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segunda-feira, 20 de junho de 2016

O fascismo voltou às ruas, como tropa de choque da direita

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Fernando Brito repercute em seu blog Tijolaço artigo de Mauro Santayanna sobre o filme "Ele está de volta".  Santayana viu o "filme" original e alerta aqueles que não percebem a ação dos arautos da ordem sobre os direitos, da economia sobre o ser humano, de "liberdade” como forma de opressão social:

Ele está de volta

Mauro Santayna

O lançamento, na Europa, do filme “Ele está de volta”, uma 'comédia leve' sobre o que aconteceria se Adolf Hitler voltasse à Alemanha de nossos dias, com cenas de pessoas parando, na rua, para tirar selfies com o maior assassino da História; e o relançamento de sua obra-síntese, o “Mein Kampf” – “Minha Luta”, em vários países – uma edição portuguesa esgotou-se em poucas horas, esta semana, na Feira do Livro de Lisboa – mostram que, mais do que perder o medo de Hitler, o mundo está, para com ele, cada vez mais simpático, no rastro da entrega – quase sem concorrência – dos grandes meios de comunicação globais a meia dúzia de famílias e de milionários conservadores que, se não simpatizam abertamente com o nazismo, com ele comungam de um profundo, hipócrita, e tosco anticomunismo, fantasma a que sempre recorrem quando seus interesses estão em jogo, ou se sentem de alguma forma ameaçados.


Como também mostram o filme e o livro, e manifestações em vários lugares do planeta, defendendo a tortura, a ditadura, o racismo, o sexismo, a homofobia, o criacionismo, o fundamentalismo religioso, não é Hitler que está de volta.

É o Fascismo.

Um perigo sempre iminente, permanente, persistente, sagaz, que se esconde no esgoto da História, pronto a emergir, como a peste, com sua pregação e suas agressões contra os direitos individuais, a Liberdade e a Democracia, regime que não apenas odeia, como despreza, como um arranjo de fracos e de tolos, desprovidos de mão forte na defesa dos seus interesses.

Os interesses de uma elite “meritocrática” e egoísta, ou da elite sagrada, ungida por direito de sangue e de berço, na hora do nascimento.

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Agrego um comentário, a propósito deste alerta de Santayana e Brito.  Veja no vídeo abaixo. Na 6a.feira (17), assistiu-se com surpresa à invasão de uma área de convivência na Universidade de Brasília por uma horda de extrema-direita, portando bombas e armas de choque, e proferindo ameaças e xingamentos contra as pessoas no campus.  O linguajar do bando extremista de direita, onde se destacava uma certa Kelly Bolsonaro, atacava a comunidade LGBT, negros e os que lutam contra o golpe em curso.  Saíram de lá depois da baderna, sem serem contra-atacados, mas foram filmados e a UnB prometeu investigar o episódio.


Nada impede conjecturar que um "mini-pogrom" reacionário como esse possa ocorrer em outras Universidades Públicas, que os direitistas consideram "redutos" tomados pela esquerda e pelos movimentos antigolpe.  Portanto, não custa nada ficar alerta também na UFPR, pois em Curitiba é bem conhecida a existência de grupos neonazistas.

terça-feira, 15 de março de 2016

Por dentro dos bastidores da Globo: o que dizem os jornalistas "dissidentes"

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Esdras Paiva, da Globo, inventor da "mortífera" bolinha de papel

Tem acontecido uma coisa interessante: chegam a mim mensagens de jornalistas da Globo revoltados com o que estão vendo na empresa. Os indignados estão lotados sobretudo em Brasília e no Rio. Todos, naturalmente, pedem anonimato.

Por Paulo Nogueira, no site DCM


Me disse um deles, que tratarei como X: “Desculpa o número de mensagens, mas estou revoltado. Não sou petista. Meu primeiro voto no PT foi na Dilma….. mas estou dentro dos acontecimentos e é muito clara a estratégia.”

A estratégia é destruir Lula, Dilma, o PT e, se possível, qualquer resquício de pensamento de esquerda que exista no Brasil.

X chama a atenção para postagens no Facebook do coordenador de jornalismo da Globo em Brasília, Esdras Paiva.

Seguem dentro da linha do Erick Bretas, não? Peço mais uma vez que não mencione meu nome, para que eu não corra riscos profissionais.”

Eis as postagens de Esdras destacadas por X.

Seis milhões de brasileiros nas ruas num protesto sem bandeiras de partidos. E os petistas repetem o mantra do golpe criado pelo João Santana. Alguém tem que avisar para eles que esse papo de golpe não colou. E que o Santana tá vendo o sol nascer quadrado.  Maior manifestação da história do Brasil. Somos um país de coxinhas. Coxinhas golpistas.

Pergunto a X quem é Esdras. Não o conheço. X me situa.

No episódio da bolinha de papel do Serra o Esdras Paiva era editor-chefe do Jornal Nacional em Brasília. O caso foi um fiasco dentro da redação. Muita gente envergonhada e constrangida comentava a cobertura em flagrante desaprovação”, ele conta.

E continua: “Esdras ficou furioso com as críticas, defendeu que a matéria do dia seguinte seria uma aula de jornalismo. E o dia seguinte veio para desespero de todos… era o perito que afirmou que o que parecia uma bolinha de papel era, na verdade, um rolo de fita adesiva letal e descontrolado. “Poderia ter matado.” A matéria não convenceu de novo e Esdras fez questão de entregar à direção de Brasília os nomes dos rebeldes. A diretora naquela época era Sílvia Faria.”

Não a conheço também. Quem é Sílvia Faria?

X me esclarece:

Ex-diretora da Globo Brasilia. Atual diretora de jornalismo e braço direito do Kamel. Amiga que promove amigos apenas. Segura dezenas de informantes nas redações, como Esdras Paiva e Cleber Praxedes em Brasília. Foi a responsável por aquela orientação que vazou no ano passado e que determinava que qualquer menção a FHC em denúncias deveria ser omitida dos noticiários. Vazou em um domingo.”

X prossegue:

Ela é violenta e odeia Erick Bretas, não por questões ideológicas (são farinhas do mesmo saco). O ódio deve-se a questões de ego. Há quem aposte que o envio de Erick do jornalismo para “mídias” deveu-se à subida dela na hierarquia.”

Bretas, sabemos, é aquele diretor da Globo que se fantasia de Moro no Facebook, mediante um avatar, para pregar o golpe e a prisão de Lula. O DCM vai processá-lo pela calúnia de dizer que somos financiados pelo PT.

De X passemos a Y. Y narra outro bastidor do Planeta Globo.

Todo mundo sabe que O Globo tem lado (errado), mas vocês sabiam que o editor de política do jornal em Brasília, Paulo Celso Pereira, é primo em primeiro grau do Aécio Neves? Aécio foi seu padrinho de casamento e eles se falam diariamente. Ou seja, desde a campanha eleitoral, tudo o que os repórteres apuram junto ao PT é repassado diretamente, sem escalas, para o Aécio.”

Y pede que não a identifiquemos. “Peço que não publiquem o meu email para não sofrer retaliações. Vocês sabem como eles jogam pesado.”

Sim, sabemos.

Ouçamos agora Z, do Rio de Janeiro. Z é da GloboNews.

A gente odeia isso aqui”, escreve ele. “Apesar do perfil sempre conservador, havia espaço para ideias divergentes. Mas a equipe que fundou o canal foi toda afastada, nos últimos quatro anos? Coincidência? Duvido muito.

Z prossegue.

