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segunda-feira, 10 de março de 2025

Memória, memória, memória

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Na tenebrosa primavera de 1975, pouco depois do assassinato de Vladimir Herzog no DOI-Codi em São Paulo, professores e estudantes da Faculdade de Comunicação da UFRGS, a Fabico, colocaram na parede do diretório de estudantes uma placa com homenagem ao jornalista.

Moisés Mendes - DCM - 10/03/2025

Herzog seria o patrono do centro. No dia seguinte, a homenagem sumiu. Todos os que viveram aquele período em Porto Alegre sabem quem foi o ladrão da placa.

Muitos dos que estavam lá e nada puderam fazer, além de identificar o serviçal da ditadura, vão colocar outra placa no mesmo lugar, agora ao lado de jovens que têm idades com menos da metade do tempo percorrido até aqui. Será no dia 8 de abril.

A placa diz o seguinte: “Em 25 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado sob tortura nas dependências do Exército. Vlado defendia a democracia e combatia a ditadura. Em sua honra, as e os estudantes da Fabico deram seu nome à sala do diretório acadêmico. Na manhã seguinte, a placa foi arrancada pela direção da Faculdade, a mando da ditadura. 50 anos depois, estamos aqui novamente. Para que não se esqueça, para que nunca mais se repita. Ditadura nunca mais!”.

O resgate da homenagem a Herzog está no contexto da decisão da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) de instituir 2025 como o Ano Vladimir Herzog. Completa-se meio século do assassinato do jornalista.


Recuperar placas é parte de um esforço pela retomada de gestos concretos de marcação de memória e de resistência ao que eles tentam repetir. Assim como foi recuperada e recolocada na calçada da Rua Santo Antônio, diante de antigo prédio do DOPS, também em Porto Alegre, a placa que informa: aqui, no primeiro centro clandestino de detenção do Cone Sul, torturavam e matavam inimigos da ditadura.

E o Brasil vai lidando com a preservação de memórias, mas com ações intermitentes, casuais, pontuais. Está dito por muita gente que não pode mais ser assim. Que precisamos ser mais intensos, constantes e efetivos, como são, na eterna comparação que nos desfavorece, uruguaios, argentinos, chilenos.

A conquista do Oscar por ‘Ainda estou aqui’, a consagração de Fernanda Torres como representação da mulher que resiste e tudo mais que o filme e o prêmio passam a inspirar nos empurram para a repetição da palavra síntese da luta de Eunice Paiva depois do assassinato do marido: memória, memória, memória.

Tanto que o apelo por verdade, memória e justiça, consagrado em todos os países que enfrentaram ditaduras, tem no Brasil muitas vezes a versão em que a primeira palavra é memória.

Memória como respeito, afeto, reconhecimento. Para que a memória acione verdades e as verdades e as memórias conduzam às mobilizações por justiça.

Esse deve ser o ano da memória por Herzog, por todos os assassinados, pelos que nunca mais foram vistos e que, se sabe hoje, são bem mais do que os 232 considerados ainda desaparecidos durante a ditadura.

Que em nome da memória, como já disse Marcelo Rubens Paiva ao ser cobrado por ter escrito sobre sua família branca e rica, outros escrevam mais e façam filmes sobre pretas e pretos, pobres, colonos e indígenas que a ditadura matou e que, pelas omissões da própria democracia restaurada, foram invisibilizados.

Que o Brasil se dedique à memória desses invisíveis que também desapareceram sem que documentos, cadastros e anotações tenham registrado seus nomes e suas histórias como vítimas de ditadores e torturadores.

(Octávio Costa, Regina Pimenta e colegas da ABI, estamos juntos nessa empreitada permanente. Memória, memória, memória.)

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Vergonha: Governo Bolsonaro se nega a reconhecer na ONU o Golpe de 1964

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O governo Bolsonaro se recusou a reconhecer nas Nações Unidas a existência do golpe de Estado em 1964 no Brasil.

É o primeiro gesto público desta natureza no fórum internacional desde a redemocratização, como informa Jamil Chade no UOL.

Em evento realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), relatores internacionais e entidades, o governo também se recusou a usar o termo "regime militar" e chamou o período ditatorial de "eventos entre 1964 e 1985".

