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terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Meu pai "ruim de bola"

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Meu pai chegava da firma de comércio marítimo às 18 horas. Cansado do trabalho. Ainda era dia em Paranaguá. Tínhamos um pátio grande diante da nossa casa, onde eu jogava bola com os guris da vizinhança, durante a tarde depois da escola.

Meu pai vinha nesse fim de tarde e me chamava para um “gol a gol”, em que cada contendor fica defronte a uma das paredes do pátio como se fosse a meta do futebol a defender e um chuta a bola contra o outro a partir de sua própria “meta”.

Ele, ainda de terno, disputando uma partida que quase sempre perdia. Uma dupla vitória a minha: nos gols e na ternura do meu pai que queria divertir o filho.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Parabéns à torcida do Corinthians! Fora monopólio da Globo!

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Ontem à tarde, no gramado do estádio Itaquerão, o clássico Corinthians x São Paulo.  De repente, lá pelas tantas, as atenções se voltam para as arquibancadas. No meio da torcida organizada corinthiana, despontam faixas de protesto:

"Quem vai punir o ladrão de merenda?"

"Futebol refém da Rede Globo"

"Ingresso mais barato"

"CBF, FPF, vergonha do futebol".

Desta vez, diversamente do ocorrido no jogo de quarta-feira passada, quando também surgiram faixas de crítica à Globo, a PM fascistoide do governo Alckmin não conseguiu reprimir o protesto e arrancar as faixas.  Foi o imbecil do juiz quem parou o jogo e pediu ao capitão do Corinthians que instasse a torcida a retirar o protesto.  Sem sucesso, a torcida manteve as faixas.

Foi um jornalista do canal ESPN quem mais tarde, via Twitter, postou foto e revelou a razão da parada do jogo, oculta pelo canal da Rede Globo que transmitiu o jogo.


Desde protestos quase solitários na mídia do ex-jogador Alex, do Coritiba, fundador do Bom Senso FC - que incriminava a Rede Globo e a CBF pelas mazelas do futebol - que não se via esse tipo de manifestação.   Entramos na "torcida organizada brasileira" para que isso possa se revelar uma mudança de consciência do povo paulista contra seu reacionário governo estadual (ladrão de merenda escolar e fechador de escolas), contra o absurdo monopólio da Rede Globo sobre o futebol e a corrupção instalada na CBF e nas federações.

E que tais manifestações politizadas se repitam em todas as arquibancadas do Brasil enquanto nada mudar.

O Corinthians ganhou duas vezes ontem: no gramado, derrotando o rival; na torcida, com suas faixas!  

domingo, 13 de abril de 2014

Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética

Um comentário:
A pura, a santa verdade é a seguinte: qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas desinibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: temos dons em excesso.

Por Nelson Rodrigues, na Manchete Esportiva, em 31/05/1958

Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana.  Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética.  Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: - "O Brasil não vai nem se classificar!"  E, aqui, eu pergunto:: - não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?

Eis a verdade, amigos: - desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo.  A derrota frente aos  uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro.  Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar.  Dizem que tudo passa, mas eu vos  digo: - menos a dor de cotovelo que nos ficou dos 2 x 1(*). E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo passou em vão sobre a derrota.  Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título.  Eu disse arrancou como poderia dizer: - "extraiu" de nós o título, como se fosse um dente.

E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvida: - é ainda a frustração de 50 que funciona.  Gostaríamos talvez de acreditar na seleção.  Mas o que nos trava é o seguinte: - o pânico de uma nova e irremediável desilusão.  E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança.  Só imagino uma coisa: - se o Brasil vence na Suécia, se volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a  fé que negamos, rebentaria todas as comportas, e sessenta milhões de brasileiros iam acabar no hospício.

Mas vejamos: - o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas?  Eu poderia responder, simplesmente, "não".  Mas eis a verdade: - eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: - sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo.  Tenho visto jogadores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros,  que apanharam, aqui, do aspirante enxertado do Flamengo.  Pois bem: - não vi ninguém que se comparasse aos nossos.  Fala-se num Puskas.  Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.

