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quarta-feira, 15 de junho de 2016

A saída de Cunha será entregar o governo do interino que não conseguiu salvá-lo

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A farsa que se delineava nas reuniões do Conselho de Ética da Câmara que decidiam o destino de Eduardo Cunha teve uma reviravolta: Cunha levou a pior por 11 a 9.  O espetáculo dantesco da votação do impeachment se repetiu numa escala menor em quantidade, mas igualmente desprezível em qualidade. Cunha foi traído por seus paus mandados.

Por Kiko Nogueira, no DCM

Os argumentos a favor dele se limitaram a dar ao canalha o papel de herói do afastamento de Dilma. Os fins justificam os meios. Sabe-se que, na verdade, os vagabundos estão no bolso de Cunha e nas suas mãos de chantagista.

Tia Eron resolveu finalmente aparecer, deu seu show de pilantragem, se vitimizou, mas acabou votando contra o ex-presidente da Câmara e mentor. No meio de discursos sem sentido e auto referentes, abusou da palavra “ressignificar”.

Eronildes acabou, no entanto, sendo um fator que desequilibrou a sessão. Por causa dela, seu conterrâneo, o deputado baiano Wladimir Costa (SD-PA), resolveu também apunhalar seu proprietário nas costas após falar que o sujeito era honesto etc etc.

Enquanto os palhaços falavam, o dono do circo estava no Rio de Janeiro, sendo vaiado em sua visita ao parque olímpico na primeira vez em que põe sua falta de pescoço para fora.

Segundo Temer, ele não tem nada a ver com Eduardo Cunha. “Vocês sabem que, desde o primeiro momento, eu disse que precisamos reconstitucionalizar o país. Ou seja, precisamos acabar com essa história do Executivo se metendo nas coisas do Judiciário e do Legislativo”, disse numa coletiva.

Mentira. Temer moveu fundos e fundos para salvar EC. Eliseu Padilha capitaneou as negociações. Na semana passada, pressionou Tia Eron, através do presidente licenciado de seu partido, o ministro Marcos Pereira, no sentido de indultar Cunha. Nem isso deu certo.

Temer é um inepto e seu governo vai para a vala dos indigentes com o comparsa que o colocou na presidência. O Brasil aguarda, agora, que Cunha cumpra sua promessa e entregue o nome dos 150 parlamentares e do senador em sua delação premiada.

Um elemento podre pode ele mesmo representar a depuração do sistema. Delata, Cunha!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Semelhanças entre Eduardo Cunha e um psicopata

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Um homem que:

- É amoral;
- Não tem limites;
- Desconhece o que é empatia: caso veja alguém sangrar vai se preocupar em não sujar a roupa de sangue;
- Mente compulsivamente;
- Manipula tudo e todos;
- Jamais demonstra arrependimento.

Este homem, sabemos bem, é Eduardo Cunha. Mas há um problema: acima está a descrição básica de um psicopata.

Foi uma amiga psiquiatra que me alertou para a extraordinária semelhança entre um psicopata e Eduardo Cunha. Na verdade, ela foi adiante. “Ele é psicopata.”

Isso quer dizer o seguinte: são consideráveis as chances de a Câmara dos Deputados ser comandada por um psicopata.

Significa também que Janot [PGR] e Teori [STF] prolongaram irresponsavelmente, quase que criminosamente, o reinado deste psicopata num lugar de tanto poder como a Câmara. Permitiram a ele, acuado e enraivecido pelo que julgou traição do PT, atirar o Brasil numa crise política brutal ao aceitar um esdrúxulo pedido de impeachment.

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Deputados pedem ao STF afastamento de Cunha da presidência da Câmara

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Líderes do PT, PC do B, Rede e PSOL na Câmara entregaram na tarde da terça-feira (15), ao Supremo Tribunal Federal, uma carta aberta pedindo o afastamento cautelar do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O documento de cinco páginas, assinado por 50 parlamentares dos quatro partidos, acusa o peemedebista de prevaricação e enumera episódios em que, segundo eles, a presidência da Câmara teria sido exercida “para benefício privado, autoproteção em investigações e usufrutos inconstitucionais”.

“Trata-se de um pedido de socorro para que o Supremo determine o afastamento cautelar porque, na medida em que o inquérito é instaurado na Casa, ele (Cunha) estando na presidência vai interferir permanentemente no processo”, disse a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Segundo ela, o pedido foi feito ao Supremo porque não há o dispositivo do afastamento no regimento da Casa, que prevê a saída de um presidente apenas via cassação ou renúncia.

No texto, os deputados citam como exemplo de uso de prerrogativa de presidente para benefício próprio a divulgação, pelo peemedebista, do acolhimento do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff apenas quatro horas depois de a bancada do PT ter decidido votar pela admissibilidade da representação contra ele.

