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sábado, 10 de janeiro de 2026
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
"Foi Wilson Messias", acusou Márcio Palmares, do Sinditest
Em pelo menos uma
assembleia geral do Sinditest, o vice-presidente do sindicato, Márcio
Palmares, apontou o dedo acusador contra o ex-presidente Wilson
Messias (gestões 2008-2009 e 2010-1011), atribuindo a ele a
responsabilidade de, por exemplo, causar prejuízo à entidade por
contratar de modo precarizado uma jornalista. Esta trabalhadora foi à
justiça trabalhista e obteve ganho de causa contra o Sinditest,
fazendo jus a uma indenização de ordem de R$20 mil.
Isso sem falar na
contratação de empresas para fazer reformas na sede maracutaiada da
rua Marechal Deodoro... E tantos outros fenômenos de excelente gestão sindical.
Com uma parte da categoria sabendo desses rolos, por que é que a
diretoria do Sinditest não traz à luz, amplamente, todo o relatório final da
Auditoria pela qual todos os filiados pagaram? Tem medo do quê?
Talvez porque, mesmo
publicando uma matéria interpretativa (28/10/2013) do “resultado
preliminar” da auditoria, ainda assim a diretoria não consegue
livrar a responsabilidade da atual presidente e de outros
diretores de gestões pelegas passadas... E nem estamos falando da notória novela escandalosa da
venda da chácara de Piraquara.
Falamos, por exemplo, da
venda da subsede da rua Comendador Macedo, que é comentada na mesma matéria do Sinditest de 28/10/2013. Ali está escrito (provavelmente
de novo da autoria de Márcio Palmares), a partir da análise feita
pela auditoria da firma Concept:
“O imóvel foi vendido
em janeiro de 2010 pelo valor de R$ 195.000,00.
Do ponto de vista
contábil, houve falha grave. O valor da alienação foi registrado a
título de 'outras receitas operacionais'. Na ocasião da venda, o
valor do custo deveria ter sido devidamente reconhecido, e
posteriormente registrado o ganho na alienação do imóvel. Dois
anos antes da venda dessa sede, havia uma avaliação da imobiliária
Apolar atribuindo ao imóvel o valor de R$ 300.000,00.
Os auditores recomendam à
administração do Sindicato contratar perito para avaliar o valor
aproximado do imóvel à época, e se for o caso, discutir na justiça
a reintegração do bem ao sindicato, caso seja constatado dano ao
patrimônio.”
Vejam só:
- a Auditoria feita pela
Concept constata que a venda se deu por preço bem abaixo do mercado;
- a Auditoria supõe que houve dano ao patrimônio do sindicato pela venda abaixo
do preço de mercado;
- a Auditoria recomenda
nova peritagem imobiliária para confirmar o dano.
A Auditoria só não
orienta que o Sinditest identifique e responsabilize quem cuidou
dessa transação, e, curiosamente, os éticos vigilantes da
democracia operária na atual gestão do sindicato também nada tem
dito! Não querem identificar e punir os responsáveis?
Vamos, porém, nos dar à
chata tarefa de refrescar a memória da categoria:
- em 3 de outubro de
2008, uma tarde morta de sexta-feira na véspera da eleição de
prefeito, a Diretoria presidida por Wilson Messias convocou às
escondidas (só com uma nota perdida num jornal que ninguém lê) uma
assembleia geral com o intuito de aprovar a venda da subsede da rua
Comendador Macedo, assembleia de menos de 30 pessoas cuja lista de
presença contou com as assinaturas dos diretores Carla Cobalchini,
José Carlos Assis e o "governador" Bernardo Pilotto;
- a venda foi autorizada
por essa “assembleia-fantasma” e o imóvel foi vendido, a preço
abaixo do valor de mercado cerca de um ano depois, sem qualquer
reclamo sobre subfaturamento por parte dos diretores acima citados, que hoje são comandantes do
Sinditest.
Será por causa desses
“rabos presos” que a diretoria atual do Sinditest tenta ocultar o
Relatório Final da Auditoria?
A coisa fica mais
engraçada quando relemos este trecho da matéria do site do
Sinditest de 28/10/2013:
“Todos os dirigentes da
atual gestão, sem exceção, estão completamente isentos de
responsabilidade pelas falhas que serão apontadas a seguir, e apenas
a ação desonesta de pessoas interessadas em enfraquecer o sindicato
poderia supor que eles teriam qualquer envolvimento em tais casos.”
