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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Na futura greve de técnicos, ir às ruas! Sem máscaras nem mascarados

7 comentários:
Em caso de efetiva deflagração de uma greve nacional dos técnicos (marcada para começar em 17 de março), é usual que o movimento faça manifestações públicas. São atos e passeatas para expor à sociedade nossas demandas sindicais e posições. De forma combativa e crítica, mas nunca violenta. Somos todos trabalhadores e trabalhadoras do serviço público, que vão à luta com a cara e a coragem. Mas de cara limpa.

Temos visto nas últimas semanas manifestações em São Paulo e Rio de Janeiro, onde se misturam bandeiras ilusórias de sabotagem da Copa do Mundo de futebol (o pessoal do “Não Vai Ter Copa”) com reivindicações justas de resistência a aumentos nas tarifas do transporte coletivo público. Enquanto se mantiveram no campo do protesto exaltado mas pacífico, tudo bem.

No entanto, em todas elas apareceram manifestantes embuçados, usando máscaras macaqueando a de um filme americano (máscara do “V”, símbolo usado hoje pelo grupo “Anonymous” e por alguns agregados que se dizem anarquistas) ou panos pretos cobrindo o rosto.

Não bastasse abusos de truculência de PMs, como a comandada pelo governador tucano paulista, os mascarados passaram a também barbarizar e vandalizar. Desta vez atingindo trabalhadores inocentes.

Em São Paulo, os mascarados atearam fogo em colchões para fazer “revolucionárias barricadas” e isso levou ao incêndio do fusquinha velho de um mero trabalhador paulistano, que tentava fugir da confusão com sua família; por sorte ninguém se feriu, mas o veículo de trabalho daquela pessoa foi carbonizado.


O pior mesmo se deu no Rio no último 6 de fevereiro, quando um irresponsável, usando pano preto para ocultar o rosto, soltou um rojão no chão que atingiu em cheio a cabeça de um cinegrafista da TV Bandeirantes. A vítima perdeu uma orelha, teve o crânio afundado, está em coma e sob risco de morrer. Se viver, sabe-se lá o grau de dano cerebral que restará(*).  Os registros de imagem não deixam dúvida de que foi um desses mascarados o autor do que está configurado como "tentativa de homicídio qualificada".

Em Curitiba também existem mascarados, comumente tratados pela designação geral de “black blocs”. Se os “BB” tem parte de suas origens na esquerda anticapitalista, isso já perdeu em muito o valor e consideração possíveis diante do clima de barbárie que (junto com exageros de polícias), ajudaram a criar nas ruas quando há protestos. 

Ninguém tem como assegurar que os “BB” sejam somente “do bem” se, debaixo de máscaras, podem se encontrar, infiltrados, meros vândalos do patrimônio público e privado, bandidos, provocadores políticos que só querem ver o circo pegar fogo para gerar instabilidade política (a qual só interessa à direita deste país, analogamente a 1964).


Por tais razões, e porque não devemos permitir que demonstrações públicas da futura greve dos técnicos das IFES sejam bagunçadas e manchadas por infiltrados provocadores, deve ser uma resolução formal do movimento que todo mascarado estará vetado. Nada devemos nem escondemos, vamos à luta de cara limpa! Mascarado não!
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(*)ATUALIZAÇÃO às 12h30: na manhã de hoje (10), foi constatada a morte encefálica do cinegrafista atingido pelo rojão lançado por um mascarado "black bloc".  Está preso um cúmplice do homicídio e parece já haver elementos para achar o assassino.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

São Paulo e Rio: quem aposta na violência

Um comentário:
Assassinatos de garotos e ataques midiáticos a manifestações confirmam: há interessados em generalizar repressão. Black-bloc é complexo, mas estaria sendo usado.

Por Antonio Martins - Site Outras Palavras

Uma espiral de fatos graves e estranhos está se sucedendo em São Paulo desde sexta-feira (25/10), quando mascarados agrediram, num ato de violência gratuita, um coronel da Polícia Militar. Comandantes da PM emitiram declarações como se fossem o governo do Estado. Quase duzentas pessoas foram presas de maneira arbitrária e, ao que tudo indica, a esmo. Um jovem de 17 anos foi assassinado domingo pela polícia em ação torpe, provavelmente com intuito de provocar reações de revolta. Ontem (28/10), caminhões e ônibus apareceram em chamas na rodovia Fernão Dias, em horário propício a exposição nos noticiários de maior audiência – sem que apareçam indícios de quem os incendiou.

Episódios anteriores sugerem: pode estar em gestação uma crise fabricada, em que a população, insegura e temerosa, clama pela ação das “forças da ordem” – sejam quais forem a truculência e os desdobramentos. Por isso, é importante soar o sinal de alarme e convidar a um exame mais amplo do cenário. Talvez ele revele que certas formas de radicalização artificial têm efeito contrário ao que imagina quem nelas se envolve. Na aparência, elas desafiam o Estado; na realidade, libertam seus mecanismos mais brutais de controle social, repressão e destruição da democracia.