Os responsáveis: Kamel, Latgê e Eugênia Moreira. Mulheres foram afastadas após voltarem de licenças-maternidade. Profissionais sérios como Guto Abranches, Sidney Rezende ou André Trigueiro foram demitidos ou postos na geladeira.”

Algo mais?

Sim. “Filha do Merval editora-chefe do Jornal das Dez.

Z conta que ela não usa o sobrenome paterno. Assina Joana Studart como jornalista. Aqui entra em cena W. “Todo mundo a odeia exatamente por ser filha do Merval”, conta W. “Uma vez, em Brasília, ela demitiu um cara aos gritos. O Ali Kamel estava lá, e teve que chamar a Joana num canto e pedir para ela se controlar porque as coisas não eram assim. Todo mundo que estava ali se lembra disso.”

Algo mais?

Sim. Z me manda um link. “Para você ter uma ideia de como a coisa anda por lá.” Abro o link. Ali está a informação de que a GloboNews contratou uma “faxineira espiritual” para espantar a “uruca” da redação.

É real. Aconteceu”, diz Y. Ele conta ainda que um professor da UFRJ, Francisco Carlos Teixeira, habitual comentarista da GloboNews, desistiu do canal por causa de sua radicalização. “Ele largou o estúdio no intervalo de um programa e nunca mais voltou.”

Em X, Y e Z você pode ter uma ideia de como está a vida, na Globo, para quem deseja ser mais que reprodutor dos interesses da família Marinho.

E finalmente: você só está lendo isso no DCM graças à internet, que arrebentou com o monopólio de informações da Globo e demais companhias jornalísticas.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Blogueiros progressistas do Paraná, unam-se! E venham ao 3o. Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná!

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Com o tema Democracia, Comunicação e Juventude: a luta contra a repressão no Paraná”, acontecerá nos dias 12 e 13 de junho o 3o. Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná (abreviado #3ParanaBlogs), em Curitiba, na sede da APP-Sindicato (Av. Iguaçu, 880).  O evento promove debates no sentido da luta pela democratização dos meios de comunicação e articula a militância digital nos embates em defesa da plena liberdade de expressão, contra todos os tipos de censura, perseguições e opressões.

O Blog NaLuta participa do movimento desde sua criação no I Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas (São Paulo, agosto de 2010) e estará presente a este #3ParanaBlogs.  Convidamos os/as ativistas digitais da UFPR, UTFPR, UNILA e IFPR a participarem deste evento!

Confira a seguir a programação.

12 de junho de 2015 (sexta-feira)

17h - Início da entrega de credenciais aos inscritos

18h - Abertura do evento com autoridades e dirigentes de movimentos sociais

19h - 1ª Mesa: A ofensiva conservadora e o Massacre do Paraná

* A ofensiva conservadora no Brasil
Roberto Requião (Senador da República pelo PMDB, ex-governador do Paraná)

* O Massacre de Curitiba
Tadeu Veneri (Deputado Estadual pelo PT-PR)

* A ofensiva conservadora na América Latina
Doutor Rosinha (Alto Representante-Geral do Mercosul, ex-deputado federal pelo PT)

* A ofensiva conservadora internacional
Ualid Rabah


13 de junho de 2015 (sábado)

09h30 - 2ª Mesa: Democratização dos Meios de Comunicação

- Renata Mielli (Jornalista, Secretária-Geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Diretora do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé)

- Palmério Dória (jornalista e escritor, autor do livro "O Príncipe da Privataria")

14h - 3ª Mesa: Novas estratégias de comunicação e a periferia no Brasil

- Preto Zezé Das Quadras (Presidente da Central Única das Favelas - CUFA Brasil)

16h30 - 4ª Mesa: Comunicação e o Massacre do Centro Cívico

- Márcio Henrique dos Santos (professor ferido no Massacre do Centro Cívico de Curitiba)

- Walkíria Olegário Mazeto (Secretaria Educacional da APP e membro do Comitê 29 de Abril)

18h - Aprovação da Carta do 3º ParanáBlogs

19h - Evento Cultural

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SERVIÇO:
-> Informações e inscrição pelo e-mail paranablogs@blogoosfero.cc

-> Custo da inscrição: R$ 20,00, sendo R$ 10,00 a meia-entrada para estudantes, professores, bicicleteiros e para quem autodeclarar que veio de transporte coletivo.

Curta o Facebook do evento.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Rede Globo é o principal agente da imbecilização da sociedade

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A Rede Globo é o aparelho ideológico mais eficiente que as classes dominantes já construíram no Brasil desde o início do século XX. Substitui perfeitamente a Igreja Católica como instrumento de controle das mentes e do comportamento.

Por Igor Fuser, no Diário da Liberdade(*)

A Globo esteve ao lado de todos os governos de direita, desde o regime militar – no qual se transformou no gigante que é hoje – até Fernando Henrique Cardoso. Serviu caninamente à ditadura, demonizando as forças de esquerda e endossando o discurso ufanista do tipo "Brasil, Ame-o ou Deixe-o" e as versões sabidamente falsas sobre a morte de combatentes da resistência assassinados na tortura e apresentados como caídos em tiroteios. Mais tarde, após o fim da ditadura, alinhou-se no apoio à implantação do neoliberalismo, apresentado como a única forma possível de organizar a economia e a sociedade.

No plano cultural, é impossível medir o imenso prejuízo causado pela Rede Globo, que opera como o principal agente da imbecilização da sociedade brasileira. Começando pelas novelas, seguindo pelos reality shows, pelos programas de auditório, o papel da Globo é sempre o de anestesiar as consciências, bloquear qualquer tipo de reflexão crítica.

A Globo impôs um português brasileiro "standard", que anula o que as culturas regionais têm de mais importante – o sotaque local, a maneira específica de falar de cada região. Pratica ativamente o racismo, ao destinar aos personagens da raça negra papéis secundários e subalternos nas novelas em que os heróis e heroínas são sempre brancos. Os personagens brancos são os únicos que têm personalidade própria, psicologia complexa, os únicos capazes de despertar empatia dos telespectadores, enquanto os negros se limitam a funções de apoio. Aliás, são os únicos que aparecem em cena trabalhando, em qualquer novela, os únicos que se dedicam a labores manuais.

A postura racista da Globo não poupa sequer as crianças, induzidas, há várias gerações, a valorizar a pele branca e os cabelos loiros como o padrão superior de beleza, a partir de programas como o da Xuxa.

O jornalismo da Globo contraria os padrões básicos da ética, ao negar o direito ao contraditório. Só a versão ou ponto de vista do interesse da empresa é que é veiculado. Ocorre nos programas jornalísticos da Globo a manipulação constante dos fatos. As greves, por exemplo, são apresentadas sempre do ponto de vista dos patrões, ou seja, como transtorno ou bagunça, sem que os trabalhadores tenham direito à voz. Os movimentos sociais são caluniados e a violência policial raramente aparece. Ao contrário, procura-se sempre disseminar na sociedade um clima de medo, com uma abordagem exagerada e sensacionalista das questões de segurança pública, a fim de favorecer as falsas soluções de caráter violento e os atores políticos que as defendem.

No plano da política, a Rede Globo tem adotado perante os governos petistas uma conduta de sabotagem permanente, omitindo todos os fatos que possam apresentar uma visão positiva da administração federal, ao mesmo tempo em que as notícias de corrupção são apresentadas, muitas vezes sem a sustentação em provas e evidências, de forma escandalosa, em uma postura de constante denuncismo.

A Globo pratica o monopólio dos meios de comunicação, ao controlar simultaneamente as principais emissoras de TV e rádio em todos os Estados brasileiros juntamente com uma rede de jornais, revistas, emissoras de TV a cabo e portais na internet.