A pura, a santa verdade é a seguinte: - qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas desinibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção.  Em suma: - temos dons em excesso.  E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades.  Quero aludir ao que eu poderia chamar de "complexo de vira-latas".  Estou a imaginar o espanto do leitor: - "O que vem a ser isso?"  Eu explico.

Por  "complexo de vira-latas" entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo.  Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol.  Dizer que nós nos  julgamos "os maiores" é uma cínica inverdade.  Em Wembley, por que perdemos?  Porque, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade.  Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo.  Na já citada vergonha de 50, éramos superiores ao adversário.  Além disso, levávamos a vantagem do empate.  Pois bem: -  e perdemos da maneira mais abjeta.  Por um motivo muito simples: - porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fossemos.

Eu vos digo: - o problema do escrete não é de futebol, nem de técnica, nem de tática.  Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo.  O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender lá na Suécia.  Uma vez que ele se convença  disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará  de dez para segurar, como o chinês da anedota.  Insisto: - para o escrete, ser ou não ser vira-lata, eis a questão.
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(*)Final da Copa do Mundo de 1950 no Maracanã, em 16/07/1950, quando o Brasil perdeu o título para o Uruguai ao perder por 2 a 1.
Fonte: RODRIGUES, Nelson. A Pátria de chuteiras. Rio: Nova Fronteira, 2013.

domingo, 5 de janeiro de 2014

A jogada da Copa

Um comentário:
Seis meses depois dos protestos que tomaram inúmeras cidades brasileiras, decantadas as insatisfações apresentadas pelos manifestantes e as múltiplas soluções aventadas por todos os atores políticos para a estranha crise que se formou, temos um quadro bem claro. A maioria da população quer mudanças no país, mas prefere que elas sejam conduzidas por Dilma e não pela oposição. A presidenta lidera em todas as sondagens de intenção de voto.

Por Gabriel Priolli, em seu site

Falta muito tempo até as eleições, certamente, e já assistimos a oscilações espetaculares de intenção de voto nos pleitos anteriores, inclusive candidaturas que “atropelaram” na reta final e venceram. Tudo pode acontecer, portanto, até que se proclamem os resultados. Mas, até segunda ordem, quem lidera é Dilma. A soma dos votos de seus adversários não supera os votos da candidata governista e tudo indica que a eleição será definida já no primeiro turno.

Sim, mas há um outro roteiro possível para este ano. Nele, as massas sairiam novamente às ruas em junho, em plena Copa do Mundo, e causariam tal transtorno à competição que seria impossível ignorá-las. A mídia mundial distribuiria a todo o globo imagens de multidões pedindo reformas, de black blocs destruindo seus alvos habituais e das polícias reprimindo com a cortesia conhecida.

As cenas passariam a impressão de um país sem governo e de um governo sem legitimidade – impressões absolutamente falsas. Mas o que é mesmo a verdade, nessas coisas da mídia e da enunciação de seus conteúdos?

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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Tico de humildade e canja de galinha

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A seleção dos "manos" jovens do sindicalismo da UFPR podia tirar umas lições depois das duas tequiladas que os jovens da seleção do Mano levaram ontem do México, né não?


Ah, sim, e o Sinditest parece que desmente a contratação de Ronaldinho Gaúcho pra animar futuros pagodes na sede social da Marechal Deodoro. Pra jogar na Copa Fasubra é que não ia ser!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Ex-reitor da UFPR toma goleada na eleição do Atlético Paranaense

Um comentário:
Sendo fato que envolve pessoas do âmbito da UFPR, comentamos aqui a fragorosa derrota da Chapa "Mais Futebol", encabeçada pelo ex-reitor da UFPR, José Henrique de Faria, que disputou ontem a direção do Atlético Paranaense. A Chapa "Coração Rubro-Negro", composta por amigos do sempre poderoso Mario Celso Petraglia, venceu com a ampla folga de 77% dos votos o ex-reitor que se apresentou como oposição.