Relatam também a atuação de Cunha para interferir no resultado da eleição da Comissão Especial para apreciação do pedido de impeachment, como a prorrogação do prazo para a instalação e a abertura de uma votação secreta para a eleição do colegiado.

Outro caso citado é a abertura da ordem do dia com um quórum (186) aquém do necessário para deliberações (257), com intuito, segundo os deputados que assinam o pedido, de impedir a realização da primeira reunião de apreciação do parecer do relator do processo contra ele no Conselho de Ética.

“O deputado Eduardo Cunha parece interferir até na disponibilização dos espaços para as reuniões do Conselho de Ética”, diz o texto, descrevendo as reclamações do presidente do colegiado, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), de dificuldade de espaço para a realização das reuniões.

O documento lembra que Cunha usou a página da Casa para apresentar sua defesa quando o relator Fausto Pinato (PRB-SP) apresentou seu parecer pela admissibilidade do processo contra ele. Com isso, diz o texto, Cunha “perverteu para benefício pessoal o preceito da publicidade nos atos administrativos”.

O pedido relata ainda a atuação de aliados de Cunha após o Supremo negar o pedido para afastar Pinato. O presidente em exercício da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), deu provimento na Câmara ao recurso e considerou nulos os atos praticados elo relator. “Tais fatos fizeram com que sequer a fase preliminar do processo – a votação pela admissibilidade/arquivamento – fosse vencida, após constar na pauta de sete reuniões do colegiado”, diz o texto.


Prevaricação
Os deputados signatários ao pedido afirmam ainda que Eduardo Cunha cometeu o crime de prevaricação ao não remeter à Corregedoria da Câmara o pedido de abertura de sindicância para apuração das condutas dos 22 deputados federais denunciados pela Procuradoria-Geral da República no âmbito da Operação Lava Jato.

“Ao praticar atos acima mencionados, em que usa a função para se defender de acusações na esfera privada claramente afronta o espírito republicano que exige imparcialidade e atuação pública em prol da coletividade e fere os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”, conclui o texto.
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Fonte: Estadão via UOL

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A operação da PF no PMDB jogou areia no golpe de Temer, o ex-vice decorativo.

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O ex vice decorativo Michel Temer foi o único grande líder do PMDB a não ser atingido pela operação Catilinárias, da Polícia Federal. Mas seu “projeto de poder”, se é que podemos chamar assim, fica ferido de morte.

Kiko Nogueira, no site DCM

Henrique Alves, Celso Pansera e ex-ministros Lobão e Fernando Bezerra estão na mira, além de Fábio Cleto (ex-Caixa) e Sergio Machado (ex-Transpetro).

A estrela é Eduardo Cunha, o psicopata oficial da república, que há meses lançou uma bravata sobre a visita da PF. “Eu não sei o que eles querem comigo, mas a porta da minha casa está aberta”, disse. “Vão a hora que quiser. Eu acordo às 6h. Que não cheguem antes das 6h para não me acordar”.

Bem, eles foram, mas quem acha que um malandro safo como Cunha deixaria alguma coisa que o incriminasse ao alcance de qualquer um que não seja ele mesmo não conhece o homem.

Em Alagoas, onde o presidente do partido é Renan Calheiros, o ex-vice governador José Wanderley Neto também teve a casa vasculhada. São ao todo 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF para investigação da Lava Jato – na Câmara dos Deputados, na residência dos investigados, em sedes de empresas, escritórios de advocacia e outros órgãos públicos expedidos pelo STF.

A casa caiu para o peemedebista Temer e para quem vendia a ideia de que Temer era uma alternativa, digamos, decente ao PT. O inacreditável Gilmar Mendes, por exemplo, falou que ele será um ótimo presidente.

Não é alternativa de nada, nunca foi, ele sabe disso e a polícia o deixa agora com a brocha na mão, a mesma mão que escreveu a carta que passou para a história como um monumento ao ridículo.

O nome da operação é emprestado dos discursos de Cícero no senado romano contra Catilina, que planejava tomar o poder. O trecho mais famoso é aquele que diz o seguinte:

"Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?"

Em português, os golpistas entraram pelo cano. 

domingo, 13 de dezembro de 2015

Trabalhadores e trabalhadoras da Educação dizem não ao golpe do impeachment

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O Núcleo de trabalhadores(as) em Educação da CTB-Paraná reuniu-se neste domingo para analisar a conjuntura nacional de ameaças á democracia e à educação pública, divulgando o Manifesto a seguir, que conclama os democratas à luta ativa contra o golpe da direita.