Tudo isso aconteceu nesta terça-feira (10), durante encontro realizado pela OAB e pelo Instituo Herzog que contou com a presença de relatores internacionais em Genebra.

O grupo, na sede das Nações Unidas, denunciava o desmonte dos mecanismos de Justiça, Memória e Verdade sob o governo Bolsonaro.

Em dado momento, uma jornalista mexicana tomou a palavra e perguntou diretamente: houve ou não houve golpe em 1964?

Um diplomata respondeu em nome do Itamaraty e evitou confirmar a existência do golpe. Ele apenas disse que o governo já enviou uma carta à ONU, em abril, na qual o Planalto insiste que os "eventos" de 1964 foram "legítimos" e que faziam parte da "luta contra o comunismo".

Esse comportamento do governo Brasileiro vem poucos dias depois de Bolsonaro elogiar o sanguinário ditador chileno Augusto Pinochet e de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, dizer nas redes sociais que as "vias democráticas" não estão dando os resultados que o país deseja.
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segunda-feira, 16 de março de 2015

80 anos da ascensão do nazismo na Alemanha

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Nunca um acontecimento na história do século 20 teve tanto impacto na elaboração tática do movimento socialista e comunista internacional quanto a ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha, ocorrida em 30 de janeiro de 1933.

Por Augusto Buonicore, no site da Fundação Grabois


Esta derrota estratégica do proletariado e das forças progressistas foi fruto mais dos erros da própria esquerda, do que dos acertos de Hitler e seus asseclas. O esquerdismo e o reformismo predominantes no seio das duas principais correntes do movimento socialista internacional, que se organizavam na Internacional Comunista e na Internacional Operária e Socialista (social-democrata), foram corresponsáveis por uma catástrofe de impacto planetário que custou dezenas de milhões de vidas humanas. A experiência alemã constitui-se numa lição que jamais poderá ser esquecida.

Em 1928 o Partido Social Democrata da Alemanha (PSDA) obteve uma grande vitória eleitoral e formou um novo governo ao lado do Partido Popular e do Partido de Centro – católico,representante da pequena-burguesia e da burguesia republicana alemã. O Partido Comunista também viu sua votação crescer. E a grande derrotada foi a extrema-direita. A República democrática alemã parecia mais fortalecida do que nunca.

A Alemanha ensaiava uma retomada do desenvolvimento econômico e a superação das crises que a atingiam sucessivamente desde o final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Esta situação criou um clima de otimismo entre parcelas importante dos trabalhadores. Mas este desenvolvimento era frágil e, em grande parte, sustentado pelos altos investimentos realizados pelo imperialismo estadunidense. Além disto, quase toda sua produção era destinada aos mercados externos, particularmente para os próprios Estados Unidos.

Apesar das aparências, a “paz social” e a democracia não eram sólidas. Existia ainda cerca de 1 milhão e meio de desempregados – fermento para a radicalização política. Neste clima, o governo social-democrata resolveu proibir as comemorações públicas do 1º de Maio. Na Prússia, o chefe da polícia e dirigente social-democrata Zörgiebel ordenou reprimir o ato promovido pelos trabalhadores comunistas, e o saldo foi 33 mortos e centenas de feridos – um acontecimento que ajudou a aumentar ainda mais o fosso existente entre socialistas e comunistas. Para os últimos a social-democracia e o fascismo passaram a ser considerados “farinha do mesmo saco”.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

História? Que história?

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Datada de ontem, o site do Sinditest mostra uma matéria bem pachola.  Chama-se "Conheça a história do Sinditest e as ações políticas do último período" e apresenta um vídeo chatinho de 10 minutos. Se omitisse o trecho "Conheça a história do Sinditest", aí seria fiel ao conteúdo, que nada mais é que uma peça de propaganda da atual Diretoria PSTUísta, a última maravilha do showbiz ultraesquerdista.

Muitos jornalistas se metem a historiadores e alguns vão bem, mas em geral é melhor deixar a História para historiadores.  A Assessoria de Comunicação (ASCOM) do Sinditest inventou de falar em "história" do sindicato (fundado em 1992) mas só mostra mesmo fotos com musiquinha de fundo das gestões de 2012 para cá!  Ora, bolas.