Risível. Muito risível. Porque eles todos são mesmo uma legião de anjinhos.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
A hipocrisia dos poderosos
Chora por Mandela, mas acha um absurdo pobre querer os mesmos direitos
Precisamos de mais pessoas como Mandela.
Pessoas que são capazes de usar a força quando necessário e adotar uma atitude conciliadora quando preciso. Mas que não descartam qualquer uma das duas acões políticas.
Por conta da morte de Mandela, estamos sendo soterrados por reportagens que louvam apenas um desses lados e esquecem o outro, como se as folhas de uma árvore existissem sem o seu tronco e os galhos. O apartheid não morreu apenas por conta do sorriso bonito e das falas carismáticas do líder sul-africano, mas por décadas de luta firme contra a segregação coordenada por uma resistência que ele ajudou a estruturar.
É fascinante como regimes execrados pelo Ocidente foram, muitas vezes, os únicos que estenderam a mão a Mandela e à luta contra o apartheid. E como, décadas depois, muitos países prestam suas homenagens a ele, sem um mísero mea culpa por seu papel covarde durante sua prisão. Ou, pior: como veículos de comunicação desse mesmo Ocidente ignoram a complexidade da luta de Mandela, defendendo que o pacifismo foi o seu caminho.
Desculpem, mas a necessária conciliação para curar feridas ou a tolerância são diferentes de injustiça. E ser pacifista não significa morrer em silêncio, em paz, de fome ou baioneta. A desobediência civil professada por Gandhi é uma saída, mas não a única e nem cabe em todas as situações em que um grupo de pessoas é aviltado por outro.
“Eu celebrei a ideia de uma sociedade livre e democrática, na qual todas as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver e o qual espero alcançar. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou pronto para morrer'', disse ele, ao ser condenado a 27 anos de prisão.
As histórias das lutas sociais ao redor do mundo são porcamente ensinadas. Ao ler o que os jovens aprendem nas carteiras escolares ou no conteúdo trazido por nós jornalistas, fico com a impressão que a descolonização da Índia, o fim do apartheid na África do Sul ou a independência de Timor Leste foram obtidas apenas através de longas discussões regadas a chá e um pouco de desobediência. Dessa forma, a interpretação dos fatos, passada adiante, segue satisfatória aos grupos no poder.
Muitos que hoje lamentam por Mandela detestam manifestações públicas e mudanças no status quo.
Adoram um revolucionário quando este é reconhecido internacionalmente e aparece em estampas de camisetas, mas repudiam quem ocupa propriedades, por exemplo, “impedindo o progresso''.
Leio reclamações da violência de protestos quando estes vêm dos mais pobres entre os mais pobres – “um estupro à legalidade” – feitas por uma legião de pés-descalços empunhando armas de destruição em massa, como enxadas, foices e facões. Ou contra povos indígenas, cansados de passar fome e frio, reivindicando territórios que historicamente foram deles, na maioria das vezes com flechas, enxadas e paciência. Ou ainda professores que exigem melhores salários e resolvem ir às ruas para mostrar sua indignação e pressionar para que o poder público mude o comportamento. Todos eles são uns vândalos.
Daí, essa pessoa que ama Mandela, mas não sabe quem ele é, pensa: poxa, por que essa gente maltrapilha simplesmente não sofre em silêncio, né?
Muitas das leis criticadas em protestos e ocupações de terra ou mesmo no apartheid não foram criadas pelos que sofrem em decorrência de injustiça social, mas sim por aqueles que estavam ou estão na raiz do problema e defendem regras para que tudo fique como está. Nem sempre a legalidade é justa. E essa frase assusta muita gente.
Mandela é a inspiração. Com ele, é possível acreditar que manifestações populares e ocupações resultem nos pequenos vencendo os grandes. E, com o tempo, os rotos e rasgados sendo capazes de sobrepujar ricos e poderosos.
Por isso, o desespero inconsciente presente em muitas reclamações sobre a violência inerente ou involuntária desses atos. Ou na tentativa de reescrever a história editando aquilo que não interessa.
Enquanto isso, mais um indígena foi morto no Mato Grosso do Sul. Mas tudo bem. Devia ser apenas mais um vândalo, não um homem de bem como Mandela.
Enfim, precisamos de mais pessoas como Mandela. Pois os bons do século 20 estão morrendo antes que realmente entendamos suas mensagens.
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Fonte: Blog do Sakamoto
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