TRABALHADORES E TRABALHADORAS DE EDUCAÇÃO
DA CTB-PARANÁ CONTRA O GOLPE DO IMPEACHMENT,
EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DO DESENVOLVIMENTO

Em seu segundo encontro, nesta data emblemática de 13 de dezembro de 2015, os trabalhadores da CTB/Núcleo de Educação do Paraná manifestam-se firmemente contra a tentativa de golpe expressa no processo de impeachment inventado contra a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita em 2014 por 54 milhões de brasileiros. Tendo por instrumento o já notório corrupto Eduardo Cunha para inseri-lo na pauta do Congresso Nacional, o golpe é sustentado por setores conservadores e reacionários – entre os quais se destacam o PSDB, a Rede Globo e parcelas do poder judiciário – que intentam reverter avanços democráticos e conquistas sociais alcançados nos últimos treze anos dos mandatos Lula e Dilma, além de suspender investigações de corrupção que atingem tais setores retrógrados.

Advertimos mais: por trás do golpismo, esconde-se a intenção de re-aplicar na gestão do país uma agenda de ultraliberalismo e de privatizações, incluindo graves e concretos riscos para a sustentação do princípio constitucional da Educação Pública Gratuita, objeto da gula de grandes capitais estrangeiros, sem compromisso com a soberania nacional. A volta ao governo da República de forças visceralmente neoliberais coloca em xeque o ensino público e a condição de o país poder livremente constituir um verdadeiro Sistema Nacional de Educação.

Como defensores do Estado Democrático de Direito e dos interesses dos trabalhadores, enfatizamos nosso ativo posicionamento ao lado da legalidade democrática e repelimos as manobras da direita que atentam contra a Constituição Federal.

Diante da conflagração política provocada pelos setores reacionários, que insuflam manifestações fascistas de ódio, preconceito e intolerância, tentando impedir Dilma de governar, entendemos de muita gravidade o momento, com as ameaças à democracia. Por isto, conclamamos à união de todos os democratas da nação, independentemente de opções políticas e partidárias, para a defesa da democracia como base do progresso social. Cumpre-nos, pois, condenar energicamente a atitude dos que tramam para pisoteá-la.

Uma ampla frente democrática e popular no estado do Paraná é também imprescindível para opor-se à gestão neoliberal do declarado inimigo da Educação, o (des)governador Beto Richa, mandante do massacre dos professores de 29 de abril, data em que ele foi confrontado pelo povo com firmeza e coragem. Políticas antitrabalhador e anti-educação como as demonstradas por governantes tucanos da estirpe de Richa e de Alckmin podem e tem que ser derrotadas, para isso necessitando de sólida unidade popular.

Unimo-nos à Frente Brasil Popular – expressão da junção plural das forças democráticas, progressistas e de esquerda – para desmascarar a escalada golpista da direita até sua final derrota, com isto assegurando a soberania da vontade popular manifesta nas urnas presidenciais de 2014. Neste sentido, convocamos trabalhadores e trabalhadoras, o povo em geral, para unitária e combativamente fortalecer o Ato pela Democracia e pelo Desenvolvimento marcado para iniciar às 17h00 do dia 16 de dezembro, na Praça Santos Andrade, em Curitiba.

- Em defesa da democracia e da retomada do desenvolvimento pleno!

- Não vai ter golpe!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Sinditest tem qual posição sobre atual conjuntura agora com impeachment?

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A posição da Diretoria do Sinditest no novo cenário agora com o impeachment acolhido pelo megabandido chantagista Cunha?  Ora, nenhuma.  Para o ultraesquerdismo esposado pelos principais diretores, alinhados com o PSTU, isso é "briga de branco", e o lance é propagandear uma certa "Greve Geral contra tudo" que nunca acontece.  

Para a hipotética situação em que Dilma fosse tirada da presidência pelo golpe do impeachment sem fundamentos, assumiria o vice Temer.  Do PMDB, mesmo partido do psicopata Cunha.  O Cunha da terceirização generalizada, do fim da CLT; da redução da maioridade penal; dos retrocessos no caráter laico do Estado; das leis contra direitos das mulheres.  E do PMDB que, em encontro recente, apresentou um "Programa" para o Brasil em que só falta privatizar o ar.


Mas, pra direção do Sinditest, é tudo igual, não tem nenhuma diferença entre Dilma, Cunha, Aécio, FHC, Bolsonaro, Caiado, Feliciano.  Então, toca "Greve Geral" neles.  Dizem que esta greve já começou.  Podem olhar para o céu em noite de lua cheia e notar como está tudo parado naquele satélite da Terra.  

Só falta os terráqueos finalmente entenderem a verdade contida nas Escrituras do PSTU e irem à luta pelo paraíso trotsquista.  Essa é mesmo a "esquerda" de que a direita 'gostcha muitcho'.

O pior dia para Cunha deflagrar o impeachment

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Há duas circunstâncias que levam ao impeachment: a perda total da base de apoio e a legitimidade do pedido. Nenhuma das duas circunstâncias está presente no momento. Aliás, a grande notícia é a de que a presidente – e o país – livraram-se de um chantagista.