Uma verdadeira democratização das comunicações no Brasil passa, necessariamente, pela adoção de medidas contra a Rede Globo, para que o monopólio seja desmontado e que a sua programação tenha de se submeter a critérios pautados pela ética jornalística, pelo respeito aos direitos humanos e pelo interesse público.
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*Igor Fuser é jornalista e professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC). Via Portal Vermelho.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Já era mesmo tempo de acabar a aliança PT-PMDB

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Durou o que tinha que durar a melancólica aliança entre PT e PMDB na Câmara dos Deputados.  Ela começou a ruir quando Dilma se incomodou com o monumental preço a pagar por ela: não mexer no âmbito da Câmara em nada que ameaçasse velhos e irremovíveis privilégios.

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo em 02/02/2015

E, por extensão, praticar o que existe de mais arcaico e deletério na política: o clientelismo que é a alma, o corpo, o tudo e o nada do PMDB.

Foi uma parceria que não elevou o PMDB e rebaixou o PT.

Cansada do custo de ter o PMDB ao lado, Dilma agiu a partir de determinado momento como alguém que não suporta mais um casamento mas não sabe exatamente como rompê-lo. Foi deixando claro o enfado, o desprezo pelo laço que a prendia — e ao país — a tanto atraso.

Eduardo Cunha aglutinou então, no PMDB, o batalhão dos descontentes e desprezados. O desfecho se deu ontem (01/02).

Não estava escrito, mas desde o princípio estava entendido que o apoio do PMDB a Dilma não seria mantido caso a pauta do governo abrangesse itens essenciais à sobrevida dos peemedebistas, como o financiamento privado das campanhas e a regulação da mídia.

O PMDB não sobrevive sem os milhões de reais que vão dar nele para defender uma agenda conservadora. E a regulação acabaria com o coronelismo eletrônico da elite do partido.

A situação, agora, é curiosa.

As Jornadas de Junho de 2013 mostraram que o país já não suporta o tipo de política representado pelo PMDB.

E a eleição de Eduardo Cunha é a negação do desejo de renovação demonstrado nas manifestações.

Isso leva a uma conclusão: o futuro da agenda política nacional vai ser decidido nas ruas.

Para que o conservadorismo do PMDB não faça o relógio andar para trás, os movimentos sociais vão ter que se mexer.

A militância petista, nestes anos todos de Lula e Dilma, ficou em casa, temerosa de atrapalhá-los.

Agora, os militantes vão ter que tirar o traseiro do sofá – e não apenas para defender causas progressistas.

Trata-se, também, de proteger a democracia e impedir que prosperem ambições golpistas expressas numa palavra sinistra: impeachment.

Foi fácil derrubar Collor porque ele não tinha sustentação nenhuma nem nos partidos e nem na sociedade.

Seria muito mais complicado tentar o mesmo com Dilma – mas isso tem que ficar evidente para quem porventura pretenda enterrar 54 milhões de votos.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Vitória de Eduardo Cunha abre era regressiva na Câmara de Deputados

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Com vitória arrasadora na Câmara Federal, candidato do PMDB é adversário da democratização da mídia, da proibição de financiamento de campanha por empresas privadas e outras medidas progressistas

Paulo Moreira Leite, em seu site

Para entender o alcance da votação de hoje (01/02) na Câmara de Deputados, convém compreender as propostas do candidato vitorioso, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Ao derrotar Arlindo Chinaglia por 267 votos a 136, Eduardo Cunha cravou a vitória em primeiro turno e deu um golpe duro na agenda de medidas progressistas que o país debateu nos últimos anos.

Cunha teve uma vitória arrasadora. Com cinco votos a mais, teria obtido o dobro do apoio obtido pelo petista Chinaglia.

Se o comando da campanha do PT chegou a imaginar uma eleição emparelhada, o resultado mostra uma situação muito mais adversa e difícil. A incapacidade de chegar a um segundo turno mostra o vigor do espírito antigoverno no Congresso.

A reeleição de Renan Calheiros, por uma margem igualmente folgada (49 a 31) sobre Luiz Henrique (PMDB-SC), na disputa pela presidência do Senado, não pode ser desprezada. Mostra que a Casa continua um local de refúgio para o Planalto proteger seus interesses. A votação na Câmara, porém, aponta para um governo de mãos atadas.

Do ponto de vista do cidadão, a vitória de Cunha tira espaço para mudanças essenciais para o país. O novo presidente é adversário absoluto do ponto principal da reforma política, que consiste em proibir financiamento de campanhas eleitorais por parte de empresas privadas. A democratização dos meios de comunicação, que já era um assunto difícil, tornou-se um debate ainda mais complicado, quem sabe inviável. Cunha também é contra qualquer mudança nessa área. Ao fazer menção a Deus e à Sua Vontade durante o discurso em que apresentou sua candidatura, o novo presidente confirmou que irá cultivar a simpatia de correntes evangélicas, que se tornaram a ponta de lança do conservadorismo — no plano do comportamento — no Congresso, a começar pela proteção aos direitos dos homossexuais e a legalização do aborto.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Boletins detonantes...

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Trecho do Boletim "Observatório de Notícias" da ACS-UFPR

Acaba de sair o número de novembro/2014 do Boletim “Observatório de Notícias”, sob responsabilidade da ACS da UFPR. É uma edição que trata exclusivamente de temas do Hospital de Clínicas, como o contrato recém-fechado com a EBSERH e o acordo para preservar os empregos dos trabalhadores da FUNPAR. 

A matéria de capa do Boletim é exatamente o acordo assinado entre Reitoria e Ministério Público do Trabalho para preservar os empregos dos funparianos por até 8 anos, à revelia do contrato assinado entre UFPR e EBSERH (que previa só 12 meses de manutenção), sobre o qual pode se ler neste link.

Contudo, o que chama também atenção é a cacetada sem dó na Diretoria do Sinditest. Esse tom crítico contra a Diretoria PSTUísta perpassa vários trechos do Boletim da Reitoria. No texto de rodapé da página 4 é que a porrada fica explícita, como se vê na figura acima decalcada do Boletim: “Sindicato prejudicou trabalhadores”, que trata da má condução do ACT-FUNPAR/2014 dada pela direção sindical ultraesquerdista.

Reitoria e Diretoria sindical estão em guerra há já um bom tempo, e muitos lances dessa contenda nem sempre beneficiam os TAE. 

Depois das cacetadas desse Boletim do reitor, com certeza irá a Diretoria do Sinditest queixar-se ao bispo de tamanho ataque num Boletim institucional. A ironia é que essa Diretoria pratica o mesmo tipo de ataque, com mentiras e injúrias, em seus órgãos de comunicação contra opositores da base da categoria, sem dó, e sem dar direito de resposta. 

Tal como se viu, com ataques despropositados e mentirosos contra o editor deste Blog (e outros opositores) no último “Boletim Especial” do Sinditest relativo ao “Congreço” farsante encenado no começo de novembro.

Quer dizer: Reitoria e Diretoria sindical do PSTU se merecem mesmo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O que pode - e deve - vir depois da capa da Veja

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Quando soube da capa da Veja, me ocorreu uma passagem que, algum tempo atrás, testemunhei em Londres. Os tabloides foram avançando cada vez mais em métodos indignos, desonestos e criminosos na busca de furos – e com eles leitores e anunciantes. Até que se soube que um tabloide de Murdoch, o News of the World, invadira a caixa postal de uma garota de treze anos sequestrada e morta.