Essa atitude lembra muito movimento estudantil, em que é comum que, quando uma gestão nova derrota uma antiga no Centro Acadêmico ou no DCE, se passe a borracha em tudo que ocorreu antes, como se a "história" só começasse a partir da nova gestão. É bem o que fez a gestão 2012-2014 e, mais ainda, a atual gestão de Carla Cobalchini.

Nem para fazer um mínimo levantamento documental essa ASCOM foi capaz e começou errando de cara: afirma que "Em 05 de novembro de 1992, onde é hoje o prédio do DCE, nascia o Sinditest...".

Não, caros jornalistas do Sinditest, o sindicato nasceu em uma assembleia geral realizada em 05/11/1992 no Anfiteatro 100 do Edifício D. Pedro I, não no prédio do DCE.  O Diretório Central dos Estudantes da época, solidariamente, cedeu um de seus andares para abrigar provisoriamente o sindicato que nascia, até que ele reunisse forças para ter sua sede própria.  

Uma história minimamente decente dos 22 anos de existência do Sinditest ainda está por ser escrita, mas isto requer antes de tudo a coleta paciente de documentos escritos, audiovisuais e outros desde 1992, além de depoimentos de antigos diretores sindicais, para a posterior produção de material que seja informativo e educativo para todos os trabalhadores da base, não para enaltecer esta ou aquela gestão passada ou presente.

domingo, 26 de outubro de 2014

Nunca esqueça em quem votou!

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Como fica óbvio pela figura acima, votei por mais um mandato da Presidenta Dilma. A única candidatura que permite esperança de um novo ciclo de mudanças de sentido progressista. A candidatura neoliberal do playboy mineiro significa claro retrocesso às medidas impopulares e recessivas da tenebrosa Era FHC (anos 1990).

Mas expus meu próprio comprovante eleitoral neste Blog para pedir uma coisa a todos os eleitores e eleitoras de meu estado, do meu país: ANOTEM os nomes das candidaturas que apoiaram nas urnas.  Meu método pessoal é simples: anoto na frente ou no verso do papelzinho entregue pela mesa eleitoral os nomes que escolhi e respectivos cargos. 

Tenho a memória escrita das candidaturas que apoiei desde eleições nos meados dos anos 1980. Sugiro, ou melhor, peço que todos façam o mesmo, seja no comprovantezinho ou noutro material, e que ele seja guardado junto com o título eleitoral.

É bem sabido que mais de metade dos eleitores não se lembra mais em quem votou passado um ano da eleição. Especialmente no caso de vereadores, deputados e senadores.  Depois, quer cobrar como?

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Marina e a UDN, 60 anos depois

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A UDN – que levou Vargas ao suicídio, que derrubou Jango em 64 e que há 12 anos tenta encurralar Lula e o PT – é capaz de embarcar em qualquer aventura. A pergunta é: a democracia brasileira, pela terceira vez, fará esse mergulho no desconhecido em 2014?

Por Rodrigo Vianna, na Revista Forum

A velha UDN tinha uma estranha fixação por militares. Os candidatos presidenciais udenistas - derrotados por Dutra (1945), Vargas (1950) e Juscelino (1955) – eram sujeitos que vestiam farda: Juarez Távora e Brigadeiro Eduardo Gomes.

Com um discurso moralista, os udenistas (civis ou fardados) colhiam a insatisfação das classes médias urbanas que detestavam as políticas sociais do trabalhismo. Algo parecido com o discurso do atual bloco demo-tucano (que chama Bolsa-Família de “bolsa-esmola”).

A UDN era ruim de voto. Mas boa na agitação golpista: no dia 24 de agosto de 1954, há exatos 60 anos, Carlos Lacerda (principal agitador udenista) e seus aliados militares encurralaram o trabalhismo – levando Vargas ao suicídio.

A UDN seguiu perdendo eleição até que, em 1960, resolveu buscar um candidato “de fora”. Janio Quadros - líder hstriônico, que passava a imagem de não se render aos “conchavos” políticos - finalmente levou a UDN ao poder. ”O jeito é Janio”: foi o slogan de campanha. Mas Janio não era um autêntico udenista. O governo dele foi uma crise só. Janio renunciou antes de completar um ano no poder.

