunfa familiar:

"A conta na Suíça foi aberta em nome do executivo, de sua mulher e de uma das filhas. Os dois genros assinaram a documentação para criar uma conta no Royal Canadian Bank em Cayman, um paraíso fiscal no Caribe. Essa conta tinha um saldo de US$ 2,8 milhões".

Dr. Moro, francamente, eu também quero ficar “enojado”, se a coisa funciona assim.

Youssef recebe “comissão” sobre o dinheiro roubado, mesmo já sendo um condenado por corrupção que descumpriu os termos de sua primeira delação.

A família de Costa não tem, ao que se saiba, informações a fornecer.

Eu que sou um curioso do Direito dos velhos tempos – não deste “moderninho” hoje praticado – aprendi que a eventual pena jamais pode exceder à pessoa do réu.

Se não tem pena “por lote”, também não tem “perdão a lote”.

Qual é o problema da família Costa de cumprir uma pena menor, possivelmente em regime aberto até, por sua participação no esquema? Eles são melhores que as outras pessoas?

Quer dizer que amanhã, se um traficante de drogas fizer uma delação premiada ele pode colocar, digamos, seu irmão, também traficante, no “lote de perdão”.

E um primo?

Um amigo, mesmo que estes não tenham nada com que colaborar na investigação?

Numa coisa, porém, o uso da palavra “enojado” procede.

É como qualquer pessoa se sente vendo este tipo de barganha absurda, onde – além daqueles que têm, de fato culpa no evento criminoso – vão a execração pública todas as pessoas que “alguém disse que Youssef disse”, mas os que têm culpa provada de atos ilegais ficam impunes, agora e para sempre.

Vitória da esquerda grega chacoalha Europa

Um comentário:
Tsipras, vitorioso na eleição parlamentar de ontem

O triunfo da coligação de esquerda Syriza, de Alexis Tsipras, futuro primeiro-ministro da Grécia, representa mais que a inédita vitória, em solo europeu, de corrente inimiga da estratégia de austeridade.

Por Breno Altman, no site Opera Mundi

A envergadura histórica dos resultados eleitorais vai além: pela primeira vez desde o final da União Soviética, um partido de esquerda, anticapitalista, conquista o governo de uma nação do velho continente.

A vida política da região esteve marcada, desde os anos noventa, pela dança de cadeiras entre duas variáveis do neoliberalismo: a conservadora e a social-democrata.

A exceção é o nacionalismo russo de Putin e outros Estados menores, ex-integrantes do antigo espaço soviético, mas cuja identidade não está marcada por paradigmas socialistas.

As agremiações sociais-democratas, contudo, foram paulatinamente deixando de ser expressões reformistas do campo progressista para se converterem em opção mais branda da hegemonia do capital financeiro.

Suas gestões pouco ou nada se diferenciam, no fundamental, do que é defendido e praticado por legendas propriamente de direita. Chegam mesmo a compor governos de unidade nacional, como é caso alemão e o da própria Grécia até este domingo (25/01).

O Pasok, aliás, virou pó, com menos de 5% dos votos, com os eleitores esculachando a aliança de governo dos sociais-democratas com a principal legenda da direita, a Nova Democracia.

O fato é que a esquerda europeia esteve circunscrita, antes da ascensão do Syriza, a papel secundário, desempenhado por partidos comunistas e outros grupos com sérias dificuldades para se viabilizarem como alternativa de poder.

O jogo, agora, mudou.

O Syriza (em grego, abreviatura para Coligação da Esquerda Radical) tem fisionomia semelhante ao PT brasileiro.

Mais do que partido clássico, trata-se de frente orgânica. Aglutina inúmeras correntes, em espectro que vai do trotsquismo à social-democracia, ao redor de um programa de caráter socialista.

Sua principal força propulsora são os movimentos sociais e populares que se rebelaram contra o garrote financeiro imposto sobre a Grécia desde a crise de 2010.

Mas o cenário com o qual Tsipras e seus correligionários irão lidar é oposto ao percurso petista após a conquista eleitoral de 2002.

O ex-presidente Lula pode implementar políticas públicas de natureza distributiva a partir do reordenamento orçamentário, sem graves choques com o sistema financeiro mundial e sem a obrigatoriedade de reformas estruturais.

Ainda que esta orientação viesse a entrar em fadiga, como vem ocorrendo nos últimos quatros anos, a verdade é que o petismo pode promover a expansão de emprego, renda e direitos, durante longo período, sem confrontar o modelo rentista e as forças que o sustentam.

O Syriza, no entanto, somente será capaz de enfrentar a calamitosa herança social e econômica deixada por seus antecessores se fizer mudanças profundas e enfrentar o centro dirigente do imperialismo europeu.

O nó górdio é a dívida pública.

Sem estancar esta sangria, o Estado grego continuará insolvente para atender as reivindicações das ruas e retomar o crescimento.

Tsipras sinalizou, nas semanas derradeiras de campanha, disposição para negociar, evitando a ruptura com a União Européia e o euro.