Por Paulo Nogueira, no site Diário do Centro do Mundo

Acabou ali a festa.

Em menos de uma semana, em meio a uma torrencial comoção espalhada entre os britânicos, o centenário News of the World estava fechado.

Logo, repórteres, editores e altos executivos de empresas jornalísticas delinquentes começaram a ser investigados, processados e, em muitos casos, presos.

Não demorou muito e se estabeleceu um consenso na sociedade britânica: a imprensa tinha que ser submetida a novas regras. O regime de auto-regulação, como mostrou espetacularmente o caso do News of the World, fracassara.

Agora, os arranjos finais das novas regras estão em debate. Os tabloides nunca mais voltaram a fazer o que faziam impunemente.

Enxergo no jornal de Murdoch na cobertura do sequestro e morte da garota inglesa a Veja nesta capa às vésperas das eleições.

Certas passagens trágicas, e este é o lado positivo delas, têm o poder de transformar coisas ruins que de algum modo vão se acumulando.

Uma hora um limite é rompido – e a opinião pública berra um basta do qual não existe retorno.

A Veja não vai deixar de circular imediatamente como o News of the World.

Mas, como ficou claro na reação de Dilma, uma história de muitos anos acabou com a capa desta sexta e outra história só não vai se iniciar caso Aécio vença.

O que chegará ao fim, se Dilma ganhar, é um pacto não escrito entre a imprensa e sucessivos governos.

Este pacto estabelece, basicamente, o seguinte. A mídia dá uma cobertura amiga. Não investiga corrupção, por exemplo. Projeta uma imagem de bem-aventurança generalizada. Protege o poder.

Em troca, as grandes empresas recebem dinheiro público em doses avassaladoras. É publicidade, é compra de livros didáticos, é aquisição de lotes de revistas, é financiamento facilitado em bancos públicos.

É, enfim, uma coleção interminável de mamatas que levaram os donos das empresas a terem algumas das maiores fortunas do país.

Com FHC, o pacto funcionou esplendidamente. Tanto que a compra de votos para a emenda da reeleição jamais foi investigada com seriedade.


Os problemas começaram com Lula.

É curioso notar que a ruptura do pacto foi unilateral: partiu da imprensa. Talvez em dose não tão grande, mas ainda assim absurdamente elevada, a bilionária publicidade governamental continuou a fluir para as maiores companhias jornalísticas.

A Globo, como passamos a saber depois que a Secom decidiu divulgar seus gastos, recebe anualmente 600 milhões de reais em verbas publicitárias federais.

Quando você acrescenta a aquilo tudo recursos de governos estaduais e municipais, não é exagero dizer que as grandes empresas de mídia são virtualmente financiadas com dinheiro público.

A novidade que surgiu na era PT é que a mídia descobriu que poderia continuar a mamar sem dar as contrapartidas que sempre ofereceu aos governos amigos.

Foi então que começaram a brotar colunistas dedicados exclusivamente a atacar Lula em todas as mídias: jornais, revistas, rádios, televisão, internet.

Para a mídia, era o melhor dos mundos. O que era uma guerra fria no começo se tornou logo um batalha aberta. Não raro, denúncias sem nenhum fundamento passaram a ser publicadas como se fossem verdades indiscutíveis.

Colaborou para isso a Justiça brasileira, complacente com os crimes da imprensa, ao contrário do que ocorre em sociedades avançadas.

E o melhor, para as grandes empresas: ao mesmo tempo em que atacavam ferozmente o governo, sempre recolheram, no final de cada mês, o Mensalão das verbas publicitárias desse mesmo governo.

Para a sociedade, esse esquema é uma calamidade. É como se ela mesma pagasse para ser enganada e manipulada por jornais e revistas.

O objetivo é perpetuar um situação em que uns poucos – a começar pelos donos da mídia – tenham privilégios assombrosos. Você não consegue entender a desigualdade brasileira se não entender este pacto entre mídia e governos.

Por que o PT não rompeu um contrato tão sinistro para o país?

Esta é uma grande pergunta.

Numa visão benévola, defendida por alguns petistas, por “republicanismo” – expresso numa expressão de consequências funestas para os brasileiros: “mídia técnica”. É como se a mensagem fosse a seguinte: “Sou tão correto que encho a Globo de dinheiro mesmo sabendo que esse dinheiro vai dar em Mervais, Jabores, Sardenbergs etc.”

Numa visão menos benévola, por medo. Por insegurança. Por temer que a retaliação dos barões da imprensa.

Deu no que deu: nesta capa da Veja.

Se essa capa representar o fim de um pacto tenebroso para os brasileiros, teremos, paradoxalmente, que ser gratos a ela.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A guerrilha das mídias alternativas

Um comentário:
Já há consenso nas esquerdas políticas e sociais brasileiras de que a mídia privada, controlada por meia dúzia de famílias, manipula informações e deforma valores. Ela atua como “aparelho privado de hegemonia do capital”, conforme a clássica definição de Antonio Gramsci. 

Por Altamiro Borges, em seu Blog

Ainda segundo o intelectual italiano, ela cumpre o papel de autêntico partido das forças da direita. Esta postura, que atenta contra a democracia, hoje é ainda mais agressiva. Como confessou recentemente Judith Brito, ex-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do Grupo Folha, a velha mídia adota a “posição oposicionista” diante do governo Dilma, já que a “oposição está fragilizada”. Não é para menos ela também passou a ser rotulada de “PIG – Partido da Imprensa Golpista”, a partir de uma ironia difundida pelo irreverente blogueiro Paulo Henrique Amorim.

Diante desse poder ditatorial, inúmeros atores sociais já perceberam que têm dois desafios simultâneos e titânicos pela frente. O primeiro é o de quebrar a força deste exército regular das classes dominantes. Daí a urgência da luta pelo novo marco regulatório do setor, que hoje se expressa na campanha liderada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) de coleta de 1,4 milhão de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) da mídia democrática. O segundo é o de multiplicar e fortalecer os veículos próprios de comunicação das forças populares, construindo uma mídia contra-hegemônica que se contraponha às manipulações do poderoso PIG. Estes instrumentos atuam como uma guerrilha no enfrentamento ao exército regular dos impérios midiáticos, numa prolongada operação de cerco e fustigamento.

A história do Brasil está repleta de ricas experiências de construção desta “imprensa alternativa” – desde os anarquistas, no início do século XX, passando pelos comunistas durante várias décadas, até chegar à heroica fase do jornalismo de resistência à ditadura militar. Na fase recente, estas iniciativas se multiplicaram, conectaram-se com as novas tecnologias e adquiriram novo impulso. Elas ainda não conseguiram se constituir em fortes veículos nacionais contra-hegemônicos, como já ocorre em outros países da rebelde América Latina. Mesmo dispersos, porém, estes veículos promovem a guerrilha informativa e incomodam os barões da mídia. O texto a seguir trata de quatro destas experiências, que não são as únicas: a imprensa sindical, a TV dos Trabalhadores, o movimento dos “blogueiros progressistas” e os novos coletivos de ativistas digitais.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Copa: mídia de direita e ultraesquerda insana perderam

2 comentários:
O jornalista Luis Nassif publicou no site GGN matéria em que constata a derrota do discurso catastrofista praticado por todos os veículos da grande mídia monopolista sobre a Copa do Mundo no Brasil. E acrescentamos: discurso antiCopa gostosamente abraçado por partidos da ultraesquerda como PSTU e PSol. 