Em 1989, para impedir a vitória do monstro “Brizula” (Brizola e Lula eram favoritos, diante da crise do governo Sarney), a Globo fez o papel de UDN e escolheu Collor. Caçador de marajás, inimigo de “tudo que está aí”, Collor ganhou. Mas caiu 3 anos depois. 

Em 2014, os conservadores parecem dispostos a embarcar em nova aventura. Depois de 3 derrotas consecutivas, o bloco demo-tucano está dividido. Os setores mais orgânicos insistem com Aécio Neves. Mas parte da mídia, dos bancos e da classe média aceita qualquer nome que seja capaz de derrotar o PT.

Está claro que os “neo-udenistas” legítimos (FHC, Serra, Aécio) não conseguirão derrotar o lulismo no voto. O destino apresentou à UDN um nome “de fora”. Marina Silva, certamente, não é Janio. Não é Collor. Tem uma trajetória respeitável. Mas sua candidatura já foi capturada pelos setores conservadores: economistas neoliberais e a banqueira Neca Setúbal comandam a tropa.

Aliada ao PSDB e ao DEM, a velha mídia resiste em embarcar no marinismo. Mas em uma ou duas semanas, o jogo estará jogado. Se Aécio minguar para 15%, e Marina passar dos 25%, a velha UDN dará mais um salto no desconhecido.

Por enquanto, as revistas semanais trazem o nome de Marina Silva associado a um ponto de interrogação. Nos bastidores, inicia-se um balé de cobranças e concessões. Marina precisa mostrar-se confiável para o mercadismo (que desconfia da “estatista” Dilma). Em duas semanas, o ponto de interrogação pode virar exclamação: Marina é o jeito, contra “tudo que está aí”!

Sem partido, avessa aos “conchavos”, Marina Silva é uma política profissional que finge detestar a política. Igualzinho a Janio e Collor - ilusionistas do voto.

Pesquisas internas mostram que Aécio se esfacela. O mineiro tenta reagir: conta com os aliados midiáticos, para desconstruir Marina. Dossiês e denúncias saem das gavetas. Mas Abril e Globo talvez não queiram queimar Marina - único Plano B, para derrotar Dilma.

Marina tem uma avenida livre pela frente: PSDB em crise, Aécio perdido entre um discurso oposicionista e as promessas de manter o Bolsa Família (uai, a turma que vota nos tucanos não diz que aquilo é ”bolsa esmola”?), mídia desesperada por derrotar o lulismo..

Se eu pudesse arriscar um palpite, diria que a máquina midiática aliada do tucanato não vai ajudar o candidato do PSDB. Aécio vai minguar, e pode perder até o governo de Minas para o PT.

Misto de líder messiânica da “nova política” e parceira confiável dos bancos, Marina vira favorita. Só Lula será capaz de barrá-la. E talvez nem ele.

Lula talvez precise se guardar para construir alternativas mais à frente. Um eventual governo Marina, não tenho dúvidas, terá o mesmo padrão de instabilidade que marcou Janio e Collor.

A UDN - que levou Vargas ao suicídio, que derrubou Jango em 64 e que há 12 anos tenta encurralar Lula e o PT – é capaz de embarcar em qualquer aventura. Isso já sabemos. Mas a pergunta é: a democracia brasileira, pela terceira vez, fará esse mergulho no desconhecido em 2014?

sábado, 5 de abril de 2014

Derrubando monumentos. E documentos?

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Não tenho como não saudar a iniciativa do movimento de jovens denominado "Levante Popular da Juventude" na data marcante dos 50 anos do golpe militar de 1964, em que derrubaram e arrastaram o busto do ex-reitor da UFPR Flávio Suplicy de Lacerda, figura que serviu de auxiliar à ditadura instaurada em 1964, sendo ministro da educação da direita militar e perseguindo os estudantes.

Suplicy de Lacerda, embora reacionário, deu importante contribuição à sobrevivência da Universidade do Paraná nos anos 1940, quando era reitor, lutando por sua federalização, concretizada em 1950.  Não obstante essa contribuição de garantir uma instituição pública de educação superior no Paraná, Suplicy, quando do advento da ditadura militar em 1964, tornou-se dela ministro, realizando ações de duro cerceamento da liberdade de expressão e organização do movimento estudantil, além da tentativa de implantação de um curso pago em 1968.  Nesse ano, em maio, deu-se a famosa "tomada da Reitoria", jornada guerreira heroica do movimento estudantil que barrou a tentativa de ensino pago, ocasião em que o busto do ex-reitor foi arrancado de seu pedestal e arrastado por ruas de Curitiba.