Mas seus interlocutores, particularmente França e Alemanha, estão em sinuca de bico.

Se aceitam um pacto que alivie a vida helênica, outros países engastalhados — como Portugal, Espanha, Itália e Irlanda — podem pedir as mesmas facilidades. Os grandes bancos e fundos não admitem concessões dessa magnitude.

Caso a opção da chamada troika (formada pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) seja bater o pé em defesa dos acordos firmados pelo governo de centro-direita que foi derrotado nas urnas, o Syriza viverá sua hora da verdade.

Teria, grosso modo, em circunstâncias de intolerância das instituições financeiras, dois caminhos pela frente.

O primeiro seria o da ruptura unilateral dos compromissos de ajuste fiscal e pagamento da dívida, além do vínculo com a moeda única, colocando em xeque todo o sistema europeu.

As consequências iniciais poderiam ser dramáticas para o povo grego, até que a retomada da soberania nacional pudesse fazer a economia respirar, liberta das sondas predadoras de seus credores.

Além da maioria parlamentar que formou graças à composição com um pequeno partido nacionalista de direita, o Gregos Independentes, Tsipras eventualmente contrabalancearia dificuldades materiais com a mobilização dos trabalhadores gregos e o alastramento desse estado de ânimo por outras nações do sul europeu.

Outro caminho seria o da submissão, acatando ditames da troika e aceitando, como compensação, algumas alterações cosméticas. Mas pagaria elevadíssimo preço político por tamanho recuo.

O Partido Comunista, por exemplo, com 15 deputados eleitos, hipotético aliado, anunciou que se recusa a compor o novo gabinete porque sua direção está convencida sobre a tendência de Tsipras à capitulação, além de criticar sua disposição de continuar na União Europeia e na Otan.

Quem viver, verá.

Aconteça o que acontecer, porém, a Grécia se transformou no epicentro dos principais lances políticos dos próximos tempos.

A Europa está aturdida por um fenômeno que talvez abra novo ciclo político, no qual se viabilize uma esquerda antagonista vocacionada para conduzir o continente a outro modelo de desenvolvimento.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Centrais Sindicais convocam classe trabalhadora para Dia Nacional de Luta

Nenhum comentário:
Em defesa dos direitos da classe trabalhadora, a CTB e as demais centrais CUT, Força Sindical, NCST, UGT e CSB convocam a população para sair às ruas, na próxima quarta-feira (28), em protesto contra a decisão do governo em reduzir benefícios trabalhistas. 

Em Curitiba, a mobilização será a partir das 10 da manhã de 28/01 na Praça Santos Andrade.

As centrais se reuniram com o governo federal na última segunda-feira (19), e reivindicaram a revogação das medidas provisórias 664 e 665, anunciadas em dezembro do ano passado. Se aprovadas, as medidas tornarão mais difícil o acesso ao seguro-desemprego, abono salarial (PIS-Pasep), auxílio-doença, pensões, seguro-defeso e auxílio-reclusão entre outros. 


A ênfase numa política econômica conservadora, ditada pelo sistema financeiro, está levando o governo a uma perigosa rota de colisão com os movimentos sociais, que tiveram papel decisivo na reeleição de Dilma”, alertou o presidente nacional da CTB, Adilson Araújo.


O "Jornal do Trabalhador", editado unitariamente pelas centrais para convocar o Dia Nacional de Lutas, sugere uma receita com quatro medidas: (1) instituição do Imposto sobre Grandes Fortunas; (2) taxação das remessas de lucros e dividendos ao exterior (que, de quebra, contribuiria em muito para o controle do déficit externo em contas correntes); (3) revisão das desonerações (sobretudo em ramos controlados por multinacionais, que com a renúncia fiscal ampliaram seus lucros e, ao mesmo tempo, as remessas às matrizes); e (4) redução dos juros (que originam o déficit público).

Nada de preces para Showtrick - Cap. 6

Um comentário:
A primavera envolvia a cidade de Orlando. Tudo parecia estar muito calmo, descontando as ocorrências policiais típicas de toda cidade grande. No gramado diante da sede da USCU os passarinhos pipilavam e brincavam entre si, destemorosos, desconhecendo o que ia pela cabeça dos humanos que se movimentavam dentro do prédio. Se soubessem, talvez desistissem de cantar.

Fazia já uns meses desde o trágico desaparecimento de John Dick no outono. Mas isso não alterou a rotina da USCU e de seus dirigentes principais. Salvatore e Showtrick preparavam uma grande recepção, um almoço, onde fariam sua tradicional demagogia com a massa de filiados mortos de fome e anunciariam a venda do imóvel de Alafaya como mais uma promessa de campanha cumprida.

- Marla, venha aqui na presidência, precisamos conversar sobre a nova edição do "USCU News"! – ordenou Salvatore pelo telefone à sala da imprensa.
- Me deixa terminar teu photoshop pra te deixar menos gordo na foto, Salvatore! Já chego aí...