Diz Nassif:

“Já se tem o resultado parcial da Copa: reconhecimento geral - da imprensa nacional e internacional - que é uma Copa bem organizada, com estádios de futebol excepcionais, aeroportos eficientes, sistemas de segurança adequados, logística bem estruturada e a inigualável hospitalidade do povo brasileiro. Vários jornais (internacionais) já a reconhecem como a maior Copa da história.”

Até a diretoria PSTUista do Sinditest, em sua última assembleia, aquela que votou em 24/6 o final formal de uma greve já acabada, indiretamente reconheceu isso e também não poder mais usar a categoria como massa de manobra para atos antiCopa, quando marcou a próxima assembleia sindical somente para depois de terminada a Copa... 

E a candidata do PSol à Presidência da República, em entrevista ao Portal UOL, disse que não se devia mais chamar protestos durante a Copa, de modo artificial. Viva! Bem-vinda ela de volta à Terra.

Nassif explica uma parte do processo de sabotagem, pela mídia, dos preparativos da Copa do Mundo:

“Antes da hora, é fácil afirmar que um estádio não vai ficar pronto, que um aeroporto não dará conta do movimento, que epidemias de dengue (no inverno) atingirão a todos, que os turistas serão assaltados e mortos. Fácil porque são apostas, que não têm como ser conferidas antecipadamente.

Quando o senhor fato se apresenta, todos esses factoides viram pó.

A boa organização da Copa não é uma vitória individual do governo ou da presidente Dilma Rousseff. É de milhares de pessoas, técnicos federais, estaduais e municipais, consultores, membros dos diversos poderes, especialistas em segurança, trânsito, empresas de engenharia, companhias de turismo, hotelaria.

E tudo isso foi jogado no lixo por grupos de mídia, justamente os maiores beneficiários. Eram eles o foco principal de campanhas publicitárias bilionárias, sem terem investido um centavo nas obras. Pelo contrário, jogando diuturnamente contra o sucesso da competição e contra qualquer sentimento de autoestima nacional.”

O que registramos, com pesar, é ter visto ativistas do movimento sindical, como os dirigentes da fracassada greve nacional na UFPR, repetindo feito papagaios esse mesmo pensamento fabricado nos esgotos da grande mídia brasileira. Em panfletos, em faixas, em assembleias. Tomara que pessoas e militantes que embarcaram nessa insanidade, mas ainda mantem os pés no chão e a cabeça aberta, consigam fazer sua autocrítica e necessária correção de rumo. Uma das coisas que atesta a seriedade de um militante ou de um partido político é sua capacidade de reconhecer abertamente que errou, em vez de se encastelar na torre de marfim da autossuficiência arrogante.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Caçando blogueiros

Um comentário:
Quem impede o debate sobre a democratização dos meios de comunicação força o jogo na sombra de verbas públicas

Por Paulo Moreira Leita, no site da IstoÉ

Vamos falar da substância das coisas. A caçada a blogueiros simpáticos às conquistas criadas no país depois da posse de Lula, em 2003, iniciada com a investigação sobre um suposto “bunker” do PT na prefeitura de Guarulhos, deve ser visto como aquilo que é.

Uma tentativa autoritária de silenciar vozes que divergem do monopólio político da mídia.

Sei que essa frase parece panfleto esquerdista mas não é.

Num país onde 141 milhões de eleitores foram transformados em reserva de mercado de uma midia monopolizada pelo pensamento conservador, a internet tornou-se um espaço de resistência de uma sociedade contraditória e diversificada. Todo mundo – direita, esquerda, centro, nada, tudo, xixi, cocô – está ali. 

Vamos combinar. Hipocrisia demais não funciona. Truculência também não. 

Até para ter um pouco de credibilidade, sem traços claros de ação eleitoral, a denúncia contra bloqueiros deveria ser acompanhada pela exposição pública da contabilidade dos grupos de mídia que loteiam cada minuto de sua programação e cada centímetro quadrado de suas páginas com milionárias verbas de publicidade federal, estatual, municipal – sem falar em empresas estatais.

Estamos falando de serviços de mendicância publicitária, de caráter milionário.

Seguido o método empregado em Guarulhos, seria didático exibir cada cifrão ao lado de cada pacotão de texto e fotos, concorda? Teriamos bom circo por meses e meses. 

Tentar criminalizar blogueiros pela denuncia de gastos públicos – uns caraminguás, pelos padrões de mercado -- é um esforço que apenas trái uma visão contrária à liberdade de imprensa, típica de quem não aceita diversidade nem contraponto, mas apenas elogios e submissão. É o pensamento único em método linha dura e capa de falso moralismo. Apesar do escândalo, é uma denuncia verbal-investigativa. Nada se provou de ilegal. 

Nós sabemos qual é a questão de fundo.

Enquanto não se aceitar o debate sobre democratização dos meios de comunicação, que poderia permitir uma discussão pública, às claras, expondo imensos interesses econômico e politicos em conflito, como se fez em vários países avançados do capitalismo, o jogo nas sombras será inevitável. Isso porque as pessoas precisam receber informações, falar, conversar, dar opiniões. Elas concordam, discordam, rejeitam e querem mais.

Não adianta adiar a chegada de um novo grau de democracia e civilização. Ela transborda. Na agonia do regime de 1964, quando a imprensa amiga dos generais chegava a proteger a ditadura por todos os meios -- inclusive derrotas eleitorais eram transformadas em vitória -- os governadores de oposição financiavam nova publicações, sem ranço e sem compromentimento. Enquanto isso, até jornais alternativos, de faturamento menor do que a quitanda da esquina, eram alvo de uma devassa permanente por parte da ditadura. Empresários privados eram pressionados a saber quem ajudar -- e a quem negar ajuda. 

Aparelhismo? 

Os últimos anos mostraram – e os blogueiros expressam isso -- que o país não cabe nos limites mentais, políticos, culturais, do ideário conservador. Quer mais, quer diferente e por três vezes disse isso nas urnas. A internet e os blogueiros expressam isso. Têm este direito. 

Alguma dúvida?   Este é o debate.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Esse dinheiro tirado da Saúde que foi todo pra Copa... tsc, tsc

2 comentários:
O gráfico acima mostra como os governos Lula e Dilma tiraram dinheiro da Saúde (Ministério) e botaram tudo na Copa, certo?  Em 2003, o orçamento deixado por FHC foi de R$31,2 bilhões. Dez anos depois, esse orçamento "só" aumentou em 3,4 vezes, indo a 106 bilhões para 2014 (e ainda teria aquela receitinha besta de R$40 bilhões/ano a mais,  da CPMF, não fosse ela extinta pela turma da direita do PSDB/DEM/PPS, com ajuda de Heloísa Helena, no Congresso em 2005).

O custo de todos os 12 estádios da Copa de 2014 é de R$8 bilhões, todos eles na forma de empréstimos - não de investimentos públicos - do BNDES, portanto, dinheiro a ser devolvido ao banco estatal nos prazos contratuais.

Mas quem só quer reclamar, quem se deixa levar pelas mentiras, calúnias e confusões criadas pela mídia monopolista (de direita), não quer saber desses números, não é mesmo? Pois só quer reclamar e dar uma de papagaio gratuito da direita.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Projeto sobre Direito de Resposta é fundamental para democratizar mídia

Um comentário:
Tema de fundamental importância para a democratização da comunicação no país, de acordo com a deputada Luciana Santos (PCdoB-PE; foto), o direito de resposta volta a ser debatido na Câmara, em forma de Projeto de Lei, na próxima semana [12-16/05]. A relatora do PL afirma que a ala favorável à aprovação é maioria e quer a votação ainda antes do recesso para a Copa do Mundo.