Por Luis Nassif, no Jornal GGN

O papel da oposição é complexo. Por mais que a popularidade da presidente Dilma Roussef esteja em baixa, como justificar a aliança com um futuro réu condenado – e provavelmente preso – contra uma presidente sem nenhum respingo da corrupção levantada pela Lava Jato?

Cunha escolheu o pior dia para dar encaminhamento ao impeachment.

1. Com o PT votando pela admissibilidade do julgamento, seu gesto caracterizou retaliação e juridicamente abuso de poder.

2. Foi no dia em que foi votado a mudança da meta fiscal, regularizando definitivamente todas as pedaladas fiscais.

3. Foi na mesma semana em que Cunha foi acusado de receber dinheiro do BTG para modificar projetos de lei, comprovando a impossibilidade de ele continuar presidindo a casa.

A aprovação das mudanças fiscais ocorreu depois do encaminhamento da proposta de impeachment, comprovando que, aos poucos, inequivocamente o governo começa a reconstruir sua base no Congresso.

O ano termina agora. Há uma boa probabilidade da aprovação da CPMF no primeiro trimestre de 2016, graças a um pacto entre governadores e prefeitos.

É possível que o gesto de Cunha tenha finalmente supurado a infecção que conturbava o ambiente político, com a presidência da Câmara entregue ao mais suspeito dos seus membros.

Espera-se que, agora, haja alguma dispersão desse exército das trevas que saiu das profundezas para ser liderado por Eduardo Cunha.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Já não basta cassar Eduardo Cunha: é preciso prendê-lo.

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As coisas chegaram a um tal ponto que não basta cassar Eduardo Cunha. Ele tem que ser preso. Nada, chantagem, ameaça de impeachment, nada justifica manter Eduardo Cunha.

Por Paulo Nogueira, no site DCM

Ele é o símbolo máximo de um mundo político putrefato.

Ele representa a vitória da plutocracia sobre a democracia. O dinheiro – dinheiro sujo — o levou a uma posição de enorme poder para que Cunha defendesse, no Congresso, os interesses dos plutocratas.

Está escrito em sua testa ampla: “Eu defendo os ricos e os poderosos. Eu sou um instrumento da iniquidade e da desigualdade. Eu não estou nem aí para os desfavorecidos.”

E ele cumpriu sua agenda torpe na Câmara do seu jeito brutalmente indecente. Cunha encontrou uma maneira de aprovar a permanência do financiamento privado das campanhas eleitorais, a janela pela qual os plutocratas tomaram de assalto a democracia.

Lutou pela pilhagem dos direitos trabalhistas ao fazer aprovar um projeto favorável à terceirização.

Pesa agora contra ele a acusação de haver manobrado para fazer passar medidas que trariam ainda mais bilhões aos já muitos de André Esteves, do BTG Pactual.

Por este serviço, segundo as denúncias, ele teria recebido 45 milhões de reais.

Cunha nega, assim como nega as contas na Suíça, das quais não é dono, mas “usufrutuário”, para lembrar a palavra que ele imortalizou e colocou no dicionário das infâmias de 2015.

Um deputado que se mantivesse no cargo depois de tantas delinquências comprovadas seria uma aberração. Tratando-se do presidente do Congresso, é uma vergonha nacional e internacional.

Tão rigoroso com tanta gente, sobretudo petistas, onde está Moro no caso mais dramático de corrupção do país?

Escondido.

Um dos motivos, talvez o maior, é que Cunha tem poder de retaliação, algo que não agrada a Moro.

E a imprensa, a autoproclamada fiscalizadora dos políticos: por que Cunha jamais entrou no seu radar?

Esta é fácil: porque ele defendeu sempre os interesses dos donos das grandes empresas de mídia. Por isso virou um intocável, um inimputável. A agenda econômica de Cunha é a agenda econômica dos Marinhos, dos Frias, dos Civitas. Numa palavra, a perpetuação da desigualdade.

A sociedade deve aos suíços – não a Moro e os policiais da Lava Jato, não à imprensa livre fiscalizadora – o desmascaramento de Eduardo Cunha.

Não fossem os suíços, ele estaria fazendo o serviço de sempre na Câmara. Não fossem os suíços, sua mulher Claudia continuaria a postar no Facebook fotos que demonstravam a vida suntuosa do casal, e incompatível com o ordenado de um deputado.

Muitas vezes você tem que descer ao abismo para mudar alguma coisa que parece impossível de mudar.

O Brasil teve que enfrentar uma inflação de 80% ao mês para que a sociedade gritasse que não dava mais. O próprio Malan, homem forte da economia sob FHC, admitia isso. Veio a estabilidade com FHC, e teria vindo com qualquer outro, dada a exaustão absoluta dos brasileiros com a inflação desmesurada.

