"Barraquismo” militante foi o que se viu no terceiro dia do XXI Congresso Nacional da FASUBRA. Em um dos mais importantes Grupos Temáticos do CONFASUBRA, sobre necessárias revisões no Plano de Carreira dos TAE, aconteceu um tumulto que avacalhou a discussão do tema. O que rola pela rede social Facebook é que, numa das atividades do Congresso, um militante de um dos grupos da ultraesquerda teria hostilizado a coordenadora nacional da FASUBRA Leia, da corrente Tribo. Seu companheiro de corrente, Luizão, ao defende-la, teria dirigido ao militante uma expressão de suposto teor homofóbico. Em revide, esse militante teria tratado o servidor baiano Luizão, veterano da FASUBRA, com expressões como “negão safado” e “capataz”. Foi o que bastou para que, pateticamente, se formassem de um lado um grupamento “antihomofobia” e, de outro, um “antirracismo”, atacando-se mutuamente no Congresso e nas redes sociais.
A foto acima [clique nela para ampliar], emprestada ao álbum de Facebook da colega Cristiane Andrade, do HC (diretora do Sinditest e delegada ao CONFASUBRA), mostra o
achincalhe organizado da ultraesquerda contra a suposta homofobia do militante Luizão (de camisa azul escuro e boné, no centro da foto). Delegados fizeram cartazes com dizeres como “Homofobia é crime – Fora Luizão” e subiram à mesa para detonar o diretor da FASUBRA. Obviamente, isso inviabilizou o bom andamento do GT sobre Carreira.
CLIQUE AQUI para ver um vídeo que gravava o debate da Carreira quando o auditório é invadido pelos manifestantes, obrigando à suspensão dos trabalhos (avance até os
48min35seg do vídeo, para ver o começo do tumulto).
Neste Blog, até por não termos mais elementos concretos para analisar quem disse o quê, se praticou homofobia, racismo ou nada disso, deixamos de lado esse debate. Chamamos a atenção para algo muito, mas muito mais grave: o risco de divisão na prática do movimento nacional dos técnicos organizado na FASUBRA.
Ora, se pessoas e grupos acham mais importante realizar um protesto organizado contra um diretor da FASUBRA em torno do que julgaram ser conduta indevida desse diretor (membro de uma corrente diferente dos manifestantes), e isso inviabiliza o debate sobre um dos principais temas do Congresso, estamos diante do quê? Por que tais grupos não levaram seu protesto, justificado ou não, para outra ocasião e instância em vez de esculhambar o ambiente onde se dava o GT? Do outro lado, também não ajuda nada ficar chamando de "racistas" os acusadores de Luizão.
O “barraco” nesse GT da Carreira revela esgarçamento nas relações entre as lideranças e grupos, denota incapacidade de convivência respeitosa e de debate civilizado entre posições diferentes! É mais importante para certos grupos berrar contra seus adversários do que debater e achar os pontos comuns para fazer a luta. Interessa mais transformar um Congresso sindical em guerra de torcidas, em um FlaFLu ou um Atletiba, situação em que, evidentemente, qualquer debate sério já foi pras cucuias. Esse é, portanto, o grande risco no XXI CONFASUBRA – o de não chegar a consenso algum para puxar as próximas lutas, o de manter e talvez aprofundar a divisão que se revelou na derrotada greve de 2011.
Ainda resta o dia de hoje (14) para ver se a sobriedade e maturidade foram restabelecidas, se as diversas correntes conseguirão convergir para aprovar um Plano de Lutas unitário para este ano e o próximo. A campanha salarial para o reajuste de 2013 tem que prosseguir, a FASUBRA deve continuar negociando com o governo federal sua pauta até uma data-limite (maio no máximo) e, se nada conseguir só na conversa, terá que propor às bases uma nova greve nacional (a partir de junho, possivelmente). Como fazer isso se não for recuperada a unidade perdida?