Em dez minutos o presidente da USCU e sua diretora de imprensa estavam juntos discutindo as matérias do próximo jornal do sindicato, definindo que seria distribuído no grande convescote marcado para dali a 10 dias. Era essencial demonstrar que a diretoria, conforme prometera aos filiados, tinha efetivado a promessa de se livrar do imóvel de Alafaya e tinha sido por um bom preço. Mais um ponto para a gestão de Salvatore. Marla, apesar de seus secretos planos pessoais, colaborava para enaltecer seu chefe e iria fazer um jornal conforme a encomenda para produzir ilusões na categoria. Jornalismo não era, era política, e nisso os escrúpulos dela ficavam guardados na geladeira de casa.

**********
- Marla, estou meio cabreiro ainda com essa história da venda de Alafaya e essa morte esquisita do Dick... O que lhe disse Salvatore?, perguntou Joey, parado na pia do banheiro onde escovava os dentes, de cuecas.
- Cacete, Joey, você está com essa mesma cueca há uma semana! Joga no cesto de roupa pra lavar!!
- Tá OK, eu troco a cueca, mas ouviu o que eu falei da USCU?
- Ouvi, sim, claro, tem umas coisas estranhas, mas temos que ir em frente com nosso plano, certo? Isso é rolo do Salvatore e do Showtrick, não temos que nos meter, vamos fazer só o que pedirem e pronto. Não somos responsáveis, não seremos.
- Isso é o que eu não sei, afinal botamos nossas assinaturas em alguns documentos...
- Porra, escova logo esse dente e vem deitar.

**********
Manhã ensolarada de primavera aquela em que a USCU realizou seu almoço de confraternização dos filiados. Chegando ao amplo salão onde acontecia a comilança, cada trabalhador recebia um exemplar do jornal da USCU. O grande destaque na publicação era a venda do terreno de Alafaya, cujo texto trazia como ilustração um fac-simile de um trecho da escritura de venda, sob o carimbo de “promessa cumprida”.

O ambiente estava bastante festivo, o ar preenchido pelo som de risadas e de talheres em ação. Salvatore, Showtrick, Marla, Joey e outros dirigentes da USCU estavam exultantes com o sucesso do almoço, mais seguros de si do que nunca. A morte de John tinha já ficado para trás. Entre um gole e outro de uísque especial “para a diretoria”, ironizavam os poucos membros da oposição sindical ali presentes. De fato, estavam no auge da popularidade, ainda que por baixo daquela sede social corresse um rio de excremento.

**********
- Tem coisa aqui?, pensou Max Deutsch em casa enquanto passava e repassava a matéria escrita por Marla  Menganini sobre a venda do terreno de Alafaya no " USCU News", o jornal da União de Servidores..

Max foi ao almoço de confraternização da USCU, pegou o jornal e ficou contemplando a desenvoltura alegre dos dirigentes sindicais, enquanto mantinha um sorriso irônico no canto da boca. Guardou o jornal no bolso de trás da calça, cumprimentou um monte de amigos, fez sua refeição e foi embora cedo.

Em casa, sacou do bolso o jornal e reexaminou a matéria sobre o imóvel de Alafaya. Com os olhos postos na ilustração da escritura, de repente uma interrogação lhe veio ao pensamento. A foto da escritura era parcial, mas... Mas por que diabos a venda de um terreno situado em Alafaya, a leste de Orlando, tinha sido registrada num cartório da cidadezinha de St. Cloud, ao sul? Por que não na própria Alafaya ou mesmo em Orlando? A dúvida cresceu na cabeça de Max e ele passou a desconfiar daquela transação. Resolveu tirar a limpo sua dúvida e iria nos próximos dias ao cartório de St. Cloud para averiguar, se possível pegar uma cópia da escritura inteira. Não fazia então ideia da quantidade de coisas esquisitas que iria desvelar.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Nada de preces para Showtrick - Cap. 5

Nenhum comentário:
- Está feito e acho que não deixamos rastros.
- Me sinto triste, apesar das bobeiras, ele era um cara legal. Não entendo por que deu aquela vacilada.
- Ele andava ligado demais à igreja dele, pode ter influenciado.
- E daí, você é um cara de igreja, você é um “obreiro” dessa porra dessa tua igreja evangélica!
- Calma, calma, em nossa igreja separamos as coisas da terra e as do espírito...
- Porra, o que eu sei é que o cara saiu desta terra e agora no máximo é um espírito! E o espírito dele não te incomoda? E a família do cara que apagamos?
- Eu sei, eu sei, mas afinal de contas foi para um bem maior, não é? Se o cara desse com a língua nos dentes pra polícia, pra Receita, ou até pra gente da oposição, aí a coisa ia ficar feia pra nós, pra todos, pra nossos próprios filiados que precisam de uma administração equilibrada!  Vamos rezar pela alma de nosso bom vacilão John Dick!