Agora, na política, Eduardo Cunha representa o que a hiperinflação foi para a economia.

Há que tirá-lo de cena para que um paciente trabalho de reconstrução política possa ser iniciado.

E já não é suficiente cassá-lo, repito. É imperioso prendê-lo.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Não é só o Porsche no nome de Jesus: Cunha loteou Cristo na internet

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Cunha sendo diplomado pela Assembleia de Deus

E então Eduardo Cunha tem três carros, um deles um Porsche Cayenne, no nome de Jesus.com. De acordo com o procurador Eugênio José Guilherme Aragão, o Porsche “é conduzido pela esposa de Eduardo Cunha, Cláudia Cordeiro Cruz”.

Por Kiko Nogueira, no DCM

Alguém que não o conhecesse poderia se surpreender com a heresia — ou a cara de pau –, mas isso está longe de ser um fato isolado. Cunha loteou JC na internet.

O site Pastebin, especializado em vazamentos de informações digitais, publicou a lista de domínios de internet do deputado federal Eduardo Cunha. São 288 endereços, sendo que apenas um deles é ativo — portaleduardocunha.com.br, atualizado com suas atividades parlamentares. A relação completa está aqui.

Um domínio é um investimento. Você pode vender depois. A manutenção custa entre 25 e 30 reais. Cunha, portanto, gasta de 7 mil a 8 mil reais por ano com a coisa. Dificilmente isso não é pago com dinheiro público. Dificilmente.

Outra razão é segurança. Ao adquirir os direitos sobre, suponhamos, deputadoeduardocunha.com.br, ele se protege de algum adversário que queira publicar absurdos em seu nome (como se precisasse, mas essa é outra questão). A cantora Taylor Swift, por exemplo, é dona de taylorswift.porn e taylorswift.adult, para impedir que internautas lucrem com sua marca.

Cunha cercou todas as variações possíveis com “deputado”, “federal”, “eleicao”. Mas, além disso, registrou absolutamente tudo relativo a “jesus”. Veja só: youtubejesus.com.br, facebookjesus.com.br, gmailjesus.com.br, radiofeemjesus.net.br, terrajesus.com.br, tvfeemjesus.net.br, uoljesus.net.br.

Se alguém quiser ganhar dinheiro na net com Cristo, terá de falar com Eduardo Cunha. Ele é proprietário, igualmente, de chegouasuabencao.net.br, compraabencoada.net.br, compracrente.net.br e crentecompra.com.br. Tem também o nossopovomerecerespeito.com.br.

Não o acuse de contraditório. Evangélico, o presidente da Câmara é fiel da Sara Nossa Terra e da Assembleia de Deus de Madureira, onde ele teria lavado 250 mil reais.

A lista de domínios significa que Eduardo Cunha não é apenas um homem de fé, mas de visão. Quando Jesus Cristo voltar, terá de negociar com o deputado se quiser montar um blog. Sabendo de quem se trata, não há dúvida de quem vai se dar bem na jogada. Deus é pai — do Cunha.

sábado, 10 de outubro de 2015

O fim de Eduardo Cunha

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Eduardo Cunha foi-se.

Por Fernando Brito, no Tijolaço


Não há mais cumplicidade do PSDB, não há mais pedido de impeachment, não há nada mais que possa salvar Eduardo Cunha.  Ele sempre foi uma abjeção, mas agora é só um molambo.

Vai ter sua vida familiar, com seus gastos pagos com cartões suíços, esquadrinhada e execrada nas manchetes.  Os detalhes sórdidos se sucederão, um pior que o outro.  Infelizmente, os dele, só os dele.

Porque Eduardo Cunha não chegou aonde chegou sozinho. Comprou apoios e os revendeu a muita e variada gente.  É o escroque profissional, do tipo que pulula em Brasília.  Do tipo que todo mundo sabe que é mas não tem jeito de se livrar numa política movida a dinheiro, que ele insiste em eternizar, enfiando até na Constituição o financiamento empresarial.

Cunha era o ponta-de-lança do impeachment e só por isso ganhava o “benefício da dúvida” do tucanato.

Agora, nem este mais.


Eduardo Cunha não tem condições de fazer acordo com quer que seja.  Tornou-se um zumbi. Só o que pode fazer é contaminar.  Brasília inteiro sabe disso e não foi outra a razão que levou a maioria do PMDB a desembarcar de sua canoa.

Antes do PSDB, que comprou as “ações do Cunha” na alta e vai ter de vende-las na baixa.

Faro pior, só mesmo o de "Veja", que dá capa para a “queda” da Presidenta.  Deveria, por jornalístico, ter dado para a queda, sem aspas, do presidente da Câmara.  Que não chega vivo politicamente ao final da semana.

