Em caso de efetiva
deflagração de uma greve nacional dos técnicos (marcada para começar em 17 de março), é usual que o movimento faça manifestações públicas.
São atos e passeatas para expor à sociedade nossas demandas
sindicais e posições. De forma combativa e crítica, mas nunca
violenta. Somos todos trabalhadores e trabalhadoras do serviço
público, que vão à luta com a cara e a coragem. Mas de cara limpa.
Temos visto nas últimas
semanas manifestações em São Paulo e Rio de Janeiro, onde se
misturam bandeiras ilusórias de sabotagem da Copa do Mundo de
futebol (o pessoal do “Não Vai Ter Copa”) com reivindicações
justas de resistência a aumentos nas tarifas do transporte coletivo
público. Enquanto se mantiveram no campo do protesto exaltado mas
pacífico, tudo bem.
No entanto, em todas elas
apareceram manifestantes embuçados, usando máscaras macaqueando a
de um filme americano (máscara do “V”, símbolo usado hoje pelo
grupo “Anonymous” e por alguns agregados que se dizem
anarquistas) ou panos pretos cobrindo o rosto.
Não bastasse abusos de
truculência de PMs, como a comandada pelo governador tucano
paulista, os mascarados passaram a também barbarizar e vandalizar.
Desta vez atingindo trabalhadores inocentes.
Em São Paulo, os
mascarados atearam fogo em colchões para fazer “revolucionárias
barricadas” e isso levou ao incêndio do fusquinha velho de um mero
trabalhador paulistano, que tentava fugir da confusão com sua
família; por sorte ninguém se feriu, mas o veículo de trabalho
daquela pessoa foi carbonizado.
O pior mesmo se deu no
Rio no último 6 de fevereiro, quando um irresponsável, usando pano preto para ocultar o rosto, soltou
um rojão no chão que atingiu em cheio a cabeça de um cinegrafista
da TV Bandeirantes. A vítima perdeu uma orelha, teve o crânio
afundado, está em coma e sob risco de morrer. Se viver, sabe-se lá
o grau de dano cerebral que restará(*). Os registros de imagem não deixam dúvida de que foi um desses mascarados o autor do que está configurado como "tentativa de homicídio qualificada".
Em Curitiba também
existem mascarados, comumente tratados pela designação geral de
“black blocs”. Se os “BB” tem parte de suas origens na
esquerda anticapitalista, isso já perdeu em muito o valor e
consideração possíveis diante do clima de barbárie que (junto com
exageros de polícias), ajudaram a criar nas ruas quando há
protestos.
Ninguém tem como assegurar que os “BB” sejam somente “do bem”
se, debaixo de máscaras, podem se encontrar, infiltrados, meros vândalos do patrimônio público e privado, bandidos,
provocadores políticos que só querem ver o circo pegar fogo para
gerar instabilidade política (a qual só interessa à direita deste país, analogamente a 1964).
Por tais razões, e
porque não devemos permitir que demonstrações públicas da futura
greve dos técnicos das IFES sejam bagunçadas e manchadas por
infiltrados provocadores, deve ser uma resolução formal do
movimento que todo mascarado estará vetado. Nada devemos nem
escondemos, vamos à luta de cara limpa! Mascarado não!
-------------
(*)ATUALIZAÇÃO às 12h30: na manhã de hoje (10), foi constatada a morte encefálica do cinegrafista atingido pelo rojão lançado por um mascarado "black bloc". Está preso um cúmplice do homicídio e parece já haver elementos para achar o assassino.
-------------
(*)ATUALIZAÇÃO às 12h30: na manhã de hoje (10), foi constatada a morte encefálica do cinegrafista atingido pelo rojão lançado por um mascarado "black bloc". Está preso um cúmplice do homicídio e parece já haver elementos para achar o assassino.