Agora, em abril de 2014, o mesmo gesto simbólico contra o reacionarismo de 1964 foi repetido, disparado contra o busto em bronze de Suplicy que "olha" para a entrada da Reitoria da UFPR, no campus central.  A juventude pichou o busto, destacou-o de seu pedestal de pedra, arrastou pela rua e até agora o retém em local não divulgado.

A Reitoria da UFPR emitiu nota protestando contra o que considera "dano ao patrimônio histórico" e reivindica a devolução da imagem esculpida.  Os jovens do "Levante" criticaram duramente a nota do reitor Zaki Akel e não desejam que a situação volte ao que era antes.  Propõem que:

"O destino do busto deverá ser definido pela Comissão da Verdade juntamente com os movimentos sociais. Uma audiência pública aberta e democrática da Comissão da Verdade será uma ótima oportunidade para demonstrar o trabalho que deve-se fazer para REESCREVER a História Brasileira, garantindo a verdade e a vontade de superar os erros do passado. O passado não pode ser mudado. O presente, todavia, está em nossas mãos."

"Sugerimos deixar a base do Busto com sua placa no local, mas somente se lá for adicionada outra placa explicando o porquê de o busto ter sido derrubado, tanto em 1968 quanto em 2014. Ou mesmo substituir o busto deste agente da ditadura por um representante da comunidade acadêmica do período ditatorial que lutou pela democracia e pela liberdade, como Vieira Neto."

É apropriado que o busto seja deixado aos cuidados da Comissão da Verdade, a qual tem uma representação de nível estadual e também uma própria da UFPR, e essas Comissões debaterão democraticamente o que fazer.  A ideia do "Levante" de acrescentar uma nova placa ao pedestal do busto de Suplicy de Lacerda, onde conste também um resumo de seus serviços a um governo fascista, torturador e assassino, junto com a placa laudatória, é um serviço à preservação da História.

Por fim, anote-se aqui que qualquer monumento, como o busto de Suplicy, goste-se ou não dele, é uma documentação de um período da história brasileira, como o são tantos outros monumentos/documentos país afora e pelo mundo.  Não se pode acabar com essas fontes de memória e história sob o pretexto de razões políticas por mais cabíveis e progressistas que sejam, pois com isso privamos historiadores e gerações atuais e futuras do acesso a tais fontes de memória.  E, a cada tempo, e sempre que se reescreve a História, acrescem-se novos dados e interpretações a fatos, períodos, personalidades.  Por que não podemos gravar as novas interpretações históricas, em bronze se preciso, nos documentos/monumentos que criticamos sem ser preciso os exterminarmos?

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A íntegra do jornal que está obrigando os técnicos filiados ao Sinditest a pagar 107 mil reais a Roseli Isidoro e mais cinco servidores

2 comentários:
Publicamos aqui a íntegra do "Jornal do Sinditest" de janeiro do ano 2000, que motivou um processo por danos morais movido pela servidora licenciada Roseli Isidoro e mais cinco servidores, pelo qual a categoria está obrigada, através do Sinditest, a desembolsar 107 mil reais de indenização, custas e honorários advocatícios.  Republicamos por uma questão de memória sindical e por entender que a categoria deve saber a razão pela qual seu sindicato poderá ser financeiramente penalizado, uma vez que todo o processo está tramitado e julgado. Clique nas figuras e use o controle de zoom de seu navegador de internet para ampliá-las.





segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Diretoria do Sinditest repudia dívida judicial a ser paga a Roseli Isidoro

4 comentários:
O Sinditest completa 20 anos de existência em novembro deste ano.  A iniciativa de fundá-lo partiu de todos os grupos e lideranças que já atuavam na categoria ao longo dos anos 80, quando existia apenas a Asufepar.  Moacir foi presidente provisório no período que precedeu a primeira eleição sindical, e Antonio Néris elegeu-se o primeiro presidente no mandato 1993-95.  Nessa época, o grupo que era praticamente um só brigou feio e rachou, surgindo a candidatura de Roseli Isidoro (então servidora do HC) a presidente, que ganhou a eleição contra Néris e fez dois mandatos, de 1996 a 1999.  Entretanto, desses antigos rachas brotaram ódios viscerais entre o grupo ligado a Roseli e o de Antonio Néris.