O Governo volta a ter maioria na Câmara, se não fizer besteira.  Deixe Cunha afundar sozinho e jogue bóias para os náufragos do seu barco.

Quem vai ganhar o abraço do afogado de Cunha é o PSDB, que o mimava.

A derrota de Cunha é a derrota de Moro, da Lava Jato e da mídia

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O grande azar de Cunha foi ter ficado ao alcance de quem não está sob seu domínio nem de seus amigos e aliados: a Suíça.  Foi o mesmo azar de José Maria Marin.

Por Paulo Nogueira, no DCM

No Brasil, Cunha permaneceria impune como sempre aconteceu nestes anos todos de uma carreira obscura e cheia de acusações de delinquência.  Nem Moro e nem a Polícia Federal têm alguma ação sobre tipos como Cunha.  Isso mostra a face real do combate à corrupção que se trava no Brasil da Lava Jato.

Quem acredita nos propósitos redentores dessa cruzada demagógica acredita em tudo.

O alvo é um, e ele não inclui figuras como Cunha ou Marin.

Isso significa que, passado o circo da Lava Jato, nada de efetivo terá mudado – a não ser que se alterem profundamente a estrutura de fiscalização a roubalheiras no Brasil de forma que fiquem desprotegidos os plutocratas e amigos seus como Cunha.

O episódio deixa também exposta a imprensa.  O que ela fez para investigar Cunha nestes anos todos, e sobretudo nos últimos meses quando ele acumulou um poder extraordinário no Congresso graças a seu gangsterismo?

Nada. Nada. Mais uma vez: nada.

Não por inépcia, ou não por inépcia apenas. Mas por má fé, por desonestidade.  Cunha era aliado, porque significava um ataque permanente ao governo Dilma.

E aos aliados a imprensa não cobra nada. Veja como Aécio tem sido tratado. Como ele escapou de ser sequer citado como amigo de Perrela no caso (abafado por jornais e revistas) do helicóptero de meia tonelada de pasta de cocaína.

A derrota de Cunha frente às autoridades suíças é, também, a derrota de Moro, da Lava Jato e da imprensa, não necessariamente nesta ordem.

Tanto estardalhaço nas prisões dos suspeitos de sempre, e tanta permissividade em relação a tipos como Eduardo Cunha.

É preciso destacar também o papel patético, nesta história criminosa, do PSDB.  Já eram cabais as evidências contra Cunha e seus líderes, num universo paralelo, diziam que era preciso dar a ele o benefício da dúvida.

Este benefício jamais foi dado a ninguém fora do círculo de interesses do PSDB.

É uma demonstração incontestável de que a lengalenga anticorrupção do PSDB é a continuação da mesma estratégia golpistas que matou Getúlio e derrubou Jango.  É a velha UDN de Lacerda ressuscitada nos tucanos.

Na condição de morto vivo, ou morto morto, Eduardo Cunha cala sobre o que deveria ser dito – a questão das contas – e tagarela sobre o que é ridículo dizer.  Ele está se fazendo de vítima. Diz que está sendo perseguido pelo governo e pelo PT.  Não foi ele que roubou, não foi ele que barbarizou, não foi ele que criou contas secretas expostas pelas autoridades suíças: é o PT que está perseguindo.

A isso se dá o nome de doença.

É preciso louvar, por último, o papel de Janot.  Fosse nos tempos de FHC com seu engavetador geral, sabemos onde ia dar o dossiê dos suíços.

Na gaveta.

domingo, 4 de outubro de 2015

A morte das revistas semanais brasileiras

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É a morte do jornalismo semanal. E uma morte infame, desonrosa, suja.  Tantas revelações em torno de Eduardo Cunha com suas contas na Suíça, e nenhuma revista semanal o deu na capa.
Por Paulo Nogueira, no site DCM

Que ele precisaria fazer para ir para a capa da Veja, da Época e da IstoÉ?

A mídia fala tanto em corrupção, e, quando aparece um caso espetacular destes, finge que não viu.

É uma amostra do que a imprensa sempre faz quando se trata de político amigo: joga a corrupção para baixo no tapete.

Isto se chama manipulação.

O brasileiro ingênuo é, simplesmente, ludibriado. Depois, corre para as redes sociais para vomitar as besteiras que leu na imprensa.

Durante a semana a mesma coisa ocorrera com os jornais. Eles esconderam o caso Cunha.

Fernando Morais comentou as capas logo na manhã de sábado. Notou, com razão, que parte disso é culpa do próprio PT por ter enchido de dinheiro público empresas de mídia que desinformam e não hesitam em sabotar a democracia quando sentem que seus inumeráveis privilégios correm risco.