Diante desse argumento racionalizador, o presidente relaxou um pouco.  Sentiu menos a perda de seu principal tesoureiro, ao lado de quem já tinha feito tantas lutas na Clínica Geral da universidade dez anos antes.  Sua disposição voltou, o negócio era ir adiante. O morto tinha que virar passado. Enterrado e abolido da memória.  Até a Polícia já estava dando o crime como de difícil solução e ninguém havia chegado na USCU para maiores investigações, além de uma visita para perguntas protocolares.  Tudo ia bem e tudo iria bem.

Em breve a transação imobiliária seria anunciada para a multidão ignara dos filiados, num grande almoço pago pelos próprios, mas com aparência de “boca livre”, é claro. O presidente ligou para Marla pedindo uma matéria especial para o jornal da USCU  anunciando o negócio concluído. Depois, emborcou mais uma dose de JB, murmurando frases obscenas e encomendando alguém do serviço de acompanhantes de Daytona Beach.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Os 10 piores casos de complexo de messias em 2014

Nenhum comentário:

O fim do ano é o momento em que nos lembramos do messias JC, mas é impossível deixar de lado os malas sem alça que possuem o complexo de messias. O ano de 2014 foi pródigo em megalomaníacos com fórmulas infalíveis para a salvação do Brasil e, em última análise, do universo.

Por Kiko Nogueira, no site DCM

Alguns tentaram nos livrar de uma ditadura comunista, outros ameaçaram seus discípulos se não seguissem seu voto — em comum, todos incapazes de admitir qualquer erro e eternamente tentando encaixar os fatos em sua visão de mundo. O tipo de gente que estraga qualquer festa de réveillon.

LOBÃO

O velho cantor já vinha há alguns anos num ritmo pesado e intenso de paranoia, trocando Herbert Viana pelo PT em sua doideira. Na sequencia da eleição de Dilma, adotou uma longa barba de profeta, copiada do bispo Edir Macedo, e resolveu incorporar o papel de líder revolucionário. Ficou chateado quando tomou um cano de Aécio numa manifestação com 15 pessoas, rompeu com outros colegas de extrema direita, foi até o Congresso com aloprados. Junto com seu guru Olavo de Carvalho e o brucutu Marcello Reis, do grupo Revoltados Online, alertou os brasileiros sobre o socialismo. Sua grande vitória política foi tomar um café com Marco Feliciano.


GILMAR MENDES
O ministro do STF é o Palpiteiro Oficial da República. Denunciou o perigo do Supremo se converter “numa corte bolivariana”, disse que Lula não passaria no teste do bafômetro, suspeitou de lavagem de dinheiro nas doações para pagar as multas de petistas condenados no mensalão, culpou Dilma pelas suspeitas de fraude nas eleições etc etc. Com exceção, talvez, do futebol, não houve assunto em que Gilmar não tenha emprestado um átimo de sua sabedoria. “Os fatos são chocantes. Há uma cleptocracia instalada”, diz ele. Dependendo do ângulo, Gilmar dá saudade de Joaquim Barbosa.


JOAQUIM BARBOSA
JB saiu da história para cair na vida, mas não deixa o posto de Batman nem sob decreto. Ninguém mais se importa com o menino pobre que mudou o Brasil, mas no Twitter ele continua trovejando. Entre uma saída e outra para ir ao teatro com a atriz Antônia Fontenelle — ninguém é de ferro — , JB dita os rumos da nação, eventualmente em inglês e francês. “The ousting of a congressman by his peers for his involvement in this disgusting scheme. A new check for the Brazilian political system?”, mandou. “Min Público é órgão de contenção do poder político. Existe para controlar-lhe os desvios, investigá-lo, não p assessorá-lo. Du jamais vu!”. “Du jamais vu” é sua releitura pedante do bordão lulista “nunca antes” etc. Dependendo do ângulo, Barbosa dá saudade de Gilmar Mendes.


SILAS MALAFAIA
O pastor mais sem noção da América Latina gritou suas excentricidades ao longo do ano, guiando seu povo contra o PT. Mostrou-se um pé frio. Primeiro apoiou Marina Silva, evangélica como ele. Quando Marina beijou a lona, inclusive por causa de seu apoio, pulou para o barco de Aécio. Quando se trata de Malafaia, tudo assume ares de histeria e convocação divina. Conclamou seus fieis para “tuitaços” que micaram, ameaçou com o fogo do inferno os que votassem em Dilma, mentiu, ofendeu — e perdeu. Malafaia deu voz à estupidez da extrema direita religiosa.


MARINA SILVA
Ela surgiu do útero da floresta com a promessa da nova política, batendo na polarização PT-PSDB, se vendendo como uma opção nem de esquerda e nem de direita. Sua candidatura tomou um direto no queixo com quatro tuítes de Malafaia, para sucumbir de vez diante de suas próprias contradições. O fanatismo religioso fez com que utilizasse o velho messias (no caso, Jesus Cristo) para justificar seus problemas, como o da falta de clareza. Segundo ela, Jesus “tergiversava”. Devemos a Marina a popularização do termo “desconstrução”, usado por ela para explicar a tática de seus adversários e hoje aplicado até mesmo em receitas de risoto de frango.