Néris reconquistou a presidência, derrotando o grupo de Roseli no final de 1999 e a briga não parou aí.  Logo no começo do ano 2000 Néris ordenou a publicação de um jornal com textos criticando a administração anterior de Roseli, trazendo insinuações sobre supostos desvios de recursos.  A autoria exata desses textos nunca foi revelada.  Roseli, sentindo-se vítima de danos morais pela publicação da gestão de Néris, iniciou processo judicial, exigindo indenização e direito de resposta.  Na mesma ação judicial também ingressaram Méri Polezi, Mário Setim, Norton Nohama, Gessimiel Germano ("Paraná") e Arielto Alves.  

A ação começou em meados de 2000 e faz poucos meses que a Justiça confirmou ganho de causa para Roseli, obrigando o Sinditest a pagar mais de cem mil reais.  Não conseguindo identificar a autoria pessoal (ou autorias) dos textos considerados ofensivos, o grupo de Roseli resolveu nomear réus todos os membros da diretoria executiva da gestão 2000-2001, um total de 16 pessoas.  Várias reuniões de diretorias passadas do Sinditest e até uma assembleia em 2008 (convocada de modo questionável) consideraram que, não sendo apontado o autor do texto e sendo o jornal um veículo de comunicação da entidade, a responsabilidade judicial deveria ser de toda a entidade, ou seja, de todos os filiados.

Foi preciso recuperar resumidamente esse histórico para contextualizar a cobrança de R$107 mil que o grupo de Roseli hoje faz sobre a atual diretoria do Sinditest.  Indignada com a cobrança e obrigada a publicar em larga tiragem um direito de resposta, a diretoria emitiu nota no site do Sinditest intitulada 
"Conflito entre Roseli Isidoro e Antônio Néris causa prejuízo de 107 mil reais para a categoria".  Inclusos nesse montante estão cerca de R$13.700 para cada um dos seis autores da ação e valores relativos a custas judiciais.

É péssimo quando grupos ou pessoas recorrem ao poder judiciário para tratar de problemas que são políticos, ao invés de tentar resolve-los nas instâncias internas do movimento sindical.  Por outro lado, à medida que foi passando o tempo nesta década, ficou claro como o método mandonista de certas lideranças, como o Dr. Néris e Wilson Messias, foi aos poucos sufocando a democracia sindical nesta entidade.  Basta rever diversas matérias publicadas ao longo de cinco anos neste Blog.  Situação lamentável nos 20 anos do Sinditest.

sábado, 27 de agosto de 2011

Memória sindical

5 comentários:
Depois de inaugurarmos uma prática nova no movimento sindical da base do Sinditest, com a transmissão ao vivo pela internet das assembleias locais da greve 2011, vídeos que ficam guardados num site para quando se quiser reve-los, isto nos remete a uma questão importante: a memória das ações do sindicato.  Além dos vídeos das transmissões, temos os textos publicados no Blog da Greve e também neste Blog NaLuta.  Mas, note-se que é raro que depois de cada assembleia se produzam atas e não se sabe se existe algum outro registro, em papel ou eletrônico, de toda essa atividade.

Por isso, reproduzimos abaixo artigo do consultor sindical João Guilherme Vargas Neto, que alude ao tema.

MEMÓRIA SINDICAL


Estamos acostumados a ouvir que o movimento sindical brasileiro é ágrafo, quer dizer, não tem registro escrito dos seus dirigentes, eles não costumam escrever refletidamente sobre suas experiências. Mesmo a academia abandonou ou relegou a uma situação inferior os estudos sobre o trabalho e consequentemente sobre a ação sindical.

O que ouvimos não deixa de ser verdade. Os dirigentes não escrevem (a não ser textos curtos de agitação) e o movimento não se analisa. Mergulhados no praticismo do dia-a-dia, os dirigentes e os ativistas, mesmo os melhores e mais experientes, não têm podido dedicar-se à escrita longa e apenas transmitem, de maneira oral e assistemática ou em seus textos curtos, suas experiências e sua sabedoria.