As capas das revistas semanais e as primeiras páginas dos jornais nestes dias demonstram que, na prática, existe um monopólio na mídia brasileira.

São quatro ou cinco famílias, e na verdade uma só voz.

Não fosse a mão invisível do mercado, para usar a grande expressão de Adam Smith, e o poder das grandes corporações jornalísticas seria um obstáculo formidável ao avanço social brasileiro.

Mas a mão invisível trouxe a internet, e com ela um jornalismo que se contrapõe ao gangsterismo editorial das grandes corporações.

Fazer jornais e revistas de papel é coisa para grandes empresas, pelo tamanho dos investimentos necessários.

Mas montar um site é barato. Você não tem que imprimir sua publicação em gráficas, pagar uma distribuidora, comprar papel em fábricas finlandesas e coisas do gênero.

Seu custo é infinitamente mais baixo.

Paralelamente, a voz única das grandes corporações abre um espaço enorme para visões de mundo diferentes.

Foi assim que surgiu e floresceu, na internet, um jornalismo dissidente vital para a democracia nacional.

Considere: sob Getúlio e Jango, vítimas da imprensa, não houve contraponto à narrativa golpista da imprensa.

(Getúlio, um homem de visão, tentou resistir aos barões da imprensa com a criação de um jornal, a "Última Hora", mas era quase nada diante da avalanche dos grandes jornais.)

Avalie como seriam as coisas sem o contraponto dos sites independentes.

O caso Eduardo Cunha mostra muitas coisas, e não apenas sobre a mídia. Estampa a parcialidade da Justiça e da Polícia Federal, também.

Cunha tinha que estar dedicando todo o seu tempo a se defender das acusações terríveis que pairam sobre ele.

Em vez disso, trama a derrubada de Dilma como se não tivesse nada além do impeachment em sua agenda.

Ele só faz isso porque sabe que goza de ampla proteção.

Essa proteção ficou grotescamente evidente neste final de semana, nas bancas brasileiras, com as capas das revistas semanais.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Golpe consumado. É o shopping do Cunha: empresas podem comprar partidos

Um comentário:
Num escândalo sem precedentes, a Câmara dos Deputados, com os arranjos de Eduardo Cunha, desdisse ontem (27) o que havia decidido anteontem: as empresas, constitucionalmente, poderão comprar, cada uma, o partido que desejarem.

Por Fernando Brito, no Blog Tijolaço

Um estupro legislativo como talvez só se tenha visto quando, numa madrugada de 1961, a maioria da Câmara instituiu o parlamentarismo para impedir que João Goulart assumisse, como devia, os poderes presidenciais que lhe seriam legítimos após a renúncia de Jânio Quadros.

Reproduzo, acima, a página do Jornal da Câmara publicada após a votação de anteontem.

O texto é claríssimo:

“Os deputados voltarão a discutir outras propostas de financiamento de campanhas, como a que permite a doação apenas de pessoas físicas. Se esse item também não conseguir 308 votos, ainda poderá ser analisada emenda que propõe o financiamento público exclusivo. Em caso de rejeição desse ponto, permanecem em vigor as regras atuais.”

Como é obvio, estas duas mudanças seriam as que podiam ou não ser aprovadas. E, como não o foram, permanecem as regras atuais.

Isto é, o financiamento das campanhas é matéria de lei infraconstitucional e, portanto, sujeita à apreciação de coerência com os dispositivos constitucionais, o que o Supremo já sinalizou que não o são e só não proclamou-o porque Gilmar Mendes sentou-se imoralmente sobre o processo.

Uma Câmara eleita pelo dinheiro dos empresários, ontem, mostrou que, “bem guiada” por um espertalhão, soube recuperar-se do deslize de anteontem. A diferença agora é que o dinheiro vai para o partido e este o repassa para o deputado adrede combinado.

Seis dezenas de deputados, milagrosamente, mudaram de lado e ajoelharam-se ao dinheiro.

Que, como se sabe, fala alto e fala grosso.

PS. Faço um mea-culpa. Cunha não é o imperador da Câmara, é o regente. O Rei é o dinheiro.

CLIQUE AQUI e confira a lista de deputados que votaram a favor da "doação" empresarial (empréstimo para posterior cobrança corrupta) para campanhas eleitorais.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Câmara Federal rejeita financiamento empresarial de campanha

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A proposta oficializava a doação privada para candidatos e partidos, como já acontece atualmente, mas acabou derrotada.

A Câmara dos Deputados decidiu, na noite desta terça-feira 26, que não irá incluir na Constituição a permissão de financiamento de pessoas jurídicas e empresas a candidatos e partidos. Na prática, a proposta oficializava a doação de empresas privadas, como já funciona atualmente nas eleições legislativas e majoritárias. Mas a medida teve apenas 264 votos a favor, 44 a menos dos 308 necessários, e 207 contra. A votação faz parte das discussões da reforma política. 