Por Felipe Bianchi, no site Barão de Itararé

O chamado PL do Direito de Resposta (6.446/2013), de autoria do senador Roberto Requião (PDMB-PR), garante voz a todo cidadão que se sinta ofendido – injuriado, caluniado ou difamado – por veículos de comunicação. O texto assegura, ao ofendido, o direito de se manifestar na mesma periodicidade, dimensão e intensidade, ou seja, proporcionalmente à agressão sofrida.

Para Luciana Santos, trata-se de um “direito básico do cidadão”, inclusive, “garantido pela Constituição”. “A luta para aprovar o direito de resposta”, argumenta a deputada, “vem desde 1967, quando a Lei de Imprensa deixou uma lacuna a ser preenchida em relação a um direito essencial para a democracia na mídia”.

Conforme ela relata, há duas emendas que prejudicam a aprovação do PL, de autoria do DEM e do PP. “As emendas preveem as possibilidades de efeito suspensivo do direito de resposta através de ordem judicial”, explica. Na avaliação da deputada, isso ocasionaria uma guerra jurídica perpétua e desigual, tanto pelo fato de que os casos flutuariam por tempo indeterminado na Justiça quanto pela disparidade entre o aparato jurídico dos grandes meios de comunicação e a grande maioria da população.

Outro ponto destacado por ela diz respeito a uma articulação deste grupo para propor, também, a retirada de um parágrafo relacionado aos serviços de rádio e TV: a proposta é que, nestes veículos, não será o ofendido que dará a resposta, mas um terceiro – por exemplo, um jornalista. “Não aceitaremos isto”, avisa a relatora.

Como a maioria na Câmara quer a aprovação do PL, ela promete insistência para que a votação ocorra antes do recesso da Copa, mas não garante que será possível. Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara, justificou o adiamento da votação justamente para dar tempo a um possível acordo em relação ao texto final.


Direito de resposta, mídia democrática
A deputada destacou a importância da aprovação do PL do Direito de Resposta para a luta pela democratização da comunicação no país. De acordo com ela, “será um passo importante sob a perspectiva da democracia e do combate ao monopólio informativo”.

A comunicação é um direito humano. A informação forma conceitos, reflete comportamentos e influencia tomadas de decisões", avalia. "Estamos cansados de tanta manipulação escancarada. A imprensa tem dono e os veículos impõem o pensamento e as opiniões de seus proprietários”.

A Lei da Mídia Democrática – alcunha para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular lançado por entidades do movimento social – foi lembrada pela deputada: “Uma mídia democrática, afinada com nossa Constituição, deveria, por exemplo, respeitar a complementaridade entre os sistemas privado, público e estatal de comunicação. A Lei da Mídia Democrática, na minha compreensão, reflete essa visão de uma mídia plural para nosso país”.

Renata Mielli, secretária-geral do Barão de Itararé e do Fórum Nacional pela Democratizaçao da Comunicação (FNDC) – este último responsável pela elaboração do Projeto de Lei de Iniciativa Popular –, acrescenta que o direito de resposta é um dispositivo indispensável para a garantia da liberdade de expressão, “principalmente de pessoas e grupos que têm sido sistematicamente atacados e criminalizados pelas grandes corporações da mídia”.

Segundo ela, a sociedade brasileira tem testemunhado diversos episódios “preocupantes” protagonizados por estes grandes grupos econômicos que “estampam manchetes destruindo reputações e condenando sem provas”. “O direito de resposta”, defende, “apesar de previsto constitucionalmente, sofre da ausência de regulação e, portanto, não há parâmetros que assegurem sua vigência. Por isso a importância do Projeto em discussão na Câmara”.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Revista Placar e a naturalização do feminicídio no Brasil

3 comentários:
Placar deste mês trouxe na capa o goleiro Bruno, acusado e condenado pela morte de Eliza Samudio. O curioso é a edição estar defendendo o jogador, com cara de vítima, a manchete diz “Me deixem jogar”. A principal matéria da revista conta o cotidiano de Bruno na prisão onde ele afirma que não tem privilégios por ser jogador.

Por Mariana Serafini, no Portal Vermelho

A matéria causou revolta na internet e rapidamente grupos de ativistas feministas se mobilizaram. Uma “sugestão de capa” foi criada por Cynthia Beltrão e Rosiane Pacheco onde o destaque é para Eliza Samúdio, e a suposta manchete diz “Eu queria ter visto meu filho crescer”. O protesto criativo repercutiu positivamente nas redes sociais. 

Para Elza Campos, coordenadora nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM), o que a revista Placar fez, ao trazer o goleiro Bruno na capa como uma vítima, foi legitimar a violência contra a mulher. Segundo ela, isso não causa necessariamente espanto porque é uma atitude repercutida diariamente pela grande imprensa, que constantemente inverte os valores ao vitimizar o criminoso e culpabilizar a vítima. 

A capa da Placar causa constrangimento às vítimas, principalmente constrangimento moral. Isso é reflexo de uma sociedade com pensamento patriarcal dominante onde as mulheres são culpabilizadas pela violência sofrida”, afirma Elza. 

Elza alerta para o público ao qual a revista é destinada. “A Placar tem um papel importante junto aos homens que leem a revista. O que ela fez foi reforçar a violência simbólica”. 

Para Elza, a emancipação, o empoderamento, e a libertação humana da mulher estão diretamente ligados ao debate em torno da democratização da mídia: “como trabalhamos estas questões se a mídia tem o poder de repassar o que ela quer e não necessariamente o que diz respeito à vida de milhares de mulheres trabalhadoras?”, questiona. 

Ela classifica como grave a imprensa naturalizar o feminicídio da forma como a revista Placar fez ao mostrar o goleiro Bruno na capa. A violência contra a mulher é uma questão latente e que, apesar das mobilizações de entidades e do próprio governo federal em defesa das mulheres, parece só aumentar. Entre 1980 e 2010, mais de 92 mil mulheres foram assassinadas. Destas, 43,7 mil na última década. Em dez anos, a violência contra a mulher praticamente dobrou; em 2010, uma mulher era vítima de homicídio a cada 1 hora e 57 minutos, enquanto em 2001 a média era de 2 horas e 15 minutos. 

O blog Blogueiras Feministas também publicou um artigo em repúdio à revista. “A capa da Placar com Bruno faz parte da normalidade de um país no qual quase metade dos homicídios de mulheres são cometidos por pessoas próximas, geralmente marido, namorado, amigo, filho, pai. A outra metade das mortes não é suficientemente estudada, como se a violência contra o gênero feminino fosse mais grave somente quando recebe o carimbo da ‘violência doméstica’”, diz a nota.


Relembre o caso
Em 2010 o goleiro Bruno Fernandes, ex-jogador do Flamengo, foi condenado há 22 anos de prisão, acusado como responsável pela morte de Eliza Samudio, a modelo de 25 anos com quem teve um filho em um relacionamento extraconjugal. Desde então ele cumpre a pena na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, Minas Gerais. 

Segundo a polícia, o crime foi cometido porque Bruno não queria reconhecer a paternidade da criança. Ele foi julgado junto com quatro cúmplices que foram condenados a 15 anos de reclusão, cada um.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Globo desaba fantasticamente

Um comentário:
13% num ano. 30% em dez anos … Melhor subir a escadaria da Penha !

Por Paulo Henrique Amorim, no site Conversa Afiada

Saiu no “Outro Canal”, da Folha SP (outra que desaba…), de Keila Jimenez:

“Globo perde público rápido e se aproxima da Record”

Só a Copa pode salvar a Globo, que perde audiência “vertiginosamente”, diz a Keila!