FELIPÃO
O ex-técnico da seleção jamais assumiu qualquer erro na condução da seleção brasileira. Jogadores choravam antes de bater o escanteio, mas o time não tinha problema de desequilíbrio emocional. Neymar se machuca, os atletas têm um chilique, mas e daí? Até acontecer o inolvidável 7 a 1 diante da Alemanha e, na partida seguinte da Copa, os 3 a 0 para a Holanda. Na coletiva, a casa já em escombros, Felipão deu declarações como “desde 2002 não chegávamos às semifinais”, “disputei três Copas do Mundo e fiquei entre os quatro em todas”, “não jogamos mal” e “tivemos momentos muito bons”. Felipão foi visto no Grêmio.


JUIZ DA LEI SECA
Uma agente da Lei Seca dirimiu uma dúvida ancestral: se juízes achavam, mesmo, que eram Deus. Ela cumpriu sua função ao tentar multar o juiz João Carlos de Souza Correa, que dirigia um Land Rover preto sem placa e estava sem a carteira de habilitação no momento da abordagem. (Depois se descobriu que Correa, titular da 1ª Vara de Búzios, é protagonista de uma coleção de imbróglios jurídicos). Mas o doutor Correa não precisa cumprir a lei porque, afinal, está acima de você. “Imagina eu, que faço Justiça, sendo injustiçado. Ela disse: ‘Ele é juiz, não é Deus’. Foi desacato”, afirmou deus-juiz.


FERNÃO LARA MESQUITA E EDITORIAIS DO ESTADÃO
Ninguém lê, mas os editoriais do Estadão e os artigos de um dos herdeiros são como uma máquina do tempo em direção ao nada. A missão de resguardar os valores liberais se transforma numa necessidade doentia de orientar seus pobres leitores no sentido de se precaverem diante de qualquer coisa que cheire a bolivarianismo, seja lá o que isso quer dizer. Isso inclui dar conselhos para os EUA sobre como conduzir a reaproximação com Cuba. Fernão Lara Mesquita –fotografado num protesto com um cartaz com os dizeres “Foda-se a Venezuela” — mantém a tradição batendo no inimigo morto da família: Getúlio Vargas. No dia 25 último, escreveu que Getúlio “veio para combater a corrupção, impôs o fascismo como instrumento do desenvolvimento e encarregou o Estado, com o Trabalho e o Capital a reboque, de promovê-lo”.


EDIR MACEDO
O dono da Universal inaugurou o Templo de Salomão no Brás, em São Paulo, uma atualização brega do santuário arrasado pelos romanos na Antiguidade. Com uma barba de profeta, copiada de Lobão, e um novo cerimonial inspirado em ritos do judaísmo, com direito a quipá e solidéu, Edir levou Dilma, Alckmin e outros políticos à abertura de sua obra máxima, numa prova de seu poder e prestígio terrenos. Edir vive garantindo a volta de Jesus, mas Jesus provavelmente olha para ele e pensa que é melhor ficar de boa onde está.


ARNALDO JABOR
O dono da Universal inaugurou o Templo de Salomão no Brás, em São Paulo, uma atualização brega do santuário arrasado pelos romanos na Antiguidade. Com uma barba de profeta, copiada de Lobão, e um novo cerimonial inspirado em ritos do judaísmo, com direito a quipá e solidéu, Edir levou Dilma, Alckmin e outros políticos à abertura de sua obra máxima, numa prova de seu poder e prestígio terrenos. Edir vive garantindo a volta de Jesus, mas Jesus provavelmente olha para ele e pensa que é melhor ficar de boa onde está.

----------------
Fonte: texto e fotos do Diário do Centro do Mundo

sábado, 20 de dezembro de 2014

Nada de preces para Showtrick - Cap. 4

Um comentário:
Agosto, amanhecia em Daytona Beach, quando as águas do Atlântico Norte entregaram à areia um estranho volume.  Marla e Joey, de volta à praia, tinham o hábito de levantar cedo para correr pela praia, e estacaram ofegantes diante daquele cadáver cujos olhos já tinham sido comidos pelos peixes ou pelas gaivotas.

- Ah, meu deus, que coisa horrível!!!!, exclamou Marla olhando para o molambo encharcado ainda lambido pelas ondas.  Esse aí está parecendo o... o...

- O John Dick, nosso tesoureiro da USCU, Marla, completou Joey perplexo.  Mesmo sem aqueles olhos idiotas, não há como não reconhecer que é ele mesmo!  Que diabos aconteceu?

- Ai, que triste e que nojo, Joey! Temos que avisar a polícia...

- Não, não, não...

- Como não?

- Não vamos nos envolver com isto, vamos embora, não tem ninguém na praia, ninguém olhando, vamos em frente e fingir que nem vimos isto.  Vamos, vamos!

