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quarta-feira, 2 de abril de 2025

Um circuito cerebral do 'bon appétit' pode limitar a efetividade de medicamentos contra a obesidade

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Provar uma refeição deliciosa é um dos mais simples prazeres da vida. Mas a comida pode por vezes ser gostosa demais, induzindo-nos a continuar mastigando mesmo quando nem temos mais fome.

ScienceAdviser - 02/04/2025

Este comportamento, conhecido como alimentação hedonista, pode às vezes levar a comer além da conta e à obesidade. Recentemente, experimentos em camundongos revelaram que neurônios que se projetam de uma parte do cérebro chamada área tegmental ventral (ATV) podem ser os culpados disso.

Embora a ATV seja frequentemente considerada como o "centro de recompensa" do cérebro, pesquisas anteriores sugeriram que a manipulação dos neurônios liberadores de dopamina nesta área pode reduzir o consumo de comida. Os autores de um novo estudo na revista Science descobriram, contudo, que os neurônios dopaminérgicos da ATV eram disparados somente enquanto os camundongos estavam no processo da alimentação - e se tornavam mais ativos em resposta a uma comida mais saborosa e densa em energia. A estimulação desses neurônios fez com que os animaizinhos continuassem comendo, ao mesmo tempo inibindo o consumo reduzido de alimento. A manipulação dos neurônios quando os camundongos não estavam comendo, entretanto, não teve nenhum efeito sobre seus comportamentos. A equipe de pesquisa também descobriu que, quando tratados com a droga anti-obesidade semaglutide (nome comercial: "Ozempic"), os camundongos exibiam baixa atividade neuronal dopaminérgica na ATV e ingeriam menos comida. À medida que esses camundongos perdiam peso, contudo, a atividade dos neurônios e o consumo de comida agradável aumentavam - potencialmente explicando porque esses medicamentos nem sempre suprimem o hábito de comer demais em alguns indivíduos.

Embora este recentemente descoberto circuito cerebral possa levar ao consumo prolongado de comida, a neurocientista Dana Small assinala, na publicação correlata Science Perspective, que é difícil dizer se os animais realmente achavam a experiência de comer mais prazerosa - e que décadas de pesquisas com seres humanos e roedores "falharam em vincular dopamina com prazer". Ela acrescenta que, ao passo que drogas como o semaglutide podem, com sucesso, induzir perda de peso, elas não fazem com que a experiência de comer um alimento bom seja menos aprazível.


terça-feira, 5 de maio de 2020

Obesidade favorece maior incidência da COVID-19 em jovens

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A COVID-19, causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), costuma evoluir com uma severa pneumonia intersticial bilateral, levando a insuficiência respiratória fatal. Em 29/04, a pandemia estava confirmada em mais de 3 milhões de pessoas em 185 países e regiões, com taxa de mortalidade geral de mais de 6% dos infectados. Uma avaliação preliminar dos casos parecia indicar que a doença atacava somente o aparelho respiratório. 


Três pesquisadores ligados à Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins - David A. Kass, Priya Duggal e Oscar Cingolani – desde fins de março deste ano notaram que muitos pacientes jovens com COVID-19 estavam chegando para atendimento na UTI do hospital daquela instituição. Isso diferia de uma visão prévia de que a pandemia seria uma patologia eminentemente de idosos e que ela só bem excepcionalmente afetava os jovens. Viram que isso também estava ocorrendo em UTIs em outras partes dos EUA. 

Em correspondência publicada pela tradicional revista médica inglesa The Lancet, eles comunicam ter constatado também que muitos desses jovens pacientes eram obesos, um problema de saúde pública nos EUA, onde a prevalência de obesidade está na casa dos 40%, em contraste com 6,2% na China, 20% na Itália e 24% na Espanha. 

Esses pesquisadores estudaram uma amostra de 265 pacientes (58% deles, homens), verificando uma relação inversa entre idade e IMC (Índice de Massa Corporal) – ou seja, quanto menor a idade, maior o IMC (que é um indicador genérico de peso normal, de sobrepeso e de obesidade franca). Nessa amostra, apenas 25% dos pacientes tinham IMC abaixo de 26 kg/m2 (limite máximo de peso normal) e 25% deles passavam dos 34,7 kg/m2 (obesos). A mediana do IMC era 29,3 kg/m2 e não havia diferença entre sexos. 

Como a obesidade pode dificultar a função respiratória? Ela restringe a capacidade de ventilação porque dificulta a movimentação do músculo diafragma (fundamental para a respiração normal), prejudica a resposta imune ao vírus, favorece inflamações, induz diabetes e um stress oxidativo que afeta negativamente a função cardiovascular. 

Os pesquisadores concluem que, nas populações com alta prevalência de obesidade, a COVID-19 afetará segmentos jovens bem mais do que anteriormente relatado. E recomendam que autoridades públicas devem informar esse aspecto à população jovem, aumentar a testagem do coronavírus nos indivíduos obesos e manter maior vigilância sobre este grupo de risco, buscando reduzir a prevalência da COVID-19 em sua forma grave. 
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Fonte: The Lancet * May 04, 2020 
DOI:https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)31024-2