(Aqui pra nós, amigo navegante, se o destino dos filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – está nas mãos do Galvão, melhor subir a escadaria da Penha… E isso tudo sem mostrar o DARF).

(Clique aqui para ler “o PT deve uma Ley de Medios ao Brasil”.)

A Globo deve encerrar abril com média diária de 13 pontos.

Contra 13,6 de março.

A diferença entre ela e a Record nunca foi tão pequena.

A Record tem 6,6 e o SBT, 5,5.

“A líder não consegue estancar a fuga de Globope anual, perdendo cerca de 13% de audiência nos últimos doze meses”

13% em doze meses.


Não fosse uma empresa para-estatal, que vive de BV, já tinha caído todo mundo: dos filhos do Roberto Marinho ao Gilberto Freire com “ï”.

A última do “i” foi o desastre retumbante do “relançamento” do Fantástico:

“Mudança na forma não melhora o Fantástico – recauchutado, o programa marcou 17,7 pontos de audiência, abaixo da média alcançada este ano”, diz Mauricio Stycer, na “Crítica – Televisão”, da mesma Folha.

Será que o Globope resolveu “acertar a margem de erro”, logo agora que o instituto alemão de pesquisa está para chegar ?

Qualquer dia desses um dos filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – vai culpar o Globope…

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Mais uma tentativa de assassinato de reputação

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Manchete insidiosa de "O Globo" na matéria contra Blogueiros

Os blogueiros sujos resistiram firmemente a mais uma tentativa de assassinato de reputação. Esta, aparentemente coordenada internamente nas Organizações Globo.

Por Luiz Carlos Azenha, no site Viomundo

Quem é leitor diário da blogosfera pode abandonar a leitura aqui, já que este artigo é para os milhares de novos leitores que nos procuram, segundos estatísticas de nossa audiência, em função de recentes — e falsas — acusações, que envolvem também o nome do Viomundo.

Os que acompanham mais de perto a disputa judicial entre o bravo blogueiro Luís Nassif e a revista Veja, da Editora Abril, da família Civita, sabem exatamente do que estou falando. Nassif teve a coragem de denunciar as falcatruas da revista em sua série sobre os métodos da publicação. O trabalho de Nassif foi confirmado mais tarde, quando a Polícia Federal desmontou a associação entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres e aliados. Eles entregavam suas “produções” jornalísticas de bastidores, contra adversários, para a publicação da Abril.

As armações tinham o objetivo clássico da mídia empresarial brasileira: o “assassinato de reputação” com objetivos políticos, ideológicos ou comerciais. Tirar vantagem enfraquecendo os outros com denúncias falsas ou artificialmente turbinadas.

Ao deixar a TV Globo, mais tarde, em 2006, o hoje blogueiro Rodrigo Vianna, do Escrevinhador, teve a coragem de fazer o mesmo: denunciar publicamente a emissora. Foi dado por alguns como doido. Porém, abriu os olhos de uma pequena parcela da opinião pública e hoje há, sem medo de errar, dezenas de milhares de brasileiros capazes de identificar com clareza os métodos da cobertura política global, que foram modulados para evitar os casos de manipulação mais evidente — hoje rapidamente denunciáveis — e trabalhar a pauta do que é ou, principalmente, não é oferecido aos leitores, ouvintes e telespectadores das Organizações Globo, dando ênfase às notícias que interessam e escondendo as que não interessam.

Este é hoje o principal motivo de os blogueiros terem se tornado, eles próprios, alvos de contínuas tentativas de “assassinato de reputação” ou “destruição de caráter”.

Eles rompem o tabu dos assuntos proibidos, muitos dos quais envolvem as próprias empresas de mídia, o que ficou bem nítido no recente aniversário de 50 anos do golpe de 1964, por exemplo, aqui e aqui.

Se você é um jovem leitor ou chegou recentemente a este espaço, calma! Sabemos que há muitas novidades para você no que escrevo. Despreocupe-se. Vá seguindo os links e acumulando informação. Eventualmente, você vai se dar conta do que lerá, verá e ouvirá repetidamente na blogosfera: a grande mídia tem lado, apesar de se dizer “neutra”, “isenta” e “imparcial”.

O lado dela ficou claro no golpe que instalou a ditadura militar em 1964. Com raríssimas exceções, que pagaram caro por isso, a mídia apoiou os golpistas que agiram com ajuda material dos Estados Unidos e censuraram, torturaram, mataram e sumiram com os corpos de adversários. Alguns dos donos da mídia se envolveram diretamente na articulação golpista; outros deram publicidade ou apoio material a ações específicas da ditadura; muitos lucraram enormemente durante o período.

São, grosseiramente, os mesmos que sempre se opuseram a governos de caráter trabalhista ou popular, que chamam de “populistas”. Os mesmos que apoiam, sempre, governos elitistas voltados acima de tudo para o lucro das elites, sem que uma migalha sequer seja concedida aos de baixo, aos mais pobres, aos assalariados.

Entendeu agora o motivo de nos detonarem?

A ocasião mais recente foi a entrevista do ex-presidente Lula a blogueiros de esquerda, ou “progressistas”, por apoiarem uma série de medidas políticas e econômicas que representariam progresso social e material para os trabalhadores, os assalariados, os mais pobres — como o Bolsa Família, as cotas para negros e sociais nas universidades, o Sistema Único de Saúde.

Como jornalista com mais de 40 anos de experiência, sendo pelo menos 30 em emissoras de televisão, sustento que uma entrevista vale pelas notícias que produz. No caso de que tratamos aqui, a entrevista de Lula produziu numerosas manchetes, inclusive em toda a chamada mídia corporativa, ou seja, ligada ou defensora dos interesses das corporações que a patrocinam.

Lula falou de todos os assuntos relevantes daquele momento: as denúncias contra o deputado André Vargas, contra a Petrobras, a campanha para que ele seja candidato a presidente em 2014, os rumos da economia no governo Dilma, a Copa do Mundo, os protestos na rua do Brasil, a lei antiterrorismo, o financiamento da saúde pública, etc.

Ou seja, os entrevistadores atingiram seu objetivo sem usar grosserias, sem ofensas e sem embarcar no que chamamos de “antipetismo” movido pelo ódio. É um sentimento promovido por adversários políticos do PT, que querem negar direito de existência ao partido de Lula da mesma forma que os golpistas de 1964 negavam existência política a seus adversários. Depois do golpe, mesmo políticos que apoiaram a derrubada de João Goulart foram “extirpados” pelo militares, como o direitista Carlos Lacerda, que perdeu o direito de se candidatar.

Entenderam o paralelo entre os ditadores do passado e os “ditadores” de hoje? De formas distintas, tentam atingir os mesmos objetivos: negar o direito de expressão e organização àqueles dos quais discordam.

É nessa categoria que, em 2014, se encaixam os blogueiros, nove dos quais participaram da entrevista com o ex-presidente Lula. Para a mídia corporativa, são não-pessoas. A eles são negadas a individualidade, as características pessoais, os saberes específicos.

Você já andou por aí na blogosfera? Viu como concordamos em algumas coisas e discordamos em muitas? O Viomundo, por exemplo, apoia todas as manifestações de rua, inclusive as que estão sendo organizadas para o período da Copa do Mundo. O Eduardo Guimarães, do blog da Cidadania – para dar apenas um exemplo, discorda. Isso não nos impede de conviver democraticamente, ainda que expressando posições claramente distintas.