- Mmmmas, Joey, é nosso colega, faz poucas semanas estivemos reunidos com ele lá em Orlando! Temos que fazer algo!

- Ele está morto, Marla, não podemos fazer mais nada, e não podemos nos envolver neste rolo. Não quero papo com polícia, vamos embora!  Depois ligamos pra Salvatore.

Marla, chocada e enxugando lágrimas sinceras, relutou mas acompanhou o marido.

O casal se afastou celeremente, olhando para os lados e para a avenida beira-mar, acreditando-se não percebido, sob as vistas apenas das aves marinhas que deviam pressentir no morto um cardápio diferente dos peixes e crustáceos habituais.

Os restos ensopados de Dick, com cinco buracos de bala no peito e na barriga, ainda ficaram à mercê das pequenas ondas de beira-mar e das gaivotas por mais uma hora até que a polícia foi avisada e chegou a equipe da perícia para examinar o que sobrara do velho dirigente sindical.

**********************

- Joey, aquilo foi horrível! Como pode ter acontecido? Marla debatia-se na cama, esperando o efeito do calmante que Joey lhe havia dado.

- Não faço ideia.  Notou que ele foi baleado?  Tinha uns três furos de bala no peito.  Alguém apagou o cara. Não sei por quê.  Um sujeito tão legal e bonachão. Meio burro e devagar, é verdade, mas legal.  Sempre nos tratou bem. Fico com pena.  Mas é melhor esquecer.

- Avisou Salvatore e os outros?  Eles tem que saber, afinal era o tesoureiro do nosso sindicato!

- Ainda não, vou ligar agora. Você trate de se acalmar, e durma um pouco.

Joey pegou o celular e ligou para Orlando, no número de Salvatore.  Ocupado. Ligou para Nelly.  Ocupado também.

- Atendam! Que saco!

******************************
John Dick, antigo enfermeiro da Clínica Geral da Corners University, havia certo tempo que se tornara um burocrata do sindicato.  Não cheirava nem fedia, era um pouco atoleimado, às vezes fazia vistas grossas para umas mutretas de Salvatore, por vezes participava da divisão do “bolo”.  Estava por dentro dos rolos, inclusive por ser tesoureiro.  Tinha sua parte e não costumava encher o saco. Mas era um arquivo sobre duas pernas.  Teria aberto algum jogo perigoso?

Certa vez, tendo brigado com Salvatore, contou a estagiários de um jornal-laboratório da Universidade sobre uma mutreta praticada pelo colega de sindicato, e aquilo foi publicado, ainda que sem citar nomes. Salvatore havia escondido seu próprio carro na garagem de um amigo e dera parte de roubo para receber o valor do seguro. Recebeu o seguro, com o qual comprou um carro novo, e tempos depois o carro supostamente roubado foi achado pela polícia.  Mas então o rolo estava feito, com sucesso.  Dick revelou o estratagema, provocando a ira de Salvatore e por um bom tempo os dois não se conversaram.  Entretanto, o caso não rendeu nenhum problema para Salvatore e tudo voltou às boas entre eles.

Agora, porém, algo diferente tinha acontecido.  Teria a ver com a transação do terreno da USCU?  Ou era outra coisa dentro do sindicato?  Podia também ser mera fatalidade, um assalto...

A unidade CSI que examinou Dick constatou que ele morreu pelos disparos de arma de fogo no tórax e depois foi jogado ao mar, pois não tinha água nos pulmões.  E havia sido na noite que antecedeu seu achado na praia pelo casal Marla/Joey.  O corpo não tinha outros sinais, nos bolsos somente alguns dólares e o documento de identidade.  Caso difícil. Mas era preciso investigar as relações do morto em Orlando e em Daytona. 
[CONTINUA...]

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Sem Unimed, Fluminense jogará patrocinado pelo SUS

Nenhum comentário:
Assim como milhões de brasileiros que não tem plano de saúde, o Fluminense também dependerá do SUS para sobreviver. O rompimento da Unimed na parceria de quinze anos, que rendeu vários títulos ao clube, pegou jogadores e torcedores de surpresa. Por enquanto o Fluminense jogará com apoio do Sistema Único de Saúde, mas a diretoria do clube já negocia um patrocínio dos Tapetes Tabacow para a próxima temporada (na temporada 2014, o patrocínio foi da STJD Guarnições e Tapetões).
----------------------

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

“Você não merece ser estuprada”. Este é o padrão Bolsonaro de decoro.

Um comentário:
Da Folha, agora há pouco:

"Em discurso no plenário da Câmara, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) disse nesta terça (9) que só não 'estupraria' a colega Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra de Direitos Humanos, porque ela 'não merecia'. Conhecido por suas posições polêmicas, contrárias aos direitos humanos, Bolsonaro atacou a ministra ao rebater um discurso feito por Maria do Rosário minutos antes no plenário da Câmara, no qual a ex-ministra defendeu a Comissão da Verdade e as investigações dos crimes da ditadura militar."