Algo começa mudar e começa a mudar como devia ser: com o início da busca da própria história. Recebi como regalo o alentado livro “Sinttel/RJ 1984-2009 - Uma fotobiografia de 25 anos de ação”, de Maria Cláudia Pereira da Silva sobre as lutas sindicais dos trabalhadores de telecomunicações do Rio de Janeiro.

É um livro primoroso, bem cuidado e editado, que tem a elegância de um álbum.  Felizmente não é o único exemplo, mas quero destacá-lo em regozijo pelo presente.



Faço a sugestão às centrais sindicais, às outras entidades e aos Centros de Memória Sindical de organizarem a coleta e registro sistemático das obras que o movimento tem editado, chegando em prazo curto a produzir um catálogo das publicações sindicais sobre sua história, sobre a história das entidades e suas lutas, depoimentos dos dirigentes e comemorações de lutas e efemérides. Se esta sugestão for acatada e trabalharmos com inteligência, faremos que a escrita dos sindicatos, além da agitação que já é feita pela imprensa sindical, reforce o protagonismo que o movimento sindical vem adquirindo na sociedade.

domingo, 3 de abril de 2011

Um pouco de história: recordar o março golpista de 1964 e suas causas

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O título do editorial do jornal Correio da Manhã que circulou no dia 31 de março de 1964, há exatamente 47 anos, sintetizou numa palavra o desejo da elite brasileira naquele dia: "Basta!". No dia seguinte, 1º de abril, o jornal repetiu a dose: "Fora!". A mídia vinha entoando um coro muito bem afinado contra o governo do presidente João Goulart e incitando o golpe.

A Folha de S. Paulo do dia 27 de março de 1964, em editorial intitulado "Até quando?", indagou: "Até quando as forças responsáveis deste país, as que encarnam os ideais e os princípios da democracia, assistirão passivamente ao sistemático, obstinado e agora já claramente declarado empenho capitaneado pelo presidente da República de destruir as instituições democráticas?" O jornal O Estado de S. Paulo do dia 14 de março disse: "(...) Depois do que se passou na Praça Cristiano Ottoni (...), após a leitura dos decretos presidenciais que violam a lei, não tem mais sentido falar-se em legalidade democrática, como coisa existente."


No dia anterior, cerca de duzentas mil pessoas participaram do famoso comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, no qual foi anunciado que o presidente acabara de assinar, no Palácio das Laranjeiras, o Decreto da Supra (Superintendência da Política Agrária), que propunha um plano de desapropriação dos latifúndios improdutivos acima de 500 hectares, por interesse social. O presidente mexeu num vespeiro. No dia 19 de março de 1964 — dia de São José, padroeiro da família — mulheres ricas paulistas lideraram a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", incitando ao golpe militar. Em nome da família, de Deus e da liberdade o movimento estava defendendo os interesses terrenos dos latifundiários, banqueiros e industriais.

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Fonte: Fundação Mauricio Grabois

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

31 anos de história da FASUBRA na revista a ser lançada em janeiro

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Uma ótima iniciativa da FASUBRA, a acontecer durante o Forum Social Mundial de janeiro/2010, em Porto Alegre: o lançamento de uma revista comemorativa dos 31 anos de luta da Federação dos servidores técnico-administrativos. A publicação ainda está em fase de acabamento e deve apresentar, ao longo de 100 páginas, um pouco da história das lutas dos trabalhadores das universidades nessas 3 décadas, desde a fundação em 19/12/1978, em João Pessoa (PB).


Elogiamos desde já esse trabalho, que faz parte do Projeto "Memória da FASUBRA", pois um olhar abrangente desde o passado até o presente é elemento indispensável para se entender mais precisamente o quanto houve de avanços no movimento dos trabalhadores. Deve-se conhecer a história não para usá-la como "juiz" de nada do que se deu no passado, nem para "ensinar lições", mas para compreendermos melhor os problemas do presente, etapa indispensável de quem pretenda enfrentá-los.


Esperamos que o SINDITEST possa obter um número suficiente de exemplares dessa publicação da FASUBRA, de modo a levar essa história a toda a base da UFPR e UTFPR. E que também por aqui haja iniciativas no sentido de delinear a própria história do SINDITEST-PR, que, em novembro último, completou 17 anos de existência.