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sexta-feira, 5 de junho de 2026

O polvo no espelho



Espelho, espelho meu, qual é o melhor teste de inteligência animal de todos? A capacidade de usar espelhos para localizar objetos escondidos, geralmente interpretada como um sinal de cognição espacial sofisticada, havia sido observada anteriormente apenas em vertebrados como mamíferos e aves. Agora, cientistas ensinaram um trio de polvos (Octopus bimaculoides) a fazer isso também.

Não foi fácil. “Nossos polvos eram animais bastante opinativos, que às vezes simplesmente se recusavam a participar do experimento”, disse a principal autora do estudo, Mary Kieseler, ao "IFLScience". Depois que um cefalópode teimoso aprendia como o espelho funcionava, ele era colocado em um aquário aberto nas partes superior e frontal, e os pesquisadores projetavam uma imagem virtual de um caranguejo no lado esquerdo ou direito de um espelho diretamente à sua frente. Um frasco de vidro contendo um caranguejo violinista vivo permanecia escondido após uma virada de 180°.

Em vez de se aproximarem do espelho e tentarem atacar a imagem projetada, os polvos contornavam o canto de forma confiável, onde eram recompensados com seu lanche. Essas criaturas espertas chegavam ao lado correto cerca de 73% das vezes, às vezes subindo por cima da lateral do compartimento em vez de nadar ao redor.

Os resultados, que são os primeiros a demonstrar que invertebrados podem usar espelhos para encontrar presas escondidas, são particularmente intrigantes porque os polvos se separaram no processo evolutivo dos humanos há mais de 500 milhões de anos. O fato de esses animais evolutivamente distantes terem desenvolvido uma capacidade semelhante de raciocínio espacialsugere que os processos cognitivos subjacentes podem estar sujeitos à evolução convergente”, afirmou Kieseler em um comunicado.  Isto é, embora polvos e seres humanos terem seguido caminhos evolutivos bem distintos, ao longo de milhões de anos, desenvolveram capacidades similares de raciocínio espacial.
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Fonte: Boletim da Revista Science de 4/6/2026.
Clique aqui para ver artigo completo (em inglês)

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