Os deputados voltarão a discutir na tarde desta quarta outras propostas de financiamento de campanhas, como a que permite a doação apenas de pessoas físicas. Se esse item também não conseguir 308 votos, ainda poderá ser analisada emenda que propõe o financiamento público exclusivo, defendido por partidos como PT e PCdoB. Em caso de rejeição dessas duas propostas, permanecem em vigor as regras atuais: o financiamento eleitoral misto. Se isso acontecer, a questão deve acabar sendo decidida pela Justiça. 

É que o assunto está em análise, atualmente, pelo Supremo Tribunal Federal. No ano passado, a maioria dos ministros do Supremo se colocou a favor da proibição de doações de empresas privadas. Os magistrados entenderam que essas doações provocam desequilíbrio no processo eleitoral. Mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

De acordo com a regra atual, as empresas podem doar até 2% do faturamento bruto obtido no ano anterior ao da eleição. Para pessoas físicas, a doação é limitada a 10% do rendimento bruto do ano anterior.

Essa foi a segunda derrota do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na sessão. Entusiasta da medida que permitia doações privadas, ele também foi derrotado na votação do sistema eleitoral vigente. O peemedebista batalhava pela aprovação do 'distritão', que acabou rejeitado. 


Debate
A líder do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ), avaliou que o financiamento privado não deve ser incluído na Constituição. “Isso não é matéria constitucional, é matéria de lei. Nós precisamos sanear esse processo de financiamento e garantir que todos tenham equilíbrio na disputa e concorrência eleitoral”, afirmou.

O modelo também não teve o voto favorável do PSOL. O líder do partido, deputado Chico Alencar (RJ), é contra o financiamento empresarial. “O que nós defendemos como passo adiante é o financiamento de pessoas físicas com limites fortes e um fundo partidário democrático, transparente e austero”, defendeu.

Já o líder do PMDB, deputado Leonardo Picciani (RJ), defendeu a constitucionalização do financiamento privado. O financiamento de empresas é objeto de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), que já teve o voto de seis ministros contrários a esse modelo. “Quem tem de decidir sobre isso é o Parlamento. O bom senso nos manda definir esse tema hoje, porque senão estaremos na mão do Poder Judiciário”, disse.

O líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), afirmou que acabar com o financiamento privado é incentivar a doação ilegal de empresas e o caixa dois. “Ficar sem doação legal de empresas em campanhas é incentivar o caixa dois, é fomentar o sistema de financiamento ilegal”, disse.
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Fonte: CartaCapital

sexta-feira, 27 de março de 2015

Direito à Saúde e SUS ameaçados pelo deputado Eduardo Cunha

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PEC 451 viola o direito à saúde e promove a segmentação do SUS, alertam entidades da área da saúde.

O Sistema Único de Saúde vem sofrendo golpes sucessivos que desviam o sentido com que foi criado de prover acesso universal a serviços de saúde de qualidade. O golpe mais recente foi a reiteração e a constitucionalização do seu subfinanciamento com a EC 86, de 2015, que dispõe sobre o orçamento impositivo e estabelece como percentual de recursos da União vinculados à saúde, 15% das receitas correntes líquidas (em cinco anos), ao invés do equivalente a 10% de suas receitas correntes brutas como proposto pelo projeto de lei de iniciativa popular.

A EC-86/15 asfixia o SUS não só pela diminuição dos recursos federais, mas também pela criação da emenda impositiva que tira da saúde o que era para ser transferido automaticamente para os orçamentos municipais e estaduais e dá aos parlamentares o poder de devolvê-los de acordo com interesses políticos particulares. O orçamento deveria garantir o atendimento às necessidades de saúde expressas em planos de saúde e aprovados nos conselhos, e não ser objeto de negociações eleitorais ou partidárias.

Além da EC 86/15, foi aprovada a Lei 13019, de 2014, que abriu a assistência à saúde ao capital estrangeiro, numa afronta à vedação constitucional inserta no art. 199, § 3º, que proíbe tal participação por ser antagônica à definição da saúde como direito público. Este artigo 142 da lei está sendo arguido de inconstitucionalidade pelas entidades de defesa do SUS universal e igualitário.

O que fica cada vez mais claro é que está em curso uma subversão do projeto constitucional para a saúde.

Agora, está em discussão no Congresso a PEC 451, de 2014, de autoria do deputado Eduardo Cunha, que altera o art. 7º da Constituição, inserindo novo inciso, o XXXV, o qual obriga todos os empregadores brasileiros a garantirem aos seus empregados serviços de assistência à saúde, excetuados os trabalhadores domésticos, afrontando todo o capítulo da seguridade social e a seção da saúde e seus dispositivos.

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Fonte: Revista Forum