Não concordo com a postura do Eduardo em muitos outros pontos, porém defendo que ele participe, sim, de entrevistas com autoridades e políticos. Desde quando se convenciou que estas atividades devem ser exclusivas de jornalistas? Como representante comercial, exportador de autopeças e fã do Lula, o blogueiro não deixa de expressar o que pensa parte da opinião pública brasileira em relação ao ex-presidente.

Por outro lado, estavam presentes na mesma entrevista jornalistas com grande experiência, como a Conceição Lemes, deste site, com 33 anos de carreira. O que houve de errado com a pergunta que ela fez ao Lula sobre o financiamento da saúde pública? Lula culpou a extinção do imposto de cheque, promovida pelos adversários dele, pela falta de dinheiro para financiar o SUS. Acho que foi uma boa pergunta e que cabe ao leitor/ouvinte/telespectador decidir se concorda ou não com o ex-presidente.

Porém, os que negam direito de existência aos blogueiros no mundo da informação apagam a individualidade de cada um e o pluralismo da blogosfera, apelando para rótulos e acusações infundadas: seriam todos financiados pelo governo, hipnotizados por Lula ou defensores pagos do PT. Em uma palavra, “vendidos”.

Enfatizo: condenar “antipetismo” irracional não é o mesmo que ser petista. Não somos. Quer ler críticas ao PT/governos Lula e Dilma neste site? Comece por aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui.

Minha sugestão? Frequente os blogs abaixo citados. Com o tempo, baseando-se na sua leitura e não no que dizem para você, estou certo de que você perceberá as nuances, as diferenças que existem entre todos eles, indistintamente: Blog do Miro, Cafezinho, Sul 21, Carta Maior, Escrevinhador, Tijolaço, Blog da Cidadania, Diário do Centro do Mundo (há muitos outros, mas estes estavam representados na entrevista).

Estou certo de que, ao fazer isso, você vai encontrar uma pluralidade de opiniões que não vê na chamada mídia corporativa!

Quando no título deste texto, falei em “assassinato de reputação”, é por acreditar que as críticas feitas aos blogueiros nas Organizações Globo tinham este objetivo.

Primeiro, na rádio CBN, que pertence às Organizações Globo, em rede nacional, o âncora Carlos Alberto Sardenberg (o mesmo do Jornal da Globo, na TV) e o comentarista Merval Pereira (o mesmo do jornal O Globo, do Rio) sugeriram que os blogueiros que participaram da entrevista com Lula eram “vendidos”.

Depois, o jornal O Globo, do mesmo grupo, onde escreve Merval, pretendeu fazer uma “investigação” sobre quem eram os entrevistadores. Coincidência, não?

O método foi o mesmo utilizado na primeira entrevista de Lula a blogueiros, quando ainda estava na presidência da República, em 2009. Naquela ocasião, o jornal O Globo estampou, junto com uma foto de Lula com os entrevistadores, o título “Lula recebe Cloaca e outros amigos no Planalto”. Cloaca é um blogueiro do Rio Grande do Sul, que não participou da entrevista de 2014 e a cloaca a que ele se refere ao nomear seu blog é a mídia representada pelos grupos Folha-Abril-Globo-Estadão, ou seja, a mídia conservadora, de direita, que faz propaganda dos interesses da elite brasileira.

O Globo negou, então, credibilidade à entrevista. Agora, faz o mesmo usando métodos parecidos. Também usou uma foto dos blogueiros ao lado de Lula. E tascou, baseado em uma única declaração (a que aparece entre aspas), de um dos nove presentes: Café e bolotas de queijo, Conversa de Amigo; ‘Ninguém teve a intenção de ser isento’, Conversa de Camaradas.

É algo comum no jornalismo acusatório: tomar a parte pelo todo. Pega a opinião de um, destaca e com isso tenta desqualificar o todo.

Porém, onde foram publicadas as críticas específicas de O Globo às perguntas feitas pelos blogueiros? Quais as impropriedades jornalísticas cometidas durante a entrevista? Faltou notícia na entrevista de Lula?

A resposta, como as manchetes dos dias subsequentes na mídia corporativa deixaram claro: Não!

O que Lula antecipou aos blogueiros, inclusive, começou a acontecer: Dilma assumiu a defesa da Petrobras e anunciou ajustes futuros na economia brasileira. Tudo isso apenas confirma a relevância da entrevista em si.

Como jornalista com ampla experiência, percebi que O Globo montava uma armadilha para os blogueiros ao ler as perguntas endereçadas à Conceição Lemes. Se a entrevistadora do Viomundo não tivesse formação de jornalista ou não tivesse currículo, a inexperiência para enfrentar uma raposa politica como Lula seria destacada. Se tivesse tido qualquer despesa paga pelo Instituto Lula para ir até a entrevista, seria mencionada por isso. Seriam formas de desqualificar o trabalho de Conceição, já que o Viomundo não recebe propaganda oficial, seja de governos federal, estaduais ou municipais, seja de empresas públicas/estatatais — incluindo aí o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Fazemos isso porque batalhamos pela extinção de tais gastos públicos, a não ser em casos de estrita necessidade, como campanhas de vacinação, para que o dinheiro seja aplicado em creches, hospitais e salários de funcionários públicos, não necessariamente nesta ordem. Quando governador do Paraná, o hoje senador Roberto Requião, do PMDB, fez isso e deu muito certo.

Finalmente, acrescento minha própria experiência como vítima de tentativa de assassinato de reputação, obviamente mal sucedida, caso contrário você não teria vindo ler o Viomundo.

Foi na campanha eleitoral de 2010, quando eu já havia pedido a extinção antecipada de meu contrato com a TV Globo.

Na ocasião, o jornal O Globo envolveu meu nome de forma infundada numa falsa denúncia contra a TV Brasil, que havia prorrogado — dentro de todas as normas legais — um contrato com a produtora Baboon, de São Paulo, que produzia o programa Nova África depois de ter ganho uma concorrência pública. Que eu saiba, foi o primeiro e único programa de TV no Brasil que foi resultado de uma concorrência pública!

Eu era empregado da Baboon, assalariado, para cumprir função em minha área de especialidade! No entanto, O Globo juntou meu nome com a cifra milionária de um contrato do qual eu não era parte e não tinha assinado — não sendo dono, nem sócio, nem gerente da Baboon, que pertence aos empresários Henry Ajl e Markus Bruno.

Viu como funciona? O Globo juntou meu nome com um valor milionário que nunca recebi e conseguiu produzir uma falsa denúncia contra um jornalista assalariado de uma produtora que havia ganho uma concorrência pública! No entanto, foi tudo tão transparente que, subsequentemente, a Baboon se classificou para disputar uma segunda concorrência e perdeu, ocasião em que o blogueiro Reinaldo Azevedo voltou a usar meu nome para me acusar… de perder a concorrência!

É assim que a direita age, entendeu?

Se você ficou curioso sobre o programa, clique aqui.

Portanto, expresso aqui minha solidariedade aos nove blogueiros vítimas da tentativa de assassinato de reputação movida pelas Organizações Globo por conta da mais recente entrevista do presidente Lula.

Sugiro a você, finalmente, jovem ou novo leitor do Viomundo, que dê uma olhada na tabela abaixo, publicada por Fernando Rodrigues em seu blog do UOL e na íntegra da entrevista do ex-presidente aos colegas blogueiros [clique na imagem da tabela para ampliar].

Agora nos diga: quem é mesmo que embolsa bilhões em dinheiro público?

Clique aqui para ver a íntegra da entrevista de Lula aos Blogueiros Progressistas.
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Fonte: Viomundo, site do jornalista Luiz Carlos Azenha