Por Fernando Brito, no Blog Tijolaço

Repetiu, agora da tribuna, a estupidez que já tinha feito tempos atrás, no Salão Verde do Congresso.

Bolsonaro afirmou que o Dia Internacional dos Direitos Humanos é o “dia internacional da vagabundagem”, direitos humanos só se aplicam a “bandidos, estupradores, marginais, sequestradores e corruptos”.

É um personagem assim que virou herói da direita brasileira?

Ah, e o que o valoroso Conselho de Ética vai fazer?

Pedir as notas taquigráficas para estudar um processo sobre a quebra de decoro por Bolsonaro.

Só rindo. Bolsonaro quebra, pica, mói e faz virar pó qualquer ideia de decoro e civilidade.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O otário que acreditou que Aécio iria ao protesto

Um comentário:
Um protesto pode virar, perfeitamente, uma comédia, como se viu sábado (6/12) em São Paulo.  O mais difícil é saber quem foi o palhaço principal.  São três os candidatos: Aécio, Lobão e Serra. Francamente, estou em dúvida sobre qual foi mais ridículo.

Por Paulo Nogueira, no DCM

Vejamos um a um.

Lobão começou o dia superlativo no Twitter. “HOJE O CHÃO DA PÁTRIA IRÁ TREMER”, tuitou ele antes do protesto.  Assim mesmo, em maiúsculas.

Pouco depois, ele usou o plural majestoso. “Chegamos !!!!!!!”. Para poupar seu tempo, aviso que foram sete pontos de exclamação.

Depois a realidade, esta pantera, começou a se impor. Disse ele no Twitter: “Infelizmente, tive mais uma vez que sair da passeata por todos os motivos que expus ontem. Estou de luto.”

No dia anterior, ele freneticamente tentara evitar que “militaristas”, como ele chama os que defendem um golpe militar, participassem do protesto.  Já não havia maiúsculas, já não havia exclamações, mas uma mistura de frustração com raiva.  A Folha captou um desabafo de Lobão. “Cadê o Aécio? Tô pagando de otário.

E aí chegamos a Aécio, outro candidato ao título de idiota do dia.

Bem, se Lobão imaginou mesmo que Aécio gastaria uma tarde ensolarada de sábado para ir a um protesto, é mesmo um otário.

Aécio faz tudo por uma manifestação num sábado contra a Dilma, exceto ir. Mas por momentos pareceu que ele romperia sua tradicional vida boa e mansa. Num vídeo postado na véspera do protesto, ele convocou as pessoas a ir para a rua.

Era presumível que ele mesmo fosse, mas Aécio se mostrou incapaz de mobilizar a si próprio. Ficou claro o tamanho de sua liderança. Talvez ele devesse ter mandado em seu lugar o Aécio de Papelão, mas nem isso.

Serra, mais trabalhador, foi. E então chegamos ao terceiro candidato à coroa de trouxa do dia.

Como Aécio, Serra gravou um vídeo no qual pedia que as pessoas fossem às ruas. Ele conseguiu dizer o seguinte: que nunca, em sua vida, vira manifestações tão espontâneas quanto estas que têm sido feitas contra Dilma.  Em seu mundo particular, Serra deve ter ficado impressionado com um protesto anti-Dilma em Belo Horizonte que se dispersou diante das primeiras gotas de chuva.

A capacidade de mobilização de Serra ficou tão evidente quanto a de Aécio. Fora o fato de que ele pelo menos foi, as estimativas giravam em torno de 800 manifestantes, divididos em dois blocos.

Um era o dos “militaristas”. Outro, o de “civis” como Serra. Isto quer dizer que Serra levou 399 almas para a rua.

Não. Aécio tem também sua parte, já que gravou um vídeo. Cada um levou 199,5 almas para a Paulista.

É uma dura parada. Aécio, Lobão ou Serra? A piedade me leva a excluir Lobão: ele é a única pessoa que acredita nos propósitos de políticos como Aécio e Serra.

Opto por Aécio como o mentecapto do dia. Serra ao menos compareceu.

A quem eventualmente o recrimine pelo WO que deu, Aécio poderia dizer uma frase em inglês que não tem tradução: “Get a life! Entrei na política por muitas razões, menos trabalhar.”
-------------------

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Trotsquistas que "se acham"

Um comentário:
Eles puxam lutas e perdem.  Foi assim pro pessoal do RJU de março a junho (greve nacional de 3 meses, sem vitória) e pro pessoal da CLT da Funpar (o reitor deu um nó neles no ACT e no caso das demissões com a vinda da EBSERH).

Não prestam contas de nada, mas querem dobrar o que arrancam do bolso dos filiados na mensalidade sindical.  Quem vai aceitar?

E tem esqueletos escondidos nos armários.  Morrem de medo que de lá saiam.

Essa a gestão dita "combativa" no Sinditest. Que tristeza. Quanta PSTUpidez.

Sorria, filiado do Sinditest! Seu dinheiro já está sendo gasto para viagens dos espertos para reuniões da CONfusão das LUTAS!

