O novo Restaurante Universitário da UFRJ, a ser inaugurado no Centro da Tecnologia da Cidade Universitária, receberá o nome de "Áurea Valadão", estudante da UFRJ que tombou na Guerrilha do Araguaia lutando contra a ditadura militar. Em 2010, o então Reitor Aloísio Teixeira já havia inaugurado o RU do Centro de Ciências da Saúde com o nome de "Edson Luiz de Lima Souto", estudante assassinado pela repressão da ditadura em 1968 no antigo restaurante Calabouço, também no Rio. É uma justa homenagem do Conselho Universitário da UFRJ a quem militou em defesa das liberdades democráticas.
Quem foi Áurea Eliza Pereira Valadão
Militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Áurea participava do movimento estudantil da UFRJ e no começo dos anos 1970 deslocou-se à região do sul do Pará onde iria acontecer a Guerrilha do Araguaia, local de seu desaparecimento aos 24 anos de idade.
Nasceu em 6 de abril de 1950, em Areado, sul de Minas, filha de José Pereira e Odila Mendes Pereira. Sua família morava na Fazenda da Lagoa, município de Monte Belo, onde seu pai era administrador e, por isso, Áurea Eliza teve que ir, muito cedo, para o internato. Afetiva e risonha, sempre manteve um bom relacionamento com a família durante sua infância e adolescência. Mudou-se, em 1964, para o Rio de Janeiro, para cursar o 2° grau no Colégio Brasileiro, em São Cristóvão, morando com sua irmã Iara, com quem tinha laços muito estreitos e afetuosos.
Prestou vestibular, aos dezessete anos, para o Instituto de Física da UFRJ, em 1967, onde pretendia estudar Física Nuclear. Participou intensamente do movimento estudantil no período de 1967 a 1970, tendo sido membro do Diretório Acadêmico de seu Instituto, juntamente com Antônio Pádua Costa e Arildo Valadão - seu marido -, ambos também desaparecidos.
No início do ano de 1974, foi vista viva e em bom estado de saúde, no 23° Batalhão de Infantaria da Selva, pelo preso Amaro Lins, que prestou estas declarações no 4° Cartório de Notas de Belém/PA. Segundo depoimento de uma moradora de Xambioá (PA), que não quis se identificar, Áurea foi vista morta na delegacia da cidade, e seu corpo estaria enterrado no cemitério local.
Em 1991, familiares de mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia estiveram neste cemitério junto com a Comissão de Justiça e Paz e a equipe de legistas da Unicamp. Nessa ocasião, foram exumadas duas ossadas, uma de um negro, provavelmente Francisco Manoel Chaves (desaparecido) e outra de uma mulher, jovem, cujo corpo estava enrolado num pano de paraquedas com a identificação arrancada, que poderia ser de Áurea. Em 1996, os restos mortais encontrados no cemitério de Xambioá foram identificados como sendo de Maria Lúcia Petit, outra guerrilheira assassinada no Araguaia.
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Fonte: com informação do Grupo Tortura Nunca Mais.