2 comentários:
A CONfusão das LUTAS, vulgo CONLUTAS, está a todo vapor gastando o dinheiro dos filiados do Sinditest-PR desde a fraude da assembleia de "filiação" em 4/11. Bom, verdade que eles já gastavam dinheiro da categoria financiando atividades da CSP-Conlutas antes (será que aparece na contabilidade?)...

Como o próprio site do SinditestPSTU-PR informa e fotografa (acima), eles estão garantindo que o governo Dilma-2 não emplaca. Aliás, juntinhos com a extrema-direita do país, que fez atos esvaziados no último fim-de-semana como se pode ver abaixo.  Talvez, em breve, vejamos os dois extremos se juntando contra Dilma. Seria ainda mais patético.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Nada de preces para Showtrick - Cap. 3

Um comentário:
O expediente no Box Bank já havia acabado naquela calorenta tarde em Alafaya, mas numa mesa dos fundos da agência cinco pessoas acertavam um negócio, conversando quase por meio de sussurros.


- Não vai embora, Caccioli?, gritou da porta o penúltimo bancário saindo do trabalho.

- Não, Donald, estou terminando um último negócio aqui. Boa noite e bom descanso pra você, colega! Amanhã almoçamos na Fergie’s.

Subgerente no Box Bank, com autonomia para liberar financiamentos, Fortunato Caccioli pesquisava os olhares ladinos à sua frente de Salvatore, Nelly, Niels e de um corretor imobiliário curiosamente apelidado de “Graceland”.

Gerald “Graceland” Ipkiss era muito fã de Elvis Presley, daí o apelido alusivo à famosa mansão do cantor em Memphis, mas, considerando sua ocupação atual, a alcunha ficava dúbia – “terra da graça”. Mas não de graça. E ele sabia muito bem que interesses estavam em jogo naquela rodinha. Estava intermediando a transação do terreno da USCU entre Salvatore, Nelly e o comprador Niels, contando com a boa vontade do subgerente para liberar o financiamento sem maiores entraves burocráticos, tais como comprovações de renda de Niels e da esposa.

Salvatore resumiu a situação do negócio:

- Olha, Caccioli, acabamos de conseguir as assinaturas de outros diretores importantes da USCU no Termo de Retificação da Ata, que nos permite desmembrar o terreno e com isso vocês do banco financiarem os componentes legalizados 4 e 5 do total do imóvel. Niels vai logo nos passar 50 mil de entrada em cash, o seu Banco repassa 200 mil restantes ao Niels e ele nos paga a segunda parcela, ok?

- Tá certo, mas por favor, sigilo total sobre isto aqui. E o Niels tem que me pagar direitinho as prestações do financiamento estes meses próximos. Antes que a direção superior desconfie que o contrato não é perfeito.

Niels, sempre calado, murmurou um “pode deixar”. E acrescentou: “Minha mulher e eu viremos aqui assinar quando você chamar.”

- Fico no aguardo dos negócios posteriores com os componentes sobrantes do terreno, disse Caccioli. Só espero que isso não demore muito tempo.

- Com a valorização dessa área de Alafaya, não vai demorar para vendermos os lotes restantes, pode ficar tranquilo, asseverou Nelly, mais uma vez com seu sorrisinho falso.

- E o meu lotezinho também!, exclamou contidamente o corretor Graceland. Já tenho em mira um potencial comprador assim que finalizarmos tudo e eu ganhar essa minha comissão na forma desse lote.

Prosseguiram a conversa, acertando últimos detalhes para que nenhum furo ficasse, nenhum fio solto que permitisse a algum xereta chegar à meada da armação. No final, brindaram com goles de água mineral gasosa, a única coisa ainda bebível naquele fim de expediente num banco. 

Niels, Caccioli e Graceland iam ganhar o seu “de direito” pela colaboração, Salvatore e Nelly também iam se dar bem e – pensavam estes dois – os filiados da USCU iam todos ficar também contentes por finalmente terem-se livrado de um terreno tão “inútil” para a organização sindical.

Mas Salvatore estava eufórico e convidou para celebrar mais:

- Aí, pessoal, o negócio todo está encaminhado, graças a nossa capacidade e ousadia! Está um calor danado, e eu acho que a gente devia comemorar de verdade! Que tal irmos todos lá pra Orlando dar um rolé no show de strippers do “Black Cat”?

Os olhares dos outros brilharam de entusiasmo inicial pelo convite à farra, mas Niels e Caccioli desistiram, alegando compromissos com as respectivas “patroas”.

- E você, Graceland?, inquiriu Nelly, do alto de sua religiosidade pragmática.

- Olha, caras, esse lance está tão maneiro que vou nessa com vocês! Uhu!

Dali a três horas, era quase 9 da noite, estavam Salvatore, Nelly e Graceland aboletados numa mesa rústica, pedindo uns petiscos no famigerado “Black Cat”, o point de Orlando que só fechava às cinco da manhã com direito a variadas emoções.

[CONTINUA...]